*Cultura Woke e os Wide Awake

De acordo com o dicionário Merriam-Webster a partir de 2017, woke é uma versão corrompida e informal de “awake”, que significa “acordado” em português. Essa é a palavra do momento na parcela progressista dos Estados Unidos (“Fique woke!”, “fique acordado!” pode ser usado em varias situações, por isso virou um meme, poderíamos usar uma analogia de um termo atual no Brasil: Tá ligado?).

“Cultura Woke: Não bastasse esta corrente do pensamento neo liberal ter sido criada por grandes corporações e fixada por ONGs, universidades e associações na contemporaneidade, ela atua como elemento contra revolucionário.

Um exemplo pontual histórico que também nos mostram como alguns atos são criados para a manipulação das massas, é o do juiz estadunidense ultra conservador Clarence Thomas nomeado por George H. W. Bush. O governo Bush (1989-93), acusado de racismo e vendo crescer a oposição de Afro Americanos ao seu governo, incluindo contra suas políticas genocidas através do planeta, resolveu parte do problema nomeando Clarence Thomas pra juiz da Suprema Corte. Não podemos esquecer que no governo Bush pai os EUA passavam pela desarticulação do partido dos Panteras Negras, era urgente preencher a lacuna que o Partido (internacional) estava deixando.

Opal Tometi, Patrisse Cullors e Alicia Garza criadoras do Black Lives Matter (vidas negras importam) foram reconhecidos com vários prêmios desde 2013 — Foto: BBC

O movimento “Black Lives Matter” criado por Alicia Garza (redatora editorial), Patrisse Cullors (artista e ativista do Queer) e Opal Tometi (escritora) em 2017 nos mostra bem como somos manipulados sem perceber as vezes, o movimento que parecia ser original no inicio, da às massas a falsa ilusão que podem mais. A ideia em si é boa, porém vem estéril de ideologia, sendo assim as massas atuam como manada em estouro, indo em direção do toque do berrante. Prova disso é o aumento da violência cometida contra pobres no planeta inteiro, indicando que o movimento passa por uma questão de ideologia e sem ideologia não existe possibilidade de mostrar qual é o real inimigo.

Imagem da internet: O juiz Clarence Thomas e George Bush

George Bush resolveu grande parte dos atritos com os Afro Americanos, porém, perdeu apoio com grande parte das feministas, com parte da centro esquerda e parte da esquerda ao indicar o Juiz Clarence. Ainda referindo a presidentes, podemos citar a vitória de Obama, Obama não conseguiu implantar o ObamaCare uma das promessas de campanha.

O termo Woke e Wide Awake – totalmente desperto: (Os Wide Awakes eram uma organização para jovens e, mais tarde, uma organização paramilitar cultivada pelo Partido Republicano durante as eleições presidenciais de 1860 nos Estados Unidos, o movimento segundo o historiador Jon Grinspan, foi um dos estopins que desencadeou a guerra civil estadunidense). Os termos podem parecer novos, mas o significado é antigo. Eles apareceram pela primeira vez na cultura política estadunidense e nos anúncios políticos durante a eleição presidencial nos Estados Unidos em 1860 em apoio a Abraham Lincoln, Lincoln era um híbrido de abolicionista e conservador, sempre com discursos ambíguos para não desagradar os dois lados, ou agradar os dois. (Ler: ECOS DA SOLIDÃO: UMA AUTOBIOGRAFIA DE MAYA ANGELOU 1.3.3).

Imagem da internet: Um desfile do Wide Awakes no Lower Manhattan, um de uma série de comícios políticos realizados em Nova York, Filadélfia, Chicago, Cleveland e Boston durante a primeira semana de outubro de 1860.

No Brasil quem não lembra das marchas convocadas pela direita em 2013, sem bandeiras identificadoras, sem faixas? Estas marchas que a principio reclamavam de um aumento de R$ 0,20 centavos nas passagens dos ônibus em São Paulo, ganhou a mídia que imediatamente começou uma campanha difamatória contra a presidenta legitimamente eleita Dilma Vana Rousseff e terminou com o “golpe de 2016” que iria tira-la da presidência. A principio diziam, eram marchas convocadas pela esquerda, alguns partidos identificados como de esquerda entraram de cabeça neste “movimento woke brasileiro”, por este motivo existe a premissa de analisar corretamente até alguns movimentos.

Em 2016 o jornal Washington Post publicou um vídeo, de 2005, no qual o candidato republicano Donald Trump se gabando disse ter abusado sexualmente de mulheres por sua condição de “poder”. Neste caso Trump perdeu pontos com as feministas estadunidenses, mas ganhou pontos com a direita reacionária, exemplo disso foram os “proud boys” que foram com ele até o final.

Discordar é necessário, discutir é preciso pelo motivo de não existir nada pronto, temos um caminho inteiro para construir: O grande inimigo dos trabalhadores continua sendo o capitalismo e não unicamente um indivíduo, uma organização ou um movimento, sendo assim, o capitalismo precisa ser destruído.

Como o termo FEMINAZI criado pelo patriarcado com o claro objetivo de desconstruir as lutas por igualdade e desestimular a discussão sobre feminismo.

O termo WOKE em si, apareceu no final da década de 2010, foi adotado como um jargão mais abrangente, associado à “centro esquerda”, poderíamos fazer uma analogia com o termo ofensivo “ESQUERDALHA”. Esquerdalha deveria ser combatido, rechaçado.

O termo woke pode igualmente ser assimilado pelo “liberalismo social”, micro e nanoinfluenciadores, o feminismo burguês, Antifas, Black Lives Matter (não querendo dizer que os motivos sejam errados, apenas que o sistema se apropria das aspirações legitimas populares e as manobra de acordo com seus interesses) o ativismo LGBT individualista, techlash e regionalidades culturais tendo o objetivo de diminuir estas culturas (culturas étnicas, ou populares escarneadas pelos mercadores e consumidores da cultura elitizada e intelectualizada ou erudita), economia do cuidado, outros.

Cultura woke, política woke usados, podem igualmente ter como propósito diminuir indivíduos ou minorias e pequenos grupos. Algo no sentido de um grupo num bar de porão, sujo e abafado, bêbados, debatendo algum tipo de revolução, ou, conversa entre bêbados. O maior problema é que tudo serve a espetacularização das propostas para resolver problemas enraizados. E espetacularizando muitas propostas acabam caindo na vala comum, são ridicularizadas e nada será resolvido se o principal causador do problema não for atacado seriamente e destruído.

“We can do it” nasceu como propaganda de guerra dos EUA. Virou símbolo do feminismo

Woke Capitalism (do projeto Draft):

“Continuamos a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é…

CAPITALISMO ACORDADO

O que realmente é: Woke Capitalism é a prática utilizada por grandes corporações, bancos ou qualquer um que vise lucro, de propagar consciência social sobre questões emergentes como racismo, sexismo, homofobia, toxicidade corporativa etc. — mas agir apenas de forma superficial, geralmente por meio de marketing, alardeando mudanças sem mexer em sua própria estrutura . (no Brasil, grandes conglomerados econômicos financiam ONGs, associações, sindicatos e até politicos)

DO NYT

No começo de 2018, Ross Douthat, colunista do New York Times, escreveu um texto intitulado “The Rise of Woke Capital” (link no item “Para saber mais”), no qual disseca a prática de Woke Capitalism por meio de casos que aconteceram principalmente em big techs do Vale do Silício.

Segundo ele, há uma cultura masculina no Vale do Silício que os homens ficam felizes em manter “mesmo quando usam iniciativas de diversidade de gênero para jogar algum incenso para o igualitarismo”. Na analogia de Douthat, o Woke Capitalism é apenas fumaça aromatizada e passageira (o capitalismo se reinventando e ganhando uma nova indumentária para tentar uma sobrevida – parênteses nosso).

Um caso bem didático e recente de Woke Capitalism/Publi aconteceu pelas mãos da Uber (US). Um dia depois da greve da NBA por causa do assassinato de Jacob Blake por policiais (o que levantou com força mundial o movimento #BlackLivesMatter), o chefe de diversidade e inclusão do Uber, Bo Young Lee foi para o Twitter.

Capitalismo woke: As contradições do Uber fizeram o público rechaçar um anúncio criado após a morte de Jacob Blake.

Em sua conta, postou: “Se você tolera o racismo, exclua o Uber”, frase da nova campanha de outdoor da empresa. E acrescentou: “Agora é a hora de todas as pessoas e organizações defenderem o que é certo””.…Continue lendo….Capitalismo Woke

Um exemplo de ciberativismo-woke no Brasil seria o Sleeping Giants Brasil

Como percebemos, o que nos faz sorrir, pode nos fazer chorar.

Policia do Rio assassina pelo menos 20 pessoas, nestes casos o movimento Black Lives Matter não tem interesse em protestar.

Por villorBlue

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