*O Frankenstein de Bolsonaro

DO: JORNALISTAS LIVRES

O neoliberalismo deve ser exterminado junto com o governo Bolsonaro, do contrário, teremos outro imbecil alimentando a mesma besta que amola a faca que corta nossa carne

 

POR: Prof. Dr. Alexandre Santos de Moraes, do Instituto de História da Universidade Federal Fluminense

    

No início século XIX, Mary Shelley escreveu seu mais famoso romance. Enclausurado, o estudioso Victor Frankenstein descobriu como gerar vida e passou a se dedicar à criação de um ser humano gigantesco. Concluiu sua obra após dois anos de trabalho. Estava exausto e febril. Também desenvolveu asco pelo ser que fabricou e decidiu fugir. Não demorou para que a criatura se insurgisse contra o criador: em meio à sua fúria, estrangulou Elizabeth, noiva de Victor. Ainda que Shelley não o tenha feito em seu romance, a tradição posterior dedicou o sobrenome de Victor à abominação que produziu, quase que como uma herança maldita de pai para filho, e fê-lo conhecido como Frankenstein.

Dentre outras coisas, Frankenstein é uma excelente metáfora para discutir a relação entre o criador e a criatura, sobretudo do ponto de vista da responsabilidade moral. Que as ações tem um custo, ninguém duvida: se alguém sai na chuva, acaba se molhando; se alguém bebe em demasia, acaba embriagado; se alguém leva uma facada, corre risco de vida ou, quem sabe, é eleito presidente. A relação entre ação e reação está há muito reconhecida não apenas na Física, mas também na política e na economia. Quem produz um monstro deve ser responsável pela monstruosidade. É isso que falta a Jair Bolsonaro.

            Jair Bolsonaro perdeu o direito de ser irresponsável. Por muito tempo pintaram-no como boçal, quase como criança que é imune à estupidez por força da inexperiência. Ele caminhava graciosamente no ombro da abominação que produziu, mas diferentemente de Victor, que criou a vida, o presidente e seus ministros se comprometeram com a morte. Tentaram, a todo custo, matar o trabalho enquanto acalentavam o sonho dourado de uma economia forte para os rentistas e frágil para os trabalhadores. Desemprego deixou de ser um problema para figurar como necessidade. Aprofundou a reforma trabalhista de Michel Temer e implementou, ainda que não do jeitinho que queria, uma Reforma da Previdência que fará com que muitos brasileiros e brasileiras morram antes de se aposentar. O Frankenstein de Bolsonaro é a informalidade, o trabalho precário, a escassez de direitos que o receituário neoliberal estimulou. E agora, como no romance de Mary Shelley, a criatura se volta contra o criador.

A ausência de responsabilidade moral de Bolsonaro é bem representada pelas falsas ciladas que produz em sua retórica politiqueira. Quando quis impor seus ataques aos trabalhadores, fez questão de dizer que seria necessário escolher entre ter direitos trabalhistas e ter emprego. O povo, assustado, acreditou. As demandas da vida material gritam e o desemprego, que para o governo é uma necessidade estrutural, soa como verdadeiro terror para quem precisa trabalhar. Mas, apesar disso, convencidos de que não seria possível aliar as duas coisas, acreditaram nessa mentira oportunista que soa como música no ouvido dos empresários. A informalidade no Brasil é o dobro dos países desenvolvidos. Hoje, 41,1% da população ocupada não tem carteira assinada, o que as fragiliza diante de crises e diminui a arrecadação do governo: bom para os empresários, que vêem seus lucros aumentar, péssimo para os trabalhadores, que precisam lutar todos os dias para conseguir seu sustento.

Com a crise gerada pelo COVID-19, a rotina de trabalho tão desprezada pelo governo se tornou preocupação de primeira ordem. Mais uma vez, Bolsonaro repete as falsas equivalências e joga sujo com as necessidades materiais. O presidente, de maneira grotesca e irresponsável, coloca os trabalhadores já precarizados em uma sinuca de bico: se saem para trabalhar, contraem coronavírus e aumentam a epidemia; se permanecem em casa, morrem de fome. O presidente sabe que o monstro que ele criou faz exatamente isso e, no lugar de contê-lo, abre a porteira para que ele saia estrangulando as pessoas. O Frankenstein do neoliberalismo de Paulo Guedes está alucinado com o risco de morrer de inanição, e o presidente se esforça para mantê-lo vivo com base no sacrifício do povo que o elegeu. Seu alimento é a carne dos trabalhadores.

  A crueldade do presidente é tão grande que ele se mantém surdo para as melhores práticas internacionais, inclusive aquelas adotadas por quem bajula como cão sem dono. As medidas que restringem a circulação de pessoas já foram identificadas como as melhores práticas para contenção da epidemia. Para não desassistir os trabalhadores e trabalhadoras, diversos países estão aprovando transferências emergenciais de renda. Os EUA de Donald Trump, sujeito que Bolsonaro cultua quase como a um deus, aprovou aporte de 2 trilhões de dólares para diminuir a recessão. Parte desse dinheiro será destinado aos trabalhadores, que devem receber cerca de U$ 1.200,00 para permanecerem em suas casas. O Reino Unido, afável às medidas de austeridade, decidiu garantir o pagamento de 80% dos salários até o limite de 2.500 libras por mês. A Dinamarca vai garantir 75% do salário desde que as empresas se comprometam a não demitir. Suécia, Canadá e outros países fizeram o mesmo. Apenas Bolsonaro decidiu não rasgar os panfletos neoliberais para não melindrar seu monstro.

Não bastasse a inação, o governo tem trabalhado vigorosamente para ampliar a recessão que se avizinha. Ainda que tenha recuado, publicou Medida Provisória que assegurava aos empregadores o direito de cortar o salário por quatro meses desde que mantivessem os empregos. Bolsas de estudo foram suspensas. O Bolsa-Família está terrivelmente paralisado. Busca-se reduzir os salários dos servidores públicos. Nos últimos dias tem insistido, apesar de vozes divergentes dentro do próprio governo, na retomada das atividades produtivas como se não houvesse pelas ruas um vírus que já matou milhares de pessoas ao redor do mundo e que poderá matar, mesmo nas previsões pessimistas, alguns milhões.

Obrigar os brasileiros a optar entre morrer de fome ou por insuficiência respiratória não é apenas uma retórica covarde, típica dos genocidas, mas uma forma de se eximir das responsabilidades que o cargo para o qual foi eleito exigem.

Talvez a criatura já tenha dominado o criador, mas é bom que se note que não basta expurgá-lo do poder para defender a vida do povo brasileiro: é urgente ceifar também a abominação que já nos oprimia na vida cotidiana e que se tornou ainda mais abominável em temos de pandemia. O Frankenstein é o neoliberalismo e ele deve ser exterminado junto com o governo Bolsonaro, do contrário, teremos outro imbecil alimentando a mesma besta que amola a faca que corta nossa carne.

*Religião dos Brasileiros

  • Católica: 50%
  • Evangélica: 31%
  • Não tem religião: 10%
  • Espírita: 3%
  • Umbanda, candomblé ou outras religiões afro-brasileiras: 2%
  • Outra: 2%
  • Ateu: 1%
  • Judaica: 0,3%

Religião por sexo

Católicos:

  • Mulher: 51%
  • Homem: 49%

Evangélicos:

  • Mulher: 58%
  • Homem: 42%

Religião por cor

Católicos:

  • Parda: 41%
  • Branca: 36%
  • Preta: 14%
  • Amarela: 2%
  • Indígena: 2%
  • Outras: 4%

Evangélicos:

  • Parda: 43%
  • Branca: 30%
  • Preta: 16%
  • Amarela: 3%
  • Indígena: 2%
  • Outras: 5%

Religião por idade

Católicos:

  • 16 a 24 anos: 13%
  • 25 a 34 anos: 17%
  • 35 a 44 anos: 18%
  • 45 a 59 anos: 26%
  • 60 anos ou mais: 25%

Evangélicos:

  • 16 a 24 anos: 19%
  • 25 a 34 anos: 21%
  • 35 a 44 anos: 22%
  • 45 a 59 anos: 23%
  • 60 anos ou mais: 16%

Religião por escolaridade

Católicos

  • Fundamental: 38%
  • Médio: 42%
  • Superior: 20%

Evangélicos

  • Fundamental: 35%
  • Médio: 49%
  • Superior: 15%

Renda

Católicos

  • Até 2 salários mínimos: 46%
  • De 2 a 3 salários mínimos: 21%
  • De 3 a 5 salários mínimos: 17%
  • de 5 a 10 salários mínimos: 9%
  • Mais de 10 salários mínimos: 2%

Evangélicos

  • Até 2 salários mínimos: 48%
  • De 2 a 3 salários mínimos: 21%
  • De 3 a 5 salários mínimos: 17%
  • de 5 a 10 salários mínimos: 7%
  • Mais de 10 salários mínimos: 2%

Região do país

Católicos

  • Sudeste: 45%
  • Sul: 53%
  • Nordeste: 59%
  • Centro-Oeste: 49%
  • Norte: 50%
Leia na íntegra: A religião do brasileiro

Três em cada dez (29%) brasileiros com 16 anos ou mais atualmente são evangélicos, dividindo-se entre aqueles que podem ser classificados como evangélicos pentecostais (22%), em maior número e frequentadores de igrejas como Assembleia de Deus, Universal do Reino de Deus, Congregação Cristã e Quadrangular do Reino de Deus, e 7%, como evangélicos não pentecostais, pertencentes a igrejas como Batista, Presbiteriana e Metodista, entre outras. Esse segmento evangélico fica abaixo do formado por católicos (50%), e ainda há 14% sem religião, 2% de espíritas, kardecistas e espiritualistas, 1% de umbandistas, 1% de praticantes do candomblé, 1% de ateus e 2% de outras religiões. Desde a década de 90, quando o Datafolha iniciou sua série histórica de consultas sobre o tema, esse quadro tem se alterado, com a diminuição na diferença dos índices de católicos e evangélicos e, mais recentemente, o aumento no número de brasileiros sem religião.

Em agosto de 1994, quatro em cada dez (75%) dos brasileiros com 16 anos ou mais eram católicos, 10%, evangélicos pentecostais, 4%, evangélicos não pentecostais, outros 4%, espíritas, e 5%, sem religião. Passados pouco mais de dez anos, em outubro de 2005, a parcela de católicos havia diminuído para 66%, e a de evangélicos pentecostais, crescido para 14%. Além disso, os não pentecostais eram 7%, os espíritas, 3%, e os sem religião, 7%. Em julho de 2015, os católicos representavam 55% da população adulta brasileira, e os evangélicos pentecostais, 22%. Os evangélicos não pentecostais somavam 8%, os espíritas, 3%, e os sem religião, 7%. A comparação dessa evolução com o quadro atual mostra uma continuidade na queda no percentual de católicos,porém, desta vez, com uma migração mais intensa para os declarantes de sem religião, grupo que dobrou sua representatividade na população (neste segmento, 33% têm entre 16 e 24 anos).

Os evangélicos, considerando pentecostais e não pentecostais, tem idade média de 37 anos, ante 40 dos brasileiros. Uma parcela de 34% tem escolaridade fundamental (entre os brasileiros, 35%), e 51% estudaram até o ensino médio (ante 45% entre os brasileiros), o que faz com que uma parcela menor deles (de 15%) tenha chegado ao ensino superior (na população brasileira, 20%). Metade (49%) dos evangélicos estão na região Sudeste (ante 43% da população), 23%, no Nordeste (na população, 27%), 10%, no Norte (ante 8% dos brasileiros), 9%, no Sul (ante 15% dos brasileiros) e outros 9%, na região Centro Oeste (no Brasil, 8%).

A parcela com renda familiar mensal de até 2 salários mínimos representa 53% dos evangélicos, ante 49% entre os brasileiros. Uma fatia de 33% tem renda entre 2 e 5 salários (no Brasil, 36%), e 9% obtém mais do que 5 salários (na população são 10%).

Dos que se declaram evangélicos, 34% pertencem atualmente à Assembleia de Deus, e num patamar abaixo aparecem, na sequência, Igreja Batista (11%), Universal do Reino de Deus (8%), Congregação Cristã no Brasil (6%), Quadrangular (5%), Deus é Amor (3%), Adventista (3%), Presbiteriana (2%), Internacional da Graça de Deus (2%), Mundial do Poder de Deus (2%), entre outras menos citadas.

Cerca de metade (48%) dos evangélicos não teve outra religião ao longo da vida, e 44% deles já foram católicos. Há também aqueles que já foram de outras denominações evangélicas, pentecostais (1%) ou não pentecostais (4%), e os que já foram espíritas (2%), umbandistas (1%), e praticantes do candomblé (1%), entre outras menos citadas. Na fatia dos católicos, 90% nunca tiveram outra religião.

Os evangélicos também foram consultados sobre outras igrejas evangélicas que frequentaram ao longo da vida, e 18% mencionaram a Assembleia de Deus. Em seguia aparecem Batista (13%), Universal (7%), Deus é Amor (7%), Quadrangular (6%), Congregação Cristã (4%), Presbiteriana (4%), Adventistas (3%) e Mundial do Poder de Deus (1%), entre outras com menor percentual.

O movimento de migração de religião entre os evangélicos, principalmente de origem católica, fica mais evidente quando se compara o tempo de ligação com a igreja atual. Em média, os evangélicos frequentam sua igreja atual há 12 anos (para uma idade média de 37 anos), enquanto os católicos estão ligados à sua igreja há, em média, 32 anos (eles têm, em média, 42 anos, e 11% do segmento não frequenta cultos religiosos).

45% dos evangélicos discordam de que todas as religiões têm mesmo valor

Consultados sobre o que sua religião tem de melhor, 18% dos evangélicos mencionaram espontaneamente a fé (em Deus ou Jesus), 12%, os ensinamentos da Bíblia e da igreja, 5%, a palavra de Deus, 4%, a solidariedade, união e igualdade entre as pessoas, 3%, os projetos sociais, o amor a Deus e ao próximo, 3%, os conselhos sobre vícios e condutas, e 3%, tudo, entre outros. Na parcela de católicos, 14% mencionam a fé, 9%, o livre arbítrio, liberdade e flexibilidade, 6%, os ensinamentos da Bíblia e da igreja, 5%, a solidariedade, união e igualdade entre as pessoas, e 5%, nada, o fato de ser igual às outras, não ter nada de especial, entre outras respostas menos citadas. A parcela dos que não souberam apontar o que sua religião tem de melhor fica em 14%
entre os católicos, ante 4% no segmento evangélico.

De 0 a 10, a fé em Deus tem 9,9 de importância na vida dos evangélicos, e 9,8 na de católicos.

Semelhantes na avaliação da importância da fé, os dois segmentos têm visão diferente sobre as religiões em geral. Dos brasileiros que declaram ter religião, 70% concordam que “todas as religiões tem o mesmo valor porque todas levam ao mesmo Deus”, sendo que 54% concordam totalmente com a frase, e 14%, em parte. Na fatia de católicos, a taxa de concordância vai a 81% (64% totalmente, e 17%, em parte), e os demais não concordam nem discordam (2%), discordam (7% totalmente, 8%, em parte) e há 1% que não opinou. Entre os evangélicos, metade (50%) concorda com a frase (sendo 36% totalmente, e 14%, em parte), 4% não concordam nem discordam e 45% discordam (31% totalmente, e 14%, em parte) e 1% não opinou.

De forma geral, os evangélicos veem um grau de afinidade menor entre os valores de outras religiões e sua crença. Para medir esse grau de afinidade, os entrevistados foram consultados se os valores de outras religiões eram totalmente iguais, na maior parte iguais, na maior parte diferentes ou totalmente diferentes do que aqueles em que eles têm fé.

O Cristianismo (identificado dessa forma, sem detalhar doutrinas específicas) é visto como aquele em que as crenças mais combinam, em geral: entre os que declaram ter religião, 60% veem valores totalmente ou na maior parte iguais, os demais identificam valores totalmente ou em parte diferentes (18%), ou não souberam opinar (22%). Na parcela de evangélicos, esses índices ficam em 58%, 23%, e 19%, respectivamente, e entre os católicos, 61%, 15% e 24%.

Candomblé e Umbanda, entre as consultadas, são as religiões em que tanto religiosos em geral quanto evangélicos em particular identificam menor afinidade de valores. No caso da primeira, por exemplo, 16% dos que declaram religião veem valores totalmente ou na maior parte iguais, 48%, totalmente ou na maior parte diferentes, e há 36% que não souberam opinar. Entre os católicos, a taxa dos que acreditam que os valores em que acreditam e os valores do candomblé são iguais fica em 18%, ante 7% entre os evangélicos. A taxa dos que veem valores diferentes, entre os católicos, é de 42%, e sobe para 62%
entre os evangélicos.

Religiosos ou não, brasileiros atribuem sucesso financeiro, primeiramente, a Deus

Entre uma série de questões sobre aspectos religiosos, a que conta com maior respaldo tanto de evangélicos quanto católicos diz respeito à criação: 98% dos evangélicos concorda, totalmente (93%) ou em parte (5%), que o homem é uma criação de Deus, que o construiu a sua imagem e semelhança; entre católicos, 94% concordam (83% totalmente, 11%, em parte). A avaliação de que “todo o sucesso financeiro da minha eu devo, em primeiro lugar, a Deus” é respaldada por 97% dos evangélicos, incluindo os que concordam totalmente com a afirmação (89%) e os que concordam em parte (7%). No segmento católico da população, 91% concordam com essa questão (78% totalmente, 13%, em parte).

A afirmação de que “aqueles que creem em Deus, quando morrerem, irão para o céu e terão uma vida eterna” tem a concordância de 87% dos evangélicos, sendo que 72% concordam totalmente com ela, e 15%, em parte. Entre os católicos, esses índices ficam em 61% e 19%, respectivamente. Com apoio similar, entre os evangélicos, está a avaliação de que “o fim do mundo está próximo e somente aqueles que acreditarem em Deus irão se salvar”, com a qual 83% concordam (67% totalmente, e 16%, em parte). Na porção católica da população, 58% concordam com a afirmação, incluindo os que concordam totalmente (41%) e os que concordam em parte (16%).

Para 28% dos evangélicos, “as pessoas pobres, em geral, não tem fé em Deus, e por isso não conseguem sair dessa situação”, sendo que 20% deles concordam totalmente com essa afirmação, e 8%, em parte. Entre os católicos, 15% concordam totalmente, e 7%, em parte.

Católicos e evangélicos divergem sobre a adoção por casal gay e concordam sobre crime em aborto

A maioria (71%) dos evangélicos acredita que deveria haver uma lei para quem intimidar, constranger ou agredir homossexuais, índice próximo ao verificado entre a população em geral (76%) e católicos (77%). Para 22%, não deveria haver uma lei com esse propósito, e 7% não opinaram.

Quando o assunto é a legalização da união entre pessoas do mesmo sexo, porém, a maioria (68%) dos evangélicos adota posição contrária, e 19%, a favor, além de 10% que são indiferentes e 3% que não opinaram. Na população brasileira, 44% são a favor da legalização da união de homossexuais, 42%, contra,
11%, indiferentes, e 3% não opinaram.

A adoção de crianças por um casal gay é rejeitada por 64% dos evangélicos, e 26% são a favor de que isso ocorra. Há ainda 7% de evangélicos que são indiferentes, e 3% que não opinaram. Entre os católicos, 56% são a favor de casais gays adotarem crianças, e 33% são contra. Na população brasileira, 49% são a favor, e 40%, contra.

Questionados se uma mulher que interrompe uma gravidez deveria ou não ser processada e ir para a cadeia, 64% dos evangélicos responderam positivamente, e 23% se colocaram contra essa possibilidade, além de 12% que são indiferentes. Entre os católicos, a taxa de apoio à proposta fica em 58% (com 29% contra e 14% indiferentes), e entre os brasileiros, em 56% (30% são contra, e 14%, indiferentes).

A opinião de católicos e evangélicos converge quanto à presença da religião nas escolas. Para 85% de ambos os segmentos as escolas deveriam ensinar as crianças a rezar e acreditar em Deus. Na população brasileira, 79% são a favor.

Leia mais: DataFolha

Baixe esta pesquisa em PDF: Aqui

COMO VEMOS, É IMPOSSÍVEL PENSAR EM ALGO SEM CONSIDERAR ESTES DADOS

*Prostituídas pelo Exercito Japonês (entre 1910 e 1945)

Mulheres de Taiwan (mulheres de conforto) pedem a anos o reconhecimento pelo Estado Japonês desta triste pagina da história.

Para que o Tribunal Penal Internacional vença seu desafio

Antes de continuar, veremos o que nos diz sobre “prostituição forçada“, o Tribunal Penal Internacional e os crimes tipificados no Estatuto de Roma:

Expressa o artigo 7º do Estatuto de Roma sobre os crimes contra a humanidade:

1. Para os efeitos do presente Estatuto, entende-se por “crime contra a humanidade”, qualquer um dos atos seguintes, quando cometido no quadro de um ataque, generalizado ou sistemático, contra qualquer população civil, havendo conhecimento desse ataque:

a) Homicídio;

b) Extermínio;

c) Escravidão;

d) Deportação ou transferência forçada de uma população;

e) Prisão ou outra forma de privação da liberdade física grave, em violação das normas fundamentais de direito internacional;

f) Tortura;

g) Agressão sexual, escravatura sexual, prostituição forçada, gravidez forçada, esterilização forçada ou qualquer outra forma de violência no campo sexual de gravidade comparável;

h) Perseguição de um grupo ou coletividade que possa ser identificado, por motivos políticos, raciais, nacionais, étnicos, culturais, religiosos ou de gênero, tal como definido no parágrafo 3º, ou em função de outros critérios universalmente reconhecidos como inaceitáveis no direito internacional, relacionados com qualquer ato referido neste parágrafo ou com qualquer crime da competência do Tribunal;

i) Desaparecimento forçado de pessoas;

j) Crime de apartheid;

k) Outros atos desumanos de caráter semelhante, que causem intencionalmente grande sofrimento, ou afetem gravemente a integridade física ou a saúde física ou mental.

Os crimes contra a humanidade são delitos típicos de lesa-humanidade. Tem como elementos: a conduta como parte de um ataque generalizado ou sistemático dirigido contra uma população civil e que o autor tenha tido a intenção de que a conduta faça parte de um ataque, sendo que o ataque pode ocorrer em tempos de paz.

Como podemos perceber estamos diante de um artigo com 11 (onze) alíneas, assim destaca-se algumas condutas inovadoras que devem ser protegidas pelo TPI, entre elas: “g) agressão sexual, escravatura sexual, prostituição forçada, gravidez forçada, esterilização forçada ou qualquer outra forma de violência no campo sexual de gravidade comparável” e “j) Crime de apartheid”.

Assim, a proteção dada as mulheres é de grande relevância, uma vez que as mulheres têm sido as maiores vítimas de ataques generalizados contra população civil, a violência sexual afeta a mulher que sofreu o abuso, mas também a família e a comunidade moral, físico, emocional e espiritualmente.

Por outro lado, a Coreia do Sul também abre uma petição para que o Japão também assuma seus crimes contra a humanidade por escravizar mulheres para uso sexual durante a segunda guerra mundial imperialista.

Na imagem abaixo, ao protesto que se seguiu a petição de mulheres Coreanas, uma imagem colocada em frente a embaixada do Japão em Seul culminou numa crise internacional e a retirada provisória do embaixador do país.

Pessoas ao redor de estátua em Seul.

Ativistas colocaram estátua de protesto em 28/12/2016. A obra foi colocada por ativistas em frente ao consulado japonês em Busan, a segunda maior cidade coreana.

Estátua em homenagem às mulheres de conforto em Seul, frente à embaixada do Japão

Foto: REUTERS/Lee Jae-Won

Não bastassem as mulheres de Taiwan e Coreia do Sul, Chinesas, Indonésias, australianas e Filipinas também pedem para que o estado Japonês reconheça seus crimes de guerra. Alguns relatos chocantes afirmam que uma única mulher era seviciada por até 70 soldados.

Somos muito velhas. Vamos morrendo ano a ano – uma por uma“, disse à BBC, em 2013, Lee Ok-seon, então com 88 anos.

Mulheres que dizem ter sofrido abusos durante a Segunda Guerra.

Calcula-se que cerca de 200 mil passaram por essa situação – a Coreia do Sul estima que 46 delas ainda vivem no país.

COREIA DO SUL:

A posição do governo é pedir ao governo japonês que peça desculpas às ‘mulheres de conforto, como elas eram chamadas pelos invasores japoneses’ (Que conforto ?) do nosso país durante a Segunda Guerra Mundial imperialista e para que as indenize, fazendo assim justiça“, declarou nesta terça-feira à imprensa.

Esperamos que o governo japonês faça mais para melhorar a situação das chamadas ‘mulheres de conforto’. A nossa posição não mudou

Estas mulheres, agora muito idosas, somam apenas quatro em toda a ilha, de acordo com o diretor da Fundação de Atendimento à Mulher de Taipei, que vem em seus auxílio.

A Coreia do Sul é apenas o começo, e o Japão deve refletir como resolver o problema com as mulheres que foram vítimas dessa prática em Taiwan, China, Filipinas e Indonésia, que aguardam um pedido de desculpas e reparos“, afirmou o diretor da Fundação, Kang Shu-hua.

Esperamos que as quatro sobreviventes, que tem em média 91 anos, recebam em breve uma resposta oficial do Japão“.

O número de escravas sexuais não é certo (não existe um consenso), mas os historiadores dizem que eram dezenas de milhares ou mais, e seu objetivo era impedir a propagação de doenças e reduzir as violações entre soldados.

Acordo sobre “mulheres de conforto” não é suficiente para compensar vítimas

Ao fim, Coreia do Sul reage a investigação sobre mulheres raptadas pelo exército japonês para sistema de escravidão sexual entre 1910 e 1945. Seul lamenta que acordo assinado com o Japão em 2015 não seja suficiente para compensar vítimas. Tóquio diz que acordo é “irreversível”. Leia mais…

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*Pelo fim das guerras imperialistas

Concatenado por: villorBlue

 

*Incompetência e Presunção

França e COVID-19: Incompetência e presunção

Fonte da fotografia: David Mapletoft – CC BY 2.0

Em 31 de dezembro de 2019, o governo chinês informou a Organização Mundial da Saúde de uma epidemia de origem animal em Wuhan, relatando semelhanças com o SARS-CoV (Coronavírus da Síndrome Respiratória Aguda Grave), que apareceu originalmente em 2002 na província de Guangdong) e com o MERS- CoV (Síndrome Repiratória do Oriente Médio, que apareceu originalmente na Arábia Saudita em 2012). Em 12 de janeiro, os cientistas chineses compartilharam o genoma completamente sequenciado desse novo coronavírus com toda a comunidade científica internacional.

A epidemia já havia matado 80 pessoas na China e milhares estavam infectadas. A cidade de Wuhan (11 milhões de habitantes) e a província de Hubei (60 milhões de habitantes, incluindo a cidade de Wuhan) foram isoladas nos dias 25 e 26 de janeiro. Fábricas, escritórios, lojas, escolas, universidades, museus e aeroportos foram fechados. O transporte urbano na cidade foi significativamente reduzido. Como precaução, as autoridades estenderam as férias do Ano Novo Chinês em uma semana (23 a 31 de janeiro) para cobrir o período de incubação do vírus entre os habitantes de Wuhan que deixaram a cidade e poderiam ter sido infectados. 

Eles montaram hospitais abrigos (“ fangcang”) em ginásios, centros de conferência, hotéis e outras instalações para separar os sintomáticos e os provavelmente infectados de seus parentes saudáveis. Com o número de pessoas doentes excedendo a capacidade hospitalar local, as autoridades instalaram dois hospitais com 1.200 leitos em quinze dias e convocaram pessoal médico e voluntário de enfermagem de toda a China.

Mais de 42.000 profissionais de saúde responderam. Apesar do uso de equipamentos de proteção individual, 4,4% deles (3.387) apresentaram resultado positivo e 23 morreram a partir de 3 de abril, de acordo com a Cruz Vermelha Chinesa. O bloqueio foi rigoroso e comitês de bairro foram mobilizados para garantir a entrega de alimentos aos habitantes. As máscaras foram requisitadas e distribuídas à população. As luminárias e os móveis das ruas foram desinfetados e até as notas foram desinfetadas. A idade média dos doentes era de 55 anos e 56% deles eram homens. Nenhum caso de infecção foi relatado em menores de 15 anos.

Toda essa informação foi compartilhada em revistas médicas internacionais por médicos e pesquisadores chineses a partir de 20 de fevereiro. A criação de hospitais “ex nihilo” (frase em latim que significa “do nada – parênteses nosso) no espaço de duas semanas recebeu ampla cobertura na mídia, mas as autoridades francesas não apreciaram a gravidade. das implicações: eles preferiram ver a iniciativa; como os chineses comercializa suas obras públicas (criticavam a logística material – parênteses nosso). Em meados de janeiro, foram registrados casos de COVID-19 em Bangkok, Tóquio e Seul. Sensores térmicos foram instalados nos aeroportos da China, Coreia, Tailândia, Taiwan, Hong Kong e Cingapura. Em 26 de janeiro, as autoridades de Hong Kong cancelaram todos os eventos esportivos e culturais. Uma campanha de testes começou na cidade em 18 de fevereiro.

E a França ? Em 24 de janeiro, o Ministério da Saúde anunciou que três pacientes provenientes da China haviam sido hospitalizados com o coronavírus. O Instituto Nacional Francês de Saúde e Pesquisa Médica (INSERM) delineou dois cenários para a disseminação do COVID-19: um de alto risco e outro de baixo risco. Dado o tráfego aéreo, os países estimados como os mais expostos foram a Alemanha e o Reino Unido. A Itália nem sequer foi mencionada. A Ministra da Saúde, Agnès Buzyn, comentou os cenários do INSERM no mesmo dia em que deixou o Conselho de Ministros: “o risco de infecção secundária de um caso importado é muito baixo e o risco de propagação do vírus na população também é baixo. muito baixo.

Em 30 de janeiro, a França repatriou 250 cidadãos franceses e 100 imigrantes europeus de Wuhan, colocando-os em quarentena no sul da França. Em 10 de fevereiro, um cidadão britânico procedente de Cingapura infectou outras cinco pessoas na pequena estação de esqui alpina de Contamines-Montjoie. Uma triagem sumária não detectou outros casos no resort. Os infectados foram hospitalizados. Buzyn nos lembrou naquela ocasião que “o risco de infecção é muito baixo; somente o contato próximo e sustentado com uma pessoa infectada pode aumentá-lo.

Nesse ponto, com 900 mortos na China, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, fez clara referência ao perigo da propagação global: “podemos estar vendo apenas a ponta do iceberg”.

Mas na França as autoridades – devidamente advertidas, mas estranhamente imperturbáveis ​​- não adotaram medidas específicas. Em 6 de março, enquanto estava no teatro com sua esposa, o Presidente Macron declarou: “A vida continua. Não há motivo, exceto para os membros mais vulneráveis ​​da população, para mudar nossos hábitos de passeio. ” Seu objetivo era incentivar os franceses a continuarem a sair apesar da epidemia de coronavírus e da falta de máscaras protetoras. Nesse mesmo dia, o governo italiano decidiu bloquear a Lombardia, estendendo a provisão a todo o país no dia seguinte. Enquanto Macron estava gostando da apresentação, havia 613 casos de coronavírus na França e o número dobrava a cada três dias (aproximadamente a mesma taxa registrada pelos médicos chineses em Wuhan em janeiro e vista na Coréia do Sul e Itália). Extrapolando esse crescimento exponencial, pode-se estimar que em 16 de março haverá aproximadamente 6.500 casos; o número oficial final era de 6.633.

O governo francês estava todo focado na reforma previdenciária, a principal prioridade do presidente Macron. Os protestos foram organizados em todas as cidades francesas: aposentados, ferroviários, médicos, advogados, bombeiros e estudantes foram às ruas. As manifestações foram violentamente reprimidas pela polícia. Os economistas concordaram por unanimidade – um evento raro – de que a reforma proposta prejudicaria todas as categorias de trabalhadores, exceto aquelas nas faixas de renda mais alta. Os sociólogos alertaram o governo sobre o aprofundamento dos cismas sociais, como haviam sido lançados aos olhos do público mais cedo com a revolta de 12 meses dos gilets jaunes[coletes amarelos]. Esses protestos foram realizados todos os sábados por quase um ano em todas as cidades da França, atraindo uma ampla gama das categorias sociais e ocupacionais mais atingidas, grande parte das quais eram pensionistas. Mas tudo por nada: na tarde de sábado, 29 de fevereiro, com a câmara da Assemblée Nationale – onde estava ocorrendo o debate sobre o projeto – quase vazio por causa do dia, o governo aproveitou a oportunidade da pandemia do COVID-19 aprovar a reforma previdenciária por decreto constitucional. Nessa data, reuniões de mais de 900 pessoas foram proibidas por causa do COVID-19. As autoridades não arriscaram mais protestos das pessoas nas ruas.

Mas o governo Macron não parou por aí. Contra o conselho da equipe médica e do gerente do estádio, autorizou uma partida de futebol entre a Juventus e o Olympique Lyonnais para a Rodada dos 16 na Liga dos Campeões. Três mil torcedores italianos estavam em Lyon em 26 de fevereiro: na época, a Itália tinha 21 mortes por coronavírus e 900 pessoas infectadas. O Dr. Marcel Garrigou-Grandchamp, que havia avisado o novo Ministro da Saúde na manhã da partida, publicou um artigo de opinião no site da Federação dos Médicos da França em 31 de março, onde falou de uma “explosão” de coronavírus casos no Département du Rhône cerca de duas semanas após a partida entre a OL e a Juventus. Uma seqüência semelhante de eventos ocorreu na Itália com a partida de Atalanta BC – Valência em 19 de fevereiro, denominada “ bomba biologica”Por muitos médicos italianos. Foi em 4 de março, quinze dias após a partida, que o número de casos na cidade de Bergamo, na Lombardia, explodiu, tornando-a a cidade mais impactada da Itália. Walter Ricciardi, representante italiano da OMS, reconheceu que a partida havia sido um “catalisador para a propagação do vírus”. A corrida de ciclismo profissional de 8 etapas em Paris-Nice foi realizada de 8 a 15 de março. Mais significativamente, o governo confirmou a primeira fase das eleições municipais em 15 de março, depois de ordenar o fechamento de escolas e universidades em 12 de março e o fechamento da maioria das lojas, bares e restaurantes em 14 de março. Existem 34.000 comunas na França que tiveram que organizar as eleições com voluntários locais: voluntários e eleitores sem proteção adequada – não havia máscaras disponíveis. O governo os havia requisitado para o pessoal do hospital, onde a falta era crítica. Metade dos eleitores ficou em casa por questões de segurança. Para piorar as coisas, Agnès Buzyn anunciou sua candidatura à prefeitura de Paris em 16 de fevereiro, menos de um mês antes da eleição, para substituir o candidato do governo, Benjamin Griveaux, que havia sido desacreditado quando um vídeo explícito que ele havia enviado para uma jovem foi postada online. Buzyn deixou o Ministério da Saúde no meio da crise do Coronavírus. Os profissionais de saúde que haviam organizado inúmeras greves nos onze meses anteriores para protestar contra a deterioração dos hospitais públicos sentiram-se menosprezados. Perdendo por uma ampla margem, Buzyn declarou em uma entrevista para Metade dos eleitores ficou em casa por questões de segurança. Para piorar as coisas, Agnès Buzyn anunciou sua candidatura à prefeitura de Paris em 16 de fevereiro, menos de um mês antes da eleição, para substituir o candidato do governo, Benjamin Griveaux, que havia sido desacreditado quando um vídeo explícito que ele havia enviado para uma jovem foi postada online. Buzyn deixou o Ministério da Saúde no meio da crise do Coronavírus. Os profissionais de saúde que haviam organizado inúmeras greves nos onze meses anteriores para protestar contra a deterioração dos hospitais públicos sentiram-se menosprezados. Perdendo por uma ampla margem, Buzyn declarou em uma entrevista para Metade dos eleitores ficou em casa por questões de segurança. Para piorar as coisas, Agnès Buzyn anunciou sua candidatura à prefeitura de Paris em 16 de fevereiro, menos de um mês antes da eleição, para substituir o candidato do governo, Benjamin Griveaux, que havia sido desacreditado quando um vídeo explícito que ele havia enviado para uma jovem foi postada online. Buzyn deixou o Ministério da Saúde no meio da crise do Coronavírus. Os profissionais de saúde que haviam organizado inúmeras greves nos onze meses anteriores para protestar contra a deterioração dos hospitais públicos sentiram-se menosprezados. Perdendo por uma ampla margem, Buzyn declarou em uma entrevista para que foi desacreditado quando um vídeo explícito que ele enviou a uma jovem foi postado online. Buzyn deixou o Ministério da Saúde no meio da crise do Coronavírus. Os profissionais de saúde que haviam organizado inúmeras greves nos onze meses anteriores para protestar contra a deterioração dos hospitais públicos sentiram-se menosprezados. Perdendo por uma ampla margem, Buzyn declarou em uma entrevista para que foi desacreditado quando um vídeo explícito que ele enviou a uma jovem foi postado online. Buzyn deixou o Ministério da Saúde no meio da crise do Coronavírus. Os profissionais de saúde que haviam organizado inúmeras greves nos onze meses anteriores para protestar contra a deterioração dos hospitais públicos sentiram-se menosprezados. Perdendo por uma ampla margem, Buzyn declarou em uma entrevista paraLe Monde que a eleição havia sido uma “mascarada”. [7] O bloqueio não foi ordenado até o dia seguinte às eleições, politique obrigue .

O novo Ministro da Saúde, Olivier Vérant, membro do parlamento com o partido no poder, adotou o mantra do governo, que todo ministro e secretário de Estado deve cantar em uníssono: “máscaras são inúteis, os testes não são confiáveis” . Todos eles juram por lavagem das mãos e bloqueios. Nenhuma referência é feita à maneira como as coisas foram tratadas em Seul, Hong Kong ou Taiwan, onde máscaras gratuitas foram distribuídas e as pessoas foram obrigadas a usá-las, e testes em larga escala foram realizados e onde a vida econômica continua, câmera lenta, mas continua. Hoje, com 23 milhões de habitantes, Taiwan registrou 6 mortes no COVID-19; Hong Kong, com 7 milhões de habitantes, perdeu 4. Quanto aos médicos franceses que estavam em Wuhan trabalhando ao lado de seus colegas chineses e, portanto, bem informados, eles nem foram consultados.

A polícia francesa para e multa transgressores, caminhantes solitários ou corredores, enquanto o metrô, aeroportos, bondes e ônibus estão operando e supermercados e tabacarias estão abertos para negócios. A polícia está sem máscara e muitos são vítimas do vírus, tornando-se portadores em potencial. O mesmo vale para o pessoal de saúde e administração, trabalhando sem equipamento de proteção individual em casas de repouso. As autoridades se recusaram a denunciar o número de vítimas entre os profissionais de saúde, citando preocupações de “sigilo médico”. Os idosos morrem, mas não são contados nas estatísticas oficiais. Nem são os que morrem em casa. Agora que seus números são tão altos e não podem mais ser ignorados, descobrimos que os residentes dessas casas de repouso representam 40% das mortes registradas na França. Eles não são hospitalizados. O tratamento deles? Paracetamol para os levemente afetados, morfina para o resto. Quase metade da equipe de enfermagem em lares de idosos é afetada pela epidemia.[8] Mas o governo é impotente: não possui solução de teste suficiente e não permitirá a realização de testes em casas de repouso, a menos que exista um caso confirmado. Ubuesque!

As fronteiras permanecem abertas. O presidente Macron se recusa a fechar a fronteira com a Itália, exigida pelo líder do partido nacional de Rassemblement, Marine Le Pen, desde 26 de fevereiro. Para o chefe de Estado, o problema colocado pela epidemia “só pode ser resolvido através de políticas europeias e europeias perfeitas. cooperação internacional.” Os eventos dos dias seguintes rapidamente contradizem esse desejo. Todo país se fechou. Mas não a França. Não há controles de saúde nos aeroportos, estações de trem ou portos franceses. Nem hoje, 18 de abril de 2020, quando o número oficial de mortos chegou a 18.000. No local de trabalho ao lado da minha casa, trabalhadores italianos vêm ao trabalho, sem equipamento de proteção, todas as manhãs no trem 7:35 de Ventimiglia, saindo na Gare d’Eze: sem checagens quando partem, sem checagens quando chegam. A Itália já registrou oficialmente mais de 23.660 mortes. Em seu noticiário noturno de 18 de abril, a estação de televisão Antenne 2 transmitiu a reportagem da jornalista Charlotte Gillard, que havia tomado um voo da Air France de Paris para Marselha: o avião estava lotado, não era um assento livre, os passageiros não tinham máscaras, não a temperatura da pessoa era verificada na partida ou na chegada.

Gradualmente, aprendemos com as notícias publicadas na imprensa que a França atualmente não possui lojas de máscaras ou kits de teste. Por razões econômicas – economia anual de 30 milhões de euros – os estoques estratégicos do país foram esgotados em 2012 e nunca foram reabastecidos. Na véspera de 2020, quando a epidemia de coronavírus começou a se espalhar, os suprimentos da França consistiam em zero máscaras de FFP2, 117 milhões de máscaras cirúrgicas para adultos e 40 milhões de máscaras pediátricas! Os hospitais estão passando por escassez crítica de máscaras. A equipe de enfermagem nos lares de idosos não tem proteção (sem luvas, máscaras, sem gel desinfetante). Não há mais gel desinfetante disponível em farmácias ou lojas. Médicos e enfermeiros não têm o equipamento necessário. Quanto aos hospitais, eles não têm leitos nem ventiladores suficientes para lidar adequadamente com a epidemia.

As autoridades francesas não o admitem publicamente. E eles parecem arrastar os pés por razões impossíveis de entender. Eles não esperavam isso. E quando começou a se materializar, eles negaram por razões que só podem ser chamadas de presunção, uma marca tradicional de distinção entre a elite política francesa. As autoridades das regiões francesas, percebendo as deficiências do governo, encomendam e compram seus suprimentos diretamente da China. Quando chegam, são requisitados pelo Estado: assim, 4 milhões de máscaras que foram encomendadas da China pela Bourgogne-Franche-Comté para a equipe de enfermagem em suas casas de repouso foram confiscadas na pista do aeroporto de Basileia-Mulhouse pela polícia em abril 4, usando métodos que fariam corar um gangster. Quanto aos raros prefeitos que possuem estoques de equipamentos de proteção individual e graciosamente os disponibilizam à população local, exigindo o uso de máscaras, eles são levados a tribunal pelo Ministério do Interior, que deseja preservar suas prerrogativas reais. Em 16 de abril, o Conselho de Estado, o mais alto órgão administrativo da França, afirmou seu status real, limitando o poder dos prefeitos. A decisão lembra seu papel em 1942-1944 durante o regime de Vichy. Permanece fiel a si mesmo; serve o estado, não a nação. A decisão lembra seu papel em 1942-1944 durante o regime de Vichy. Permanece fiel a si mesmo; serve o estado, não a nação. A decisão lembra seu papel em 1942-1944 durante o regime de Vichy. Permanece fiel a si mesmo; serve o estado, não a nação.

Os enfermeiros das unidades de terapia intensiva dos hospitais de Paris relatam que, devido à escassez de leitos e ventiladores, eles estão praticando essencialmente a medicina no campo de batalha. Isso significa que há uma triagem entre os doentes, escolhendo entre aqueles considerados muito velhos e aqueles que os médicos consideram ter melhores chances de recuperação. [9]Não é por acaso que os dois países europeus menos afetados pela pandemia são a Áustria e a Alemanha bem equipadas, que até agora não experimentam escassez de leitos ou ventiladores. Na França, os veterinários estão emprestando seus ventiladores para hospitais! Em vez de nacionalizar clínicas privadas como fizeram na Irlanda, transportam pacientes longas distâncias em trens médicos, helicópteros ou ônibus para hospitais menos congestionados na província ou no exterior (Alemanha, Suíça, Luxemburgo), aumentando a possibilidade de infectar profissionais de saúde e o risco de morte. As estatísticas são tendenciosas porque os pacientes com mais de 75 anos não têm acesso aos serviços de UTI: esse é um fato triste para os lares de idosos.

Somente em 28 de março o ministro da Saúde, Olivier Véran, anunciou: “Mais de um bilhão de máscaras foram encomendadas da França e de outros países nas próximas semanas e meses”. Este foi o homem que alguns dias antes repetiu publicamente, em uma espécie de ladainha, que as máscaras eram inúteis.

Em sua decisão de 15 de abril sobre a triagem e proteção dos idosos, o Conselho de Estado revelou a extensão do desastre. Assaltado por associações que exigem que as pessoas que vivem em casas de repouso e seus cuidadores sejam sistematicamente testadas e que equipamentos de proteção (máscaras, gel desinfetante) sejam distribuídos, o Conselho de Estado limitou-se a recitar os valores insignificantes promulgados pelo governo (“40.000 testes por dia estará disponível em todo o país até o final de abril; 60.000 estarão disponíveis nas próximas semanas ”). Assim, em meados de maio, a França estará pronta para fazer o que a Alemanha já faz desde um mês e meio: 500.000 testes por semana. Quanto às máscaras, os “pedidos atuais chegam a cerca de 50 milhões de máscaras”. No entanto, forneça a taxa de entrega, levará nove meses para recebê-los todos.

Existem 430.000 profissionais de saúde e 752.000 pensionistas em casas de repouso e centros de saúde. No total, existem quase um milhão de profissionais de saúde (210.000 médicos ativos e 700.000 enfermeiros e auxiliares de enfermagem) na França.

Sob essas condições, fica claro que o anúncio de Macron do fim do bloqueio e da retomada das aulas em 11 de maio é uma aposta. Se todos os professores retornassem à sala de aula, isso significaria 870.000 máscaras por dia – a reutilização de máscaras é contra-indicada. E se todos os alunos retornarem nessa data, ou mesmo gradualmente, eles terão que receber mais de 12 milhões de máscaras por dia.

Mesmo com o presidente divulgando a máscara do “ grande público ”, uma invenção francesa, sem dúvida, feita artesanalmente localmente, o fim do bloqueio em 11 de maio e o recomeço das aulas escolares são, na melhor das hipóteses, uma aposta; sem máscaras confiáveis ​​para proteger toda a população, é um ato arriscado e irresponsável.

O fim de uma crise de saúde que as autoridades não previram será ainda mais doloroso para os franceses, fiscal e socialmente, com o presidente e seu governo saindo dessa provação diminuídos e totalmente desacreditados.

Notas.

1) “Morte de Covid-19 de 23 trabalhadores da saúde na China”, The New England Journal of Medicine , 15 de abril de 2020. 

2) The Lancet e o New England Journal of Medicine , consulte Chen Wang “Controle Covid-19 na China durante movimentos de população em massa no Ano Novo”, 20 de fevereiro de 2020 (on-line). 

3) Declaração à imprensa, BFM TV, Palais de l ‘Elysée, 24 de janeiro de 2020. 

4) Benoit Pavan, “Coronavírus: estação de esqui de Contamines-Montjoie, em Alta Sabóia, um potencial de entrada na França”, Le Monde, 10 de fevereiro de 2020.

5) Frederic Lemaître, “Coronavírus: a semaine of tout peut basculer” , Le Monde , 9 de fevereiro de 2020.

6) TV BFM, 7 de março de 2020. 

7) Ariane Chemin, “Les lamenta d’Agnès Buzyn: ‘Na aurait dû tout arrêter, c’était une mascarade’”, Le Monde , 17 de março de 2020.

8) Béatrice Jérôme, Lorena de Foucher, “Dans les Ehpad décimés par coronavirus, ‘c’est un cauchemar collectif’”, Le Monde , 2 de abril de 2020.

9) “Uma situação de medicina de guerra”, Nice Matin , 16 de abril de 2020. 

Mais artigos por: 

Patrick Howlett-Martin é um diplomata de carreira que vive em Paris.

Leia na íntegra: COUNTER PUNCH

*Acumule até a Morte

Acumule até a morte e concorde com a morte

BREVE PROTOCOLO PARA FIXAR NA PORTA DE QUALQUER HOSPITAL PRIVADO MERCANTILISTA

*Um idoso vale menos que todos

*Uma mulher vale menos que um homem

*Uma criança vale menos que um jovem

*Um portador de necessidades especiais vale menos que uma pessoa considerada normal

*Um salvável vale mais que um doente

São estes parâmetros que serão usados numa Uti mercantil daqui pra frente na hora de decidir (Protocolo eugenista)

Do: ARAINFO

É verdade que “a pandemia colocou diante de nós a questão mais radicalmente filosófica e subversiva: o que é essencial?” Mas há algo mais cedo e mais verdadeiro: no curso da pandemia, o que ainda está esperando uma resposta também é uma pergunta que não é nova: quantos de nós estão dispostos a continuar expulsando, abandonando e sacrificando?

Este texto tem trilha sonora . É recomendável, por mais irritante que seja, lê-lo com a trilha sonora em loop e no volume mais alto possível. Tantas vezes quanto o barulho puder ser repetido em sua vizinhança, eles não compensarão a náusea acumulada por tanto brinde ao ar, tantos aplausos de auto-congratulação, tanta ficção abjeta da tele-solidariedade, tanta homenagem a nada , tanta metáfora populista de guerra, tanta caridade institucional fingida , tanto respeito pelo mercenário e tanto desprezo pelas nadies. Tudo o que flutuou nas últimas semanas da maré viral deve nos injetar uma sede monolítica e aterradora de justiça coletiva.

–– Quem te deu as ordens? Eu vou atrás dele, ele é o único que eu deveria matar.
[…] –– Bem, tem um presidente no banco, tem quem compõe o conselho de administração. Vou carregar o pente do rifle e vou para o banco.
[…] –– Mas até onde vai? Em quem podemos atirar? Nesse ritmo, estou morrendo antes de poder matar quem está passando fome.
[…] –– eu tenho que refletir. Todos nós temos que refletir. Tem que haver uma maneira de acabar com isso. Não é como uma tempestade ou um terremoto. Isso é algo ruim feito pelo homem e eu juro que é algo que podemos mudar.
(J. Steinbeck, The Grapes of Wrath, 1939).

O estado de mercado

É claro que o estado de mercado não pensa na vida como um bem a defender e preservar para si. Não pode. Não é sua lição de casa. Está muito claro. Nas últimas semanas, foi escrito o suficiente para legitimar a revolução social definitiva em nível planetário, mas, por algum motivo que parece mais do que óbvio neste momento, não basta comunicar por escrito.

No entanto, como é uma atividade básica (portanto, uma necessidade e, portanto, um direito), ela terá que ser continuada. Até que tudo exploda e enquanto tudo exploda. A diferença é que tudo vai explodir em nossos rostos novamente à medida que nos comunicamos pior ou se, ao nos comunicarmos melhor, faremos a injustiça explodir diante dos “bastardos gananciosos que causaram isso”; se deixarmos que as uvas de nossa raiva apodreçam novamente ou se amadurecemos com todo o carinho que a merecida vingança cósmica daqueles que sempre apoiaram em seus ombros cada grama de nossa vida precisa.

É claro que o mercado-estado pensa que a vida (humana e todas as outras) em termos de matéria-prima, insumo, recurso produtivo, mercadoria ou algo assim quer chamá-lo de evangelho capitalista compartilhado por todos os cérebros dessa porra de matriz da mídia política que é governado por um punhado de conselhos de administração. Ocorre desde que o poder se tornou capital, desde que o capital assumiu o poder, porque existe poder e enquanto é exercido soberanamente do capital. Desde que Deus fundou o relacionamento deles, a “ciência” organizou seu casamento e as forças armadas abençoaram sua simbiose.

Essas são as três pernas que nos permitem acreditar no incrível: que os limites deste inferno em que vivemos estão “fora” dele e não em seu funcionamento mais íntimo; que a besta em cujo ventre vivemos age “para o nosso bem”; que fazemos parte dela e não a carne que a alimenta; que Roma paga traidores e que sempre haverá esperança. Mesmo agora que a maré caiu como nunca antes, agora que o horror e o lixo estão flutuando em um movimento planetário simultâneo, resta saber se a atual exceção da pandemia nos ajudará a parar de ajudar a besta a acabar com a nossa. vida e com todas as formas de socialidade.

Até agora, nada de novo realmente. A vida de Tom Joad em The Grapes of Wrath é a de tantas outras em todos os lugares, antes e depois da Grande Depressão. O “bem-vindo à nova ordem mundial” não é nem o refletido por Sidney Lumet em 1976. Pare a trilha sonora por um momento para ouvir Ned Beatty na Network . O novo normal há muito tempo é a norma.

Seria mais útil, por exemplo, voltar com Eric Williams quatro séculos no tempo . Mais do que nunca, quando todas as leis de ouro da ordem econômica estão explodindo. Mais do que nunca, agora que os carrascos incentivam o gado cidadão a cantar. Este vírus estamos juntos em todas as línguas possíveis. Valete et plaudite! Nada do que acontece conosco pode ser entendido sem entender colonizações, genocídios, escravidão e suas respectivas conseqüências em todas as partes do mundo, mas também sem aquela magnífica liturgia – sempre produzida ou dirigida de cima – que evita o mínimo de barulho unânime. expressão inconveniente de lucidez.

Excedente humano e trabalho escravo

Durante muito tempo na Europa, as consequências da emigração preocuparam-se mais do que as da imigração. Essa discussão remonta ao século XVIII, quando o conceito de ‘riqueza’ da população surgiu na ideologia do mercantilismo. Na época, temia-se que a emigração pudesse levar ao sangramento econômico, por isso foram feitos esforços para limitá-lo e até proibi-lo (HM Enzensberger, The Great Migration, 1992).

Esse casamento arranjado entre capital e poder é o que faz da população um objeto de gestão econômica e o governo que a administra como o governo da economia – com que rapidez Foucault voltou ao teclado de tantos escritores e com que frescura o seguinte nos parecerá história.

No século 19, na Europa, seguiram-se revoltas camponesas, a emigração para as cidades e pragas agravaram os conflitos sociais. Se a gestão quantitativa da população obedece às necessidades do sistema produtivo, o subproduto final dessa gestão – a população excedente, essencial para a estabilidade da economia – é a carne do sistema penal. As “condições econômicas” explicam os movimentos demográficos e, com eles, as políticas dedicadas à promoção ou controle de migrações e nascimentos, porque o gerenciamento correto do exército de reserva é essencial para conter os custos de produção. O exército de reserva espanhol tem seu próprio histórico de superexploração, expulsões, migrações internas, campos de concentração e trabalho forçado. Também de abusos da imigração estrangeira como forma de conter e disciplinar a força de trabalho indígena. Então voltamos a isso.

Nos EUA, imigrantes italianos, judeus e gregos substituíram seus antecessores irlandeses e alemães no final do século XIX. O tráfico de crianças trabalhadoras aumentou e o excedente de mão-de-obra serviu para manter salários miseráveis. É o mercado, amigo !: Se a oferta de mão-de-obra aumenta, seu preço diminui. Além disso, as numerosas greves e rebeliões nos campos do sul foram respondidas disparando do exército e promovendo o confronto racial. Estabilidade abençoada.

A “saída” de cada crise sempre implica aumentos na taxa de crescimento da produção ou na relação entre margens de lucro e renda do trabalho. Se para isso você tem que alimentar o conflito entre a população trabalhadora – branca e negra, indígena e estrangeira, homem e mulher – ou disparar contra manifestações, é por isso que as agências policiais que defendem os direitos e liberdades dos cidadãos estão por toda parte . Sempre tem sido assim. Nos EUA de 1904, com 4.000 greves naquele mesmo ano, as condições empobrecidas da população imigrante foram a outra ferramenta usada para desativar as greves.

Em 1920, os trabalhadores negros ganharam um terço do que os brancos (H. Zinn, The Other American History, 1980).

O século XX avança à medida que a legitimação tecnocrática dos governos coexiste com o linchamento de negros nos Estados Unidos, a perseguição de judeus e tantos outros grupos na Europa ou a sangrenta repressão de sindicalistas em qualquer lugar. Ambas as guerras justificaram o recurso ao fervor patriótico e ao espírito militar para atacar, direta ou indiretamente, qualquer expressão de conflito de classe. A guerra redecora o cenário da reconstrução européia como uma solução capitalista para a crise da Grande Depressão da década de 1930 – quando Tom Joad. Uma conseqüência dessa recuperação foi o excesso de demanda por mão-de-obra e, com ela, uma pressão ascendente em seu preço que atrapalhou a lógica da acumulação. Como esse “obstáculo” foi salvo? Bem, subempregando a população migrante. As indústrias mais prósperas foram nutridas na Europa e nos EUA pelo êxodo rural e pelas migrações internacionais. Para isso, uma estrutura administrativa dedicada à negociação de acordos de migração com os países de origem e à classificação, seleção e recrutamento de pessoas deslocadas teve que ser desenvolvida.

Portanto, como sempre até hoje, esse gerenciamento da massa estrangeira pobre consiste em tornar lucrativa ” a enorme diferença entre o modelo oficial de imigração e a imigração real “. Esse é o objetivo da aparente contradição entre a necessidade de importar trabalhadores semi-escravos e a promoção de discursos racistas contra invasões de estrangeiros e sua ameaça à nossa identidade, segurança e valores: decidir sobre nossas vidas com base no regime de acumulação. O espantalho racista serve para manter os salários em níveis de miséria e, em qualquer caso, para sustentar uma transferência ascendente de renda, riqueza e poder.

Se o Estado-nação categoriza os indivíduos de acordo com seu status de nacional (nascido), o status de fator produtivo reúne o classismo do discurso econômico e o conceito de raça – com suas diferentes variantes. A migração será considerada ordenada se obedecer aos protocolos de seleção e sua discriminação entre procedências e contingentes. A administração será considerada racional se tratar os seres humanos como cabeças de gado e respeitar o contrato na fonte. A cobertura prioritária da força de trabalho nacional (primeiro os espanhóis!) E a divisão entre trabalhadores (cidadania) e sub-trabalhadores (vida nua) garante essa divisão de classe de trabalho baseada “ em um conjunto de dificuldades destinadas a anular os vãos desejos dos estrangeiro para se tornar cidadão ”.

O discurso do nacional primeiro trabalha para defender essa divisão entre membros da mesma classe, porque um passo antes do discurso racista é a prática do racismo institucional como a chave da economia política. Como Manuel Delgado insiste, “o racista (indivíduo ou sistema) não exclui porque é racista; é racista porque exclui ”. E exclui porque deve, e quando apropriado, os campeões da América primeiro ou os hipócritas da fortaleza Europa usarão as mesmas mãos manchadas de sangue para assinar autorizações de trabalho para médicos estrangeiros ou para cobrir a demanda por armas super-exploradas no campo.

Enquanto isso, hoje:

Imagens aéreas da Associated Press registraram trabalhadores cavando túmulos e cerca de 40 caixões alinhados para serem enterrados. O correspondente da CBS David Begnaud relata a abertura de novas sepulturas em Hart Island (CBS, 04/10/2020). Diante do colapso dos necrotérios, Nova York enterra duas dúzias de pessoas mortas por dia pelo vírus em Potter’s Field. O número de enterros aumentou em Hart Island, onde um milhão de cadáveres pobres ou não reclamados foram localizados nos últimos 150 anos (NY Times, 10/04/2020). O prefeito nega isso e fala de ‘locais temporários’: ‘Não haverá enterros em massa em Hart Island. Tudo será individual e cada órgão será tratado com dignidade ”(B. de Blasio, prefeito de Nova York, 10.10.2020).

Jogamos para adivinhar quantos desses cadáveres são brancos? O Covid-19 – que empreendeu sua expansão seleta com a ajuda de cidadãos do mundo que transitam em aeroportos internacionais – está infectando e matando afro-americanos em uma proporção terrivelmente mais alta que o resto , uma taxa não muito diferente da dos prisioneiros: A prisão da população negra nos EUA levou anos e décadas, multiplicando até 5 vezes a dos brancos. Um em cada três homens negros vive ou viveu sob controle criminal na prisão, provisória ou em liberdade condicional.

A Louisiana acumula o quarto volume de casos do Covid-19 no país e a maioria das mortes está centrada em Nova Orleans, onde 60% da população é afro-americana. Mais de 70% das mortes por coronavírus na Louisiana são afro-americanas. Detroit, com quase 80% de negros, concentra a maioria dos casos em Michigan. As mortes na cidade representam 40% de todo o estado. Em Chicago, os 30% negros da população têm 70% dos casos de coronavírus na cidade e mais da metade das mortes do estado (The Guardian, 8 de abril de 2020). 450 das 4.435 pessoas encarceradas na cadeia de Cook County (Chicago) estão infectadas pelo Covid-19 (La Vanguardia, 14 de abril de 2020). Os EUA são o país mais preso do mundo.

O glorioso reino de Esñapa

Movendo o que foi dito para o outro lado do Atlântico:

Os imigrantes latinos ganham 38% menos que os espanhóis (Cinco Días, junho de 2019).
Trabalhadores domésticos e assistenciais, sem direito a subsídio ou sem poder solicitá-lo porque o SEPE não o permite (El Salto, abril de 2020).

Em Barcelona, ​​0,5% (500 / 100.000, a taxa mais alta da cidade) da população em Roquetes (Nou Barris) está infectada com Covid-19, em contraste com 0,07% (76 / 100.000) de Sarrià-Sant Gervasi (La Marea – Notas da classe, 6 de abril de 2020).

Existem muitas outras maneiras de retratar a cena , pois há muitos exemplos que ilustram a situação dos gerentes de estados de mercado e a caixa de ferramentas que eles usam para se intrometer.

Decreto-Lei Real injusto e desumano 13/2020, de 7 de abril, pelo qual certas medidas urgentes são adotadas no campo do emprego agrícolaEle propõe uma lista de “medidas de emergência” funcionais para as necessidades do mercado e as adorna com o refrão de não deixar ninguém para trás. Vergonha A regularização de pessoas em situações administrativas irregulares não pode ser “seletiva” porque um estado não pode decidir cumprir as normas supra-constitucionais de maneira “seletiva”. Uma lei racista como a Lei de Imigração, que viola um direito humano (“fundamental” na Constituição) não deveria existir. Se existe, assim como o racismo e o classismo de Estado – que matam com ou sem pandemias – é pelas razões que vimos na seção anterior. É tão difícil entender que nenhuma vida pode ser mercadoria, assim como nenhuma vida pode ser ilegal?

Bem, por exemplo (qualquer um) de solicitação patética com um aspecto de reivindicação, ousamos ir ao change.org e ler:

Solicitamos que, da mesma forma que a população imigrante seja mobilizada para atender às necessidades básicas da população e em situações excepcionais, este país pague pelo sacrifício com a proteção legal que garantirá o acesso aos direitos fundamentais que até agora lhes foram negados, de fato e de jure.

Devolver? Sacrifício? Dessa forma, “você” merece o status de cidadão “de acordo com quem e de onde?

A aquisição da nacionalidade espanhola por carta da natureza é de natureza graciosa e não está sujeita às regras gerais do procedimento administrativo. É concedido discricionariamente pelo governo por meio de um decreto real, após avaliar a presença de circunstâncias excepcionais.

Acontece que é preciso um motivo para ver um direito fundamental garantido, de fato ou de jure? Uma ilegalidade cometida pelo Estado pode ser corrigida “graciosamente”? Por favor, um pouco de formalidade. Embora seja sabido que isso acontece, a patente da hipocrisia permanece pelo menos nas poltronas de seus criadores. O exemplo da dignidade sempre nasce no mesmo lugar:

Os diaristas sem papel em Múrcia lançam uma campanha com a hashtag خليها_تخماج # خليها #, que significa # deixá-la apodrecer (frutas e legumes) ao mesmo tempo em que exige regularização agora e salários decentes. #massive regularization.
As medidas do decreto real são “motivadas” por pérolas como as seguintes:

[…] Há uma diminuição acentuada na oferta de mão-de-obra que geralmente lida com o trabalho agrícola como trabalhador sazonal no interior da Espanha […] que pode acabar afetando gravemente a capacidade e as condições de produção de uma peça importante das explorações agrícolas espanholas.

Essa redução de mão-de-obra poderia […] comprometer o bom funcionamento de toda a cadeia alimentar, com o consequente impacto negativo sobre os consumidores finais, tanto em termos de oferta quanto de preço, o que é especialmente oneroso devido às condições de vida derivada da situação de crise da saúde e da redução da renda disponível devido a distúrbios econômicos gerais, especialmente entre a população em maior risco de pobreza e exclusão social.

[…] É essencial garantir a disponibilidade de mão-de-obra suficiente na fonte para atender às necessidades dos agricultores e pecuaristas.

[…] Boa parte da atividade agrária, base dessa garantia da cadeia alimentar, depende do uso de mão-de-obra assalariada, de origem comunitária ou não-comunitária, pois é um setor […] baseado em boas práticas. medida no uso intensivo do fator trabalho.

[…] Em alguns casos, os países de origem habitual dessa força de trabalho estabeleceram restrições à saída de cidadãos de seu país. Em outros casos […] o medo de contágio está impedindo o deslocamento.

[…] Observa-se com preocupação dos setores agrícolas que, na prática, não é possível atender corretamente à demanda de trabalhadores agrícolas.

[…] As medidas incluídas neste decreto-lei real visam favorecer a contratação de mão-de-obra para o setor primário. Com eles, também é possível subsidiar um problema colateral em relação à renda de indivíduos que podem ter sido afetados pela crise de saúde por coronavírus causada atualmente, para que mecanismos sejam ativados para que eles possam participar do emprego agrícola.

Na década de 1980, logo após destruir mais de dois milhões de empregos com uma reestruturação produtiva digna de Margaret Thatcher, Esñapa celebrou seu batismo como um canto sudoeste do circo criminoso em desenvolvimento chamado União Européia. A RTVE censurou documentos como este no mesmo ano (1988) em que o Ministro Solchaga vendeu “o país onde você pode ganhar mais dinheiro a curto prazo em toda a Europa e talvez também em todo o mundo”. E garoto, tem sido. O problema é que Solchaga sabia muito bem com quem estava falando, mas um país inteiro era dado como certo sem razão. O problema é que continuamos assim até 15 de abril de 2020, “lutando juntos” pelo desejado “retorno à normalidade”.

No início dos anos 90, a porcentagem de estrangeiros na população espanhola era de cerca de 1%. Vinte anos depois, atingiu seu teto acima de 14%. Entre 1990 e 2013, o mercado espanhol importou cerca de 6 milhões de seres humanos, atrás apenas dos EUA e das monarquias do Golfo Pérsico. Nós éramos o terceiro! importador de mão-de-obra barata no mundo, tudo muito “natural”. Em 2010, a temporalidade entre funcionários estrangeiros dobrou a da população espanhola em todas as áreas e perfis. Segundo o Ministério do Interior, entre 2000 e 2010, 163.396 pessoas chegaram em barcos clandestinos. No mesmo período, a população imigrante multiplicou por seis – até seis milhões em 2010 -, com um milhão de regularizações extraordinárias. Em janeiro de 2010, quase 900.

” Ou a política de imigração é um fracasso ou o objetivo declarado é uma fraude “: o peso de nossa economia paralela é um dos mais altos da Europa, assim como o de evasão e evasão de impostos, e mantendo um número estável de pessoas em clima aberto tem sido uma condição necessária para ambos os fenômenos.

Agricultura, serviços domésticos, construção, hospitalidade e pequeno comércio são, nessa ordem, os setores que concentram a maioria absoluta da mão-de-obra barata importada. A proporção de estrangeiros sobre o total de sua população ativa excede a de espanhóis em todos eles – no caso de mão de obra não qualificada, a diferença é tríplice. E falando em “recrutar pessoal não qualificado”, um fato menor, mas alegórico: 7% das tropas no exército espanhol eram estrangeiras, mas representavam 43% dos mortos .

Apenas para colher morango em Huelva – 55.000 trabalhadores sazonais em 2004 -, o contingente de mão-de-obra barata da Europa Oriental aumentou de 7.000 para 19.800 contratos de origem entre 2002 e 2004, permitindo que “ os empregadores de morango tenham uma força de trabalho disponível abundante nas covas e nas praças da cidade, estavam cheios de trabalhadores quando precisavam, alcançando com essa estratégia desumana uma terrível competitividade entre os trabalhadores por um salário insignificante . ”

50% dos empregos gerados no quadro da bolha econômica entre 2001 e 2005 (1,32 milhão) foram ocupados por trabalhadores estrangeiros. Além das “vantagens de cobrança” para o estado, da “sustentabilidade das aposentadorias” e de outros argumentos infelizes usados ​​pela suposta esquerda, é curioso que o nível educacional dos imigrantes seja maior que o da população local, mas a relação foi inversa. as chamadas “segundas gerações”. A mobilidade ascendente mínima dos trabalhadores indígenas é apoiada pela manutenção forçada dos piores empregos para a população imigrante. Em 2006, o salário médio dos estrangeiros era 25% menor que o dos nativos.

Nesse mesmo ano, o Plano de Ação para a África Subsaariana ou o Plano África foi aprovado , enquanto a mídia encheu páginas e minutos com a “avalanche” de canoas nas Ilhas Canárias (31.678 chegadas) e o número de turistas totalizou 9,5 milhões. Imigração, máfias, tráfico de drogas, terrorismo, cooperação, segurança jurídica, solidariedade, humanitarismo, vigilância, expulsão, confinamento, militarização, projetos de negócios “de cooperação” … Cinco anos depois, a segunda parte do Plano (2009-2012) é acompanhada por um Plano de exportação de infra-estrutura com 70 milhões de euros em créditos do FAD vinculados à compra de mercadorias espanholas e à oferta do governo espanhol de sediar o AFRICOM na base militar de Rota. Saques indo e escravizando de volta.

Os trabalhadores estrangeiros contribuíram com 7% do aumento do PIB no primeiro trecho da bolha (1996/2000) e não menos de 40% no segundo (2001/2005). Segundo dados divulgados pelo governo em 2006, a parcela da imigração explica mais de 50% do crescimento do PIB no período de alta do século XXI. Tudo isso aconteceu ao mesmo tempo em que os salários reais foram reduzidos, a participação dos salários no PIB estava diminuindo em favor dos lucros … É o mercado, amigo!: O governo do mercado sabe como manter o preço da mão-de-obra baixo, mesmo em períodos de excesso de demanda por força de trabalho.

Em resumo: o milagre espanhol, como todos os milagres econômicos da financeirização , empobreceu e endividou uma massa crescente de trabalhadores. O crime foi mais do que cometido e seus benefícios foram assegurados muito antes da chegada da “crise”. A dupla utilidade do racismo estrutural serve tanto para concentrar a riqueza em nível pornográfico quanto para culpar o imigrante pelos efeitos desse crime. A Espanha celebrou a participação da imigração em nosso milagre, enquanto sustentava o aparato necropolítico da Fortaleza Europa.

E a depressão veio. No início de 2011, quando a taxa de desemprego na população nativa era de 18,6% para homens e 20,3% para mulheres, na população imigrante os valores já eram 33,4 e 30,4%. O desemprego de jovens estrangeiros atingiu 48% em 2011, 19 pontos a mais do que o de adultos estrangeiros, mas muito semelhante ao dos jovens nativos.

A promoção do racismo é uma maneira valiosa de maximizar a acumulação de capital: minimizar os custos gerados pelo emprego de mão-de-obra e sujeitar suas demandas políticas para reduzir o custo de produção e disciplinar a força de trabalho. A degradação das condições salariais e materiais do trabalho na Espanha foi possível, mesmo (especialmente) nas fases de maior crescimento e menor produtividade, graças ao gerenciamento racista da imigração.

Mas essa condição não é mais suficiente na nova normalidade que funda a Grande Depressão de 2008. Vivemos na era do desemprego total e da pobreza laboral, governados por um mito chamado dívida. As estatísticas de desemprego há muito são absolutamente inúteis para entender a situação. A destruição do emprego agrava a pobreza, mas a geração de emprego também o faz, porque vivemos em um regime de acumulação improdutiva em que os benefícios nem sequer servem para produzir . Vamos parar os contos, por favor, para nossa própria sobrevivência. É chamado capitalismo e há muito tempo atingiu seu clímax, aquele no qual a concentração de benefícios e a administração da morte convergem em simbiose sagrada.

Memória

“Ter memória” é um problema porque você nunca tem memória suficiente. É um problema de limites e prazos sujeitos à nossa individualidade. Se a memória de um corpo social durasse além da sucessão de biografias que compõem suas gerações, o problema seria resolvido. Quanto mais coletiva essa memória, mais apegada às nossas entranhas ela viveria. Ninguém engoliria até a morte, longe disso.

Existem corpos sociais formados por seres que nunca viram o rosto um do outro, nunca apertaram as mãos, nem sequer viveram no mesmo tempo e lugar, mas compartilham muito mais do que aqueles que olham para as nossas respectivas varandas com poucos tijolos de distância. Seres que nunca foram idênticos, mas cujas vísceras compartilham o traço secular dessa memória. Somente com eles é possível aprender que o problema não é identidade, mas desigualdade.

Nem em tempos de pandemia nem em feriados, o problema nunca foi diferente, mas desigual. O problema nunca foi a invenção racial, étnica ou cultural, mas a brutalidade racionalizada por essa invenção, empurrada de cima, movida por puros critérios de acumulação e legitimada “por escrito” através de teorias miseráveis ​​que construíram nossa visão compartilhada do mundo . Assim se concentram capital e poder, sangue e fogo. Assim, se espalhou, pior que o pior vírus, miséria e dor.

A visão compartilhada que essa história impõe é a escrita pelos donos das armas, das fábricas, das malas e dos parlamentos , mas nosso mundo não é desse reino e uma consciência imortal nos lembra disso, quer queremos ou não. A farsa não substitui a tragédia, mas se sobrepõe e se mistura a ela em mil camadas de lixo empilhadas para conter essa consciência.

Desindividualizando a memória até o limite, explorando o pleonasmo chamado “memória histórica”, o ódio infinito acumulado em todos os lugares desde muito antes de Steinbeck inventar Tom Joad agora seria uma flecha dirigida coletivamente com o melhor objetivo já demonstrado.

Seria ou será. Uma ou mil flechas justas. Mil flechas “para afixar o rótulo de injustiça aos bastardos gananciosos que causaram isso”.

*
As pessoas andam nos trilhos do trem
para algum lugar, sem voltar atrás.
Helicópteros de patrulha rodoviária pairam sobre as colinas.
Sopa quente em uma fogueira debaixo da ponte.
A fila do abrigo se estende ao virar da esquina.
Bem-vindo à nova ordem mundial.
Famílias dormindo em carros no sudoeste,
sem-teto, sem trabalho, sem paz, sem descanso.
A estrada está viva hoje à noite,
mas ninguém brinca com ninguém sobre seu destino.
Estou sentado aqui à luz da fogueira,
procurando o fantasma de Tom Joad.
Ele carrega um livro de orações do saco de dormir.
O pregador acende um alvo pelo último suspiro,
esperando o último ser o primeiro e o primeiro a ser o último.
Em uma caixa de papelão sob a passagem de nível,
você tem um bilhete de ida para a terra prometida.
Um vácuo no estômago e uma pistola na mão.
Dormindo em um travesseiro de pedra
Você toma banho no aqueduto da cidade.
Vamos lá!
A estrada está viva hoje à noite,
todo mundo sabe onde ela leva.
Ainda estou sentado à luz do fogo,
esperando o fantasma de Tom Joad.
Tom disse: “Mãe, onde quer que um policial espancou um garoto,
quando um bebê recém-nascido chora de fome,
onde luta contra sangue e ódio no ar, procure por
mim, mãe, eu estarei lá.
Onde alguém luta por um telhado
Trabalho decente ou mão amiga,
onde quer que alguém lute por sua liberdade,
olhe nos olhos dela , mãe, e você me verá. “
A estrada está viva hoje à noite,
todo mundo sabe para onde ela leva.
Estou sentado à luz do céu. fogueira
com o fantasma do velho Tom Joad
(Bruce Springsteen)

 

Leia na íntegra: Acumular a muerte y consentir hasta la muerte

*Luta Pela Terra

A luta pela terra significa o futuro da humanidade, ou, o futuro da humanidade passa pela luta pela terra.

Concomitante com a luta pela terra vem a discussão do acesso à água, ao alimento saudável e o direito ao trabalho (uma luta está entrelaçada à outra).

No meio de tanta riqueza, de tanta terra, é inadmissível que o povo de  uma nação seja tão pobre, se encontre tanta fome.

um brasil cada dia mais pobre e com fome

Foto, trabalhador  brasileiro cata comida e garimpa algo em um grande lixão 

Segundo a ONU a fome atualmente atinge quase 900 milhões de pessoas no planeta  e programas Brasileiros como o”Fome Zero” “Bolsa Família” e “Minha Casa Minha Vida”  que tinham por objetivo erradicar mazelas humanas como a FOME, FALTA DE ACESSO A EDUCAÇÃO DE QUALIDADE E PUBLICA, e o SUS – Sistema Unificado de Saúde –  (Saúde Universal Para Todos) estão sendo eliminados ou colocados em segundo plano no governo Bolsonaro, a extrema direita no poder descobriu ainda mais a grande parte da população desvalida, os que são a “carne mais barata do mercado” como eles mesmo pensam.

O Brasil atingiu um numero absurdo de quase 14 milhões de pessoas em estado de miserabilidade segundo o IBGE, este contingente de seres humanos é maior do que toda a população da Bolívia. Os dados são da Síntese de Indicadores Sociais (SIS), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O País tem mais miseráveis do que a soma de todos os habitantes de países como Portugal, Bélgica, Cuba ou Grécia.

Nós da Comuna Libertária, somos a favor da divisão das terras trabalháveis, que o uso do dolo seja apenas para sobrevivência humana, pelo fim dos garimpos, pelo fim da destruição das florestas e que elas sejam conservadas intactas, neste ponto acreditamos que não existe manejo sustentável, empiricamente baseado em algo pertinente ao ser humano, a usura, a avareza, o egoismo.

Somos pelo fim dos latifúndios, pelo fim do  sistema de grilagem estabelecido legal e culturalmente com a  colonização eurocêntrica herdade de Portugal, somos a favor da demarcação definitiva das terras indígenas e a favor das certificações definitivas das aéreas quilombolas, somos a favor de moradias gratuitas para todos aqueles que as necessitam.

trabalhadores do MST distribuem alimentos para pobres durante a pandemia de vírus corona

Trabalhadores do MST distribuem alimentos para pobres durante a pandemia de vírus corona pelo Brasil inteiro.

A terra é a mãe, repartir com quem tem fome o que a grande mãe gentilmente oferece é um gesto de AMOR.

Que a produção de bens duráveis ou não, seja de responsabilidade unica de quem a produz, isso é, exclusivamente da classe trabalhadora. A qual será responsável também pela distribuição destes bens produzidos.

Pelo fim do regime de produção e distribuição capitalista, fora desta luta lógica o planeta não sobrevive”

Por: villorBlue

Abaixo, Tânia Alves interpreta”Funeral de um Lavrador, Baseada na obra de João Cabral de Melo, “Morte e Vida Severina“. É de um especial gravado para a antiga Globo, porém uma obra belíssima e  mostra a luta pela terra desde os primórdios até os dias atuais:

*Entre Morcegos, Pangolins e Laboratórios, Problematizar a COVID-19 em África

Do: PAGINA GLOBAL

Para reflexão:

“Uma das teses dos defensores segundo o qual o coronavírus não teve origem no mercado de marisco chinês, nem em nenhum outro lugar da China, baseou-se na argumentação de que o vírus possa ter sido originado no Laboratório de Armas Biológicas das Forças Armadas dos EUA, em Fort Detrick, encerrado em Julho devido a surtos, e que teria sido transportado para a China durante os Jogos Militares Mundiais, em Outubro de 2019, para o Hunan Seafood Market, em Wuhan. Apesar de não haver provas irrefutáveis, num exercício meramente acadêmico, com pouco esforço, seria fácil aceitar as teses avançadas de que o novo coronavírus, ao invés de ter surgido a partir de morcegos, pangolins ou cobras, possa ter sido fabricado em laboratórios secretos de armas biológicas.”

Parte 1

  1. Azancot de Menezes– Jornal Tornado -7 Abril, 2020

O coronavírus, proveniente de morcegos, pangolins ou laboratórios, já infectou mais de um milhão de pessoas e matou 76 mil, na América, Ásia e Europa (Para se atualizar sobre números atuais consulte os dados da BBC – Parenteses nosso).

Quais são os efeitos da pandemia para uma África neo colonizada, desgastada pelas convulsões sociais e políticas, pobreza extrema, e com valores culturais profundamente enraizados?

O conhecido autor de livros sobre o «Bilderberg Club», Daniel Stulin, com o advento da pandemia COVID-19, para classificar a atual situação vivida em todo o mundo utilizou a expressão “histeria planetária”. Este homem, com três nacionalidades, espanhola, canadiana e russa, considerado como sendo o defensor das “teorias da conspiração”, já proferiu mais de 700 conferências a meio milhão de pessoas em todo o mundo.

A importância de ter escrito sobre o Clube Bilderberg, é bom fundamentar, reside no facto de neste clube fazerem parte a elite econômica e política da Europa e dos EUA, tais como o ex-presidente do Google, os bilionários da Microsoft, da PayPal, familiares de Donald Trump, Henry Kissinger, o ex-Secretário de Estado dos EUA que autorizou a invasão de Timor-Leste pela Indonésia, entre outras dezenas de figuras influentes na indústria, finanças, academia e comunicação social.

Na opinião de Stulin, PhD em Inteligência Conceitual e ex-Coronel da contra-inteligência militar russa, bem conhecedor dos meandros da alta política e finanças, o modelo econômico atual parou e espera-se uma crise pior que a depressão de 1930.

A reflexão que quero partilhar com o título “Entre morcegos, pangolins e laboratórios, problematizar a COVID-19 em África”, um pouco na linha da “conspiração”, pretende ir um pouco mais além do que especular sobre estatísticas de infectados com o coronavírus e outras questões habitualmente noticiadas nos órgãos de comunicação social, na sua maioria controlados pelo «Clube Bilderberg», mas igualmente por outros grupos de interesse sobejamente conhecidos.

Sem querer ser “conspirador”, portanto, a minha motivação com este texto é problematizar um pouco em torno da pandemia provocada pelo novo coronavírus, na sua origem, nos seus interesses geo-estratégicos, políticos e financeiros, bem como no impacto que tudo causará em África.

EUA e China em rota de colisão

As opiniões que começaram a circular pelo mundo na tentativa de explicação da origem da pandemia que atormenta a humanidade apontavam para a tese de que qualquer morcego teria espalhado o coronavírus através da excreção (lixo celular do organismo), caída no solo de alguma floresta ou em outro lugar. Esta excreção de morcego, por sua vez, teria servido de alimento a algum pangolim que se tornou repasto de algum humano, iniciando-se a atual pandemia da COVID-19.

A tese de que os morcegos e pangolins seriam os responsáveis pela pandemia, inicialmente defendida pelos EUA e por muitos países ocidentais, de forma estratégica invadiu a comunicação social em todo o mundo. Mas, começou a perder terreno a favor de uma outra tese. A criação do novo coronavírus, afinal de contas, poderá ter acontecido em laboratório, em absoluto segredo.

O porta-voz e vice-diretor geral do Departamento de Informação do Ministério das Relações Exteriores da China, Zhao Lijian, no dia 12 de Março de 2020, escreveu no seu Tweeter, e passo a citar,

O Diretor do Centro de Controlo de Doenças (CDC, na sigla em inglês), Robert Redfield, admitiu que alguns americanos aparentemente mortos por gripe foram testados positivos para o novo coronavírus no diagnóstico post mortem, durante o Comité de Supervisão da Câmara, na quarta-feira (11)”.

Esta implícita insinuação segundo a qual os EUA levaram a “arma biológica” para a China não me espantou, sabendo nós que as armas biológicas, feitas a partir de bactérias, fungos, toxinas e vírus, entre outros, são as mais tenebrosas da atualidade porque podem dizimar sociedades através da contaminação da água, ar, terra e os alimentos.

Mas, o jornal Guardian também admitiu que diplomatas, comunicação social e autoridades chineses defendem a tese de que a COVID-19 veio dos EUA.

Numa audiência no Congresso dos EUA, Robert Redfield, director dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CCPD) dos EUA, num vídeo postado pelo «Peoples´s Daily», foi-lhe perguntado se pode ter havido mortes atribuídas à influenza (gripe) registada nos EUA que poderiam estar associados à COVID-19. E a resposta foi a de que o coronavírus pode ter sido encontrado em vários americanos mortos, diagnosticados com influenza (gripe) durante o exame post mortem.

Na opinião de Zhong Nanshan, um epidemiologista de renome, com base no facto dos EUA através de Robert Redfield ter reconhecido que entre os que haviam morrido de influenza nos EUA havia casos de coronavírus, em uma entrevista realizada em 27 de Fevereiro, afirmou que embora o vírus tenha aparecido pela primeira vez na China não se podem tirar ilações no sentido de atribuir a origem do surto ao país asiático.

Zhong afirmou que “onde uma doença é descoberta não equivale a ser a fonte”.

O embaixador da China na África do Sul, no Twitter, afirmou no dia 7 de Março de 2020 que o vírus não era necessariamente originário da China, e muito menos “fabricado na China”.

O Instituto Pirbright e as vacinas de controle do coronavírus

Em relação à investigação sobre vacinas do coronavírus, no âmbito desta discussão, parece-me muito pertinente problematizar em torno dos laboratórios direcionados para a procura da vacina.

O «Pirbright Institute», sediado na Inglaterra, recebe financiamento estratégico do «BBSRC UKRI – Biotechnology and Biological Sciences Research Council», mas também de outras organizações, nomeadamente da Fundação Bill e Melinda Gates, como referi no início, membro do «Bilderberg Club».

No «Pirbright Institute» desenrolam-se há vários anos pesquisas para se descobrir como é que uma vacina pode ser utilizada para tratar ou prevenir uma doença infecciosa num sujeito.

Estive a analisar os nomes dos investigadores do grupo de pesquisa associados ao coronavírus e concluí que os principais, para além de Sarah Keep que não consegui obter informações, são Erika Bickerton, Paul Britton e Giulia Dowgier.

Erika Bickerton

É a líder do grupo e as suas áreas de interesse situam-se no campo da patologia aviária, biologia molecular, virologia molecular, vacinas, doenças virais e virologia. Tornou-se membro do Instituto em 2016 e foi promovida a coordenadora do grupo de Coronavírus em 2018. A sua pesquisa atual utiliza virologia molecular, sequenciamento de próxima geração e genética reversa para caracterizar os determinantes da patogenicidade do coronavírus aviário, vírus da bronquite infecciosa (IBV). O objectivo da pesquisa de Erica Bickerton é desenvolver vacinas racionalmente atenuadas para um melhor controlo do vírus da bronquite infecciosa e outros coronavírus. Erika tem fortes vínculos com as principais empresas farmacêuticas veterinárias, foi eleita para o comité da divisão de virologia da Microbiology Society em 2014 e foi apontada como membro do Comité de Acompanhamento do BBSRC em 2019.

Paul Britton

É membro honorário. As suas áreas de interesse são a biologia molecular, biologia estrutural, vacinologia e virologia. Após ter concluído o bacharelato em Bioquímica na Universidade de Leeds, Britton realizou um doutoramento em bioquímica / química de proteínas na Universidade de Edimburgo. Após uma posição de pós-doutoramento na Universidade de Cambridge em genética bacteriana, ele ingressou no Instituto Pirbright para estudar a virologia molecular dos coronavírus. Após um período inicial trabalhando no coronavírus porcino, vírus da gastroenterite transmissível, ele começou a trabalhar com o coronavírus aviário, o vírus da bronquite infecciosa (IBV). O seu principal interesse de pesquisa é estudar a virologia molecular básica do IBV para entender como as mudanças podem levar à atenuação do vírus para a geração de vacinas novas e mais seguras.

Giulia Dowgier

É uma cientista com pós-doutoramento e virologia molecular, q-PCR. As suas áreas de interesse são a medicina veterinária, doenças virais e virologia. A sua formação de base foi obtida na Universidade de Bari, Itália, com honras de primeira classe em Medicina Veterinária em Abril de 2014. O seu interesse por doenças infecciosas de animais fez com que iniciasse o curso de doutoramento em “Saúde Animal e Zoonose” no Departamento de Medicina Veterinária da Universidade de Bari. Durante o seu doutoramento, ela contribuiu para o estabelecimento e padronização de ferramentas de diagnóstico, conduziu investigações epidemiológicas e acompanhou relatos de casos sobre vírus que circulam em carnívoros. Ela beneficiou de uma bolsa de estudos Paolo Cordioli 2016 para Pesquisadora Jovem por apoiar seu projeto de tese sobre o estabelecimento de um sistema de genética reversa para cancro de coronavírus (CCoV). Giulia ingressou no Instituto Pirbright em Fevereiro de 2018 e concluiu o seu doutoramento na Universidade de Bari logo depois. Atualmente, ela trabalha no Grupo Coronavírus, liderado por Erica Bickerton, e a sua pesquisa  concentra-se no uso de biologia sintética para gerar novas vacinas contra o vírus da bronquite infecciosa aviária.

Em relação a Erika Bickerton, o seu nome consta no registro de patente com o número US010130701B2, obtida em 20 de Novembro de 2018, note-se, dois anos antes do  acontecimento atual da pandemia COVID-19, provocada pelo Coronavírus.

Há um outro documento ligado ao «Pirbright Institute», datado de 23 de Julho de 2015, com a indicação, “the Coronavirus may be used as a vaccine for treating and/or preventing a disease, such as infectious bronchitis, in a subject”, traduzido para português, “o Coronavírus pode ser usado como uma vacina para o tratamento e/ou prevenção de uma doença, como bronquite infecciosa, em um indivíduo”.

A questão de fundo que quero ressaltar é que há vários estudos realizados por Erika Bickerton, Paul Britton e Sara Keep, todos eles relacionados com o coronavírus, com data anterior a 2020, ano em que se deu o início da epidemia na China.

A título de exemplo, cito o estudo intitulado “Transient Dominant Selection for the Modification and Generation of Recombinant Infectious Bronchitis Coronaviruses”, em português algo semelhante a “ Seleção dominante transitória para a modificação e geração de coronavírus infeccioso em bronquite recombinante”, note-se, realizado em 2015 (!).

Apesar de todos o estudos estarem, outra coisa não podia deixar de ser, direcionados para animais (suínos, galinhas, etc.), é muito estranho que todos se debrucem em torno do coronavírus e respectivas vacinas de tratamento, num instituto patrocinado por Bill Gates, um dos homens fortes do «Bilderberg Club».

O estudo pode ser consultado em Transient Dominant Selection for the Modification and Generation of Recombinant Infectious Bronchitis Coronaviruses

À guisa de conclusão, numa lógica (sempre) de problematização, haveria todo o interesse na discussão em relação aos estudos sobre coronavírus realizados antes do corrente ano, anteriores à pandemia COVID-19, que podem ser usados para tratar ou prevenir doenças, como a bronquite infecciosa num individuo, portanto, um plano, dizem os “conspiradores”, bem premeditado, para se vender vacinas a largos milhões de pessoas.

A discussão em torno de uma hipotética pandemia por causa do coronavírus, repare-se bem, gerou um debate em Outubro de 2019, denominado “Event 201 – Pandemic Exercice”, mesmo antes de tudo acontecer na China (!), co-organizado pela «Fundação Bill e Melinda Gates», em parceria com o «Centro Johns Hopkins para a Segurança da Saúde», um “exercício de pandemia de alto nível” e que originou entre outras discussões, a temática da articulação entre as parcerias público/privadas para dar resposta a uma (hipotética) pandemia grave.

As armas biológicas do Pentágono

A possibilidade do coronavírus ter origem em laboratório (também) poderá igualmente ser motivo de suspeição se tivermos em consideração a quantidade de laboratórios militares espalhados pelo mundo, como retratou muito bem uma conhecida jornalista de investigação da Bulgária.

Dilyana Gaytandzhieva, num impressionante artigo de investigação intitulado “The Pentagon Bio weapons” (as armas biológicas do Pentágono), publicado em 14 de Junho de 2019, provou que havia, e passo a citar, “diplomatas dos EUA envolvidos no tráfico de sangue humano e patógenos para programas militares secretos”.

Segundo Gaytandzhieva, o exército dos EUA produz regularmente vírus, bactérias e toxinas mortais, violando diretamente a Convenção da ONU sobre a proibição de armas biológicas.

Centenas de milhares de pessoas, sem terem conhecimento, são sistematicamente expostas a patógenos perigosos e outras doenças incuráveis. Refere a jornalista que usando-se da cobertura diplomática testam-se vírus sintéticos em laboratórios de biologia do Pentágono em 25 países em todo o mundo.

Esses laboratórios dos EUA, afirmou  Gaytandzhieva, são financiados pela Agência de Redução de Ameaças de Defesa (DTRA) sob um programa militar de US $ 2,1 bilhões – «Programa de Engajamento Biológico Cooperativo» (CBEP) e estão localizados em países da antiga União Soviética, como Geórgia e Ucrânia, Oriente Médio, Sudeste Asiático e África.

As armas biológicas mais fabricadas são feitas a partir do Anthrax, Botulismo, Ebola e Varíola, são de fácil transporte e de imensa potência devastadora. Em pouca quantidade pode destruir cidades e países, daí a sua utilização.

A Geórgia, visível no mapa, situada na fronteira da Rússia com o Irã, por exemplo, é um dos campos de testes para armas biológicas. Gaytandzhieva referiu que é o laboratório biológico do Pentágono na Geórgia e está localizado a apenas 17 km da base aérea militar dos EUA Vaziani, na capital Tbilisi.

As tarefas do programa militar são desempenhadas por biólogos da Unidade de Pesquisa Médica do Exército dos EUA – Geórgia (USAMRU-G), juntamente com contratados particulares. O Laboratório de Bio-segurança Nível 3 é acessível apenas a cidadãos dos EUA detentores de passe de segurança e eles recebem imunidade diplomática sob o Acordo EUA – Geórgia de 2002 sobre cooperação em defesa.

Invasões militares, bombardeamentos e utilização de armas biológicas

No âmbito desta reflexão, a vocação militar de determinados países também devia ser problematizada. Quem mais do que os EUA tem grande experiência em bombardear povos indefesos? Quem não se recorda das bombas nucleares no Japão (Nagasaki e Hiroshima)? Os EUA foram o único país do mundo a utilizar a bomba atômica contra humanos. Sim! Contra seres humanos. O único país deste planeta a cometer tamanha barbaridade foi os EUA.

Também, quem não se recorda das bombas com napalm no Vietnã? Quem não se recorda dos bombardeamentos dos EUA ao Iraque, à Líbia, etc.? Os EUA, não é por acaso, tem mais de 865 bases militares em 46 países nos cinco continentes. Na invasão ao Iraque, com a falsa informação de que o ditador Saddam Hussein tinha um programa nuclear em curso, até hoje nunca provado, foram mortos um milhão de iraquianos, foram utilizados 1820 toneladas de urânio empobrecido, equivalente a 14 mil bombas de Hiroshima. E quem liderou todo esse processo? Os Estados Unidos da América.

Por sinal, alguns pensadores defendem que as variedades do novo coronavírus detectadas na China, em Itália, no Irão, em Taiwan, na Coreia, na Alemanha e em outros lugares são diferentes, todas derivadas de um “tronco original”.

De acordo com esta tese que circula (também) pelas redes sociais, esse “tronco original” foi encontrado unicamente nos EUA depois de terem sido identificadas todas as variedades e mutações do vírus através da análise de quase cem amostras do genoma recolhidas em 12 países de quatro continentes.

Segundo Larry Romanoff, por estas circunstâncias, “torna-se difícil encontrar o «paciente zero» da pandemia que não está certamente entre os casos que foram descobertos no mercado de frutos do mar em Wuhan, China, em 31 de Dezembro de 2019”.

Se tivermos em consideração o que pensa Jacintho da Silva num artigo intitulado «Guerra biológica, bioterrorismo e saúde pública» (Cad. Saúde Pública vol.17 no.6 Rio de Janeiro Nov./Dec. 2001), onde refere que:

O uso de agentes infecciosos como arma não é novidade.. das dez pragas do Egito, infligidas por Deus para castigar o faraó, a quinta e a sexta teriam sido antraz (Marr & Malloy, 1996)”

O desenvolvimento e o uso de armas biológicas é uma estratégia antiga e uma realidade nos últimos anos.

Durante a epidemia de SARS de 2002–3, o cientista russo Nikolai Filatov, chefe dos serviços epidemiológicos de Moscou, afirmou que o vírus era uma mistura de sarampo e caxumba, uma arma biológica produzida em laboratório.

No dia 24 de Fevereiro de 2020, noticiado no «Air Force Magazine», o Secretário de Defesa Mark Esper e o ministro da Defesa sul-coreano Jeong Kyeong-doo realizaram uma conferência de imprensa conjunta no Pentágono para se debruçarem sobre a existência de casos de soldados contaminados com vírus.

Mark Esper falou ao lado do ministro da Defesa sul-coreano Jeong Kyeong. doo, e disse que havia 13 casos do vírus nas forças armadas sul-coreanas.

O jornalista Brian Everstine referiu que o chefe do Comando Europeu dos EUA, general Tod Wolters, disse aos membros do Comité de Serviços Armados do Senado em 25 de Fevereiro, e passo a citar, “está-se antecipando um aumento de casos de coronavírus na Alemanha, que hospeda várias bases americanas e milhares de funcionários, e existe um plano em curso. O vírus espalha-se. Atualmente, todos os passageiros de aeronaves militares que pousam no país são rastreados quanto ao vírus”.

Uma das teses dos defensores segundo o qual o coronavírus não teve origem no mercado de marisco chinês, nem em nenhum outro lugar da China, baseou-se na argumentação de que o vírus possa ter sido originado no Laboratório de Armas Biológicas das Forças Armadas dos EUA, em Fort Detrick, encerrado em Julho devido a surtos, e que teria sido transportado para a China durante os Jogos Militares Mundiais, em Outubro de 2019, para o Hunan Seafood Market, em Wuhan.

Apesar de não haver provas irrefutáveis, num exercício meramente acadêmico, com pouco esforço, seria fácil aceitar as teses avançadas de que o novo coronavírus, ao invés de ter surgido a partir de morcegos, pangolins ou cobras, possa ter sido fabricado em laboratórios secretos de armas biológicas.

*Artigo documentado na fonte, Jornal Tornado

*M. Azancot de Meneses – em Página Global

PhD em Educação / Universidade de Lisboa

Publicada por Página Global à(s) abril 15, 2020

Leia na íntegra: PAGINA GLOBAL

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