*Guerra Híbrida

“Animal, produto ou vegetal híbridos são aqueles desenvolvidos por duas ou mais espécies ou plataformas distintas mas pertencentes ao mesmo gênero ou a mesma linha ou objetivo”.

Quando na transição dos eletrônicos valvulados para os de “estado sólido” (transistores) a industria montou vários produtos “híbridos” (mistos de válvulas -amplificadoras de tensão- e transistores -amplificadores de voltagem-), estes são exemplos de híbridos em produtos inanimados de consumo.

O carro anfíbio pode ser considerado um veiculo híbrido, neste caso ele faz uso de dois suportes para locomoção, água e terra.

A propaganda e marketing atualmente utilizam estratégias hibridas para promoção de produtos na sociedade de consumo, basta pensarmos um pouco e trazermos à lembrança vários exemplos de uso de varias plataformas interagindo entre elas, amalgamando plataformas híbridas, (internet, tv, rádios, jornais, patrocínio em “eventos culturais” e outros), na propaganda, poderíamos pensar que são direcionadas a incentivar produtos de consumo massivo, caso contrário as campanhas são mais direcionadas. Muitas vezes estas estratégias são de dificil identificação, como quando são utilizados ações subliminares ou quando se investe em cultura patrocinada.

Nas “guerras hibridas”, nem sempre há a necessidade de seus promotores utilizarem material bélico ou armas letais para atingir objetivos, porém pode ser que haja vitimas fatais ou não. Citando o Brasil, em 2013 foi dado inicio a uma “guerra híbrida” de proporções até então incalculáveis, ninguém tem ainda uma noção de onde iremos chegar e o que e quanto perdemos.

Um exemplo anterior e vizinho ao Brasil foi o Paraguai de Lugo. Porém, a oficina para as “guerras híbridas na América Latina foi em Honduras de Zelaya, tendo seu ponto crucial em 2009. Se não houvesse uma embaixada brasileira que desse abrigo a Zelaya, não podemos calcular o que adviria.

Antes, o Oriente Médio foi o grande laboratório mundial das “guerras híbridas“. Desde a criação pelo ocidente da “Al-Qaeda“, ao espetáculo midiático mundial das “industrias de armas químicas de Sadan Husseim” (ninguém esta defendendo o tirano classista, porém ficou comprovado que não existiam fabricas de armas quinicas no Iraque) usadas como pretexto de invasão.

UM SINTOMA DE “GUERRA HIBRIDA“:

Brasil, ano de 2013. ninguém percebeu, porém quando a especialista em logística do Pentágono Liliana Ayalde (ex embaixadora no Paraguai de Lugo)) aportou no Brasil, começaram as manifestações do “MBL” e “Vem pra rua”, tudo isso por singelos R$ 0,20 no aumento das passagens de ônibus na cidade de São Paulo. Em 2016, Ayalde foi substituída pelo experiente especialista em limpeza Peter Michael McKinley (ex Afeganistão). Fato curioso, McKinley foi aprovado pelo governo golpista, mesmo antes de ter seu nome aprovado para embaixador no Brasil pelo senado estadunidense.

O caso mais atual talvez seja a Nicarágua. O cerne de toda “guerra híbrida” travada atualmente no pais é a construção do “canal da Nicarágua”. concorrente direto ao “canal do Panamá” (o Nicaraguense, apesar de ter um percurso um pouco maior, será mais viável financeiramente por muitos motivos), a construção do “canal da Nicarágua” será totalmente custeado pelo tesouro Chines, com a logística de segurança feita pela Russia, sem dificuldade para concluirmos que este canal quebra a hegemonia estadunidense na região e em toda América Central e América do Sul.

Como atualmente é mais dificil vender ao mundo aburguesado uma guerra convencional, estrategistas desenvolvem “guerras híbridas” pelos quatro cantos, começando por uma formula medieval que afirma “dividir para governar“. Como foi o recente caso da Venezuela e Equador. Na Venezuela a nação se encontrava mais fortalecida, os venezuelanos estão procurando e encontrando o próprio caminho, longe das fórmulas prontas que pouca utilidade oferecem, no Equador e Brasil não obtivemos a mesma vitoria e a “guerra híbrida” saiu vitoriosa.

Alguns sintomas na Venezuela nos mostram algumas táticas utilizadas na “guerra híbrida“: “Desabastecimento de gêneros” criminosamente proporcionado pela classe dominante daquele pais, os “bachaqueros” e os “guarimberos“,”população migrante“, quanto a estes últimos, sabemos não ser um numero significativo, (a Venezuela recebe mais pessoas vindos da Colômbia do que os venezuelanos que migram para o BrasilACNUR), usaram a mídia do Brasil e alguns políticos da direita golpista para lobby e propaganda contra este pais. Na “guerra híbrida” tudo é valido, tudo serve aos propósitos do imperialismo. 

Alguns países que, conhecidamente sofreram e sofrem uma “guerra híbrida” atualmente:

Na América Latina: Honduras, Republica Dominicana, Nicarágua, Venezuela, Colômbia, Equador, Argentina, Paraguai, Bolívia e Brasil.

No Oriente médio: Irã, Iraque, Palestina (Gaza inclusa), Síria.

Na Europa: Turquia e Croácia.

Na Africa: Somália, Sudão, Sudão do Sul e Nigéria e outros mais antigos.

Na Asia: Coréia do Norte, Coréia do Sul .

Como podemos perceber em alguns exemplos, a “guerra híbrida” utiliza vários argumentos, varias fórmulas. Desde o religioso, cultural, étnico etc. Com vitimas, massacres, com pouco sangue ou muito sangue, ou nenhuma vitima física como é o caso de Lula, Dilma, Dirceu, Genoíno no Brasil, Zelaya em Honduras, Lugo no Paraguai, Chaves e Maduro na Venezuela, Evo na Bolívia, Correa no Equador, Cristina na Argentina, Ortega na Nicarágua e por aí vai.

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*A Vitória de Lópes Obrador, a Vitória da Esquerda ou o Reflexo de uma Profunda Crise no México ?

[Internacional] A vitória de López Obrador, a vitória da esquerda ou o reflexo de uma profunda crise do país?

Do: CNT, Por Edurne Bagué

No domingo, 1º de julho, os habitantes do México foram convocados para as urnas. Eles tiveram que votar na prefeitura, no governo do estado, no Senado, no congresso e na presidência da República para o próximo sexto (2018-2014). Um dia que vinha gerando expectativas há semanas e acontecia no meio do mundo do futebol – um evento que paralisava o país – em um bom momento da seleção que havia sido classificada pelas quartas de final. Tudo foi um bom augúrio para o tão esperado dia eleitoral que parecia indicar que o tempo da mudança talvez estivesse em uma sociedade cansada.

Às 8h08, apenas 8 minutos após o início dos resultados preliminares, as primeiras reações aos resultados já foram mostradas. Foi o primeiro sinal de uma anomalia no comportamento eleitoral do país: o Partido Revolucionário Institucional (PRI) – o partido do atual presidente, Enrique Peña Nieto (EPN) veio a reconhecer e derrota desejando sorte ao novo presidente. Poucos minutos depois, Anaya deixou o Partido da Ação Nacional (PAN) – o partido dos ex-presidentes Fox e Calderón. Mais uma vez, elogia e deseja o melhor para o novo presidente. Ambas as reações surpreenderam um país que não está acostumado a esses tipos de situações.

Daquele momento em diante, a euforia se estendeu por toda parte, até os gritos de “sim”, “é uma honra estar com López Obrador”. A cidade do México parecia estar saindo de uma letargia pesada. A calma tensa da esperança contida por meses e semanas antes do medo da fraude eleitoral finalmente poderia ser liberada, Andres Manuel Lopez Obrador (AMLO) finalmente foi eleito o novo Presidente da República Mexicana.

Entenda o escopo de 1º de julho

Mas por que a vitória de AMLO e o “Movimentação pela Regeneração Nacional” (Morena) é importante? O que o diferencia das outras opções ? O fato é altamente complexo, cheio de aspectos, aqui selecionamos apenas alguns:

Primeiro de tudo, Lopez-Obrador, “Peje”, como é popularmente conhecido, tem trabalhado de uma maneira muito diferente: mais qualitativo e sério … tem um programa de 400 páginas. Uma equipe de especialistas (acadêmicos e profissionais com a reputação da UNAM e de outros espaços do país), portanto, uma amostra de um trabalho profissional em políticas públicas que mostra pessoas que buscam qualidade e profissionalismo e não tanto “compadraço“. Mas isso nada mais é do que a última fórmula de trabalho de um personagem que sempre teve uma linha de trabalho e prática política inspirada na social-democracia européia, seja dos alinhamentos dos partidos da direita e esquerda. Como uma proposta da esquerda, ele também sempre seguiu a linha de trabalho dos socialistas europeus, também de duas maneiras: políticas progressistas em direitos,

Em segundo lugar, a história de López-Obrador é a do descrédito do sistema eleitoral mexicano, uma vez que as eleições de 2006 foram a principal causa de fraude eleitoral. Em 2006, quando foi candidato do Partido da Revolução Democrática (PRD) na frente de Calderón do PAN. Esse foi um ano crucial para o país que vivia na Atenco, a APPO e o eixo Zapatista colocaram a outra campanha na mesa . Apenas um ano após a vitória de Evo Morales (Bolívia) e nos momentos mais fortes do projeto de Chávez (Venezuela) e Correa (Equador). Mas o Peje, como dissemos, sempre foi um seguidor da social-democracia e nunca esteve abertamente alinhado com as propostas da esquerda mais transformadora.

Em 2006, eles acamparam no meio da Cidade do México e houve muita mobilização social. Desta vez, ele comentou em todos os círculos da vida cotidiana, o medo de uma nova fraude e o risco que levou a revoltas, crises econômicas e instabilidade política e social. A calma tensa, em parte, é explicada pela experiência, especialmente em 2006, embora também nas eleições anteriores, em 2012, tenha havido uma nova fraude eleitoral que deu a presidência à EPN.

A experiência das duas fraudes eleitorais anteriores, de certa forma, e a garantia contra uma população cansada, (temos que entender que o último destes fatores foi o lado negro das oligarquias opressoras) procurando manter o status quo, e, portanto, , seus privilégios. Essa suposição é projetada como alguém que tem a capacidade de trazer para o país as mudanças necessárias.

Isso anda de mãos dadas com as boas lembranças de sua passagem pelo governo da capital da república e um cansaço muito profundo no sim da sociedade mexicana, que vê, explicitamente, que tudo foi distorcido na década 90 do século XX, sob o mandato de Salinas de Gortari, com a assinatura do TLC ea reforma da Constituição, com a qual acabaram de minar importantes avanços ligados à Revolução Mexicana.

O anseio por mudança já foi revelado nas eleições de 2000, quando a punição do sistema hegemônico mexicano do PRI foi punida, dando a Vicente Fox a vitória do PAN. Mas agora, o PAN não era uma opção que simboliza qualquer mudança de forma positiva, depois de um governo de Felipe Calderón, os mexicanos lembram, a situação interna do pais piorou consideravelmente : o aumento da pobreza, o aumento da violência, implementação e consolidação do que é chamado narco-estado e como esta guerra contra as drogas serviram para militarizar o país, aumentando a insegurança. Amedrontavam-se os mexicanos com exemplos do que Uribe fazia acontecer na Colômbia.

Diante desse cenário, a única proposta que ainda não teve a opção de demonstrar se a situação poderia ser melhorada foi da AMLO (são propostas desconhecidas), e, portanto, a esperança e a tarefa agora são para ele e o Morena. A sociedade mexicana vem pedindo essa mudança há anos.

AMLO: um reflexo da demanda por mudanças.

O AMLO é o reflexo da necessidade e demanda por mudanças no país que superem as margens direita/esquerda (observação nossa: Seria um pacto nacional ?). O profissionalismo é exigido no exercício da política, a recuperação das instituições públicas, tanto metaforicamente e objetivamente – autoridade, poder real, sentido do público – de modo que o objetivo é atender a cidadania e não enriquecimento pessoal Acabar com compadraços, carteiradas e clientelismo como elementos da estrutura do país. Tudo isso é verbalizado com a expressão “fim da corrupção” nas palavras do próprio AMLO “a máfia do poder deixará de dominar o México, eles não terão mais o poder de enviar, porque o povo governará“. Por isso, encontrou na corrupção e na máfia a crítica dos problemas estruturais do país (observação nossa; ouvimos esta ladainha diariamente no Brasil) há muito tempo. Os elementos expostos têm favorecido um eleitorado transversal contra a proposta de Morena e AMLO. O desejo de um México que quer deixar para trás um estágio de escuridão e decadência que é representado no PRI e o PAN.

No entanto, nem tudo é fornecido com flores e violas. O desafio é monumental. Você não é solicitado a aplicar políticas de esquerda. De fato, ele também não tinha um programa de esquerda. A tarefa é executar o país. Além disso, não é uma proposta revolucionária no sentido de que todo mundo iria imaginar, no entanto, levar a cabo a reestruturação do país, as suas instituições e sua dinâmica, não é muito, mesmo assim não se sabe se ele será possível.

Deve-se notar que há limitações na linha de partida, como a falta de compreensão de que isso depende não apenas dele e de sua equipe de governo, mas de profundas mudanças sociais. As práticas de compadraço, clientelismo e caciquismo fazem parte do cotidiano da vida dos mexicanos e atravessam todas as esferas da sociedade mexicana. Inserido no neoliberalismo econômico, isto significa, em primeiro lugar, que resolver estas questões não é algo que poderá ser resolvido numa legislatura, precisa de uma estratégia mais complexa a médio e longo prazo. E isso leva a um segundo aspecto, como o fato de que; faz parte do sucesso ou do fracasso nesta missão e passa pela força das alianças de lobbies econômicos e seus interesses. Combater a corrupção estrutural, a reforma da dinâmica de trabalho da administração pública e das instituições devem ser acompanhados de medidas severas, e de planos estratégicos para promover uma mudança no sistema de valores de toda a sociedade como um todo. Assim que isso for ativado, os atores que serão ameaçados buscarão a mobilização social e a ingovernabilidade (observação nossa; ocorre atualmente em vários países os mais variados formatos de golpes, Nicarágua, Honduras, Brasil, Argentina, Equador, etc). Para garantir o equilíbrio e o desenvolvimento dessas novas políticas e reformas, o governo de Lopez deve saber que tem atores muito sólidos. Parceiros de aventura que não defendem políticas de esquerda, mas precisam de melhorias estruturais para aprofundar seu enriquecimento. O governo de Lopez Obrador deve saber que tem atores muito sólidos. Parceiros de aventura que não defendem políticas de esquerda, mas precisam de melhorias estruturais para aprofundar seu enriquecimento.

Vendo o certo apoio de mídias, como  as de, Slim ou Soros, para a candidatura da AMLO, já é visível que esta proposta não é uma proposta da esquerda. A isto juntamos as reações descritas no início: os outros candidatos demonstrando educação e respeito. Eles parecem indicar que há interesse em promover certas mudanças no país, talvez porque o nível de retração e descontrole da economia mexicana afeta negativamente todas as projeções da economia Continue lendo…

*Venda Massiva de Títulos do Tesouro dos EUA: Cenário Apocalíptico Para Dólar

Do: Sputniknews

Desde abril de 2018, a Rússia vendeu quase 85% dos títulos do Tesouro dos EUA e aumentou suas reservas de ouro para um nível recorde. A Sputnik explica porque Moscou decidiu livrar-se dos títulos públicos dos EUA, apostando no metal precioso, e que consequências esse passo teria para o sistema financeiro mundial.

 

Em abril e maio deste ano, Moscou reduziu os ativos em títulos do Tesouro dos EUA de 96 bilhões de dólares (R$ 369,7 bilhões) para 15 bilhões de dólares (R$ 56,2 bilhões). A lista dos 33 maiores detentores de dívida pública publicada pelo Departamento do Tesouro dos EUA já não inclui a Rússia. Paralelamente, o Banco Central russo aumentou significativamente a quota de ouro nas suas reservas internacionais.

Esses fatores levaram a uma mudança significativa das reservas internacionais russas na última década: a quota de ouro aumentou 10 vezes, enquanto a dos títulos do Tesouro dos EUA caiu ao seu mínimo.

Papel dos títulos do Tesouro norte-americanos nas reservas globais

As reservas internacionais de um país representam os ativos financeiros líquidos das autoridades monetárias (geralmente dos bancos centrais) que são mantidos em diferentes reservas, como em moedas estrangeiras (títulos e depósitos), ouro, direitos especiais de saque – unidade de pagamento criado pelo Fundo Monetário Internacional – e posição de reserva no FMI, além de alguns outros ativos.

Esses recursos são utilizados pelo país para cumprimento dos seus compromissos financeiros como a emissão de moeda, para minimizar a volatilidade, bem como para proteger o sistema financeiro dos especuladores. Em geral, é uma espécie de colchão de segurança para amortecer as consequências de choques externos para a economia do Estado.

No sistema financeiro atual, a maioria das reservas internacionais globais está aplicada em títulos da dívida pública dos EUA. Esses títulos são emitidos pelo Tesouro dos EUA para financiar a dívida pública norte-americana. Os EUA podem emitir livremente sua moeda, aproveitando-se de o comércio internacional mundial ser realizado em dólares, o que contribui para a demanda por dólares a nível global. Ou seja, cada país que compra títulos públicos dos EUA financia o déficit dos EUA. Mas por que a comunidade internacional continua financiando a economia dos EUA, apoiando a hegemonia do dólar?

A resposta é bastante simples. Os títulos da dívida americana são considerados o ativo mais seguro do mundo com uma liquidez mais alta, o que significa que, se for necessário, esses ativos podem ser vendidos rapidamente e sem perda de valor. Os EUA têm um bom rating de crédito, apesar de algumas especulações sobre o teto da dívida. Acredita-se que um calote dos EUA é quase impossível, tornando esse ativo apropriado para o colchão de segurança de um país.

Rússia e desdolarização

A Rússia está tentando diminuir sua dependência da divisa norte-americana depois de Washington e seus aliados terem imposto sanções ao país em 2014. O presidente russo, Vladimir Putin, declarou que Moscou já não pode confiar no sistema financeiro encabeçado pelo dólar norte-americano porque os EUA impuseram sanções unilaterais e violam as regas da Organização Mundial do Comércio.

O primeiro passo foi o aumento das transações em divisas nacionais com os parceiros comerciais da Rússia, reduzindo assim a demanda por dólares desses países.

Como resultado, as transações em rublos na União Econômica Eurasiática (composta pela Armênia, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão e Rússia) aumentaram significativamente. Em outubro de 2017, a China abriu em Moscou a primeira divisão do seu Banco de Indústria e Comércio para promover transações em yuanes. Além disso, Moscou já assinou acordos com a Turquia, Irã e Azerbaijão para evitar o uso do dólar nas transações internacionais. Durante a 10ª cúpula dos BRICS, realizada entre 25 e 27 de julho em Johannesburgo, os representantes dos países membros do grupo também discutiram a possibilidade de realizar transações em moedas nacionais em vez do dólar.

No início do abril, Washington impôs um novo pacote de sanções antirrussas, o mais duro desde 2014. Os EUA introduziram sanções contra 38 empresários e empresas russas.Em junho de 2018 o Departamento do Tesouro dos EUA revelou que em abril deste ano a Rússia tinha vendido metade dos seus títulos da dívida pública dos EUA. Desta forma, a Rússia passou de 18º para 22º na lista dos principais credores dos EUA. Em julho de 2018 foi revelado que a Rússia se livrou de mais um terço dos seus títulos dos EUA. Ao mesmo tempo, as reservas de ouro da Rússia atingiram quase 2.000 toneladas. Durante os primeiros seis meses de 2018, o Banco Central russo comprou cerca de 106 toneladas do metal precioso, aumentando a quota de ouro nas reservas internacionais até 18%, e aumentou também suas reservas nominadas em outras divisas, depositadas em bancos centrais de outros países.

Segundo a presidente do Banco da Rússia, Elvira Nabiullina, o objetivo do banco é diversificar suas reservas internacionais.

“Nos últimos tempos, aumentamos significativamente a quota de ouro, praticamente em dez vezes. Estamos diversificando toda a estrutura das divisas [nas reservas internacionais]. Realizamos uma política para que as reservas internacionais sejam armazenadas de forma segura e sejam diversificadas. Levamos em conta todos os riscos: financeiros, econômicos e geopolíticos”, disse Nabiullina comentando a venda dos títulos.

Alguns especialistas acreditam que a Rússia vendeu seus títulos do Tesouro dos EUA porque receia que esses ativos possam ser congelados no caso de novas sanções antirrussas. Entretanto, essas medidas são pouco prováveis, porque afetariam a credibilidade dos investidores em todo o mundo no sistema financeiro dos EUA.

O que vai acontecer se outros países se livrarem dos títulos do Tesouro dos EUA? Quanto às consequências para a economia dos EUA, a venda dos títulos dos EUA pela Rússia não representa uma grande ameaça para Washington porque, mesmo antes da venda massiva dos títulos, a Rússia ocupava apenas o 18º lugar na lista dos principais credores dos EUA.

Entre os maiores detentores de títulos do Tesouro norte-americano estão a China, que possui títulos no valor de 1,18 trilhão de dólares (R$ 4,5 trilhões). O Japão está em segundo lugar, com $ 1,03 trilhão (R$ 3,8 trilhões). Entre os líderes estão também a Irlanda, Brasil, Suíça, Reino Unido, Índia e Arábia Saudita.

Imaginem que a maioria desses detentores da dívida dos EUA se livraria dos títulos do Tesouro dos EUA. A oferta dos títulos aumentaria drasticamente, fazendo com que eles desvalorizassem. Os rendimentos dos títulos da dívida dos EUA atingiriam nível recorde. Essa situação poderia colapsar toda a economia dos EUA.

A Turquia é mais um país que já decidiu livrar-se dos títulos da dívida pública dos EUA. O presidente do país, Recep Tayyip Erdogan, considera que o Ocidente quer castigar o país por sua política de reforço da soberania. Segundo os últimos dados, Ancara reduziu seus recursos financeiros investidos em títulos norte-americanos em 38% desde outubro de 2017, aumentando as compras de ouro.Embora hoje esses títulos ainda continuem sendo o ativo mais seguro do mundo, tendo em consideração a guerra comercial desencadeada por Washington contra a China, o maior credor dos EUA, alguns analistas preveem que Pequim também poderia reduzir sua posição em títulos do Tesouro dos EUA, tal como já o fizeram a Rússia e a Turquia. Esse passo seria, verdadeiramente, o início do fim da época do dólar.

*O que se Passa Realmente na Nicarágua? Parece tão Igual a 2013 no Brasil…

Do: Luíz Muller Blog

Nicarágua

Quem não lembra de julho de 2013 no Brasil e as hordas de Black Blocs e bandidos mascarados mostrados pela Globo como “manifestantes” contra o Governo de Dilma, em movimento que supostamente eram contra um aumento insignificante nos preços de passagens de ônibus, com as quais aliás, o Governo Federal não tinha nada a ver? Tá pensando que na Nicarágua é diferente? Estamos falando do andamento de um golpe financiado pelos EUA. Aqui, pela nossa cultura, o golpe acabou levando um tempo maior para acontecer. Na Nicarágua, de repente, contra uma Reforma da Previdência que pegaria os que mais ganham, estoura um movimento que tem por objetivo derrubar o governo Sandinista de Ortega, democraticamente eleito há menos de dois anos.

NICARAGUENSES ESTÃO CARREGANDO O FUTURO EM SUAS MÃOS MM CONTRA A OPOSIÇÃO RETROGRADA DAS OLIGARQUIAS

Foto: Leia o que esta escrito na faixa esticada por terroristas de direita e vai entender tudo em um segundo

Cuidado com as narrativas que vem da Nicarágua. A guerra híbrida esta em andamento lá também. Através da comunicação, fazem um povo destruir sua própria nação. Fizeram isto no mundo árabe em 2011, com as tais “revoluções coloridas”, fizeram na Ucrânia, fizeram no Brasil a partir de 2013, fazem na Venezuela e fazem…na Nicarágua.

UMA ANÁLISE INTERESSANTE DE DOIS INVESTIGADORES AMERICANOS DO NORTE

O QUE ACONTECE REALMENTE NA NICARÁGUA ?

por Kevin Zeese y Nils McCune*

Há muita informação falsa e imprecisa sobre a Nicarágua na mídia. Mesmo à esquerda, alguns simplesmente repetiram as afirmações duvidosas da CNN e da mídia oligárquica da Nicarágua para apoiar a derrubada do presidente Ortega. A narrativa de manifestantes não-violentos versus esquadrões antimotim e paramilitares pró-governo não foi questionada pela mídia internacional.

Este artigo procura corrigir o registro, descrever o que está acontecendo na Nicarágua e por quê. Enquanto escrevemos isso, o golpe parece estar falhando, as pessoas se uniram pela paz (como demonstrado por esta marcha maciça pela paz no sábado, 7 de julho) e a verdade está saindo (por exemplo, o esconderijo de armas descoberto em uma igreja Católica em 9 de julho). É importante entender o que está acontecendo porque a Nicarágua é um exemplo dos tipos de golpes violentos que os Estados Unidos e os ricos usam para lançar governos neoliberais dominados pelos negócios. Se as pessoas entenderem essas táticas, elas serão menos eficazes.

Misturando os interesses da classe

Em parte, os especialistas americanos estão obtendo suas informações da mídia, como La Prensa, de Jaime Chamorro-Cardenal (a Globo da Nicarágua), e o Confidencial da mesma família oligárquica, que são os elementos mais ativos da mídia golpista. Repetem e ampliam sua narrativa des/legitimista contra o governo sandinista e pedem a rendição incondicional de Daniel Ortega como a única opção aceitável. Esses especialistas protegem os infames interesses internos e externos que se propuseram a controlar o país mais pobre (na realidade o terceiro menos rico) e ao mesmo tempo, rico em recursos naturais da América Central.

A tentativa de golpe trouxe as divisões de classe na Nicarágua aos olhos do público. Piero Coen, o homem mais rico da Nicarágua, proprietário de todas as operações nacionais da Western Union e de uma empresa agroquímica, chegou pessoalmente ao primeiro dia de protestos na Universidade Politécnica de Manágua para incentivar os estudantes a continuar protestando, prometendo seu apoio contínuo

A tradicional oligarquia latifundiária da Nicarágua, liderada politicamente pela família Chamorro, publica constantes ultimatos ao governo por meio de sua mídia e financia os bloqueios que paralisaram o país durante nas últimas oito semanas.

A Igreja Católica, um aliado por um longo tempo com os oligarcas, fez todos os esforços para criar e sustentar ações anti-governamentais, incluindo universidades, escolas, igrejas, contas bancárias, veículos, tweets, sermões de domingo e um esforço unilateral para mediar o chamado “Diálogo Nacional“. Os bispos ameaçaram matar o presidente e sua família, e filmou um padre que supervisiona a tortura dos sandinistas. O Papa Francisco pediu conversações de paz e até chamou o Cardeal Leonaldo Brenes e Bishop Rolando Alvarez para uma reunião privada no Vaticano, provocando rumores de que o nicaraguense Monsignori sendo repreendido por seu envolvimento óbvio no conflito Eles estão mediando oficialmente o “Dialogo“.

Uma afirmação comum é que Ortega se alinhou com a oligarquia tradicional, mas o oposto é verdadeiro. Este é o primeiro governo desde a independência da Nicarágua que não inclui a oligarquia. A partir dos anos 1830 até os anos 1990, os governos todos os nicaragüenses, mesmo durante a Revolução Sandinista, incluiu pessoas do “sobrenome” elite de Chamorro Cardenal, Belli, Pellas, Lacayo, Montealegre, Gurdián. O governo desde 2007 não, então essas famílias apóiam o golpe.

Os detratores de Ortega reivindicam seu diálogo em três partes, incluindo os sindicatos, os capitalistas, e o Estado é uma aliança com as grandes empresas. De fato, esse processo produziu a maior taxa de crescimento na América Central e o salário mínimo anual aumentou de 5 a 7% acima da inflação, melhorando as condições de vida dos trabalhadores e tirando as pessoas da pobreza. O projeto Borgen contra a pobreza relata que a pobreza diminuiu em 30% entre 2005 e 2014.

O governo liderado pela FSLN lançou um modelo econômico baseado no investimento público e no fortalecimento da rede de segurança para os pobres. O governo investe em infraestrutura, trânsito, manutenção de água e eletricidade no setor público e movimenta os serviços privatizados. por exemplo, cuidados de saúde e educação primária no setor público. Isso garantiu uma estrutura econômica estável que favorece a economia real sobre a economia especulativa. A maior parte da infraestrutura na Nicarágua foi construída nos últimos 11 anos, algo comparável à era do New Deal nos EUA. Incluindo usinas renováveis ​​de eletricidade em todo o país.

A Nicarágua é um pais muito pobre e se encontra na área onde as garras dos EUA são mais tenazes, uma área do planeta onde é difícil uma nação (fora Canadá, EUA e México) desenvolver economicamente. O que comentaristas liberais e até alguns esquerdistas ignoraram é que, (ao contrário do governo Lula no Brasil que reduziu a pobreza através de pagamentos em dinheiro à famílias pobres, o Brasil tinha como fazer isso), a Nicarágua redistribuiu o capital produtivo para desenvolver uma economia de pessoas auto-suficientes. O modelo FSLN é melhor entendido como uma ênfase na economia popular sobre o angulo e as esferas, estatal “ou capitalista“.

Embora o setor privado emprega cerca de 15% dos trabalhadores nicaraguenses, o setor informal emprega mais de 60%. O setor informal se beneficiou de US $ 400 milhões em investimentos públicos, muitos dos quais vêm dos fundos da aliança ALBA para financiar micro-empréstimos para pequenas e médias empresas agrícolas. Políticas para facilitar o crédito, equipamentos, treinamento, animais, sementes e combustível subsidiado dão suporte adicional a essas empresas. Os pequenos e médios produtores da Nicarágua levaram o país a produzir 80-90% de seus alimentos e a depender de empréstimos do FMI.

Como tal, os trabalhadores e camponeses, (muitos dos quais são trabalhadores independentes), concordaram com um capital produtivo através da Revolução Sandinista e lutas seguintes, representam uma importante questão política de desenvolvimento social estável da última década do pós-guerra, incluindo centenas de milhares de camponeses que receberam o título da terra. E foram emitidos títulos de propriedade de quase um quarto do território nacional, às nações indígenas. Os movimentos sociais de trabalhadores, camponeses e grupos indígenas foram a base do apoio popular que trouxe a FSLN de volta ao poder.

A titulação de terras e assistência a pequenas empresas também têm enfatizado a igualdade para as mulheres, resulta que a Nicarágua tem o menor nível de desigualdade de gênero na América Latina e ocupa o 12º lugar entre 145 países no mundo, apenas atrás da Alemanha.

Eventualmente, o governo FSLN incorporou neste sector de trabalhadores de auto-emprego (cooperativos e outras formulas), ou seja, (os trabalhadores têxteis em plantas estrangeiras situadas em zonas de livre comércio criadas pelos governos neoliberais anteriores), no sistema de saúde e pensões, fazendo com que os compromissos financeiros crescessem, o que exigiu uma nova fórmula para garantir a estabilidade fiscal. As reformas propostas para a Previdência Social foram o gatilho para o setor privado e os protestos estudantis em 18 de abril. O lobby empresarial incitou protestos, quando Ortega propôs aumentar as contribuições dos empregadores em 3,5% para os fundos de pensão e saúde, enquanto aumentou apenas as contribuições dos trabalhadores em 0, 75% e transferiu 5% da transferência de renda dos aposentados para o seu fundo de assistência médica. A reforma também pôs fim a uma lacuna legal que permitia às pessoas de alta renda reivindicar baixos rendimentos para ter acesso a benefícios de saúde.

Esta foi uma contraproposta à proposta do FMI de aumentar a idade de aposentadoria e mais que o dobro do número de semanas que os trabalhadores teriam de pagar o fundo de pensão, a fim de acessar os benefícios. O fato de que o governo se sentiu forte o suficiente para negar as exigências de austeridade do lobby empresarial e do FMI era um sinal de que o poder de barganha do capital privado tinha diminuído desde o impressionante crescimento econômico na Nicarágua, (um aumento de 38% no PIB 2006-2017), tem sido liderado por pequenos produtores e gastos públicos. No entanto, a oposição usou anúncios manipuladores no Facebook que apresentaram a reforma como uma medida de austeridade, mais falsas notícias da morte de um estudante em 18 de abril, para gerar protestos em todo o país em 19 de abril. Imediatamente, a máquina de mudança de regime foi posta em movimento.

O Diálogo Nacional mostra os interesses da classe em conflito. A Aliança Cívica pela Justiça e Democracia da oposição tem como figuras-chave: José Adan Aguirre, líder do lobby das empresas privadas; Maria Nelly Rivas, diretora da Cargill na Nicarágua e chefe da Câmara de Comércio dos Estados Unidos e da Nicarágua; os estudantes universitários privados de 19 de abril º Movimento; Michael Healy, gerente de uma corporação colombiana de açúcar e chefe do lobby do agronegócio; Juan Sebastián Chamorro, que representa a oligarquia vestida com roupas civis; Carlos Tunnermann, ex-ministro sandinista de 85 anos e ex-chanceler da Universidade Nacional; Azalea Solís, diretora de uma organização feminista financiada pelo governo dos EUA e Medardo Mairena, um “líder camponês” financiado pelo governo dos Estados Unidos, que viveu 17 anos na Costa Rica antes de ser deportado em 2017 por tráfico de seres humanos. Tünnermann, Solis e os alunos do Movimento 19 de Abril, todos estão associados ao Movimento pela Renovação do Sandinismo (MRS), um grupo pequeno saído do partido sandinista, que merece atenção especial.

Na década de 1980, muitos dos quadros de alto nível da Frente Sandinista foram, de fato, os filhos de algumas das famosas famílias oligárquicas, como os irmãos Cardenal e parte da família Chamorro, a cargo dos ministérios da Cultura e Governo do governo revolucionário. Educação e seus meios, respectivamente. Após a derrota eleitoral do FSLN em 1990, os filhos da oligarquia organizaram um êxodo do partido. Junto com eles, alguns dos quadros intelectuais, militares e de inteligência mais notáveis ​​saíram e formaram, com o tempo, a MRS. O novo partido renunciou ao socialismo, culpou Daniel Ortega por todos os erros da Revolução, e ao longo do tempo assumiu a esfera das organizações não-governamentais (ONGs) na Nicarágua, incluindo organizações feministas, ambientais e de juventude.

Desde 2007, a MRS se tornou cada vez mais próxima da extrema direita do Partido Republicano dos Estados Unidos. Desde o surto de violência em Abril, muitos, se não a maioria das fontes citadas pela mídia ocidental (incluindo, perturbadoramente, Democracy Now Amy Goodman), vêm desta festa, que tem o apoio de menos de 2% do eleitorado nicaraguense. Isso permite que os oligarcas (eles decidiram ser a melhor logística para aplicarem o golpe) expressem sua tentativa violenta de restabelecer o neoliberalismo em um discurso de esquerdistas de antigos sandinistas críticos do governo de Ortega (a direita comumente faz isso, se apropria do discurso de esquerda).

Nicarágua, Sujeitos mascarados, armados com morteiros e bazucas caseiras bloqueiam as avenidas

Foto: Nicarágua, Sujeitos mascarados, armados com morteiros e bazucas caseiras bloqueiam as avenidas

É uma farsa dizer que os trabalhadores e camponeses estão por trás dos tumultos. A “Via Campesina“, a “União Nacional de Agricultores e Pecuaristas“, a “Associação dos Trabalhadores Rurais“, a “Frente Nacional de Trabalhadores“, a “Nação Indígena Mayangna” e outros movimentos e organizações têm sido inequivocados em suas demandas para acabar com a violência programada contra o povo nicaraguense e contra o governo de Ortega. Esse “mal-estar” é uma operação de mudança de regime em grande escala realizada por oligarcas da mídia, uma rede de ONGs financiadas pelo governo dos EUA. Elementos armados de famílias de proprietários de terras, da elite e da Igreja Católica, e abriu as portas para cartéis de drogas e crime organizado para ganhar uma posição na Nicarágua.

O elefante na sala

O que nos leva à participação do governo dos Estados Unidos no violento golpe.

Como Tom Ricker relatou no início desta crise política, o governo dos EUA há vários anos decidiu que, em vez de financiar os partidos políticos da oposição, que perderam enorme legitimidade na Nicarágua, os EUA financiaria o setor das ONGs da sociedade civil. O “National Endowment for Democracy (NED)” concedeu mais de US $ 700.000 para construir a oposição ao governo em 2017, e já distribuiu mais de US $ 4,4 milhões desde 2014. O objetivo principal deste financiamento era de “fornecer uma estratégia coordenada e os meios de voz aos grupos de oposição na Nicarágua.

Ricker continua:

“O resultado dessa consistente construção e financiamento dos recursos da oposição foi criar uma câmara de ressonância que é amplificada por comentaristas na mídia internacional, a maioria dos quais não tem presença na Nicarágua e depende dessas fontes secundárias.”

O fundador da “NED“, Allen Weinstein, descreveu a “NED” como a CIA aberta, qause privada, ele disse: “Muito do que fazemos hoje foi feito secretamente há 25 anos pela CIA“. Na Nicarágua, mais do que na direita tradicional, o NED financia as organizações afiliadas à MRS que levantam críticas ao governo de esquerda sandinista, usando o discurso da esquerda sandinista. Os ativistas da mudança de regime usam slogans, canções e símbolos sandinistas, mesmo quando queimam monumentos históricos, pintam os marcadores vermelhos e pretos dos mártires caídos e atacam fisicamente os membros do partido sandinista.

De grupos de oposição no Diálogo Nacional a “organização feminista Azalea Solís” e a “organização camponesa Medardo Mairena” são financiadas através de bolsas NED, enquanto os alunos do “Movimento 19 de Abril” ficam em hotéis e fazem viagens pagas pela Freedom House, um outro organismo de mudança de regime financiado pelo NED e pela USAID. O NED também financia “Confidential“, a organização de mídia Chamorro. O NED concede financiamento ao “Instituto de Estudos Estratégicos e Políticas Públicas” (IEEPP), cujo diretor executivo, Félix Maradiaga, é do quadro da MRS que está muito próximo da Embaixada dos Estados Unidos. Em junho, Maradiaga foi acusado de comandar uma rede criminosa chamada “Viper” que a partir do campus ocupado “UPOLI“, organizaram incêndios em automóveis, roubo e assassinatos para criar o caos e pânico durante os meses de Abril e Maio.

Maradiaga cresceu nos Estados Unidos e tornou-se membro do Aspen Leadership Institute, antes de estudar políticas públicas em Harvard. Ele foi secretário do Ministério da Defesa do último presidente liberal, Enrique Bolaños. É um Jovem Líder Global no Fórum Econômico Mundial em 2015, o Conselho de Assuntos Globais de Chicago concedeu a concessão Gus Hart, incluindo dissidente cubano Yoani Sanchez e Henrique Capriles, o líder da oposição venezuelana que atacou cubanos na embaixada durante a tentativa de golpe de 2002.

Surpreendentemente, Maradiaga não é o único líder da tentativa de golpe que faz parte da Aspen World Leadership Network. Maria Nelly Rivas, diretora da gigante corporativa americana Cargill, na Nicarágua, é uma das principais porta-vozes da oposição, a Civic Alliance. Rivas, que atualmente também lidera a Câmara de Comércio dos Estados Unidos (AMCHAM) e da Nicarágua, está sendo preparado como um possível candidato presidencial nas próximas eleições. Sob esses líderes preparados pelos Estados Unidos, há uma rede de mais de 2.000 jovens que receberam treinamento com fundos da NED em tópicos como as habilidades das mídias sociais para a defesa da democracia.

Sobre violência

Uma das maneiras pelas quais os relatórios sobre a Nicarágua se aventuraram mais longe da verdade é o fato de chamarem a oposição de “não-violenta“. O script de violência, inspirados pelos protestos “guarimba” 2014 e 2017, na Venezuela, é organizar ataques armados contra edifícios do governo, forçando a polícia a enviar esquadrões de choque, participar em confrontos filmados e pós vídeos editados on-line, alegando que o governo está sendo violento contra manifestantes não-violentos.

Mais de 60 edifícios do governo foram queimados, escolas, hospitais, em ataques, 55 ambulâncias foram danificadas, causando pelo menos US $ 112 milhões em danos à infra-estrutura, as pequenas empresas foram fechadas e 200.000 empregos perdidos causando um impacto econômico devastador durante os protestos. A violência tem, além de milhares de feridos, 15 alunos e 16 policiais mortos e mais de 200 sandinistas sequestrados, muitos deles torturados incluídos publicamente. As atrocidades violentas da oposição foram mal informadas como repressão do governo. Embora seja importante para defender o direito do público para protestar, independentemente das suas opiniões políticas, não podemos ser ingênuos e ignorar a estratégia da oposição que exige e alimenta-se de violência e mortes…

Notícias nacionais e internacionais afirmam mortes e ferimentos devido a “repressão” sem explicar o contexto. A mídia ignorou os cocktails molotov, rojões,  armas e rifles usados ​​por grupos de oposição, e quando os sandinistas simpatizantes, agentes da polícia ou espectadores são mortos, são contados falsamente como vítimas da repressão do estado nicaraguense. A mídia oligarca tem noticiado que as demandas explosivas da oposição, como os massacres de crianças e assassinatos de mulheres são falsas, e casos de tortura, desaparecimentos e execuções extrajudiciais são impostas pelas forças policiais.

Usando a lógica de raciocínio, embora não haja evidência para apoiar a alegação “do atirador” assassinando manifestantes de oposição, não há nenhuma explicação lógica para o Estado usar franco-atiradores. Para aumentar o número de vítimas mortas ? E os contra-manifestantes também foram vitimas de franco-atiradores ? Sugerindo um “terceiro” papel provocativo na violência desestabilizadora. Quando uma família de sandinistas inteira foi queimada na Manágua, a mídia golpista de  oposição citou uma testemunha que disse que a polícia ateou fogo à casa, embora a casa estava em uma vizinhança com acesso policial fechado.

A Polícia Nacional da Nicarágua foi reconhecida por um longo tempo por seu modelo de policiamento comunitário (em oposição à polícia militar na maioria dos países da América Central), sua relativa falta de corrupção e maior parte de seu alto escalão feminino. O estratégia do golpe  tentou destruir a confiança pública na polícia através do uso terrível de documentos falsos, tais como as muitas falsas alegações de assassinatos, espancamentos, tortura e desaparecimentos na semana de 17 de abril de notícias 23 º. Vários jovens cujas fotos foram levadas para manifestações da oposição como vítimas de violência policial acabaram por estar vivos e bem.

A polícia tem sido totalmente inadequada e não está preparada para confrontos armados. Ataques a vários prédios públicos na mesma noite e os primeiros grandes ataques incendiários, levaram os funcionários do governo a se protegerem com barris de água e, com frequência, paus e pedras, para se defenderem contra os atacantes. A oposição, frustrada por não ganhar mais conflitos com a policia, começou a construir barricadas em todo o país, incendeiam as casas dos sandinistas, até mesmo incendiando e queimando as famílias sandinistas em atrozes crimes de ódio. Em contraste com a versão de eventos do La Prensa, os nicaraguenses sentiram a clara falta de presença policial e a perda de segurança em seus bairros, enquanto muitos eram alvos de violência.

Desde maio, a estratégia da oposição tem sido construir barricadas armadas em todo o país, paralisando o transporte e aprisionando pessoas. As barricadas, geralmente construídas com grandes paralelepípedos, são tripuladas por entre 5 e 100 homens armados com lenços ou máscaras. Enquanto a mídia relata jovens idealistas que possuem barricadas, a grande maioria das barreiras é mantida por homens pagos que vêm de um fundo para pequenos delitos. Quando grandes áreas das cidades e vilas são bloqueadas pelo governo e pelas forças policiais, as atividades relacionadas às drogas se intensificam, e as gangues de drogas agora controlam muitas das barricadas e pagam salários.

Esses bloqueios têm sido os centros de violência, os trabalhadores que precisam passar pelos controles são muitas vezes roubados, espancados, insultados e, se, são suspeitos de serem sandinistas, amarrados, despidos, torturados, pintados de azul e branco etc. . Há três casos de pessoas morrendo em ambulâncias que não podem atravessar os bloqueios de estrada, e um caso de uma menina de 10 anos sequestrada e estuprada no posto de verificação de Las Maderas. Quando vizinhos organizados, ou policiais desfazem as barreiras na estrada, os grupos armados fogem e se reagrupam para queimar prédios, sequestrar ou ferir pessoas em vingança. Todas as vítimas que essa violência produz são contadas pela mídia como vítimas da repressão, uma total falsidade.

O governo nicaraguense enfrentou essa situação mantendo a polícia fora das ruas, para evitar encontros e acusações de repressão. Ao mesmo tempo, em vez de simplesmente prender manifestantes violentos, o que certamente teria dado a oposição a morte de longas batalha, o governo pediu um diálogo nacional, intermediadas pela Igreja Católica, em que a oposição pode apresentar qualquer proposta de direitos humanos e reforma política. O governo criou uma Comissão Parlamentar da Verdade e lançou uma consulta independente do Ministério Público.

Com a polícia saindo das ruas, a violência da oposição se intensificou ao longo de maio e junho. Como resultado, um processo de autodefesa do bairro foi desenvolvido. As famílias que foram deslocadas, os jovens que foram espancados, roubados e torturados e veteranos da insurreição de 1979, realizaram uma vigília em torno da sede da Frente Sandinista em cada aldeia. Em muitos lugares, eles construíram barricadas contra ataques da oposição e foram falsamente rotulados como forças paramilitares na mídia. Nas cidades que não possuem barricadas organizadas pela comunidade, o custo humano da violência da oposição é muito maior.A União Nacional dos Estudantes da Nicarágua tem sido particularmente visada pela violência da oposição.

Desde abril, quatro principais concentrações da oposição foram realizadas, com o objetivo de mobilizar os nicaraguenses da classe média alta que vivem nos subúrbios entre Manágua e Masaya. Estas demonstrações ofereceram um ‘quem é quem’ da alta sociedade, incluindo rainhas da beleza, empresários e oligarcas, bem como estudantes universitários a partir do Movimento 19 de Abril.

Três meses após o conflito, nenhuma das vítimas foi definida como da burguesia. Todos vieram das classes populares da Nicarágua. A burguesia se sente perfeitamente segura para participar de protestos públicos durante o dia, embora o último dia de manifestação terminou em um ataque caótico por manifestantes contra posseiros em uma propriedade de Piero Coen, o homem mais rico da Nicarágua. Os ataques noturnos armados geralmente têm sido realizados por pessoas de bairros pobres, muitos dos quais recebem de duas a quatro vezes o salário mínimo diário para cada noite de destruição.

Infelizmente, a maioria das organizações de direitos humanos da Nicarágua é financiada pelo NED e controlada pelo Movimento pela Renovação Sandinista. Essas organizações acusaram o governo nicaraguense de ditadura e genocídio durante a presidência de Ortega. Organizações internacionais de direitos humanos, incluindo a Anistia Internacional, têm sido criticadas por seus relatórios unilaterais, que não incluem qualquer informação fornecida pelo governo ou por pessoas que se identifiquem como sandinistas.

O governo convidou a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da OEA, (uma organização com sede em Washington e hostil à governos de esquerda em todas as Américas), para investigar os acontecimentos violentos de abril e determinar se a repressão havia ocorrido realmente. O diretor da Comissão, Paulo Abrão, visitou o local para declarar seu apoio à oposição. A CIDH ignorou a violência generalizada da oposição e só informou sobre a violência defensiva do governo. Não só, foi categoricamente rejeitada pelo ministro das Relações Exteriores da Nicarágua, Denis Moncada, que considerou a informação como um “insulto à dignidade do povo da Nicarágua”, a resolução que aprova o relatório da Comissão foi apoiada apenas por dez de 34 países.

Enquanto isso, o Movimento 19 de Abril, (em favor e com os estudantes universitários, apoiam e lutam pela mudança de regime), enviou uma delegação a Washington e conseguiu alienar grande parte da sociedade nicaraguense sorrindo para a câmera com intervencionistas membros da extrema direita do Congresso doss EUA, incluindo a deputada Ileana Ros Lehtinen, o senador Marco Rubio e o senador Ted Cruz. Os líderes do M19 também aplaudiram as advertências belicosas feitas pelo vice-presidente Mike Pence de que a Nicarágua está na lista de países que em breve saberão o significado da “liberdade de gestão Trump”, e se reuniu com o partido ARENA em El Salvador, conhecida por suas ligações com os esquadrões da morte e o arcebispo Oscar Romero. Dentro da Nicarágua,

Por que Nicarágua?

Ortega venceu seu terceiro mandato em 2016 com 72,4% dos votos, com uma participação de 66%, muito alta se comparada às eleições nos Estados Unidos. A Nicarágua não só estabeleceu uma economia que trata os pobres como produtores, com resultados notáveis ​​que elevam seu padrão de vida em 10 anos, mas também um governo que rejeita constantemente o imperialismo dos EUA, aliando-se a Cuba, Venezuela e Palestina, e manifesta o seu apoio à independência de Porto Rico e uma solução pacífica para a crise coreana. A Nicarágua é membro da Aliança Bolivariana das Américas e da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos, uma alternativa latino-americana à OEA, e não inclui os EUA não para o Canadá. Também se aliou à China para um projeto de canal proposto e à Rússia para a cooperação em segurança. Por todas essas razões, os Estados Unidos querem instalar um governo amistoso da Nicarágua com os Estados Unidos.

Mais importante é o exemplo que a Nicarágua estabeleceu para um modelo social e econômico de sucesso fora da esfera de dominação dos EUA. Gerando mais de 75% de sua energia a partir de fontes renováveis, a Nicarágua foi o único país com autoridade moral a se opor ao Acordo Climático de Paris porque era muito fraco (mais tarde, aderiu ao tratado um dia depois que Trump retirou os EUA. UU., Declarando que “nos opomos ao Acordo de Paris por responsabilidade, os Estados Unidos se opõem à irresponsabilidade”). O governo da FMLN em El Salvador, embora menos dominante politicamente do que a Frente Sandinista, tomou o exemplo da boa governança da Nicarágua, que recentemente proibiu a mineração e a privatização da água. Até mesmo Honduras, o eterno bastião do poder dos Estados Unidos na América Central, Mostrou sinais de uma mudança para a esquerda até o golpe militar apoiado pelos Estados Unidos em 2009. Desde então, houve uma repressão maciça de ativistas sociais, uma eleição claramente roubada em 2017, e Honduras permitiu a expansão das bases militares dos EUA perto da fronteira com a Nicarágua.

Em 2017, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou por unanimidade a Lei de Condicionalidade ao Investimento da Nicarágua (Lei NICA), que, se aprovada pelo Senado, forçará o governo dos EUA vetar os empréstimos de instituições internacionais ao governo nicaraguense (boicote). Este imperialismo dos Estados Unidos prejudicará a capacidade da Nicarágua de construir estradas, modernizar hospitais, construir usinas de energia renovável e fazer a transição da pecuária extensiva para sistemas florestais integrados, entre outras conseqüências. Também pode significar o fim de muitos programas sociais populares, como eletricidade subsidiada, tarifas de ônibus estáveis ​​e tratamento médico gratuito de doenças crônicas.

O poder executivo do EUA usou o Magnitsky Act global para direcionar as finanças dos líderes do Tribunal Superior Eleitoral, a Polícia Nacional, o governo da cidade de Manágua e a corporação ALBA na Nicarágua. Policiais e burocratas de saúde pública receberam aviso de que seus vistos nos EUA foram revogados. O ponto, claro, não é se essas autoridades cometeram ou não cometeram atos que merecem sua repreensão na Nicarágua, mas se; o governo dos EUA teriam jurisdição para intimidar e encurralar funcionários públicos da Nicarágua.

Enquanto a violência sádica continua, a estratégia dos conspiradores para expulsar o governo falhou. A resolução da crise política virá através de eleições, e é provável que o FSLN ganhe essas eleições, exceto por uma nova ofensiva dramática e improvável por parte da oposição de direita.

Uma guerra de classes de cabeça para baixo

É importante entender a natureza dos golpes americanos e oligárquicos nessa época e o papel da mídia e do engano das ONGs, porque se repetem em vários países da América Latina e de outros países. Podemos esperar um ataque semelhante contra o recém-eleito Andrés Manuel López Obrador, no México, se ele procurar as mudanças que prometeu.

Os Estados Unidos tentaram dominar a Nicarágua desde meados do século XIX. Os ricos da Nicarágua têm buscado o retorno do governo aliado dos Estados Unidos desde que os sandinistas chegaram ao poder. Este golpe fracassado não significa o fim de seus esforços ou o fim da desinformação da mídia corporativa. Saber o que realmente está acontecendo e compartilhar essa informação é o antídoto para derrotá-los na Nicarágua e em todo o mundo.

A Nicarágua é uma guerra de classes de cabeça para baixo. O governo elevou os padrões de vida da maioria empobrecida através da redistribuição de riqueza. Os oligarcas e os Estados Unidos, incapazes de instalar o neoliberalismo por meio de eleições, criaram uma crise política, destacada pela falsa cobertura da mídia para forçar a renúncia de Ortega.

Leia na íntegra: O que se passa realmente na Nicarágua? Parece tão igual a 2013 no Brasil

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Nossa opinião:

O cerne do ápice de toda a crise que ocorre na Nicarágua atualmente é a construção do “Canal da Nicarágua”, obra totalmente construída com recursos do tesouro Chines, a Russia dará apoio politico e fará a segurança.

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Não a toa, esta mega obra que ligará um oceano a outro, com um leito mais profundo, mais largo e um percurso quase igual ao Canal do Panamá, deveria ser iniciada em 2015.

Com a formalização desta oposição golpista em 2014, as obras estão sendo proteladas por motivos de segurança e até os dias atuais não se iniciaram.

Referindo a hegemonia estadunidense na América Central este canal seria uma linha divisória definitiva na construção de um mundo  multipolar e países da Ásia e toda a Europa teriam um acesso mais rápido e com menor custo para toda a América do Sul.  

*Como foi a Política do Pentágono Chamada Globalização?

Do: HISPANTV

Como sabemos, estava gravitando na vida dos homens nos últimos quarenta anos. Foi fundamental para a epistemologia imperialista ocidental.

Naquela época, tornou-se o sustentáculo da superestrutura política ideológica do domínio imperialista ocidental.

Seu desenvolvimento foi devido a uma implosão da situação da arquitetura de dominação imperialista ocidental, particularmente no contexto da fase decisiva (terceira fase) da conjuntura histórica, remove toda raiz da superestrutura política e ideológica que ainda sobrevivia depois desta implosão.

1.- O núcleo da questão:

O ponto central aqui é que o processo da globalização constante da economia capitalista, como parte da lei dos monopólios, não teve nada a ver com essa política chamada globalização do Pentágono. O primeiro é um processo econômico e o segundo é uma imposição política.

Assim, essa globalização em seus começos foi uma política como outras desenvolvidas pelos Estados Unidos para impor seu poder. Exemplo, o macarthismo (Joseph McCarthy) dos anos cinquenta (50-56) do século passado, sua ofensiva começou neste planeta a partir de 11 setembro de 2001, etc.

Sua (Globalização) imposição foi mais descarada. De fato, naqueles anos (setenta, oitenta do século XX) o charlatanismo sobre a globalização era monumental. Tudo era globalização. Como fazem agora com as bandas paramilitares e as células fascistas adormecidas do Pentágono. Nada foi dito sobre o neoliberalismo. Foi proibido. Aqueles que o fizeram foram acusados ​​de terrorismo. Toda a maquina do estado capitalista, não apenas a mídia, mas também todo o sinistro aparato político-militar estava naquela dança. Foi um período de ferozes ditaduras ideológicas.

A intimidação do ex-presidente dos EUA George W. Bush (filho) se referia a: “Ou eles estão conosco ou estão contra nós“, resume a situação.

Os líderes comunistas denunciaram então a ferocidade dessa globalização que afetou as lutas do proletariado, revertendo-o até uma fase defensiva estratégica.

2.- É claro que ele cumpriu seu objetivo: o neoliberalismo foi surgido e sacramentado:

E a verdade é que cumpriu seus objetivos. Os monopólios da informação e os escribas pagos, abriram caminho para a imposição do neoliberalismo. Eles abalaram a consciência do povo. Eles afetaram suas lutas. Foram longas décadas de desolação e prostração. O planeta sucumbiu aos seus tentáculos.

Consequentemente, foi uma ofensiva ideológica que eliminou todos os vestígios do progressivismo e do desenvolvimentismo da humanidade e, para se impor, recorreu a todo discurso ideológico do passado, sobretudo, criminalizando e agitando contra o marxismo. Na verdade, constituía a base ideológica do fascismo que, em seguida, continuou nos Estados Unidos e no mundo a partir de 11 setembro de 2001.

As teses anti-científicas e medievais de Henry Kissinger e Zbigniew Brzezinski, preparadas para agradar a velha burguesia financeira americana, têm-se mantidas nessa linha. “O grande quadro mundial: a supremacia americana e seus imperativos geoestratégicos” foi delineado sob esse critério fascista.

Como é sabido, com este neoliberalismo a velha burguesia financeira americana procurou conter a queda em suas taxas de lucro, que começaram a se intensificar após o início do “longo ciclo econômico de contração” e da crise que o sistema capitalista tinha entrado desde 1973.

A política econômica exigiu que os países abrissem suas fronteiras para que os polvos americanos sugassem seus recursos naturais sem controle ou limite, por meio de obscuras privatizações ou roubos flagrantes. A política imperialista cruel de vassalagem e submissão dirigidos contra as nações alvos, a fim de reduzi-los em simples exportadores de commodities, praticamente proibindo o desenvolvimento de suas indústrias, obrigando estas nações exploradas a mergulhar numa enorme pobreza com enorme desemprego, tirando seus sistemas de seguridade social e declarando-os como seres de segunda ordem. A globalização serviu a imposição desta política criminal. É por isso que a “Globalização” foi e é considerada um tremendo charlatanismo mundial.

3.- Nesse caso, todo o aparato político, ideológico e até militar do imperialismo estadunidense foi comprometido:

É verdade que neste projeto global, os estadunidenses participaram ativamente com seus monopólios de informação, seus centros de doutrinação e seus apologistas.

Imediatamente os criadores da “Globalização” levaram seus escribas pagos aos seus laboratórios no Pentágono, primeiro para reciclá-los e depois instruí-los a levantar diferentes teorias que suportariam sua globalização. Eles prepararam cúpulas e conferências, mesmo sob os auspícios de organizações internacionais e ONGs que eles controlavam, para que eles assumissem renome mundial e se tornassem falsos doutores e falsas iminências. 

Claro que isso foi adicionado à chamada “intelectualidade” da pseudo esquerda. Eles são aqueles que se gabaram de ter estudado em Harvard ou em outros laboratórios de pseudo-ciência (medieval e clerical), centros de anticomunismo que não têm significado científico, escolas de contra-insurgência, etc. Passaram em bloco com todo o seu maquinário mundial sob o sustento de todo oportunismo. Era a podridão daquela intelectualidade acostumada com as costumeiras crostas: os parlamentos, os conselhos, a publicação de seus escritos, as viagens e os elogios. Previamente reciclados eles renunciaram suas “posições marxistas fracas“.

4.- Na verdade, foi um escândalo de proporções globais:

Todo o aparato político-militar dos países imperialistas foi posto em movimento. Isso estava em conexão direta com as operações armadas que o Exército dos EUA estava desenvolvendo, primeiro no Afeganistão com suas forças paramilitares (Mujahideen), depois a invasão do Iraque. Entende-se que a globalização e o neoliberalismo não foram políticas isoladas, mas foram devidamente interligadas e interligadas com toda a geoestratégica norte-americana.

Devido à magnitude desses eventos, na realidade, é um escândalo de proporções globais que se manteve à tona por quatro décadas, até mais do que o sistema unipolar. Por outro lado, tem sido o sustento de toda a geoestratégica dos EUA desde os anos setenta do século passado. E depois da implosão da sua última geoestratégia em uma situação de transição para uma nova fase, em terceiro lugar, da situação histórica em curso no momento, o barulho da implosão deste geoestratégia que a sua globalização está incluído, tem sido fenomenal.   

5.- No entanto, a explicação científica era simples:

Os manuais de economia política a esse respeito são muito claros. De fato, o capitalismo, a partir do momento em que emergiu, mostrou-se como uma força de ruptura com o regime autárquico do sistema feudal, isto é, a ruptura com economias fechadas. Desde o início, o capitalismo prevaleceu, quebrando os mercados nacionais, tornando-se cada vez mais internacional. Isto foi ainda mais claro quando passou para a segunda fase, a fase imperialista, no final do século XIX. Esse processo dos anos 50 do século passado (século XX) tornou-se ainda mais latente. Claro que na década de oitenta, trinta anos mais tarde, quando o Pentágono impôs sua globalização, houve um grande processo de globalização da economia, que era inegável, era uma globalização de monopólios e internacionalização do capital.

Continue lendo…

(*) ENRIQUE MUÑOZ GAMARRA: Sociólogo peruano, especialista em geopolítica e análise internacional. Autor do livro: “Conjuntura Histórica. Estrutura Multipolar e Ascensão do Fascismo nos Estados Unidos “. Seu site é: www.enriquemunozgamarra.org

*Soros e Bannon na Europa, Patrocinando Levantes de Direita em Toda a Velha Senhora

O CAPITALISMO SÓ SE SALVA SE IMPLANTAR O NAZIFASCISMO NO PLANETA

O controverso ex-assessor do presidente dos Estados Unidos Donald Trump, Steve Bannon, planeja criar uma fundação na Europa chamada “O Movimento” para desencadear uma revolta populista de direita, de acordo com a mídia.

Bannon prevê a organização rivalizando (ou trabalhando em conjunto ?) com a “Fundação Aberta” de George Soros, que doou US$ 32 bilhões para causas liberais desde que foi criada em 1984, de acordo com uma reportagem do Daily Beast publicada na sexta-feira (20).

A “organização sem fins lucrativos” será uma fonte central de pesquisas, conselhos sobre mensagens, segmentação de dados e pesquisa em think-tanks.

Ele disse ao Daily Beast que estava convencido de que os próximos anos verão o fim de décadas de integração europeia, destaca a AFP.

“Nacionalismo populista de direita é o que vai acontecer. Isso é o que vai governar”, disse ele. “Você vai ter estados-nações individuais com suas próprias identidades, suas próprias fronteiras”.

Ele acrescentou que manteve conversas com grupos de direita em todo o continente, de Nigel Farage e membros da Frente Nacional de Marine Le Pen no Ocidente, até o húngaro Viktor Orban e os populistas poloneses no leste. A organização deverá ter uma sede fora de Bruxelas e pretende, por enquanto, manter o foco nas eleições do Parlamento Europeu de 2019.

Steve Bannon é considerado o arquiteto da campanha nacionalista-populista de Trump, que o elegeu presidente dos EUA em 2016. Bannon chegou a ser apelidado de “Príncipe das Trevas” e o “Presidente das Sombras“.

Seu nacionalismo econômico tornou-se o eixo central das políticas de Trump, mesmo que muitas de suas outras ideias tenham sido rejeitadas por rivais políticos.

Após a chegada do novo chefe do Estado-Maior, John Kelly, os constantes confrontos de Bannon com outros assessores tornaram-se insustentáveis, assim como seus laços com a extrema-direita, que atraíram acusações de que Trump fomentava racistas. Bannon deixou a Casa Branca em agosto de 2017.

*Batalha de Cable Street

A batalha na Inglaterra entre pró e anti fascistas:

Quando a Inglaterra foi invadida pelos nazistas haviam muitos simpatizantes no pais. E dois anos após esta batalha, a Inglaterra sentiu na carne o que os anti-fascistas afirmavam e lutaram contra:

Batalha de Cable Street aconteceu no domingo, 4 de Outubro de 1936 na rua Cable Street no bairro East End de Londres. Foi um confronto entre a Polícia Metropolitana, protegendo a marcha de membros da União Britânica de Fascistasliderada por Oswald Mosley, e vários contra-manifestantes locais anti-fascistas, incluindo judeus locais, socialistasanarquistas e grupos comunistas. A maioria de ambos os lados percorreram um longo caminho até o local do contronto. Mosley havia planejado enviar milhares de integrantes da União Britânica de Fascistas uniformizados como os Camisas Negras para marchar pelo East End, que na época tinha uma grande população judaica.

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Os grupos antifascistas construíram barricadas em uma tentativa de impedir a marcha. As barricadas foram construídas perto da junção com Christian Street. Estima-se que 100.000 manifestantes antifascistas compareceram e foram confrontados por 6.000 policiais, que tentaram retirar as barricadas para permitir a marcha dos 2.000-3.000 fascistas.

 Os manifestantes revidaram com pedaços de madeira, pedras, e outras armas improvisadas. Lixo, legumes podres e os conteúdos de penicos foram jogados contra a polícia por mulheres que viviam nas casas ao longo da rua. Após uma série de confrontos, Mosley concordou em cancelar a marcha para evitar derramamento de sangue.

Os manifestantes da União Britânica de Fascistas foram dispersos em direção Hyde Park, enquanto os antifascistas se revoltaram com a polícia. Cerca de 150 manifestantes foram presos, embora alguns conseguiram escapar com a ajuda de outros manifestantes. Cerca de 175 pessoas ficaram feridas, incluindo policiais, mulheres e crianças.Pintura moderna que descreve os eventos da Batalha de Cable Street.

Pintura moderna que descreve os eventos da Batalha de Cable Street

PENSE: O FASCISMO JOGA SUA SEMENTE EM TERRENO ADUBADO PELO MEDO E PELA COVARDIA:

Ler na íntegra: Batalha de Cable Street

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