*[MEMÓRIA] Eles vão Ganhar, Mais não Convencerão

Do: SOLIDARIDAD OBRERA – CNT

[Memória] Eles vão ganhar, mas eles não vão convencer
Foto: CNT

 Em memória de todas as vítimas do regime de Franco que morreram e eram escravos defendendo a liberdade

Tradução livre

“Imagine-se um dia que você está tranquilo, comendo em sua casa. De repente eles batem na porta e te derrubam. Então você vê alguns “guardas civis” com metralhadoras e eles vem até o seu pai ou o seu irmão. Eles mandam você escolher qual dos dois você tem mais amor e quer que fique. Você não sabe o que eles devem, não fizeram nada, mas eles os empurram, empurram. Pai e irmão foram levados embora, enquanto você ouve no rádio, o “caudilho” quer a “regeneração” da Espanha, e também diz que aqueles que não têm mãos manchadas de sangue não têm nada a temer. Seus parentes não os tem, mas eles foram levados da mesma forma.

Eles os colocaram na prisão sem motivo. Talvez o fato de que era filho de republicano ou anarquista, fez campanha em um movimento ideológico diferente dos tolos que deram o golpe, pensava racionalmente ou simplesmente estava insatisfeito com os novos bárbaros que chegavam para para cortar cabeças. Você não imagina que a guerra vai ser ainda mais difícil, aos níveis do insuportável, imagine passar fome, ter apenas cascas de laranja para comer e escolher o filho, filha ou esposa entre os três qual será o agraciado com aquela comida.

Se você tiver sorte, continuará com seu cabelo e não será estuprado(a) andando pela cidade. Eles vão fazer você beber óleo de mamona. Você será forçado(a) a fazê-lo, tomando como uma bebida, enquanto eles começam a rir.

“PORQUE ISSO NÃO É ESTUDADO NA ESCOLA, NÃO APARECE EM LIVROS DIDÁTICOS OU ENCICLOPÉDIAS. É CONHECIDO AGORA, APÓS 40 ANOS DE SILÊNCIO, PORQUE NINGUÉM SE ATREVE A FALAR. FRANCO MORREU EM SUA CAMA E EM SEU PAÍS MAIS DE 100.000 PESSOAS MORRERAM.”

Você está aprendendo lentamente sobre o que está acontecendo. Que seu pai foi condenado à morte apenas por pensar de forma diferente e que a condenação pode ser comutada para ele com punição por trabalho forçado. Você pergunta: Será um escravo? Você não sabe o que te espera. Graças ao seu marido ou a seu pai, a Espanha obterá benefícios milionários. Os prisioneiros políticos construirão pântanos, reservatórios, canais, aeroportos, ferrovias (linha Madri-Burgos ou Madri-Galícia) trabalhando de sol ao sol. Você não vai explicar a ele por carta para que vocês não sofram, você vai descobrir mais tarde todo o sofrimento, se ele tiver sorte o suficiente para cumprir sua “condenação” e ser libertado vivo.

Estes fatos não serão ouvidos nos rádio, (pelos meios do regime autocrático); Você saberá disso gradualmente graças à memória e às primeiras vítimas, que, como seu marido ou pai, começam a falar ao longo dos anos e gradualmente perdem o medo.

Você já ouviu falar que na Alemanha e na Polônia existem campos de concentração comandadas por pessoas muito sádicas, amigos dos “caudilhos”, eles são chamados de nazistas. Mas você não sabe que você tem muito mais perto do que você pensava, existem campos na Espanha, em Miranda de Ebro.

Imagine que seu ente querido, que você ama tanto é forçado a dormir no chão, mijar na mesma tigela em que eles lhe dão água. Você sabe que eles não lhe dão comida e você sabe que ele não pode escapar, porque tem 90% de possibilidades que se capturado, é simples. Ou torturados pelos “chefes” dos campos, forjam relatórios dizendo que eles dão comida ao seu pai, marido ou companheiro.

Um dia, de repente, seu marido consegue fazer contato e diz que eles se mudaram para El Escorial, para construir o que mais tarde será “o Vale dos Caídos”. Eu escrevo em letras minúsculas de propósito. Dias, noites, chuva, neve, sol. E não há um crachá para lembrar que essa pessoa esteve aqui. Suando e trabalhando de graça. Sim, sim, sem ver um centavo. Você possivelmente tem trabalhar dobrado, ou colocar seus filhos para trabalhar desde cedo, porque seu marido é um escravo. Ou seu pai Talvez seu irmão.

Depois de anos, quando você já é forçada a lembrar, porque você não esquece seu rosto, muitos dos prisioneiros voltam para casa. Parecendo ter mais anos do que realmente tem. E com medo de falar. Muitas vezes eles continuam olhando para o vazio.

E você pára de pensar e diz: o que está acontecendo? Quem escreve a história? Porque isso não é estudado na escola, não aparece em livros didáticos ou enciclopédias. É conhecido após 40 anos de silêncio porque ninguém se atreve a falar. Franco morreu em sua cama e em seu país mais de 100.000 pessoas morreram. Inocentes; Ainda tendo sorte que seu parente foi libertado vivo. Muitos deles ainda seguem em valas e valas. Você poderia fazer viagens para a Catalunha. Miguel de Unamuno disse: “Venceram mas não convenceram.

Enquanto isso, você vai à Igreja para comungar, ou homenagear o casamento do seu primo ou do o casamento de seu vizinho e vê que há placas em honra aos mortos “por Deus e pela pátria“. Mas não para todas aquelas pessoas inocentes que morreram assassinadas ou que foram feitas escravas, como seu parente.

Então você não conta as contas. 
Você não conta as contas porque você viveu, sabe que não é um filme o que aconteceu. Qual é a história da sua vida? E isso não é explicado oficialmente, porque 80 anos depois, pode ser que enviem os herdeiros das pessoas que levaram seu marido ou seu pai (fica o trauma). Sim; Talvez se tudo isso fosse conhecido, a humanidade poderia melhorar e evitar fazer o mesmo por pessoas inocentes. O problema é que não há lei que diga que a justiça deve ser feita pela memória de seu pai ou de seu marido. Não há consciência. Você se sente impotente porque, agora que estamos na “democracia”, foi colocada uma cortina, e todos aconselham não falar dela.

Mas isso não aconteceu há muito tempo. E se você parar para pensar sobre isso, essa história que conto poderia ter acontecido com você. Pense nisso. “

PD. Em memória de todas as vítimas do regime de Franco que morreram e eram escravos defendendo a liberdade. Porque nós éramos

*OTAN a Serviço do Complexo Militar-Industrial

Do

: KAOS EN LA RED

REPÚBLICA FEDERAL DEMOCRÁTICA DAS ILHAS CANÁRIAS de PAZ

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) foi fundada em 1949, postulando, tortuosamente, como uma organização em defesa da paz, quando na realidade é uma tática do imperialismo (o estágio mais alto do capitalismo, que submete pessoas através de diferentes versões do colonialismo), como era o plano Marshall, na sua estratégia para evitar tanto a emancipação social e de libertação nacional das nações oprimidas, demonstrado pelo fato de sua constituição como grupo armado logo após a Segunda Guerra Mundial Imperialista, em resposta à constituição voluntária da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

Tropas da OTAN:

O número de membros das forças armadas da OTAN em 2010 totalizou 3.174.000 em um cálculo modesto, porque, por exemplo, o Reino da Espanha não inclui a guarda civil no cálculo, embora reconheça que sua filiação militar foi feita. inúmeras reivindicações exigindo desmilitarização.

Esses dados, como observado anteriormente, correspondem ao ano de 2010 e, portanto, não incluem dados de 2010 até o presente, já que a Polônia aumentou seu exército em 11%, o que significa 11.000 novos membros, o oitavo exército da OTAN, depois dos Estados Unidos, Turquia, França, Itália, Alemanha, Reino Unido e Reino da Espanha, com 131. 254 milhões destinados anteriormente a aviões de combate, que juntos beneficiaram as empresas do complexo industrial-militar “Santa Bárbara Sistemas“, “Indra” e “SAPA“. Esse desperdício monumental de recursos, aumentará os € 13 bilhões que o ministério da defesa do regime colonial atende às demandas de seus parceiros da Otan.

Acrescente-se outros € 5.000 milhões que, nos últimos meses, o governo metropolitano, (muito socialista e muito trabalhador), tem como destino a compra de helicópteros, satélites e submarinos. O acordo começou, é claro, com os aplausos eufóricos do neo-nazista “Main Trump“.

Para nos dar uma ideia aproximada do total, o Reino da Espanha contribui com quatro pontos percentuais (4,1%) dos soldados da OTAN. que juntos beneficiaram as empresas do complexo industrial-militar Santa Bárbara Sistemas, Indra e SAPA.

Todo este poderio bélico, reúne armamento suficiente para destruir este planeta mais de doze vezes, eliminando todos os vestígios de vida.

De acordo com dados divulgados ontem, 11 de março de 2019, pelo Instituto de Pesquisa da Paz Internacional de Estocolmo (SIPRI), o tráfico de armas aumentou entre 2014 e 2018 de 7,8 por cento no período 2009-13, sendo os maiores exportadores Unidos United (EUA) (que passou de 30 para 36 por cento do total, 75 por cento maior do que o segundo exportador, a Rússia), Rússia, França, Alemanha e China, que juntos representaram 75 por cento do total. Os EUA forneceram armas para 98 países nos últimos cinco anos. Enquanto a Rússia diminuiu o fornecimento de armas em 17% entre 2009 e 2018, a França aumentou em 43% e a Alemanha em 13%.

Agressão da OTAN à comunidades desarmadas pacíficas e inocentes:

Entre 30 de agosto e 20 de setembro de 1995, sendo Secretário Geral da OTAN, o militante do PSOE, Javier Solana, (em gratidão e reconhecimento aos serviços prestados), a “pacífica” OTAN bombardeou o povo jugoslavo “pacíficos e pacifistas“, (constituído como República Federal da Jugoslávia), com mais de 400 aviões de combate e mais de 5.000 soldados entre infantaria e pilotos de 15 países da criminosa organização que, realizando quase 4 mil decolagens carregadas com bombas de destruição em massa, destruiu mais de 400 instalações, a maioria delas destinadas em uso civil.

Bombardeio da OTAN contra a Iugoslava, 50.000 misseis e milhares de toneladas de bombas foram usados indiscriminadamente contra alvos civis

Quem não perdeu foi o Reino da Espanha com oito caças-bombardeiros F-18, dois Hércules C-130 e cerca de 300 soldados, atirando em civis mais de cem bombas supostamente dirigidas a laser, dois mísseis e inúmeras bombas convencionais no que foi a primeira intervenção do exército do Reino de Espanha na Europa desde 1939, após os massacres promovidos pelo penúltimo ditador “Franco“. Como surpreendentemente parte do pais permaneceu sem ser destruída e acima de tudo, muitas armas para usar, a invasão ilegal foi repetida entre 24 de Março e 11 de junho de 1999 (tendo o mesmo Secretario Geral, Solana), a invasão, mesmo sem o consentimento do manipulado Conselho de Segurança da ONU causou a morte de pelo menos 500 soldados, mais de cem policiais e 10.000 civis jugoslavos e jornalistas internacionais indefesos, (crimes estes, ainda não julgados pelos tribunais internacionais).

Outros crimes contra a humanidade:

A OTAN bombardeou os nossos irmãos no norte da Africa, povos do Pacífico, de nacionalidade líbia, sob a presidência de sátrapa Kadafi, disfarçando como “Libyan Arab Republic“, uma vez que o serviço dos interesses espúrios dos países membros da NATO e a adequação de recursos naturais que correspondem apenas ao povo líbio de origem Amazigh.


Trípoli era alvo de bombardeios todos os dias. Foto um dos ataques mais intensos da Otan

Não teve melhor destino o povo afegão: as câmeras de televisão em todo o mundo retransmitirão para todos que queriam ver, imagens de pastores indefesos em seus assentamentos rurais, tranquilos a fazer sua comida com lenha, os afegãos foram bombardeados pela criminosa organização armada E o que tudo isso tem a ver com o Atlântico Norte? Nada, mas serviu de propaganda para o imperialismo e suas armas.

OTAN no Afeganistão

Uma organização não democrática:

A gênese da OTAN ocorre através do Tratado de Washington, assinado em 4 de abril de 1949 pelos Estados Unidos, Bélgica, Dinamarca, Canadá, França, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Holanda, Portugal e Reino Unido. O tratado responde, como mencionado acima, à tática do imperialismo para, (juntamente com outras táticas como o Plano Marshall), em sua estratégia global, coibir a emancipação social e nacional dos povos oprimidos, como o povo das Canárias. O tratado nunca foi submetido a referendo em nenhum dos países signatários. Em 1954, a URSS solicitou ingenuamente a entrada na OTAN objetivando a preservação da paz na Europa, foi provado o objetivo principal do tratado (pura demagogia, o tratado nunca visou a paz), o pedido da URSS foi negado.


Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) foi fundada em 1949

Em 12 de Março de 1986, há 33 anos exatos, um referendo glorioso junto ao povo das Canárias foi perguntado se eles queriam pertencer à OTAN, esta proposta foi rejeitada por uma maioria esmagadora e o resultado continua relegado ao esquecimento, não só não foi executada, pelo contrário, a organização anti-democrática aumentou sua presença em nosso território para oprimir não só as nossas pessoas e saquear nossos recursos, mas nos usar como ponta de lança para atacar nossos povos africanos irmãos, como fizeram com a escravidão ignominiosa de ambos os nossos antepassados africanos continentais, cujos países se recusaram corajosamente a fornecer-lhes um espaço sequer para estabelecer AFRICON, a Africa foi dividida para melhor ser dominada (o continente Africa é uma nação), aquele perverso instrumento gringo (dividir) cujo objetivo não é outro senão a pilhagem dos recursos naturais do nosso continente irmão e arquipélagos costeiros, como as Ilhas Canárias.

AFRICON

Ministério das Ciências Sociais da República Federal Democrática das Ilhas Canárias

Leia também: Exigir A Saída Imediata Da NATO/OTAN Do Afeganistão!

*CIA Pagou Milhões para Agustín Edwards desestabilizar Allende

Agente da CIA confirmou que pagou milhões para Agustín Edwards desestabilizar Salvador Allende

Do: REARME IDEOLÓGICO

Por: Gamba.cl 

Algo que a anos é ultra confirmado, mas nunca é demais lembrar de mostrar, é como a direita é cruel e não para de golpear a América Latina com golpes sobre golpes.

Dentre todos, vale lembrar mais este contra a nação chilena, onde resultou a morte de Allende e centenas de chilenos mortos, presos, torturados e perseguidos políticos.

John Dinges, um correspondente para o periódico The Washington Post, entrevistou o agente da CIA Jack Devine, revelando novas informações sobre como ele pagou milhões de dólares para Agustin Edwards, proprietário do El Mecurio (jornal chileno), mentir e desestabilizar o governo de Allende.


  Agustín Edwards Eastman

Parte do artigo informa:

“O governo dos Estados Unidos destinou 10 milhões de dólares para a CIA gastar no Chile entre os anos de 1970 e 1973 (Richard Nixon) com o único propósito de derrubar o governo legalmente eleito de Salvador Allende.

“Isso é muito dinheiro (o dólar na época tinha outra relação de valor), o suficiente para distribuir entre muitas pessoas e o suficiente para pagar muitas ações contra o governo de Allende.”

“Quantas pessoas e quem elas eram, somente Deus e os arquivos secretos da CIA poderão dizê-lo (quem sabe um dia ?). E, claro, os mesmos chilenos que receberam o dinheiro. Os envolvidos sabem quem são “, acrescenta o jornalista.

Temos sido capazes de saber as taxas que eram habituais para pagar. Para um agente espião que se passava por um “líder comunista” recrutado pela CIA, diz Devine, o salário era de US $ 1000 por mês “.

“Houve casos especiais, especialmente o de Agustín Edwards. Dono do El Mercurio, Edwards era e ainda é o homem mais poderoso da mídia escrita chilena. Recentemente, o agente Devine e a CIA revelaram novas informações sobre Edwards e seu jornal, o que mostra que seu trabalho para a CIA era muito mais intenso do que se pensava anteriormente. “

Allende recebeu a pluralidade de votos em 4 de setembro de 1970 e é sabido que o presidente Richard Nixon ordenou que a CIA o impedisse de entrar no escritório, de preferência por meio de um golpe militar. Para definir o modo como seria realizado, Nixon e seu conselheiro de segurança nacional, Henry Kissinger, decidiram que precisavam conversar com Agustín Edwards. A questão: “Determinar se existiam as possibilidades de ação militar para impedir Allende de assumir o poder.”

Edwards viaja para Nova York e depois para Washington. Em 14 de setembro, ele se reúne com Kissinger, comem um pequeno almoço. Em seguida, ele se reúne com o diretor Richard Helms da CIA. Um dos parágrafos-chave no documento fornece evidência direta de que a reunião estava longe de ser a primeira relação entre Edwards e CIA.

De acordo com os relatórios, Algustín Edwards reclama com a CIA durante a campanha politica de Allende. Queria que seus chefes estadunidenses liberassem ele pra impedir que Allende ganhasse as eleições, não se sabe por que os ianques não deixaram que ele trabalhasse contra as eleições, talvez acreditassem que Allende não se elegeria

Leia na íntegra: Agente de la CIA confirmó que le pagaron millones a Agustín Edwards para desestabilizar a Allende

Leia também: El Mercurio no banco dos réus

* Ô vous qui savez…

Em memória de Charlotte Delbo

Você que conhece
você sabia que a fome brilha olhos que a sede os mancha
Você que conhece
você sabia que podemos ver sua mãe morta
e fique sem lágrimas
Você que conhece
você sabia que pela manhã nós queremos morrer
que à noite temos medo
Você que conhece
você sabia que um dia é mais de um ano
um minuto a mais que uma vida
Você que conhece
você sabia que as pernas são mais vulneráveis que os olhos?
nervos mais duros que ossos
o coração mais sólido que o aço
Você sabia que as pedras do caminho não choram
que existe apenas uma palavra para terror
apenas uma palavra para ansiedade
Você sabia que o sofrimento não tem limite
o horror sem fronteira
Você sabia
Você quem sabe.

Ô vous qui savez
saviez-vous que la faim fait briller les yeux que la soif les ternit
Ô vous qui savez
saviez-vous qu’on peut voir sa mère morte
et rester sans larmes
Ô vous qui savez
saviez-vous que le matin on veut mourir
que le soir on a peur
Ô vous qui savez
saviez-vous qu’un jour est plus qu’une année
une minute plus qu’une vie
Ô vous qui savez
saviez-vous que les jambes sont plus vulnérables que les yeux
les nerfs plus durs que les os
le cœur plus solide que l’acier
Saviez-vous que les pierres du chemin ne pleurent pas
qu’il n’y a qu’un mot pour l’épouvante
qu’un mot pour l’angoisse
Saviez-vous que la souffrance n’a pas de limite
l’horreur pas de frontière
Le saviez-vous
Vous qui savez.

*China Está Pronta Para Venda Massiva de Títulos de Dívida dos EUA

Arma oculta de Pequim: China está pronta para venda massiva de títulos de dívida dos EUA

Do: PÁTRIA LATINA

© REUTERS / Jason LeeECONOMIA

Embora os EUA e a China possam acabar com a guerra comercial já em 27 de março, Pequim, o maior credor dos EUA, começou a vender ativamente seus títulos do Tesouro dos EUA. O que está por trás dessa decisão e que consequências ela poderia ter?

No fim do ano passado, o Banco Central chinês detinha títulos do Tesouro dos EUA no valor de 1,12 trilhões de dólares – 28% da dívida pública total dos EUA. O Japão estava no segundo lugar, com 1,03 trilhão (25,7%). O Brasil ocupava o terceiro lugar, com títulos no valor de 303 bilhões de dólares (7,5%).

Entretanto, os novos dados sobre os detentores estrangeiros de títulos estadunidenses refletem uma tendência importante: se observa uma queda no volume dos títulos do Tesouro dos EUA pertencentes a investidores estrangeiros, revelou a Sputnik.

CSentença já assinada: dólar está perdendo seu estatuto da moeda de reserva global

O volume de investimentos do Japão em títulos da dívida pública dos EUA atingiu seu valor mínimo em sete anos. Já a Rússia e a Turquia, no quadro da pressão econômica de Washington, se livraram da maioria dos títulos do Tesouro dos EUA.No entanto, a China, sendo o maior detentor de títulos norte-americanos, é o país que causa a maior preocupação. Nos últimos cinco anos, Pequim vendeu 13,8% dos seus títulos estadunidenses.

A emissão de títulos permite a Washington financiar despesas públicas que estimulam o crescimento econômico e manter taxas de juro baixas. Quanto à China, os investimentos nos títulos do Tesouro dos EUA enfraquecem o yuan em relação ao dólar, estimulando as exportações chinesas para os Estados Unidos.

Entretanto, a compra de títulos da dívida pública dos EUA leva à dependência financeira norte-americana da China. Frente ao conflito comercial entre os dois países, Pequim tem avisado: se continuar assim, a China realizará uma venda massiva dos seus títulos.

Agora, os dois países estariam à beira de ultrapassar o conflito: o presidente dos EUA Donald Trump e o líder chinês Xi Jinping irão se encontrar em 27 de março e podem chegar a um acordo formal. No entanto, os analistas estão certos: mesmo que o acordo seja assinado, Pequim continuará vendendo dívida pública estadunidense.

Segundo Laurence Fink, diretor da BlackRock, a maior empresa de investimentos privada no mundo, essa decisão poderia ser causada por um acordo “longe do ideal”. Uma das razões dos investimentos da China na dívida pública americana é o superávit comercial com os EUA. Se a China for obrigada a diminuir esse superávit, os investimentos nos títulos do Tesouro dos EUA também sofrerão uma queda, o que, por sua vez, levaria à desvalorização da moeda americana.

Dólares e relógio

CC0 / PIXABAY

CSerá que países do BRICS encontrarão alternativa ao dólar no futuro próximo?

A China, sendo o maior credor dos EUA, tem um forte meio de pressão política e econômica sobre Washington. Periodicamente, a China usa-o, ameaçando lançar uma venda massiva e derrubar o mercado de títulos dos EUA. Se a China fizer isso, os americanos podem ter que enfrentar a volatilidade do dólar e queda do crescimento econômico.Os economistas avisam que o colapso do dólar terá graves consequências não apenas para os EUA, mas também para toda a economia global, incluindo a economia chinesa. Por isso, o cenário mais provável é a venda gradual dos títulos do Tesouro dos EUA por Pequim.

Levando em conta que a procura por títulos da dívida pública dos EUA por parte dos bancos centrais está caindo ao longo dos últimos quatro anos, a questão principal é: quem vai comprar a dívida americana, necessária para o funcionamento da economia do país, se cada vez mais países reduzem os investimentos nesse ativo financeiro?

*“Daqui não sai”: Reflexões Sobre o Rumor

Do: APOYA MUTUA

Texto de Andrea Franulic, feminista chilena radical da diferença, sobre o papel do rumor (a fofoca) como instrumento patriarcal que parte da lógica da misoginia, no movimento de mulheres. Analisa o rumor como terrorismo político dentro do feminismo contra mulheres ativas, como reprodução da feminilidade e como um recurso aprendido dos sistemas opressivos sob os quais vivemos.


Daqui não sai: reflexões sobre a fofoca

Por Andrea Franulic e Jessica Gamboa
tradução por hembrista@riseup.net

“Eu te suplico
faça algo
aprenda um passo
uma dança
algo que a justifique
que lhe dê o direito de estar vestida de sua pele, seu cabelo.
Aprenda a caminhar e rir (…)
afinal
que tantas estejam mortas
e que você esteja viva
sem fazer nada de sua vida”
(Charlotte Delbo, 1970).

Viemos querendo escrever sobre o Rumor. Claro que não somos as primeiras a fazê-lo. As disciplinas patriarcais vieram realizando teorizações sobre o tema (a psicologia experimental, a psicologia social, a psicanálise, a teoria da comunicação e a sociologia). Não vamos nos basear nelas. Nosso interesse se encontra nos textos que pudemos encontrar na teoria feminista, devido a que as mulheres somos e viemos sendo o principal objeto do rumor no contexto de uma cultura misógina. Isso explica que, inclusive em espaços feministas, o rumor aparece como uma prática recorrente para desacreditar as mulheres pensantes e que se destacam por um trabalho consistente.

Dentro da teoria feminista, encontramos escritos de Audre Lorde (2003) sobre o que chama de ‘Tergiversação’[1], que no nosso entendimento, seria uma ‘versão torta’ e tendenciosa que o patriarcado faz circular por aí sobre a vida das mulheres. E que é o rumor senão uma versão torta, distorcida, de alguma realidade? Também Margarita Pisano escreve sobre os “Segretos, chantagens e rumores… os preconceitos” (2004). E menciona o conceito em seu livro ‘Julia, quero que seja feliz’ (2012) e em sua Biografia política (2009) que escreve junto com Andrea Franulic, onde se descreve sua própria experiência como objeto de rumor no processo de desmontagem do projeto “Casa da Mulher A Morada”.

Recentemente tivemos a sorte de obter, por meio de umas mulheres anarco-feministas, um fanzine entitulado “Coletânea sobre Sororidade Autocrítica ou sobre Violência entre Feministas” (2013) que começa com uma epígrafe muito inspiradora da feminista radical Phyllis Chesler, e que compartilhamos a seguir:

“Não comece rumores sobre outra mulher. Se você ouve um rumor, não o faça circular. Deixe que fique com você. Não é ético punir e sabotar outra mulher que você inveja ou teme, caluniando sobre ela ou colocando outras mulheres contra ela.”

O fanzine contêm artigos de diversas feministas. Lendo-os, encontramos trechos chamados de “comentários de amigas” sobre o texto “Segredos, chantagens e rumores… os preconceitos” de Margarita Pisano, que também aparece publicado no fanzine. Destes comentários, há uma consideração que diz que uma das características do rumor, ou melhor dizendo, de quem o exerce, seria a ausência, o vazio ou carência de uma identidade própria. Preferimos deixar o conceito de identidade de lado (por não estar de acordo com este enquanto categoria de análise) e falaremos de uma ausência de projetos de vida próprios ou vazio de conteúdo da própria existência e, por fim, da necessidade de preencher esse vazio assumindo a vida de outras pessoas. Desde esta carência e mediante o rumor, se estabelecem alianças na sombra com quem também gravita em torno deste vazio de um sentido de vida e confluem no desejo de subir em uma situação de privilégio e poder, tirando do caminho quem entorpece tal propósito, geralmente pessoas que contribuem com um trabalho concreto e de qualidade.

O rumor vem sendo uma prática patriarcal como tática de guerra, com fim de colonizar territórios, obter poder, ganhar eleições, conseguir lucros na bolsa, herdar bens, destruir lideranças, negociar tratados políticos, obter informação privilegiada, trocar mulheres, traficar armas, etc. É e vem sendo utilizado desde as direitas mais fascistas até as esquerdas mais revolucionárias. As táticas de guerra se herdam, se aprendem, se sofisticam e se naturalizam. O feminismo não escapou de nada disso. Principalmente se viu intervido pelo patriarcado de esquerda. Patético resulta – por nossa falta de história e genealogia, pelos custos que há em articular um trabalho autônomo e pela árdua tarefa de legitimar-nos entre mulheres – que o rumor perpetue a misoginia e desarme de tal forma a produção de mulheres. Este custo para nós mulheres é profundo, nos deixa vagando no Nada.

Celia Amorós (1987), embora seja uma feminista da igualdade, desenvolve acertadamente o conceito das Idênticas para referir-se à relação entre as mulheres na cultura patriarcal. Coloca que todas as mulheres cumprimos a mesma função social no patriarcado, ou seja, a funções próprias da feminilidade, e neste sentido, as mulheres somos substituíveis umas por outras e, o que é pior, somos descartáveis. Quando uma mulher sai do papel de ser uma idêntica, de uma igual a todas outras, e rompe com os desígnios da feminilidade, sobressaindo, isso gera misoginia, invejas e medos nas demais. Ela se transforma em uma ameaça para o grupo. Às mulheres não se perdoa tão facilmente exercer a capacidade de pensar, tampouco se lhes perdoa falar e escrever com inteligência. É mais aceito e aplaudido que se destaquem pelos trabalhos domésticos, ou por práticas do fazer, onde silenciosamente repetem uma e outra vez um destino não-criativo.

O rumor vem invadindo historicamente a vida das mulheres. Temos exemplos de perseguições promovidas pelo rumor. Somente para nomear um acontecimento muito emblemático, recordamos a matança das denominadas bruxas, levada a cabo entre os séculos XIV-XVII na Europa ocidental e central. Bastava que qualquer pessoa fizesse correr o rumor de que esta ou aquela mulher possuía pactos com o diabo, para que estas fossem acusadas de bruxas, e assim, torturadas, enforcadas ou queimadas vivas na fogueira da praça pública. As bruxas foram utilizadas como bodes expiatórios pelos homens.

Fazendo a analogia, podemos dizer que a vítima do rumor funciona como um ‘bode expiatório’, o dizemos em um sentido literal e metafórico. A situação de debilidade, vulnerabilidade e super-exposição que afeta a vítima é utilizada com o objetivo de expiar nela as próprias misérias não-assumidas, os próprios pecados, de maneira catártica. Assim como para justificar a falta de auto-crítica, os próprios equívocos, a carências e as inseguranças de todo tipo. Isto se relaciona com o que foi dito em parágrafos anteriores: o rumor serve de veículo para tapar o próprios vazios. As mulheres, doutrinadas na moral e bons costumes, castigam o bode expiatório para projetar nele suas próprias dependências: ao amor, ao álcool, à droga, aos homens ou a suas instituições. E assim, se sentem puras e sábias.

Identificamos dois papéis na prática de circulação dos rumores. O primeiro se sustenta e opera desde o lugar do Poder. Neste caso, a pessoa possui uma insegurança encoberta que a perturba, e seu movimento é defender-se do medo que lhe gera a perda desse poder, do prestigio e dos privilégios. O segundo, o mais descrito até então, é aquele que funciona desde a Mediocridade. Este papel pode resultar mais perigoso, pois aqui “o fim justifica os meios” com a pretensão de concretizar interesses aspiracionais que podem ser de diversa índole: desde interesses econômicos até de tipo psicológico como o querer “ser alguém”. Este papel nos recorda, nos evoca, tem semelhanças ao que a filósofa Hannah Arendt (2003) chamou por A Banalidade do Mal. Porque, segundo ela, os crimes cometidos contra a humanidade, as torturas e genocídios, são executados por seres medíocres, não pensantes, que somente seguem ordens e regras mecanicamente, obedecendo… milicos de direita e de esquerda.

Albert Camus em seu livro O Homem Rebelde (2005) estabelece a diferença entre o ressentido e o rebelde. O primeiro tem uma ânsia voraz por ‘pertencer a’ e ‘ser’ aquilo que critica. Já o rebelde, se arrisca com sua solidão. Quem exerce o rumor, sobretudo desde o papel da mediocridade, deseja compulsivamente pertencer e busca as cumplicidades necessárias para cumprir esta meta. Em outras palavras, o rumor é uma prática oportunista. No fim, se atua desde o ressentimento, a condescendência e a adulação… jamais desde a rebeldia. Como contraponto, quem é vítima do rumor é deixada no vazio: deixa-se de falar com, deixando esta capturada em uma névoa espessa, rodeada de um arco invisível de desconfianças, marcada pelo estigma que a tacha e a reduz, absorvendo-lhe as forças pensantes e criativas, como se estas existissem de sobra neste mundo deshumanizado. Enquanto isso, o restante realiza um pacto sectário de silencio.

Quem padece o rumor sofre um tipo específico de maltrato: o isolamento, a incomunicação, o sentimento de culpabilidade, a ameaça da chantagem e a paranóica e confusa vivência de não saber como, quando, por quê, quê e quem(s). Sofre uma alteração em seu uso da linguagem, pois teme usar as palavras, que são a principal ponte de comunicação entre as pessoas. Como escrevemos por aí, a palavra ‘rumor’ vem de ‘ruído’ que, por sua vez, vem do latim ‘rugitus’ (rugido). Isso, segundo o dicionário etimológico de Corominas (2000). Se interpretamos um pouco e sem complexos com a obviedade, diríamos que ‘fazer ruído’ ou ‘rugir’ são contrários a falar, a usar as palavras. Se interpretamos um pouco mais, usar as palavras para nos entendermos nos faz justamente humanas, nos faz sentir bem quando encontramos pontes de profunda conexão. O rumor desumaniza.

Agora vejamos, quando se recebe um rumor, há escolhas: nos fazermos cúmplices na circulação deste e colaborarmos em deixar no vazio à pessoa em questão, ou então colocamos um limite a isso. Portanto, o ato de receber um rumor não é um ato passivo. Quem escolhe não participar nem prestar ouvidos ao rumor o detêm e pode, inteligentemente, perguntar-se sobre as outras versões da mesma realidade entre a dita. Pois a neutralidade na linguagem não existe. Por isso, é justa a possibilidade de pôr em dúvida as versões e as fontes: um exercício básico que realizamos com a mídia hegemônica por exemplo, quando somos críticos. Se esta versão provêm de quem detêm um poder ou é considerada uma pessoa ‘legítima’, ‘confiável’, é mais difícil ainda desmentir. E neste caso, a versão do rumor toma as características de uma ‘História Oficial’. Não é demais lembrar que, no patriarcado, a historiografia elaborou uma versão oficial do mundo enviesada e cheia de invisibilizações, e é exatamente assim que as mulheres viemos perdendo nossa história.

Podemos identificar alguns tópicos do rumor que condizem com os tópicos da História Oficial. Em primeiro lugar, a Mitigação e a Exageração. A mitigação (aliviamento), usada a favor de quem promove o rumor, consiste em ocultar, diminuir, abrandar, fazer pouco caso ou, inclusive, ironizar sobre as próprias equivocações e erros, no seu caso. Pode ir acompanhada de um certo grau de auto-compaixão. A exageração, por sua vez, se utiliza contra a outra pessoa; se exageram e dá dramaticidade aos erros da outra pessoa. Algumas vezes a exageração vai acompanhada de mitomania e megalomania. O “exageracionismo” é um recurso do rumor.

Um segundo tópico fundamental é a Descontextualização, onde a informação que circula é uma informação ‘descarnada’, ou seja, extirpada de seu contexto original, vital, que continha pessoas com corpos e olhares, entre quem existia intimidade e confiança e um percurso próprio e autêntico da relação particular. Assim como existiam momentos, lugares e circunstâncias específicos; sentidos e propósitos, angústias e alegrias. A informação é retirada do contexto e da experiência que lhe deu vida e se utiliza com fins utilitários (oportunistas). Porém, não há informação no ar, as mensagens mudam seu sentido e seu destino radicalmente, segundo o contexto onde se usem. Nunca voltam a ser a mesma mensagem nem voltam a ter o mesmo significado. A descontextualização como recurso ou tópico do rumor, se baseia na chantagem e usa falsas testemunhas, isso é, personagens que, revestidos de um empoderamento emprestado, se atribuem ou se auto-concedem a autoridade de juízo sancionador, fundado na mais profunda ignorância da história questionada. Esta ação muitas vezes se marca na triste história de traição entre mulheres.

Como toda História oficial, a falta de honestidade desde onde circula a versão, a ‘tergi-versão’ (tegiversação: versão torpe, torta) da realidade, se disfarça de discursos salvadores, bons e messiânicos, inclusive baseados no amor. Os quais na realidade escondem as inseguranças, os despejos, os posicionamentos e as acomodações mais obscuras. Esta tática perturba e confunde as verdadeiras e reais fontes da dominação (Denise Thompson, 2003).

Outros tópicos reconhecíveis são ‘Frases Feitas’ que servem para finalizar o relato do rumor, talvez como parte da estrutura do Rumor se o identificamos como um gênero discursivo em si mesmo. Estas frases são: “não comente isso por aí…”, “daqui não sai…”, “não fala pra ninguém…”, “eu te digo isso porque eu o vi na minha própria experiência…”, “estou te contando isso porque confio em você…”, e etc. Nesta mesma linha, contamos com refrãos ou ditos populares, sempre impregnados do imaginário patriarcal, regados de lugares comuns (preconceitos), que se utilizam para semear o medo. Para nosso específico tema do rumor, nos vêm à mente as inquisidoras e penalizadoras frases que dizem “quando o rio soa é porque pedras traz”[2], “algo ela fez para que falem isso”, “não faça o que não quer que façam pra você”, “tudo se paga nesta vida”, “tudo cai por seu próprio peso”.

Redundante dizer que as famosas e neoliberais “redes sociais” são terreno fértil para difundir o rumor: a vitrinização e o imediatismo do facebook, do chat, dos correios electrônicos, etc. Estes sistemas são facilitadores para a vertiginosa circulação dos rumores e para a ameaçadora chantagem, porque em geral servem às pessoas que, des-corporizadas, se escondem e se protegem atrás do meio tecnológico, por meio de seu uso anônimo e impessoal.

A misoginia é uma pesada realidade para todas. A reflexão sobre a falta de sororidade ou de affidamento[3] deve ser mais profunda e comprometida. É fundamental que a imagem de espelho que nos produz a outra, nossa igual, não se utilize como o faz a madrasta de Branca de Neves, senão como uma porta para as sólidas pontes feitas de palavras, estas que dão cabimento à confiança e ao entendimento, mas somente quando real e verdadeiramente existe a horizontalidade.
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Traduzido de https://andreafranulic.cl/misoginia/de-aqui-no-sale-reflexiones-sobre-el-rumor/

[1] Tergiversar segundo a própria autora é “mudar o sentido das coisas para sua própria conveniência e benefício. Etimológicamente, a palavra significa “dar as costas à”. Curioso. O patriarcado esteve “tergiversando”, históricamente, nossas experiências de mulheres(…) Impôe seu próprio sentido de realidade e inventa o relato que lhe convêm para manter seu domínio. A tergiversação é totalitária e auto-referente, porque o patriarcado é “um”, somente vê a si mesmo e a feminilidade existe para lhe devolver seu próprio reflexo. Desta maneira, se transforma em uma montanha gigantesca de parcializações, apagamentos e vazios a respeito de nós mulheres. Quê esgotador é defender-se de cada acusação patriarcal!”. (https://andreafranulic.cl/lenguaje/la-tergiversacion-de-la-experiencia/) A autora retirou esse conceito do texto de Audre Lorde, “A transformação do silêncio em linguagem e ação”, onde esta diz que o silêncio não nos protege, embora distorçam nossas palavras. Mais que falar, diz Lorde assim como Anzaldúa, devemos escrever, pois escrevendo nos tornamos existentes e confrontamos as ‘versões distorcidas’ de nossa história, pois as mulheres não possuem história e isso se conseguiu a base do rumor, pois a história oficial se constitui no conjunto de rumores dos homens sobre a realidade e o ocorrido, e as mulheres, tal importante mecanismo de poder o rumor representa. E escrever e falar, além de ser confronto das versões distorcidas/rumores, é constituir-se em sujeita histórica e assumir a tarefa de produzir história de mulheres.

[2] Um ditado específico da cultura chilena, quer dizer algo como “se falam isso deve ser porque algo fez de errado”, no caso dos rumores.

[3] Termo em italiano para sororidade, proposto pelas feministas italianas ‘da diferença’.

* Recomendamos também a leitura do texto “O rumor, a feminilidade, o patriarcado” por hembrista https://we.riseup.net/feminist_troll/o-rumor-a-feminilidade-o-patriarcadoPublicado em textostraduções | Com a tag acontabilidade comunitáriaautodefesa feministaautonomiaespaços feministasgestão da violênciahostilidade horizontaljustiça transformativaorganizaçãoseparatismosororidadeviolência contra mulheresviolência entre lésbicasDeixe uma resposta

*Argélia: Protestos Contra Bouteflika e sua Camarilha

Os argelinos estão novamente em massa nas ruas. Eles se opõem ainda mais firmemente a uma nova candidatura de Abdelaziz Bouteflika. 

Os jovens estão na linha de frente dos protestos e demonstram toda amargura e raiva. Eles dizem suas amarguras e raiva nas ruas de Argel.

Dezenas de milhares estão nas ruas durante o segundo grande dia de protestos para dizer “não” para um quinto mandato de Abdelaziz Bouteflika, presidente no cargo desde abril de 1999 ?

 Sem dúvida, centenas de milhares em Argel, Oran, Constantine, Annaba, dezenas de milhares em cidades menores e presumivelmente, milhões em todo o país.

Nunca houve tantas pessoas nas ruas da Argélia, demonstram muita força e inspiram medo.

“O estado argelino deu demonstrações no passado que poderia controlar as ruas”, disse o primeiro-ministro Ahmed Ouyahia em uma entrevista coletiva em 2 de fevereiro. Ele estava errado. 

Sua ameaça de controlar pela força, mal velada, não deteve as massas: os argelinos saíram em massa no dia 22 de fevereiro, e se rompem hoje.

É a rua e ela sozinha num movimento espontâneo e horizontal que agora toma o país. 

Os partidos políticos são colocados de lado, o ronronar da mídia pública em todo o registro do governo, TV privada, generosamente alimentados por energia, continuar a servir a sua propaganda sem dizer comícios ligados entre si por mais de dez dias. 

Os fatos são inéditos: três gerações estão unindo as mãos em uma campanha histórica:

Milhares de marginalizados tomam as ruas de Argel
 RYAD KRAMDI AFP

*A geração dos anos pós-independência, “amargamente desapontada em frente a esse “rio sequestrado”, como disse o escritor Rachid Mimouni, no interesse exclusivo de clãs de plutocratas

*A de outubro de 1988, que arrebatou o pluralismo e a liberdade de expressão antes de vê-los sufocados

*Finalmente a dos anos 1980-1990, que não conhecia nada além da violência mortal do fundamentalismo islamita e do reinado de Abdelaziz

Daremos tempo para entendermos a decorrência deste movimento na Argélia. Nos próximos dias teremos os resultados e a ideologia a conquistar as consciências, antes, assistiremos com cautela.

Leia na íntegra: ALGÉRIE. DES MARCHES PACIFIQUES ET DIGNES À TRAVERS TOUT LE PAYS

Leia também: Nós marchamos contra um clã, um sistema