*O Planeta “TERRA” Pede Água (2)

Relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas especificamente sobre o uso do solo foi divulgado esta quinta-feira (8 de agosto) em Genebra, na Suíça. Os especialistas apresentam um diagnóstico de uma Terra debaixo de uma dupla pressão produzida pelo homem e das alterações climáticas. Previsões e soluções.

A Terra está sob uma crescente pressão humana e as alterações climáticas estão aumentando ainda mais essa pressão. Esta pode parecer uma constatação óbvia, mas, desta vez, os especialistas do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas da ONU (IPCC, na sigla inglesa) fornecem uma série de dados, argumentos, previsões e até possíveis soluções para evitar o desastre. Está tudo no relatório sobre Alterações Climáticas e Solo que foi apresentado esta quinta-feira de manhã em Genebra. O importante documento mostra como o insustentável peso do homem na Terra é um problema que só pode ser resolvido pelo homem, com mudanças e adaptações e, sobretudo, com a redução de emissões de gases de efeito de estufa. “Sustentabilidade” ainda é a palavra-chave para um futuro melhor.

Se a superfície da Terra fosse uma pele, estaria seca, enrugada, coberta de cicatrizes, queimaduras e feridas abertas. Sem recurso a qualquer metáfora, sobra a realidade nua e crua: a atividade humana degradou os solos, expandiu os desertos, derrubou florestas, eliminou vida selvagem, entre outros danos. Até agora, o homem fez com que o solo passasse de um meio para combater as alterações climáticas para um agente causador dessa mudança. Os especialistas avisam que estamos forçando os limites da Terra, o uso do solo há muito tempo se tornou abuso. Há soluções e quase todas envolvem o conceito de sustentabilidade – a única forma de aliviar o peso do homem e das alterações climáticas no planeta.

Estima-se que entre um quarto e um terço de todas as emissões de gases com efeito de estufa provenham do uso do solo. A agricultura, desflorestamento e outros usos da terra são responsáveis por 23% de todas as emissões de gases com efeito de estufa (CO2, metano, óxido nitroso). Se juntarmos ainda as emissões associadas as atividades pré e pós-produção do setor alimentar, a estimativa estará entre os 21% e 37%. Os processos naturais da Terra absorvem apenas o CO2 equivalente a quase um terço das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) produzidos pelos combustíveis fósseis e indústria.

Mais de 70% da superfície da Terra (que não está coberta pelo gelo) é diretamente afetada pelo uso humano. Um quarto dessa superfície é sujeito a uma degradação induzida pelo homem. A erosão nos terrenos agrícolas está estimada como sendo dez a 20 vezes (no caso dos campos não lavrados) até a mais de 100 vezes (nos lavrados) superior à taxa de formação de solo.

Há mais: a agricultura é responsável por 70% do atual consumo de água no planeta. No comunicado à imprensa, Hans-Otto Pörtner, um dos especialistas no grupo de trabalho do IPCC, constata que os terrenos que atualmente são usados poderiam alimentar o mundo e fornecer biomassa para energia renovável, mas, para isso, é preciso que a ação em várias áreas comece cedo e chegue longe. “O mesmo vale para a conservação, recuperação de ecossistemas e biodiversidade”, acrescenta.

Atualmente entre 25% e 30% da produção de alimentos é desperdiçada ou perdida. Dados recolhidos desde 1961 mostram que o fornecimento per capita de óleos vegetais e carne mais do que duplicou e o de calorias per capita nos alimentos aumentou cerca de um terço. Cerca de 2 bilhões de adultos têm excesso de peso ou são obesos. Estima-se que existam 821 milhões de pessoas gravemente subnutridas.

Durante a semana, as notícias já faziam antever o tom dos especialistas reunidos em Genebra, na Suíça, na reunião do IPCC que deveria servir para discutir as alterações climáticas e o uso do solo. Íamos ouvir falar na urgência de avançar para biocombustíveis, substituir plásticos e fibras por material vegetal, proteger a vida selvagem, regular a produção de madeira e ter novas formas mais sustentáveis de alimentar uma população cada vez maior. O relatório, previa-se, deveria sublinhar que é preciso fazer escolhas sobre a forma como usamos o solo e que essas escolhas seriam difíceis. E são – porque mudam muita coisa.

“Este relatório mostra que uma melhor gestão do solo pode contribuir para combater as alterações climáticas, mas não é a única solução. Reduzir as emissões de gases de efeito estufa de todos os setores é essencial, se se pretender que o aquecimento global seja mantido a menos de dois graus centígrados, se não mesmo 1,5 graus”, refere o comunicado de imprensa que recorda a meta definida em 2015 no Acordo de Paris.

Um dos cavalos-de-batalha, também se adivinhava há já algum tempo, seria a produção e consumo alimentar, e, mais especificamente, o alto consumo de carne vermelha, que põe o planeta sob uma pressão insuportável, seja por precisar de solos para produzir ração animal, seja pela água e outros recursos que explora de forma intensiva.

“Algumas escolhas alimentares exigem mais terra e água e causam mais emissões de gases”, afirma Debra Roberts, que também assina o relatório do IPCC, recomendando dietas equilibradas com alimentos à base de plantas e grãos, tais como cereais (exceto o trigo e o arroz), legumes, frutas e vegetais, e produtos sustentáveis de origem animal que sejam produzidos em sistemas com reduzidas emissões de GEE.

O relatório destaca que as alterações climáticas afetam os quatro pilares da segurança alimentar: disponibilidade (rendimento e produção), acesso (preços e capacidade de obter alimentos), utilização (nutrição e cozinha) e estabilidade (interrupções na disponibilidade). “Veremos diferentes efeitos em diferentes países, mas haverá impactos mais drásticos nos países pobres da África, Ásia, América Latina e Caribe”, afirma Priyadarshi Shukla, outro dos investigadores do IPCC, citado no comunicado.

Entre outras opções, os especialistas apontam para a urgência de uma produção sustentável de alimentos, uma gestão sustentável das florestas, uma gestão do carbono orgânico do solo, conservação dos ecossistemas, recuperação dos solos, menos desflorestamento e degradação e uma redução das perdas e desperdício alimentar. Sem surpresas. Algumas das soluções podem ter um efeito imediato, outras podem demorar décadas para dar resultados, admitem no relatório.

“O solo deve permanecer produtivo para manter a segurança alimentar à medida que a população aumenta e que os impactos negativos das mudanças climáticas na vegetação crescem. Isso significa que há limites para a contribuição da terra para enfrentar as alterações climáticas, por exemplo, através do cultivo de culturas energéticas e de arborização. Também demora algum tempo até que árvores e solos armazenem carbono de forma eficaz”, refere o comunicado. Os bons resultados, dizem, vão depender de políticas locais adequadas e sistemas de governança.

“A maior parte das opções baseadas na gestão dos solos que não aumentam a competição por terra e quase todas as opções baseadas na gestão da cadeia de valor (por exemplo, escolhas alimentares, perdas reduzidas, redução de desperdício de alimentos) e na gestão de riscos podem contribuir para erradicar a pobreza e eliminar a fome, promovendo a boa saúde e bem-estar, a água, saneamento, ação climática e vida na Terra”, referem os especialistas no relatório.

Especificamente sobre a desertificação os cientistas propõem medidas que, dependendo da disponibilidade de água na região, podem, por exemplo, passar pela construção de “muros verdes” ou “barragens verdes”, em que a plantação de espécies de árvores resilientes pode ajudar a criar barreiras à erosão e melhorar a qualidade do ar. Aproximadamente 500 milhões de pessoas vivem em áreas que estão sofrendo a desertificação e que são mais vulneráveis às alterações climáticas e a fenômenos de seca, ondas de calor e tempestades de poeiras.

É claro que também encontramos no relatório a necessidade de recurso a fontes mais limpas de energia e a obrigatoriedade de pôr a tecnologia ao serviço do clima e da sustentabilidade do planeta. “Existem coisas que já estamos fazendo. Estamos usando tecnologias e boas práticas, mas, de fato, precisamos ampliá-las e transferi-las para locais mais adequados, onde ainda não estão sendo usadas”, diz Panmao Zhai, cientista do IPCC.

Pior do que hoje só o amanhã?

O relatório apresenta uma série de dados a que atribui uma confiança média, alta ou muito alta. São páginas e páginas de danos causados ao planeta, organizados em quatro capítulos com muitas (demasiadas) alíneas que denunciam a degradação e destruição do nosso planeta. Um dos gráficos mais esclarecedores mostra a curva (ascendente) do uso do solo a servir de sombra à mesma trajetória da linha sobre os efeitos das alterações climáticas. O que fazer com estes dados? Mudar – não há alternativa e não há tempo a perder.

O primeiro capítulo é dedicado a “pessoas, solo e clima num mundo em processo de aquecimento”. Entre outros dados que constatam o que já mudou, há uma parte dedicada a pensar o futuro. Para isso, os especialistas apoiam-se em cinco cenários, com mais ou menos exigências de mudança de comportamento ou de adaptação, que, por sua vez, se articulam com vários níveis de mitigação do aquecimento global. “A mudança climática cria tensões adicionais nos solos, exacerbando riscos existentes para a subsistência, a biodiversidade, a saúde humana e dos ecossistemas, infraestruturas e sistemas alimentares. Impactos crescentes no solo são projetados em todos os cenários futuros de emissões de gases com efeito de estufa. Algumas regiões enfrentarão riscos mais elevados, enquanto outras enfrentarão riscos que não estavam previstos. Os riscos que produzirão um efeito em cascata terão impacto em vários sistemas e setores e vão variar entre regiões”, anunciam os especialistas.

Região a região, ninguém parece estar a salvo de uma desgraça. Quase parece que alguém está rogando pragas a todas as regiões do mundo. Se a Ásia e a África se apresentam como as regiões que serão mais afetadas pelo aumento da desertificação, a América do Norte e do Sul, o Sul de África, a região mediterrânea e a Ásia central serão atingidas por incêndios e as regiões tropicais e subtropicais serão as mais vulneráveis ao declínio das colheitas. Nas regiões costeiras, a degradação do solo que vai resultar da elevação do nível do mar e ciclones mais intensos vão pôr vidas em risco. Entre todas as pessoas, são as mulheres, os muito novos, os idosos e os pobres que estão mais expostos ao perigo. “A gestão insustentável dos solos levou a impactos econômicos negativos. A mudança climática deverá exacerbar esses impactos”, avisam.

Mais exemplos: com o aumento do aquecimento global, a frequência e intensidade de cheias deverão aumentar particularmente na região mediterrânea e no Sul de África. Nas regiões tropicais, em cenário de emissões médias e altas de gases com efeito estufa, o aquecimento vai provocar “a emergência de condições climáticas sem precedentes” em meados do século 21. Com os níveis atuais de aquecimento global ficamos perante um “risco moderado” de escassez de água, erosão do solo, perda de vegetação, incêndios, degelo do permafrost, degradação das zonas costeiras e declínio do rendimento das culturas. Com um aumento de 1,5 graus Celsius os riscos passam a ser altos e com dois graus muito altos.

Fenômenos extremos

Em relação à estabilidade no fornecimento de comida as projeções indicam que se encontra ameaçada. Por um lado, os fenômenos extremos vão perturbar as cadeias alimentares, por outro, o aumento de CO2 na atmosfera poderá diminuir a qualidade nutricional das colheitas. Recorrendo uma vez mais aos cenários, os especialistas mencionam o mais provável (nem demasiado otimista, nem demasiado pessimista) para prever um possível aumento do preço médio dos cereais de 7,6% em 2050 por causa das alterações climáticas. Isto, por sua vez, vai levar a um aumento dos preços dos alimentos e a um maior risco de insegurança alimentar e fome. Os mais afetados serão, obviamente, os mais vulneráveis.

Ainda apoiados no cenário mais equilibrado em que a população mundial fica ao redor de 9 bilhões de pessoas, os peritos anunciam que, com um aumento da temperatura de 1,5 graus Celsius, em 2050 teremos 178 milhões de pessoas vulneráveis à escassez de água, enchentes e degradação do habitat. Se o aquecimento chegar aos dois graus Celsius, serão 220 milhões de pessoas e aos três graus serão 277 milhões.

Vamos continuar a ouvir falar nestes dados, previsões e soluções. Este relatório será “um contributo científico essencial para as próximas negociações sobre o clima e o ambiente”, como a Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP14) em Nova Deli (Índia) em Setembro e a Conferência da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas em Santiago, Chile, agendada para Dezembro.

O tom é alarmante, mas, pelo menos por enquanto, os cientistas do IPCC ainda deixam espaço para uma ponta de esperança. Se alterarmos o uso que estamos fazendo do solo, podemos ainda mudar muita coisa. Podemos, por exemplo, diminuir a probabilidade, intensidade e duração de fenômenos extremos. As mudanças na gestão e exploração de um pedaço de terra aqui, garantem os especialistas, podem afetar a temperatura e a precipitação numa região num raio de centenas de quilômetros de distância.

O relatório prometia ser um guia de boas práticas para usar o solo da Terra, depois de tantas décadas de abuso. Entre outras conclusões, percebe-se que a Terra pode ser uma chaminé de emissões de CO2 que irão nos sufocar ou um sumidouro de emissões de CO2 que nos serve de pulmão para respirar. Ou de uma forma mais geral: uma parte de um imenso problema ou uma parte da solução. A escolha é nossa, de todos e, sobretudo, dos que têm poder de decisão política. A melhor notícia do relatório será mesmo essa: aparentemente, ainda temos escolha. Até quando?

Leia na íntegra: Alerta global. A Terra não aguenta mais o uso e abuso dos solos

DO: 247

*Propaganda, Censura, Poder e Controle – Dentro do “Vazio Submisso”

PREOCUPANTE,O BRASILEIRO ESTÁ SE TORNANDO “VAZIO E SUBMISSO”

John Pilger (jornalista australiano), na década de 70, perguntou à cineasta alemã Helene Bertha Amalie “Leni” Riefenstahl , porque ela fazia filmes glorificando nazistas (sobre a estética nazista). Ela disse ao jornalista australiano que as “mensagens” de seus filmes não dependiam de “ordens de cima (goebbels, hitler, etc)”, mas do “vazio submisso” do público.

Luiz Inácio ‘LULA‘ da Silva uma vez disse: “A fome não faz uma pessoa se transformar num revolucionário“, a fome, faz com que o famélico lute apenas pela sua sobrevivência, lutando por um prato de comida no dia-a-dia.

O que move uma pessoa a querer mudar o mundo para melhor é, boa alimentação, e principalmente; educação libertária e cultura e a certeza que o individuo pode transformar para melhor este mundo em que ele vive, para si e para os outros. 

Este texto critico não se refere a este ou aquele sistema politico, refere-se sim ao poder da ‘propaganda’ e em casos de tirania, a ‘censura’. (nota nossa)

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Viagens e desvios nos Estados Unidos da Amnésia de  | 31/07/2019

Nada parece mais surpreendente para aqueles que consideram os assuntos humanos com um olhar filosófico, do que a facilidade com que muitos são governados por poucos; e a submissão implícita, com a qual os homens renunciam a seus próprios sentimentos e paixões aos de seus governantes. David Hume , “dos primeiros princípios do governo”, 1768.

Breve:

O uso de propaganda e censura é mais freqüentemente associado a regimes totalitários, corruptos e / ou despóticos, e não a democracias modernas no Ocidente. No entanto, a história de como os governos ocidentais e seus sempre vigilantes senhores nos meios de comunicação, finanças e negócios controlaram a narrativa política da época por esses meios é longa, célebre e ruinosa, remontando bem antes de 1914. Juntamente com o serviço ao governo. Objetivos políticos contemporâneos de seus perpetradores como planejados, tais atividades muitas vezes continuam a informar a nossa compreensão, e cimentar a nossa interpretação, da história. Se, como diz o ditado, “a história se repete“, não precisamos procurar mais a razão principal. Neste amplo ‘safári‘ na desinformação, a criação de mitos.

Controlando os Proles:

O fio seguinte pode ser apócrifo, mas de qualquer forma a “moral da fábula” deve servir bem à nossa narrativa. A história é assim: Em algum momento durante o auge da Guerra Fria, um grupo de jornalistas americanos estava hospedando uma visita aos EUA de alguns de seus colegas soviéticos. Depois de permitir que seus visitantes tivessem tempo de absorver o espírito da mídia nos Estados Unidos, a maioria dos americanos esperava que seus convidados expressassem inveja desenfreada às liberdades profissionais de que desfrutavam na “Terra da Liberdade de Imprensa“.

Um dos escribas russos foi de fato obrigado a expressar sua descarada “admiração” a seus anfitriões … em particular, pela “qualidade muito superior” da “propaganda” americana. Agora é justo dizer que seus anfitriões foram surpreendidos pelo que foi, na melhor das hipóteses, um elogio indireto. Depois de alguns “colecionar mijo” sobre os estereótipos associados à “liberdade de imprensa” ocidental versus os da mídia controlada no sistema soviético, um dos americanos pediu ao colega russo que explicasse o que ele queria dizer. Em inglês fraturado, ele respondeu com o seguinte:

‘É muito simples. Na União Soviética, não acreditamos em nossa propaganda. Na América, você realmente, acredita na sua!

Por mais divertida que seja essa história, ela mascara uma realidade perturbadora – a zombaria do jornal russo não permanece simplesmente verdadeira agora; essa “crença” tornou-se ainda mais delirante, farsesca e, acima de tudo, perigosa. Alguém suspeita que os jornalistas russos hoje pensariam da mesma maneira.

E, em alguns casos, a natureza “delirante”, “farsesca” e “perigosa” dessa convicção foi mais evidente do que com as contínuas provocações do Ocidente à Rússia, com “Skripalgate” em Old Blighty (veja aqui e aqui ), e “Russia-Gate” nos Estados Unidos (veja aqui , aquiaqui ) sendo primos, embora longe dos únicos exemplares que poderíamos apontar.

Vínculo de liberdade

É claro que, recentemente, fomos todos submetidos ao ridículo show de pôneis e cachorros, que foi a tão louvada conferência londrina de “liberdade de imprensa”, organizada sob os auspícios da chamada Mídia Liberdade de Coalizão (MFC), uma iniciativa britânica / canadense . Como o nome sugeria, esse era o esforço do estabelecimento para prestar apoio ou defender a liberdade de imprensa, e iniciar estratégias e estruturas para a “proteção” dos jornalistas. Não me lembro de outro evento recente que abraçou tão perfeitamente o manual orwelliano, sem qualquer indício de ironia ou embaraço das partes envolvidas.

Para ilustrar, depois de observar que “o mundo está se tornando um lugar mais hostil” para os jornalistas, o site da MFC então retumba com justiça: … “[eles enfrentam perigos além dos warzones e extremismo, incluindo crescente intolerância a reportagens independentes, populismo, desenfreado corrupção, crime e a quebra da lei e da ordem. O cínico pode ser tentado a acrescentar: “E isso é só nas nossas democracias ocidentais!”

E quem pode esquecer a tola “ iniciativa de integridade ” que a precedeu, cujas ambiciosas ambições tinham como objetivo “defender a democracia contra a desinformação”? Este é o código de elite para limitar a liberdade de expressão, já acontecendo a uma taxa de nós, com os poderes que estão “configurando novos perímetros” on-line e off-line. Os esforços predominantes de várias pessoas para tornar crime criticar Israel ou boicotar o país são, sem dúvida, o exemplo mais insidioso e escandaloso. Além disso, as tentativas dos MSM para designar análises genuínas e independentes por meios alternativos como “notícias falsas” são outra. 

Essa é a sofisticação e a onipresença das técnicas de controle narrativo usadas hoje – cada vez mais oferecidas pela “propaganda computacional” por meio de scripts automatizados, hacking, redes de bots , fazendas de trolls , algoritmos e similares, além da censura mal velada e do gatekeeping de informações praticado pelo Google. e o Facebook e outros gigantes da tecnologia – tornou-se um dos aspectos mais preocupantes da revolução tecnológica / social media. (Veja também aqui , aqui , aqui e aqui .)

Notavelmente, a conferência da MFC veio e foi depois que os organizadores acharam por bem excluir as agências de notícias russas legítimas RT e Sputnik, uma “declaração de moda” ideológica completamente em desacordo com a suposta premissa sobre a qual ela foi instigada. Além disso, houve pouca menção ao “elefante na sala” Julian Assange – a pessoa que incorpora principalmente a desconexão entre a prática e a pregação da liberdade da mídia ocidental, para dizer pouco sobre a ironia, o oportunismo egoísta e o duplo padrões que freqüentemente participam de qualquer debate sobre o que realmente significa.

Claramente, a “liberdade da mídia” no Ocidente está cada vez mais “mais honrada na brecha do que na observância”, com a confabulação de Londres em manter as aparências em contrário. Este foi um evento concebido por shills (tipo de mascara preta – parenteses nosso) sem alma, dementes, de estabelecimento, “… cheios de som e fúria, significando nada”. O espetáculo surrealista deve ter induzido a dissonância cognitiva mesmo entre os especialistas, e muitos momentos de agitação para os partidários de Assange e genuínos buscadores da verdade.

Quanto ao Wikileaks e ao próprio Assange , vale a pena observar a atitude do estado de segurança nacional em relação a ele. Depois de acusar Assange de ser um “narcisista“, “fraudulento” e “covarde“, e rotular o WikiLeaks de “serviço de inteligência hostil“, o secretário de Estado Mike Pompeo declarou que [Assange] estava “ansioso para fazer a oferta da Rússia e outros adversários americanos. De qualquer forma, seus comentários podem ser considerados como mais ou menos representativos da Beltway e da opinião mais ampla do Ocidente, inclusive em meu próprio país a Austrália. Além de notar que o ódio oficial de Washington às fronteiras de Assange contra os raivosos, Ted Carpenter ofereceu o seguinte :

‘[Assange] simboliza uma luta crucial contra a liberdade de imprensa e a capacidade dos jornalistas de denunciar má conduta do governo sem medo de processos judiciais. Infelizmente, um número preocupante de jornalistas do “establishment” nos Estados Unidos parece disposto – na verdade ansioso – a jogá-lo aos lobos do governo.

Lapdogs para o governo:

Ali estava, é claro, outro espetáculo surreal, desta vez cortesia de uma das figuras mais perigosas, ultrajadas e divisórias do Estado Sideral, uma notável protagonista na conspiração do Portão da Rússia e nada menos que o diplomata mais graduado dos Estados Unidos. Não só é difícil aceitar que o ex-diretor da CIA realmente acredita no que está dizendo, bem poderíamos perguntar: “Quem pode acreditar em Mike Pompeo?

E aqui está também alguém cujo cinismo manifesto, hipocrisia e ousadia embaraçariam os muito ridicularizados escribas e fariseus dos dias bíblicos. Recentemente, Pompeo registrou um raro momento de honestidade admitindo – enquanto ria de sua bunda ampla, como se estivesse se lembrando de uma “Aventura própria do menino” de sua juventude desperdiçada com um monte de seus companheiros no pub local – como diretor da CIA: “mentimos, enganamos, roubamos … tivemos cursos de treinamento inteiros“. Pode ter sido uma das poucas vezes em sua existência miserável que Pompeo não falou com uma língua bifurcada.

Em todo caso, à sua franqueza à parte, podemos supor com segurança que esse “end-timer” cristão reacionário, monomaníaco e sionista passou em todos os “cursos de treinamento” da CIA com glorias. De acordo com Matthew Rosenberg do New York Times, tudo isso não impediu Pompeo de consultar o Wikileaks quando este servia a seus próprios interesses. Em 2016, no auge da campanha eleitoral, ele não tinha “nenhum escrúpulo … em apontar pessoas em direção a e-mails roubados por hackers russos do Comitê Nacional Democrata e depois postados pelo WikiLeaks“.

[* Nota do autor: A omissão de Rosenberg da palavra “supostamente” – como em “e-mails supostamente roubados” – é uma indicação inata de parcialidade sobre ele e a parte de seu empregador no NYT, uma daquelas marquesas da MSM liderando a acusação com o “ Conluio russo “‘história‘. Para obter uma visão mais perspicaz da fonte desses e-mails e as fraudes e fraudes que acompanham a Russia-Gate, os leitores são encorajados a verificar isso.]

E esta é, naturalmente, a Companhia sobre a qual estamos falando, cujo relacionamento passado e presente com a mídia pode ser resumido em duas palavras: Operação Mockingbird (OpMock). Qualquer um vagamente familiarizado com o bem-documentado Grand Deception, que era o OpMock, sem dúvida o mais duradouro, insidioso e bem – sucedido lance de psy-ops da CIA , vai saber do que estamos falando. (Veja aqui ) Em sua forma mais básica, essa operação era toda sobre propaganda e censura, geralmente operando em conjunto para garantir que todas as bases fossem cobertas.

Depois de opinar que o MSM está “totalmente infiltrado” pela CIA e por várias outras agências, William Binney, ex-denunciante da NSA , acrescentou : “Quando se trata de segurança nacional, a mídia só fala sobre o que a administração quer que você ouça, e basicamente suprime quaisquer outras declarações sobre o que está acontecendo que a administração não quer que seja pública. A mídia é basicamente o lapdogs do governo. Até mesmo o temível William Casey , diretor da CIA de Ronald Reagan na época, teria dito algo nas seguintes linhas:”Sabemos que nosso programa de desinformação está completo quando quase tudo o que o público americano acredita ser falso“.

A fim de fornecer uma perspectiva mais ampla e profunda, devemos agora considerar os pontos de vista de alguns outros sobre os assuntos em mãos, juntamente com um pouco de história. Em um artigo de 2013 refletindo sobre o significado moderno da prática, meu compatriota John Pilger repetiu uma época em que conheceu Leni Riefenstahl nos anos 70 e perguntou a ela sobre seus filmes que “glorificavam os nazistas“. Usando técnicas revolucionárias de câmeras e iluminação, Riefenstahl produziu um documentário que hipnotizou os alemães; como notou Pilger, seu triunfo da vontade ‘lançou o feitiço de adolf hitler‘. Ela disse ao veterano jornalista australiano que as “mensagens” de seus filmes não dependiam de “ordens superiores“, mas do “vazio submisso” do público.

Em suma, Riefenstahl produziu, sem dúvida, para o resto do mundo, as imagens históricas mais convincentes da histeria em massa, da obediência cega, do fervor nacionalista e da ameaça existencial, ingredientes-chave no pesadelo totalitário de qualquer um. Que também impressionou muita gente poderosa e de alto perfil no Ocidente, em ambos os lados da lagoa, também é axiomática: entre eles banqueiros, financistas, industriais e elites empresariais diversas, sem cujo apoio Hitler poderia, na melhor das hipóteses, ter acabado nota de rodapé no registro histórico após o malfadado putsch da cervejaria. (Veja aqui)

Triumph” aparentemente ainda ressoa hoje. Para a surpresa de poucos imagina, tal foi o impacto do filme – como revelado casualmente no excelente documentário de 2018 de Alexis Bloom, Divide and Conquer: The Story of Roger Ailes – não provocou nenhuma pequena admiração de, sem dúvida, o propagandista mais influente dos últimos tempos. [Os leitores podem querer conferir a recente interpretação de Russell Crowe de Ailes na mini-série de Stan, The Loudest Voice , em minha opinião, uma das melhores performances da carreira do homem.]

Em uma recente peça intitulada inequivocamente “Propaganda é a raiz de todos os nossos problemas”, minha outra compatriota Caitlin Johnstone também tinha algumas coisas a dizer sobre o assunto, ecoando Orwell quando ela observou que era tudo sobre “controlar a narrativa”. Embora eu sugira que o maior problema da “raiz” é nossa propensão fácil a ignorar essa realidade, fingir que ela não nos afeta ou não, ou rejeitá-la como um absurdo conspiratório, é claro que ela está correta. Como ela observa com cuidado,

“Eu escrevo sobre essas coisas para ganhar a vida, e até mesmo não tenho tempo nem energia para escrever … sobre cada ferramenta de controle de narrativa que o império centralizado nos EUA vem implementando em seu arsenal. Há muitos malditos muitos deles emergindo rápido demais, porque eles são apenas cruciais para manter as estruturas de poder existentes.

O Uso Discreto da Censura e Homens Uniformizados:

Não surpreende que aqueles que detêm o poder devam procurar controlar as palavras e a linguagem que as pessoas usam“, disse o autor canadense John Ralston Saul em seu livro de 1993, Voltaire’s Bastards – A Ditadura da Razão no Ocidente . Apropriadamente, em uma discussão que abrange, entre outras coisas, história, linguagem, poder e dissensão, ele opinou: ‘Determinar como os indivíduos se comunicam é‘ … um objetivo que representa para as elites de poder ‘a melhor chance‘ [eles] o que as pessoas pensam. Isso se traduz como: Quanto mais controle ‘nós‘ tivermos sobre o que os proles pensam, mais ‘nós‘ podemos reduzir o risco inerente para as elites na democracia.

Homens desajeitados“, prosseguiu Saul, “tente fazer isso com poder e medo“. Homens de mãos pesadas, que usam sistemas pesados, tentam a mesma coisa com a censura imposta pela polícia. Quanto mais sofisticadas as elites, mais elas se concentram em criar sistemas intelectuais que controlam a expressão através das estruturas de comunicação. Esses sistemas exigem apenas o uso discreto da censura e dos homens uniformizados. Em outras palavras, além de supor que é seu direito tomar isso em primeiro lugar, “aqueles que tomam o poder sempre tentarão mudar a linguagem estabelecida“, presumivelmente para facilitar melhor sua influência sobre ele e / ou legitimar sua reivindicação a ele. . 

Para Oliver Boyd-Barrett, a teoria democrática pressupõe uma infra-estrutura pública de comunicação que facilita a troca livre e aberta de idéias. No entanto, para o autor do recém-publicado RussiaGate and Propaganda: Disinformation in the Age of Social Media , “não existe tal infraestrutura“.

A grande mídia, diz ele, é “de propriedade e controlada por um pequeno número de grandes conglomerados multimídia e multi-industriais” que estão no coração do capitalismo oligopólio americano e cuja receita e conteúdo de publicidade são fornecidos por outros conglomerados. :

“A incapacidade da grande mídia para sustentar um ambiente de informação que pode abranger histórias, perspectivas e vocabulários que estão livres dos grilhões da auto-estima plutocrática dos EUA também está bem documentada.” É claro que a palavra “incapacidade” sugere que os HSH têm a responsabilidade de manter um ambiente de notícias e informações igualitário. Eles não, é claro, e, na verdade, provavelmente nunca tiveram! Uma palavra melhor seria “sem vontade” ou mesmo “recusa”. A mídia corporativa praticamente simboliza a “auto-estima plutocrática” que é característica do “capitalismo oligopolista”. De fato, os MSM coletivamente funcionam como entidades de publicidade, relações públicas / lobby para a Big Corp, além de atuar como seu guarda-costas pretoriano., protegendo seus segredos, crimes e mentiras da exposição. Como todas as outras empresas, elas são obrigadas a seus acionistas (lucros perante a verdade e as pessoas), a maioria das quais pode ser seguramente assumida como estranhas à “auto-estima” e poderiam se importar menos com “histórias, perspectivas e vocabulários” contrária aos seus próprios interesses.

Foi o cientista social australiano Alex Carey quem foi pioneiro no estudo do nacionalismo , corporativismo e mais ainda para os nossos propósitos aqui, a gestão (leia-se: manipulação) da opinião pública, embora todos os três tenham elos importantes (uma história para outra época). Para Carey, a seguinte conclusão era inescapável: “É discutível que o sucesso da propaganda empresarial em persuadir-nos, por tanto tempo, de que estamos livres da propaganda, é uma das mais significativas conquistas da propaganda do século XX”. Este ex-agricultor da Austrália Ocidental tornou-se um dos especialistas reconhecidos mundialmente em propaganda e manipulação da verdade.

Antes de embarcar em sua carreira acadêmica, Carey era um bem sucedido pecuarista criador de ovelhas . Segundo todos os relatos, desde cedo ele era um juiz de primeira classe do animal o qual era criador, o que levou a pensar se essa experiência lhe dava uma visão única de sua principal área de pesquisa! De qualquer forma, Carey a tempo vendeu a fazenda e viajou para o Reino Unido para estudar psicologia, aparentemente uma ambição de longa data. Do final dos anos cinquenta até sua morte em 1988, ele foi professor de psicologia e relações industriais na Universidade de Nova Gales do Sul, com sua pesquisa sendo elogiada por luminares como Noam Chomsky e John Pilger, ambos tinha uma coisa ou três a dizer ao longo dos anos sobre o The Big Shill. Na verdade tal era a sua admiração, Pilger descreveu-o como “um segundo Orwell”, que na linguagem de qualquer pessoa é uma grande chamada.

Carey infelizmente morreu em 1988, curiosamente no ano em que seus contemporâneos mais famosos Edward Herman e o livro de Chomsky, Manufacturing Consent: The Political Economy of the Mass Media, foram publicados, os autores notavelmente dedicaram seu livro a ele. Embora grande parte de seu trabalho permanecesse inédita no momento de sua morte, um livro dos ensaios de Carey – Tomando o risco da democracia: Propaganda corporativa versus liberdade e liberdade – foi publicado postumamente em 1997.

Continua sendo um trabalho seminal. De fato, para qualquer um com interesse em como a opinião pública é moldada e nossas percepções são gerenciadas e manipuladas, em cujos interesses elas são feitas e para que fim, é tão essencial ler como qualquer um dos trabalhos de outros nomes mais famosos. Este tomo veio completo com um prefácio de Chomsky, tão enamorado foi o último do trabalho de Carey.

Para Carey, os três “desenvolvimentos mais significativos” na economia política do século XX foram: 

a) o crescimento da democracia;

b) o crescimento do poder corporativo; e

c) o crescimento da propaganda como meio de proteger o poder corporativo contra a democracia.

O foco principal de Carey foi o seguinte:

a) publicidade e publicidade dedicada à criação de desejos artificiais;

b) a indústria de relações públicas e propaganda cujo principal objetivo é o desvio para atividades sem sentido e controle da mente do público; e

c) o grau em que a academia e as profissões estão sob ataque do poder privado determinado a estreitar o espectro do pensamento pensável (sic).

Para Carey, é um axioma da sabedoria convencional que o uso da propaganda como meio de controle social e ideológico é “distintivo” dos regimes totalitários. No entanto, como ele enfatiza: o exercício mais mínimo do senso comum sugere uma visão diferente: é provável que a propaganda desempenhe pelo menos um papel tão importante nas sociedades democráticas (onde a distribuição existente de poder e privilégio é vulnerável a mudanças bastante limitadas na população popular). opinião) como nas sociedades autoritárias (onde não é). Nesse contexto, a “sabedoria convencional” torna-se ignorância convencional; quanto ao “bom senso“, talvez não tanto.

O objetivo dessa barragem de propaganda, como Sharon Baderobservou, foi convencer o maior número possível de pessoas de que é de seu interesse abrir mão de seu próprio poder como trabalhadores, consumidores e cidadãos, e “renunciar ao seu direito democrático de restringir e regular a atividade de negócios. Como resultado, a agenda política está agora … confinada a políticas destinadas a promover os interesses comerciais. ‘

Um exemplo extremo dessa visão que se joga bem debaixo de nossos narizes e ao longo de décadas foi a cruel ficção do “efeito trickle down” (TDE) – a “maré alta que levantaria todos os iates” – da Reaganomics . Um dos vários mantras que definiram o esquema político predominante de Reagan, o TDE foi, por qualquer medida, decididamente mais uma torrente do que um gotejamento, e disse que a “torrente” estava subindo não para baixo. Essa realidade, como sabemos agora, não estava na brochura econômica brilhante de Reagan, e pode ter sido porque o Gipper confundiu suas preposições e verbos.

No entanto, como demonstrou amplamente o GFC de 2008, culminou em um cão de estimação livre, para todos, vale tudo, para si mesmo como uma forma de capitalismo canibal – uma versão atualizada e muito melhorada dos sem-barreiras. Mercantilismo mercenário muito reminiscente da Era Dourada e dos Barões Ladrõesque o ‘infestaram‘, apenas um que não come seus filhotes, se alimenta!

Tornando o mundo seguro para a plutocracia:

Na economia política cada vez mais disfuncional que habitamos, sejam widgets, guerras ou qualquer coisa no meio, poucas pessoas percebem o grau em que nossas opiniões, percepções, emoções e pontos de vista são moldados e manipulados pela propaganda (e seu similarmente ‘gêmeo maligno’ a censura), seus praticantes mais competentes e as entidades de elite, institucionais, políticas e corporativas que buscam seus conhecimentos.

Passaram-se apenas mais de cem anos desde que a prática da propaganda deu um salto gigantesco para a frente, a fim de persuadir os americanos relutantes de que a guerra na Europa na época era também sua guerra. Este foi num momento em que os americanos tinham acabado de eleger seu então presidente Woodrow Wilson pela segunda vez, para um segundo mandato, uma vitória em grande parte alcançado pela promessa que ele “iria manter os estadunidenses fora da guerra” Os americanos sentiam-se em uma de suas maiores fases isolacionistas , e assim a promessa de Wilson ressoou com eles.

Mas com o tempo eles se convenceram da necessidade de se envolverem com um apelo distintamente diferente às suas sensibilidades políticas. Esse “apelo” também atenuou o clima isolacionista, algo que deve ser dito que não foi aceito pela maioria das elites políticas, bancárias e de negócios da época, a maioria dos quais, perderia a credibilidade se os alemães vencessem, e / ou quem já estava lucrando ou se beneficiando dos negócios da guerra.

Para um presidente que “nos manteve fora da guerra“, isso não seria um passo fácil. Para vender a guerra, o presidente estabeleceu o Comitê de Informação Pública (também conhecido como Comitê de Creel) com o objetivo de divulgar as razões para a guerra e, a partir daí, obter apoio do público em geral. Digite Edward Bernays , o sobrinho de Sigmund Freud, que geralmente é considerado o pai das relações públicas modernas. Em seu filme Regra das Sombras: A Psicologia do Poder , Aaron Hawkins diz que Bernays foi influenciado por pessoas como Gustave le Bon , Walter Lippman e Wilfred Trotter.tanto, se não mais, do que seu famoso tio. De qualquer maneira, Bernays “combinou suas perspectivas e as sintetizou em uma ciência aplicada”, que ele então “marcou” “relações públicas”.

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Cartaz: “A resposta da América”, que foi feito pela Divisão de Filmes do Comitê de Informações Públicas (Comite Creel)

Por seu turno, o comitê de Creel lutou com seu resumo desde o início; mas Bernays trabalhou com eles para persuadir os americanos de que seu envolvimento na guerra era justificado – de fato necessário – e, para esse fim, criou o slogan brilhantemente vago de “tornar o mundo seguro para a democracia” . Assim nasceu indiscutivelmente a primeira grande propaganda de frases de propaganda da era moderna, e certamente uma das mais portentosas. O seguinte resume a mentalidade ousada de Bernays:

“A manipulação consciente e inteligente dos hábitos e opiniões organizados das massas é um elemento importante na sociedade democrática. Aqueles que manipulam esse mecanismo invisível da sociedade constituem um governo invisível que é o verdadeiro poder dominante de nosso país. 

O resto é história (mais ou menos), com os americanos se tornando mais dispostos a não apenas apoiar o esforço de guerra, mas encorajados a ver os alemães e seus aliados como brutos do mal ameaçando a democracia e a liberdade e o “modo de vida americano“, vê sido visto então (neste caso, não ha a intenção de defender o nazismo e sim, como se muda o pensamento das massas através da propaganda, goebbels utilizava desta tática – [uma mentira milhares de vezes ditas acaba se tornando uma verdade] – parenteses nosso). Do ponto de vista geopolítico e histórico, era uma premissa estupida, claro, mas mesmo assim um exemplo extraordinário de como algumas palavras bem escolhidas entraram na psique coletiva de um país que se opôs decididamente a qualquer envolvimento dos EUA na guerra e mudou essa mentalidade. completamente em sua cabeça. ‘Avançar o mundo para a democracia’ (ou alguma ‘versão cover’) se tornou a declaração de posicionamento da América, o grito de guerra ‘patriótico‘ e o cartão ‘Saia da Cadeia Livre‘ tanto para a guerra quanto para a guerra. sua camarilha criminosa de colarinho branco.

Em todo caso, foi por qualquer medida, um golpe de gênio da parte de Bernays; apelando aos medos e desejos básicos das pessoas, ele poderia projetar o consentimento em larga escala. Escusado será dizer que mudou o curso da história em mais de uma maneira. O fato de os Estados Unidos, até hoje, ainda usarem um meme não muito diferente para justificar seus “envolvimentos estrangeiros“, é prova de sua utilidade e durabilidade. A realidade, como sabemos agora, foi marcadamente diferente, claro. Eles quase sempre foram sobre poder, império, controle, hegemonia, recursos, riqueza, oportunidade, lucro, expropriação, mantendo intactas e bem defendidas as estruturas capitalistas existentes e esmagando a dissidência e a oposição.

O Rebanho Desconcertado:

É instrutivo notar que o modelo para ‘consentimento de fabricação‘ para a guerra já havia sido forjado pelos britânicos. E os europeus não “sonambulavam” como um “rebanho desnorteado” nessa conflagração. Nos vinte anos que antecederam a eclosão da guerra em 1914, os então administradores do Império Britânico estavam preparando diligentemente o terreno para o que consideravam um confronto pré-ordenado com seus rivais para o império dos alemães.

Para começar, ao contrário da opinião da população em geral, mais de cem anos depois, não foram as muito agredidas agressões e militarismo alemães, nem suas indubitáveis ​​ambições imperiais, que precipitaram sua eclosão.

Os administradores do Império Britânico não estavam dispostos a deixar que os americanos teutônicos devorassem seu almoço imperial, e trataram de esmagar unilateral e preventivamente a Alemanha e com ela quaisquer ambições que ela tivesse para criar seu próprio domínio imperial em competição com o Império. sobre o qual o/1 ‘Sol nunca se pôs.

A “Grande Guerra” é digna de nota aqui por outras razões. Como documentado por Jim Macgregor e Gerry Docherty em seus dois livros cobrindo o período de 1890-1920, aprendemos muito sobre propaganda, que atesta seu poder extraordinário, em particular seu poder de distorcer a realidade em massa de formas duradouras e subversivas. Na realidade, a única coisa “ótima” sobre a Primeira Guerra Mundial foi o grau em que as massas que lutavam pela Grã-Bretanha foram enganadas por propaganda e censura, acreditando que essa guerra era necessária e a forma como a narrativa oficial da guerra era sustentada para a posteridade via o mesmo meio. “Ótimo” talvez, mas não de um jeito bom!

Nestes volumes seminais – História Escondida da Primeira Guerra Mundial: As Origens Secretas da Primeira Guerra Mundial e seu acompanhamento Prolongando a Agonia: Como o Estabelecimento Anglo-Americano Estendeu a Primeira Guerra Mundial por Três Anos E Meio – Agregador e Docherty Fornecer uma aula magistral para todos nós, sobre o poder da propaganda a serviço de, em primeiro lugar, incitar e depois deliberadamente sustentar uma grande guerra. A carnificina e a destruição horrendas que resultaram dela foram, sem dúvida, sem precedentes, os efeitos globais dos quais perduram agora bem mais de cem anos depois.

Tal era o poder duradouro da propaganda que hoje a maioria das pessoas teria grande dificuldade em aceitar o seguinte; este é um breve resumo das realidades históricas reveladas por Macgregor e Docherty que estão em total desacordo com a narrativa oficial, o discurso político e os livros escolares:

Foi a Grã-Bretanha (apoiada pela França e pela Rússia) e não a Alemanha, que foi o principal agressor nos eventos e ações que permitiram a eclosão da guerra;
Os britânicos tinham, durante vinte anos antes de 1914, visto a Alemanha como seu rival econômico e imperial mais perigoso, e esperavam que uma guerra fosse inevitável;
No Reino Unido e nos EUA, várias facções trabalharam febrilmente para assegurar que a guerra continuasse pelo maior tempo possível e afugentassem os esforços de paz desde o início;
as principais verdades sobre os conflitos geopolíticos mais consequentes foram ocultadas por mais de cem anos, sem nenhum sinal de que o registro oficial mudará;
Forças muito poderosas (incluindo um futuro presidente dos Estados Unidos) entre as elites políticas, da mídia e econômicas dos EUA conspiraram para convencer uma população que, de outra forma, não estava disposta a entrar na América, era necessária a entrada dos EUA na guerra;
essas mesmas forças e muitos grupos semelhantes no Reino Unido e na Europa se engajaram em tudo, desde especulação de guerra, destruição / forja de registros de guerra, operações falsas, traição, conspiração para travar guerra agressiva e esforços diretos para prolongar a guerra por qualquer meio necessário. Muitos deles farão com que as pessoas fiquem no seu âmago.
Mas a paz não estava na agenda. Quando, em 1916, os fracassos militares eram tão embaraçosos e dispendiosos, alguns dos principais intervenientes do governo britânico estavam dispostos a falar sobre a paz. Isso não poderia ser tolerado. Os potenciais pacificadores tinham que ser jogados debaixo do ônibus. Os líderes europeus não eleitos tinham um elo comum: eles lutariam contra a Alemanha até ela ser esmagada.

Prolongar a agonia detalha como esta cabala secreta organizou para este fim a mudança de governo sem um único voto sendo lançado. David Lloyd George foi promovido a primeiro-ministro na Grã-Bretanha e Georges Clemenceau tornou-se primeiro-ministro na França. Um novo governo, um gabinete de guerra da elite interna, colocou o líder da Elite Secreta, Lorde Alfred Milner, no poder do núcleo interno dos tomadores de decisão na política britânica. Democracia? Eles não tinham caminhão com democracia. O público votante não teve voz. Os homens encarregados da tarefa continuariam até o fim e seus homens-lugar eram apoiados pela mídia e pelo poder do dinheiro, na Grã-Bretanha, na França e na América.

A propaganda sempre vence:

Mas assim como os adeptos pioneiros da época talvez nunca tivessem sonhado quão sofisticada e abrangente a prática da propaganda se tornaria, nem os cidadãos em geral teriam antecipado até que ponto a indústria facilitou uma plutocracia entrincheirada e voraz às custas da corrupção. de nossa oportunidade econômica, nossa segurança financeira, nosso ambiente físico, social e cultural e, cada vez mais, nossos direitos e liberdades democráticos básicos.

Nós agora vivemos na Era da Grande Shill – encapsulada num nada submisso – uma era onde nada pode ser levado em consideração, mas onde restrições de tempo e atenção (para citar apenas alguns) nos forçam a fazê-lo; [onde] poucas pessoas na vida pública podem ser levadas em conta; onde percepções incontestadas se tornam realidade aceita; onde a história do ‘livro aberto’ é agora incontroversa, não negociável, sob pena de fato de prisão; onde a educação é sobre uniformidade, função, forma e conformidade, tudo a serviço de ideologias neoliberais impostas, adotando então a priorização de liberdades individuais – embora duvidosas.

Mais amplamente, é o “Roger Ailes” deste mundo – atuando em nome das elites de poder que afinal são seus patrões – que criam os sistemas intelectuais que controlam a expressão através das estruturas de comunicação, enquanto asseguram … esses sistemas requerem apenas ” o uso discreto da censura e dos homens uniformizados. Eles são os formadores e moldadores do discurso que passa pela língua franca aceita da economia política globalizada, interconectada e corporativizada do planeta. Ao longo desse processo, eles sempre tentarão mudar a linguagem estabelecida.

E não podemos mais confiar em nossos representantes eleitos para representar honestamente a nós e nossos interesses. Se esta tomada de decisão está ocorrendo dentro ou fora do processo legislativo, estes processos estão bem e verdadeiramente nas mãos dos bancos e instituições financeiras e organizações transnacionais. Em cujos interesses eles estarão mais preocupados? Vimos isso tudo logo após a Crise Financeira Global (GFC), quando as próprias pessoas que levaram o sistema à beira do abismo fizeram milhões para se esquivar de seus bancos e milhões para si mesmos, faliram centenas de milhares de famílias americanas, foram convocadas por o governo dos EUA para consertar a bagunça e, para todos os efeitos, receber um cheque em branco. Que os EUA estão em risco ainda maior agora, a implosão econômica é algo que poucos especialistas sérios contestariam, e um testemunho da eficácia do trabalho de neve perpetrado contra os americanos em relação às causas, ao impacto e às implicações do colapso de 2008 daqui para frente.

Na maioria dos casos, aceita-se quase por definição que tais desconexões (leia-se: agendas ocultas) são a regra e não a exceção, daí a fundação multibilionária – e alcance e impacto globais – do negócio de propaganda. Isso, por si só, é um indicador-chave do motivo pelo qual as organizações atribuem tanta importância a esse aspecto da administração de seus negócios. No mínimo, uma vez que as corporações viram como a psicologia da persuasão poderia ser alavancada para manipular os consumidores e os políticos viam o mesmo com os cidadãos e até mesmo com seus próprios trabalhadores, o crescimento da indústria estava garantido.

Como Riefenstahl observou durante sua conversa com Pilger, depois que ele perguntou se aqueles que abraçavam o “vazio submisso” incluíam a burguesia liberal e educada? “Todos”, ela disse.

Como forma de ressaltar seu argumento, ela acrescentou enigmaticamente: “A propaganda sempre vence … se você permitir”.
Greg Maybury é um escritor freelancer e blogueiro baseado em Perth, na Austrália. Suas principais áreas de interesse são a história e a política americana em geral, com foco especial nos assuntos econômicos, de segurança nacional, militares e geopolíticos, e nas questões de política interna e externa dos EUA. Por 5 anos, ele tem contribuído regularmente para vários sites de notícias e opiniões, incluindo o Greanville Post, Consortium News, Dandelion Salad, OpEd News, Pesquisa Global, Russia Insider, Information Clearing House, Dissident Voice, OffGuardian e outros. Veja seu blog em  poxamerikana.com

Leia na íntegra: Dentro do Vazio Submisso – Propaganda, Censura, Poder e Controle