*A nova estratégia dos Estados Unidos: projeções para a nossa América

Apresentado pelo seu presidente Donald Trump, defende sua plataforma eleitoral nacionalista de “Estados Unidos Primeiro”, que significou na prática “O Primeiro Complexo Militar-Industrial” visando a retomada da hegemonia global

Menos de um ano depois de assumir a Casa Branca, o presidente Donald Trump lançou a nova Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos em 18 de dezembro de 2017. Ao apresentar o documento, o presidente dos EUA disse que seu país entrou em uma “nova era de rivalidade”, na qual sua liderança é ameaçada pela Rússia e pela China, embora “tentarão construir boas relações de cooperação com todos os países”.

Este documento constitui o guia estratégico da política externa e da segurança que o governo dos EUA terá nos próximos anos. Políticos, analistas e acadêmicos de todo o mundo tentam avaliar seu conteúdo de 68 páginas, a fim de determinar as implicações que terá para seus países e regiões. O National Security Act de 1947 afirma que esses relatórios possuem uma versão pública e uma versão “classificada”.

Desde 1986, a versão pública começou a ser divulgada sem restrições de acesso, então estamos na presença de uma Estratégia cuidadosamente trabalhada que expõe a visão que o governo dos Estados Unidos quer impor ao resto das nações. Nesta ocasião, é feita uma tentativa de definir uma “doutrina Trump” para sua política externa e de segurança, que tem um caráter imperialista marcado. O documento apresentado defende sua plataforma eleitoral nacionalista

“Estados Unidos Primeiro”, que significou na prática “O Primeiro Complexo Militar-Industrial”, visando a retomada da hegemonia global.
OS “QUATRO PILARES” DA ESTRATÉGIA

Identifica quatro interesses nacionais vitais ou “quatro pilares” que os Estados Unidos terão para os próximos anos, que ratificam o curso militarista do atual governo. De acordo com o documento, eles estão resumidos em:

I. Proteger o povo, a pátria e o estilo de vida americano: fortalecer o controle das fronteiras e reformar o sistema de imigração para proteger o país e restaurar a soberania. Eles enfrentarão ameaças antes de chegarem à fronteira ou podem causar danos à população.

II. Promover a prosperidade americana: renovarão a economia em benefício dos trabalhadores e das empresas do país, o que é necessário para restaurar o poder nacional. Eles trabalharão para relações econômicas livres, justas e recíprocas. Eles usarão seu domínio na área de energia para garantir que os mercados internacionais permaneçam abertos.

Ambos os pilares apresentam uma abordagem aparentemente nobre, mas com uma forte carga demagógica. Em seu amplo argumento no documento, eles tentam justificar políticas discriminatórias contra as minorias que contribuem para a economia dos EUA e instigar as práticas e sentimentos de xenofobia que dividem a sociedade dos EUA.

III. Preserve a paz através do uso da força: reconstrua a fortaleza militar americana para garantir que não haja maior. Eles usarão todas as ferramentas estatais em uma nova era de competência estratégica – nos níveis diplomático, de informação, militar e econômico – para proteger seus interesses. Eles irão modernizar as forças nucleares e suas infra-estruturas.

IV. Impulsionando a influência dos EUA: eles devem continuar a aprofundar a influência no exterior para proteger o povo americano e aumentar a prosperidade. As ações diplomáticas e de desenvolvimento buscarão melhores resultados em todas as áreas – bilaterais, multilaterais e de informação – para defender seus interesses, encontrar novas oportunidades econômicas e enfrentar seus concorrentes.

Nestes dois últimos interesses nacionais, reafirma-se que o uso da força manterá sua preeminência, combinada com sua estratégia de “diplomacia pública”. O objetivo que propõem para modernizar as forças nucleares e suas infra-estruturas é perigoso para a paz internacional. Na introdução do relatório, Trump disse que “eles estão fazendo investimentos históricos no exército”, em correspondência com a lei assinada há uma semana que destinou 700 bilhões de dólares ao orçamento do Pentágono para o ano fiscal de 2018.
APROXIMAÇÃO PARA A AMÉRICA LATINA E O CARIBE

A região é avaliada na seção dedicada ao “Hemisfério Ocidental”, com foco em supostas ameaças à segurança e atacando Cuba e a Venezuela. Afirma-se que os estados “democráticos” vinculados por valores e interesses econômicos compartilhados poderão “reduzir a violência, o tráfico de drogas e a imigração ilegal que ameaçam a nossa segurança comum e limitar as oportunidades dos oponentes para operar a partir de áreas de proximidade”, em referência à Rússia e A China, identificada na Estratégia como as principais ameaças dos Estados Unidos.

Eles ressaltam que os desafios permanecem como as organizações criminosas transnacionais, que “perpetuam a violência e a corrupção e ameaçam a estabilidade dos estados centro-americanos, incluindo Guatemala, Honduras e El Salvador”.

Em relação a Cuba e à Venezuela, eles apontam que “os governos se apegam a modelos de esquerdistas autoritários anacrónicos que continuam a falhar em seus povos”. Eles acrescentam que a Rússia continua a apoiar seus “aliados radicais cubanos, enquanto Cuba continua a reprimir seus cidadãos” e que a China e a Rússia apoiam a “ditadura” na Venezuela, na franca manipulação das relações respeitadoras e colaborativas que existem entre nossos países.

Eles também convidam a construir com os Estados Unidos, “um hemisfério estável e pacífico que aumenta as oportunidades econômicas para todos, melhora a governança, reduz o poder das organizações criminosas e limita a influência maligna das forças não hemisféricas”. Eles também projetam um grupo de ações para priorizar em termos políticos, econômicos, militares e de segurança na região.

Eles propõem “isolar os governos que se recusam a atuar como parceiros responsáveis ​​no avanço da paz e da prosperidade hemisféricas”, acrescentando o desejo de ver Cuba e a Venezuela se juntarem à “liberdade e prosperidade compartilhadas” do resto do hemisfério. Eles referem que os Estados Unidos promoverão mais reformas econômicas baseadas no “mercado livre” e continuarão a apoiar os esforços para combater a criminalidade.

Mais uma vez eles tratam seus países vizinhos com desprezo, ignorando os valores e a cultura de seus povos. O documento é um verdadeiro livro de receitas de “humildade” imperial ao estilo da época da doutrina Monroe e da fase de confronto da Guerra Fria. Também demonstra a baixa prioridade que aparentemente dá à nossa região, ao dedicar uma única página do relatório. No entanto, não se pode subestimar a retórica agressiva e desrespeitosa contra Cuba e a Venezuela, sem reconhecer, pelo menos, seu contributo para garantir a paz e a segurança regionais, e muito menos suas conquistas sociais.

Dado os riscos e ameaças contemplados na Estratégia, o povo cubano manterá seu curso socialista e continuará a defender os pensamentos Martí e Fidelista de uma “América americana unida”. Isto foi afirmado pelo general do exército Raul Castro Ruz, em 21 de dezembro de 2017, no final do X Período Ordinário de Sessões da VIII Legislatura da Assembléia Nacional do Poder Popular: “os países da América Latina e do Caribe têm o dever de avançar para a integração política, econômica e social da nossa América. Como eu indiquei em vários fóruns, trabalhar para “unidade dentro da diversidade” é uma necessidade urgente ».

No que diz respeito ao retiro das relações com os Estados Unidos, o Primeiro Secretário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba e Presidente dos Conselhos de Estado e Ministros, deixou claro que nosso país não é responsável e ratificado que “Cuba tem o Disposição para continuar a negociar pendentes questões bilaterais com os Estados Unidos, com base na igualdade e no respeito pela soberania e independência do nosso país e para continuar o diálogo e a cooperação respeitadores em questões de interesse comum com o governo dos EUA “. . No entanto, ele afirmou uma realidade inquestionável: “A Revolução Cubana resistiu aos ataques de 11 administrações dos EUA de diferentes signos e aqui estamos e seremos, livres, soberanos e independentes”.

Ler na íntegra: A nova estratégia dos Estados Unidos: projeções para a nossa América

*Neo Feudalismo Financeiro (síntese)

Uma certeza, se o mercantilismo foi o pai do capitalismo, ao recriar um feudalismo financeiro o capital se revigora, fica mais eficiente, mais regional e transnacional ao mesmo tempo, invisível e sem rastro, silencioso e abarcador, agora não tendo cara nem digital se torna eficiente, muito mais eficiente. (VillorBlue)

Hiper-capitalismo… feudal (!): pra baixo, super-competição; pra cima, sombra e água fresca

Uma visão de mundo na qual somos várias empresinhas individuais que precisam cuidar de sua vida e dar o seu lucro no mundo cão competitivo regido pela lei da selva (gerador de tanta polarização e ódio). Da mesma forma, cada instância do poder público é também uma empresa e o Brasil uma grande empresa, lenta e gigante que precisa de um “downsizing” urgente para competir globalmente.

Analogia: Antes uma grande montadora fabricava praticamente todos os componentes para sua linha de montagem (algumas tinham fundição e usinagem em suas fábricas), agora ela apenas monta e é servida por uma empresa média que monta os componentes, esta empresa média é servida por outras empresas menores que montam algumas peças, estas empresas menores são servidas por; individuais, empresas pequenas ou micro que lhe servem apenas alguma coisa, assim, as montadoras não tem deveres algum com o sistema produtivo/jurídico de uma nação, apenas direitos, (pode acontecer em outras áreas por exemplo; todos lembram do caso da mineradora Vale e o desastre ecológico, então, acionistas internacionais da Vale estão processando o Brasil em cortes estadunidenses ou casos da Petrobras), os individuais, pequenos e os micros que se virem. Se pensarmos o capitalismo como um corpo humano; nós somos compostos de um aglomerado de órgãos, cada um trabalhando em uníssono e individualmente ao mesmo tempo, cada órgão é composto de moléculas, estas por células e estas por átomos. Assim seria o “feudalismo financeiro” inserido no sistema de produção. Qualquer coisa pode ser produzida em qualquer lugar e em qualquer tempo, incluindo aí o “just in time“, neste caso, fabricam e montam em águas internacionais na maioria dos casos.

Lembrando: o conselho de acionistas não tem residência fixa, afinal, o dinheiro não está mais nos Estados… e sim nos paraísos fiscais. E não precisam mais da política, pois sua ideologia já está instalada e reproduzida diariamente nos discursos da (falsa) esquerda e da direita… plano perfeito?

Será que cada um de nós consegue mesmo fugir dessa lógica em nossas ações e na micropolítica do cotidiano?

Ler na íntegra: Hiper-capitalismo… feudal
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*Como ‘Comportamento de Manada’ Permite Manipulação da Opinião Pública por Fakes

Transcrito de: geledes.org.br

A estratégia que vem sendo usada por perfis falsos no Brasil e no mundo para influenciar a opinião pública nas redes sociais se aproveita de uma característica psicológica conhecida como “comportamento de manada”.

Por Juliana Gragnani Do BBC

O conceito faz referência ao comportamento de animais que se juntam para se proteger ou fugir de um predador. Aplicado aos seres humanos, refere-se à tendência das pessoas de seguirem um grande influenciador ou mesmo um determinado grupo, sem que a decisão passe, necessariamente, por uma reflexão individual.

“Se muitas pessoas compartilham uma ideia, outras tendem a segui-la. É semelhante à escolha de um restaurante quando você não tem informação. Você vê que um está vazio e que outro tem três casais. Escolhe qual? O que tem gente. Você escolhe porque acredita que, se outros já escolheram, deve ter algum fundamento nisso”, diz Fabrício Benevenuto, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), sobre a atuação de usuários nas redes sociais.

Ele estuda desinformação nas redes e testou sua teoria com um experimento: controlou quais comentários apareciam em um vídeo do YouTube e monitorou a reação de diferentes pessoas.

Quanto mais elas eram expostas só a comentários negativos, mais tendiam a ter uma reação negativa em relação àquele vídeo, e vice-versa.

“Um vai com a opinião do outro”, conclui Benevenuto. Em seu experimento, os pesquisadores chegaram à conclusão de que a influência estava também ligada a níveis de escolaridade: quanto menor o nível, mais fácil era ser influenciado.

Usuária identificada como falsa, com foto de perfil de banco de dados, tem 2.426 amigos | Foto: Reprodução/Facebook

Evidências reunidas por uma investigação da BBC Brasil ao longo de três meses, que deram origem à série Democracia Ciborgue, da qual esta reportagem faz parte, sugerem que uma espécie de exército virtual de fakes foi usado por uma empresa com base no Rio de Janeiro para manipular a opinião pública, principalmente, no pleito de 2014. E há indícios de que os mais de 100 perfis detectados no Twitter e no Facebook sejam apenas a ponta do iceberg de uma problema muito mais amplo no Brasil.

A estratégia de influenciar usuários nas redes incluía ação conjunta para tentar “bombar” uma hashtag (símbolo que agrupa um assunto que está sendo falado nas redes sociais), retuítes de políticos, curtidas em suas postagens, comentários elogiosos, ataques coordenados a adversários e até mesmo falsos “debates” entre os fakes.

Alguns dos usuários identificados como fakes tinham mais de 2 mil amigos no Facebook. Os perfis publicavam constantemente mensagens a favor de políticos como Aécio Neves (PSDB) e o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB), além de outros 11 políticos brasileiros.

Eles negam ter contratado qualquer serviço de divulgação nas redes sociais por meio de perfis falsos. A investigação da BBC Brasil não descobriu evidências de que os políticos soubessem do expediente supostamente usado.

Eduardo Trevisan, dono da Facemedia, empresa que seria especializada em criar e gerir perfis falsos, nega ter produzido fakes. “A gente nunca criou perfil falso. Não é esse nosso trabalho. Nós fazemos monitoramento e rastreamento de redes sociais”, disse à BBC Brasil.

Personas

As pessoas que afirmam ser ex-funcionárias da Facemedia entrevistadas pela BBC Brasil disseram que, ao começar na empresa, recebiam uma espécie de “pacote” com diferentes perfis falsos, que chamavam de “personas”. Esses perfis simulavam pessoas comuns em detalhes: profissão, história familiar, hobbies. As mensagens que elas publicavam refletiam as características criadas.

“As pessoas estão mais abertas a confiar numa opinião de um igual do que na opinião de uma marca, de um político”, disse um dos entrevistados.

“Ou vencíamos pelo volume, já que a nossa quantidade de posts era muito maior do que o público em geral conseguia contra-argumentar, ou conseguíamos estimular pessoas reais, militâncias, a comprarem nossa briga. Criávamos uma noção de maioria”, diz um ex-funcionário.

Para Yasodara Córdova, pesquisadora da Digital Kennedy School, da Universidade Harvard, nos EUA, e mentora do projeto Serenata de Amor, que busca identificar indícios de práticas de gestão fraudulentas envolvendo recursos públicos no Brasil, “a internet só replica a importância que se dá à opinião das pessoas ao redor na vida real”.

“Se três amigos seus falam que um carro de uma determinada marca não é bom, aquilo entra na sua cabeça como um conhecimento”, diz ela.

Especialista vê prática como fator que afeta a confiança da socieade na democracia

Confiança abalada

Para Lee Foster, da FireEye, empresa americana de segurança cibernética que identificou alguns perfis fakes criados por russos nas eleições americanas, essa tentativa de manipulação pode não fazer as pessoas mudarem seus votos. “Mas podem passar a ver o processo eleitoral todo como mais corrupto, diminuindo sua confiança na democracia”, afirma.

“As redes sociais estão permitindo cada vez mais coisas avançadas em termos de manipulação nas eleições”, diz Benevenuto, citando as propagandas direcionadas do Facebook. “Estamos entrando em um caminho capaz de aniquilar democracias.”

A solução proposta por pesquisadores para o problema dos perfis falsos e robôs em redes sociais vai da transparência das plataformas ao esforço político de “despolarizar” a sociedade.

Córdova diz que não se deve pensar em “derrubar todos os robôs” – que não são necessariamente maliciosos, são mecanismos que automatizam determinadas tarefas e podem ser usadas para o bem e para o mal nas redes sociais.

“É impossível proibi-los. A saída democrática é ter transparência para outros eleitores”, afirma. Se “robôs políticos” existem e estão voluntariamente cedendo seus perfis para reproduzir conteúdo de um político, eles devem estar marcados como tal, como, por exemplo, “pertencente ao ‘exército’ do candidato X”.

Transparência

Defensora do direito à privacidade e da liberdade de expressão, a pesquisadora Joana Varon, fundadora do projeto Coding Rights (“direitos de programação”), também defende a transparência como melhor via. “Anonimato e privacidade existem para proteger humanos. Bots (robôs de internet) feitos para campanha eleitoral precisam ser identificáveis e registrados, para não enganar o eleitor”, afirma.

Mas como aplicar essa lógica para os perfis falsos controlados por pessoas que prestariam serviço secretamente para políticos, como os identificados pela BBC Brasil?

Para Pablo Ortellado, professor do curso de Gestão de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo (USP), deve haver maior transparência e regulação em plataformas como o Facebook, que deve começar a agir “como se fosse um Estado, já que virou a nova esfera pública”, onde acontecem discussões e interações. Ou seja, a plataforma deve começar a se autorregular, se não quiser ser regulada pelos Estados.

Uma de suas tarefas, diz ele, deve ser excluir esses perfis falsos da rede – algo que a própria empresa diz, sem dar detalhes, que pretende fazer no Brasil antes das eleições de 2018.

Facebook diz que está aperfeiçoando seus sistemas para ‘detectar e remover’ conteúdos ligados a fakes

“Mas o grande desafio mesmo é desarmar a sociedade, que está muito polarizada e sendo estimulada nos dois campos. Sem essa polarização, cai a efetividade dos perfis falsos”, diz Ortellado.

Córdova defende que os usuários sejam educados sobre o que são robôs e que mais pessoas os estudem. “O remédio contra esses exércitos de robôs é um exército de pessoas que entendam a natureza dessas entidades na internet.”

Além disso, diz, a tendência é que as plataformas deixem as pessoas controlarem seus próprios feeds e que existam cada vez mais empresas de checagem de notícias, já que outra preocupação em 2018 são as “fake news” (notícias falsas). “Não tem solução mágica. É um ecossistema que está sendo criado.”

À BBC Brasil, o Twitter informou que “a falsa identidade é uma violação” de suas regras e que contas que representem “outra pessoa de maneira confusa ou enganosa poderão ser permanentemente suspensas”.

O Facebook diz que suas políticas não permitem perfis falsos e que está aperfeiçoando seus sistemas para “detectar e remover essas contas e todo o conteúdo relacionado a elas”. “Estamos eliminando contas falsas em todo o mundo e cooperando com autoridades eleitorais sobre temas relacionados à segurança online, e esperamos tomar medidas também no Brasil antes das eleições de 2018.”

Ler na íntegra: Como ‘comportamento de manada’ permite manipulação da opinião pública por fakes

 Ocorre atualmente os chamados “ativistas de direita oficiais”,. As vezes estes ativistas se agrupam, neste caso podemos classifica-los como “Tendas Digitais”, uma das mais famosas tendas digitais neste modelo atualmente é a tenda digital que sobrevive nos porões do Palácio Iguaçu em Curitiba, Paraná. Em alguns casos os ativistas destas tendas são tão poderosos que são indicados para cargos de destaque em alguns estados, como é o caso de Diego Cunha de Souza.

*Como Estado Fascista Está a Serviço do Desmonte da Universidade Laica

Crédito: Jornalistas Livres

por Luís Carlos Bolzan, especial para o Viomundo 

O Estado autoritário morista faz escola.

Neste 06/11/17, sem intimação prévia, representantes da UFMG foram alvos de condução coercitiva por parte da PF.

O mandato expedido pelo Judiciário foi solicitado pela Polícia Federal e executado pela própria PF.

Integrantes de uma fausta burocracia aristocrática, junto com, MPs, TCU e CGU, que se apropriou de assalto do Estado brasileiro, recebendo alguns inclusive, acima do teto constitucional, outros tendo 2 meses de férias por ano, outros ainda praticamente inimputáveis, apenas com penas de “aposentadoria”, sendo desejado este mesmo status por outras burocracias que se dizem “combatentes do crime”.

Há ainda entre estes, aqueles que reclamam direito sobre parte do butim da corrupção, um percentual do valor recuperado para ser usado sem nenhum controle ou fiscalização, e ainda alguns que usufruem do “direito” a abusivas “bolsas” para estudos seus, e de seus dependentes, para moradia, para alimentação, para viagens, etc, etc, etc.

A burocracia que não sabe diferenciar Hegel de Engels, que ao desdenhar da necessidade de provas transforma o direito em teologia para qual basta convicção e fé, que acelera descaradamente processos contra desafetos e senta sobre processos de apaniguados, é a “face dura do mal”.

Ela confraterniza escancaradamente com réus em regabofes de endinheirados se deixando fotografar ao pé do ouvido de chefes de quadrilhas, que pedem malas de dinheiros com agentes que “possam matar”, garantidora do golpe contra a sociedade civil, em especial trabalhadores assalariados, aposentados, trabalhadores com emprego informal, pequenos agricultores e desempregados.

Esta mesma burocracia cabeça de planilha decoradora de normas, que faz acordos ilegais com autoridades do exterior e acena em fugir do país sobre pretexto de estudar, caso seja desmascarada, é a que, despudoradamente, pede que o Poder Executivo tomado de corruptos e réus em processos, interfira no Supremo Tribunal Federal numa clara alusão à prática de impedir à justiça seu livre curso.

A burocracia nefasta sempre pronta a trair trabalhadores, desde que o capital garanta suas regalias, cega para helicópteros de cocaína, já ultrapassou a etapa de ser uma ameaça à democracia e aos direitos civis e sociais.

Se constitui numa abjeta realidade usurpadora e autoritária, custeada integralmente pela mesma sociedade civil à qual ela desrespeita e trai.

As exceções que integram este seleto corpo de burocratas chupins do dinheiro público, apenas confirmam a regra.

O Estado burguês é a fonte da corrupção, e não a solução.

“O poder corrompe. O poder absoluto corrompe absolutamente”.

Inebriada pelo poder que corrompe, a burocracia usa da força do Estado autoritário, sem freios, para impor suas vontades e convicções.

E a visão de mundo do autoritarismo estatal?

“Combater a corrupção e impunidade, dos outros, e defender a corporação acima de tudo”.

As exceções apenas confirmam a regra, visto que esta burocracia fanática atenta até mesmo contra integrantes da corporação, desde que eles denunciem o golpismo fascista, se assemelhando ao autoritarismo corporativo cientológico.

Não é novo. Talvez desconhecido.

Em tempos de internet e redes sociais, TVs e shows de voyeurismo e pancadaria travestida de esporte, muito pouco se recupera do que já foi dito muitos anos atrás.

Marx chamou atenção para o papel da burocracia que, ao lado das corporações privadas traçam planos e jogos para manter status quo, usando máquina estatal sempre em benefício do capital e de si próprios, parasitas estatais à serviço da “ordem” instituída, contra a sociedade civil, em especial a classe trabalhadora.

E não foi uma vez apenas.

Os alertas de Marx surgem explicitamente nos textos “Crítica da Filosofia do Direito de Hegel” (Hegel, por favor, Hegel!!), e Guerra Civil na França.

Marx não poupa críticas à máquina estatal burguesa, já em 1843, e depois em 1871.

Quase 175 anos depois do primeiro alerta de Marx, a sanha traidora segue com conluio entre burocracia de altos salários e corporações privadas.

Tacla Durán que o diga para quem quiser ouvir, mas não vem ao caso…

Aliás, nos perguntamos, qual a diferença entre quem corrompe com a força do dinheiro e quem corrompe com a força autoritária do Estado incontrolável, que desrespeita contrato social, porque “a literatura me permite”, ou porque “combatemos a corrupção”?

Apenas a forma de corromper e ser corrompido, pois a prática é a mesma, corrupção, doença social que deforma, deturpa e aliena.

Fácil entender o desdém pela filosofia, onde encontramos, dentre outros, Hegel e Engels.

É na filosofia que podemos desnudar em detalhes, a farsa da ética do Estado policialesco morista.

Ética da hipocrisia e estética embrutecida, escarnecedora, que finge não ter diferenças entre tratamentos dispensados às diferentes partes, mas que faz da perseguição aos discordantes sua constante, e da proteção aos interesses seus e dos aliados, seu imperativo categórico.

Afinal, porque barrar nomeação ao Supremo de candidato que se reuniu com políticos réus em barco no lago brasiliense?

Ou por que apurar morte de ministro do STF, então relator da lava jato e que admoestou publicamente juiz que vazou conversas da então presidenta da República e grampeou escritório de advogados?

Nem Hegel, nem Engels, nem Marx, nem Kant.

Nada que lampeje, apenas que rasteje.

O estado policialesco quer burlar a democracia, retirar do povo, senhor da política, a própria política, num ato vil de desapropriação estatal do que ao mundo privado pertence.

A burocracia estatal, como as corporações privadas detestam política.

Basta um concurso, a “meritocracia”, muito dinheiro e tudo se resolve.

Chega de votos! Chega de decisões populares! Chega de povo!

Chega de democracia, mesmo que seja esta pálida democracia representativa, bradam os “combatentes do crime” e seus parceiros de corporações privadas, que querem decidir pelo todo, desrespeitando a lei, a jurisprudência, a doutrina e a tradição, como lhes convém.

Para não deixar parecer mentira, dias atrás, o alcaide da capital gaúcha sentenciou: “as decisões importantes não podem ser tomadas por seu João e dona Maria. Devem ser tomadas pela elite da imprensa, dos negócios e da política”.

O sincericídio atucanado deve ser criticado, mas não por ser mentiroso ao ser fiel ao que pregam, o desdém pelo povo, pela coletividade e pela democracia. Mas pela desfaçatez contumaz de quem despreza o povo.

É esta elite que privatizou o Estado para seus próprios objetivos e dos interessados de fora.

MiShell não nos deixa mentir!

Estado sempre burguês, que na incerteza da viabilidade de seus candidatos (o hipertrofiador estatal que ataca tudo que adora armas, o astro das telinhas, ou o Opus Dei de plantão) cogita o parlamentarismo, sempre uma benção para interesses da burguesia, supervalorizado pela “moral ilibada” e “alta credibilidade” do Congresso Nacional, ou a inédita e hiperveloz decisão em segunda instância sobre processo do candidato pesadelo das elites.

Uma simples comparação.

O processo da Boate Kiss que envolve 242 mortes de jovens ocorrido em janeiro de 2013, ainda se arrasta pelos escaninhos da justiça.

Já o processo do pedalinho, do sítio do amigo, do cão mordido por cobra, do barco de lata e do tríplex sem escritura avança atendendo ao clamor dos barões da mídia e da canalha empuleirada na arte arquitetônica de Oscar.

Seria devaneio cogitar o crescimento em contas no exterior com titulares brasileiros, regada a propinas, desde abril de 2016?

Ou entrega do pré-sal, retomada do trabalho escravo, aumentos semanais nos combustíveis, perdões bilionários de dívidas, pressão para votação do fim da previdência pública, congelamento de orçamento da saúde e educação por vinte anos, seriam tudo “almoço grátis’?

A mesma burocracia que desfraldou a teoria do domínio do fato para condenar sem provas alto dirigente do governo eleito, diz que esta teoria não se aplica para caso de governador emplumado.

A burocracia de sangue azul que abre processo para apurar morte de cachorro da ex-presidenta em procedimento veterinário, é a mesma que não se estimula a apurar denúncia de propinas de empresas de tv para televisionamento de competições esportivas internacionais, evidenciadas em investigações fora do país.

Diante de tudo isto, o que é a condução coercitiva de reitores de universidades públicas brasileiras, sem negação prévia das vítimas da brutalidade estatal em comparecer para depoimento?

O sonho mblista?

O desejo ardente dos censuradores da doutrinária e partidária ‘escola sem partido’?

O “cala boca” dos manda chuvas do golpe no meio acadêmico universitário para não se atreverem a denunciar o entreguismo propineiro?

Seja o que for, certamente é nada para o estado policialesco moralista que livrou esposa de bandido que movimentou contas no exterior com dinheiro de propinas porque “ela não sabia”.

Na esteira do moralismo estatal, o fundamentalismo igrejeiro de padres e pastores ensandecidos contra a arte “perversa”, “suja”, ao melhor estilo do nazifascismo, encontrando abrigo para a canalhice medieval da “cura gay”.

Aliás, tudo bastante alinhado ao moralismo anticorrupção hitleriano que glorificava servidores públicos alemães no hipertrofiado e ditatorial estado alemão, ampliado após ascensão nazista, conforme descreve no seu “Minha Luta”, entre ataques a judeus, comunistas, negros, doentes, mulheres, eslavos…

Ou não seria este um ataque massivo da alta burocracia, braço estatal de teologias medievais, contra a ciência que obriga à crítica, representada pelas universidades públicas, que resistem ao entreguismo golpista?

O embate da fé e sua imutabilidade eterna que desdenha de provas, contra a ciência que as exige e sua necessária dialética.

Não é a defesa da besta estatal que deve ser feita, mas dos trabalhadores.

A besta pica traiçoeiramente e inocula sua peçonha, por natureza, como o escorpião que cruza o rio nas costas do sapo (barbudo?).

A lição deve ser aprendida definitivamente.

“A mão que balança o berço” é do povo, que não deve proteger quem a persegue, censura e mata.

Não basta reformar o Estado burguês moralista, pirotécnico e policialesco, deve ser denunciado e superado, ou a história se repetirá, como farsa, como tragédia e como burrice.

Ler na íntegra: O Estado autoritário morista faz escola