Há algum tempo atrás, fui a uma exposição de fotografias no MON, do foto/jornalista Sebastião Salgado, fiquei pensando sobre o processo migratório e suas causas, desde 1993 Salgado vem fotografando o movimento migratório de seres humanos em todo planeta. Inteirei – me (surpreso), que quase cento e cinqüenta milhões de pessoas sofrem deste processo migratório atualmente e vivem fora de seus locais de origem, numero altíssimo se levarmos em consideração o aumento da população mundial atual que paira em torno de cem milhões de seres humanos anualmente. O aumento é ainda mais assustador, cerca de dez milhões de pessoas engrossam este cordão todos os anos, mantendo estas proporções, daqui a dez anos esta enorme fila migratória terá duzentos e cinqüenta milhões de pessoas, em 1985 eram trinta milhões. Partindo desta analise, Salgado andou por 45 países, durante 7 anos, 45 países é quase um quarto do numero total de nações, se levarmos em consideração os 202 países existente, (dados de 2002, de acordo com a Wikipédia), o que da ao seu trabalho uma importância impar.
Os primeiros povos a migrarem para as Américas (por volta de 48 a 60 mil anos) emigraram da Ásia, provavelmente atravessando o estreito de Bering, alguns teóricos pensam também, que povos oriundos da Polinésia, Malásia e Austrália atingiram a America do sul navegando através do Oceano Pacífico, esta seria outra corrente.
Próximo ao ano de 1500 habitavam o Brasil entre 5 a 6 milhões de nativos, (destes , sobreviveram em péssimas condições de vida e com suas culturas em frangalhos, aproximadamente 200 mil pessoas), poderíamos discorrer ainda mais sobre muitas situações historicamente conhecidas, mais isto não vem bem ao caso, o que eu gostaria de evidenciar seriam as “causas de repulsão e de atração” que evidenciam alguns destes movimentos migratórios em alguma regiões.
Partindo das três causas que a meu ver são as mais importantes, “perseguições político/regionais, econômicas e de natureza climática”, sigo minha linha de pensamento e procurarei me concentrar na atualidade, sendo que posso retornar a historia para ilustrar ou reforçar algum raciocínio.
Segundo o ACNUR (Auto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), a maioria dos refugiados internacionais migra em busca de empregos, ou melhores empregos e melhores salários, após isso vem ás causas de guerras, perseguições étnicas e religiosas, – não nesta ordem obrigatoriamente -, este movimento objetiva principalmente ao EUA e a Europa ocidental e se originam a partir da África, America do Sul e regiões sul e sudeste da Ásia, como podemos constatar, das nações mais pobres do planeta.
Se as causas principais de repulsão da migração atualmente são as acima citadas, poderemos pensar um pouco mais sobre as causas de atração.
Esta analogia é bem simples, mais a partir dela entraremos em uma noção maior. Tenho um trabalho atualmente, ganho muito pouco, na cidade vizinha tem varias empresas com muitos empregos e remuneração maior, a cidade tem uma qualidade de vida melhor. O que eu faço? Fico? Migro? Ai esta a duvida.
Para sobreviver mais confortavelmente, o sistema capitalista teorizou e generalizou. Nas regiões em que ele retira matérias primas para manter seu parque industrial manufatureiro, os salários são vergonhosos, em regiões onde estão implantados os parques industriais os salários são menos vergonhosos e onde estão alojados os executivos, as gerencias, diretorias, etc., os salários são bem melhores. O leitor quer um exemplo? A Adidas abriu uma fabrica na Ásia, mão de obra barata e matéria prima quase de graça, os executivos continuam no EUA com seus salários fabulosos, é assim com todas as transnacionais, carros, cigarros, alimentos, eletrônicos, informática, roupa, etc, etc…Um exemplo mais fácil de confirmar por estar mais próximo, a Cba, (companhia brasileira de alumínio) do grupo Votorantim, comprou a troco de bananas uma vasta extensão de terras na região do Vale do Ribeira (a região com o menor IDH do estado de São Paulo), na divisa entre Paraná e São Paulo, Brasil.
Porque comprou a preço de banana? Primeiro a região sofreu todo um processo de empobrecimento regional ao longo dos últimos anos, fatos divulgados na mídia, falta de investimentos sociais, inexistência de investimentos em infra- estrutura para escoamento da produção agrícola, criação de empregos, etc. A região em evidencia ficou abandonada por um longo tempo, noticiou-se que a Cba (Cia Brasileira de Alumínio) iria construir uma represa (Usina do Alto Tijuco) no rio Ribeira do Iguape, esta represa iria alagar uma vasta área e “ai daquele que teimasse em viver nas regiões abaixo”, na cidade vizinha, Apiaí em São Paulo, tem uma grande mineradora de Cimento, (matéria prima), em outro município limítrofe Adrianópolis no Paraná, tem uma mina (meio desativada..?) de chumbo, prata e ouro (matéria prima), dizem os moradores da região, mais esclarecidos e antigos, que as serras que serpenteiam a região são ricas em ferro, alumínio, prata, urânio e outros. Estas terras atualmente pertencem a Cba, a maioria foi comprada a um preço muito baixo, como a região há muito tempo esta sem investimentos nas áreas sociais, a população em geral, (os pequenos proprietários de terra, etc), venderam ou abandonaram as terras, indo engrossar as periferias das grandes cidades em busca de trabalho. Este exemplo, simplório, por estar mais próximo, faz com que entendamos melhor a situação global.
Nos últimos anos no Brasil, vemos constantemente migrantes morando clandestinamente nas grandes cidades. Quem são estes migrantes? Geralmente oriundos da África, Ásia e America do Sul e geralmente se movimentam por causas econômicas. Quanto ao movimento nacional, sempre tivemos uma grande movimentação da região nordeste e norte do Brasil rumo a região Sudeste/Sul, como a situação de empregos em São Paulo e Rio de Janeiro esta saturada atualmente, se detecta movimentos do Nordeste em direção a alguns estados do Norte (Tocantins, Pará, etc) originados do Piauí, Maranhão, e outros. E na região Sudeste nota-se também o contrario de anos anteriores, habitantes de origens nordestinas estão migrando ou retornando para sua região de origem.
Retornando aos movimentos internacionais, vamos citar um país de origem, poderia citar a China, qualquer região da África, Coréia, qualquer um, especificando citarei apenas a Bolívia. Temos visto constantemente na mídia principalmente em São Paulo, historias de bolivianos que migram e se vem envolvidos em algum problema, geralmente são vitimas de aproveitadores, que lhes tiram o pouco dinheiro que ganham, prometem rios e fundos e não cumprem o que prometem, estes irmãos trabalhadores, que arriscam tudo para conseguir um lugar ao sol, vivem escondidos, trabalham até 20 horas por dia para ter algum lucro, numa clássica relação corroída entre capital e trabalho, isto é, semi escravidão. Este é apenas um exemplo brasileiro, (isto é, falando apenas dos movimentos dentro do território brasileiro. No geral este tipo de problema é igual –só ampliando ou diminuindo suas proporções/micro ou macro- em todas as regiões do planeta onde existe a recepção de migrantes, veja o caso do Japão e seus migrantes brasileiros, “os decasséguis”, eles são vigiados quando entram em supermercados, lojas, etc.), talvez por ignorância e um perfeito desconhecimento da situação destes trabalhadores, olham estes migrantes como se fossem os grandes (ou parte) responsáveis pela péssima situação ou problemas em que vivem, ou por todos os problemas gerados na região onde moram e por serem geralmente pobres, são vistos abaixo da linha do preconceito, desprezados e se não bastasse a falta de benefícios e os baixos salários a que são submetidos em seus trabalhos semi escravos.
COMO O TRABALHADOR DE UMA NAÇÃO POBRE, VÊ UMA NAÇÃO RICA E IMPERIALISTA…
Esta visão serve para quaisquer países em qualquer continente, para facilitar o entendimento exemplificaremos o Brasil como receptor do movimento.
Como um paraguaio, peruano, boliviano, etc, vê o Brasil lá fora? Geralmente sendo este trabalhador um pouco mais consciente, pensa de primeira, é um pais rico e imperialista. Espera lá. Imperialista? Com certeza, desde há muito tempo. Lembram do tratado de Tordesilhas? E da guerra do Paraguai? E a situação do Acre? E do estado de Santa Catarina? A mudança destas divisas e ganho de território foram simples manobras imperialistas, tenho em consciência que toda nação receptora de movimentos migratórios são diretamente responsável pelas regiões pobres do planeta.
Se existe regiões empobrecidas, os mais ricos exploram suas matérias primas como um aspirador de pó absorve a poeira de um tapete. Só os países mais ricos têm parques industriais para transformar esta matéria prima em objetos comerciáveis, apenas eles possuem também saída para estes produtos através das câmaras mundiais, sendo assim impõe a estas matérias prima o preço que querem, relegando aos mais pobres apenas o trabalho e o (in) conformismo.
O Brasil é visto pelo proletário da America Latina, África, sul e sudeste da Ásia, como um país rico e imperialista (não me refiro a população extremamente pobre e as suas tristes realidades), a historia e os dados estão aí para atestar este imperialismo e os índices confirmam que o pais (não a população) não é pobre (PIB, reservas internas e internacionais, arrecadação de impostos, etc.), miserável somos nós, sua massa explorada, esta miséria geralmente não é mostrado no exterior, infelizmente a propaganda internacional mostra apenas mulheres de biquíni, corpos torrados ao sol, como se o Brasil fosse apenas uma grande nação de fornicadores e lascivos.
Como entrar no Brasil é mais fácil do que entrar em países da Europa ocidental e EUA, o Brasil seria uma das opções para se trabalhar e ganhar dinheiro, por três motivos maiores, em parte por se falar o português, o brasileiro aceita razoavelmente o migrante, temos muitas empresas (micro, pequenas, e medias) que admitem estrangeiros sem constrangimentos, incluindo neste aceite os clandestinos, estas facilidades agem como um farol sobre os mais pobres de outros países, norteando e obcecando.
Na idade media o tema dos bárbaros colonizadores, era “não existe pecado ao sul do equador”, isso prevalece como se fosse um arquétipo maldito (este lema foi um dos grandes responsável pelo extermínio da nação indígena brasileira).
Voltando um pouco, se exige pouco das empresas que exploram matéria prima nas áreas das, relações do trabalho, ecologia e sociais, as matérias primas geralmente são vendidas na sua forma pura para outros países (a não ser em países do primeiro mundo onde geralmente são beneficiadas e manufaturadas no local de extração, ver o vale do silício na Califórnia-EUA), deveriam ser beneficiadas em seus locais de extração, se assim ocorresse, seriam gerados um grande numero de empregos nos países do terceiro mundo, contribuindo para o aumento do IDH nestas regiões e segurando os trabalhadores em suas regiões de origem, reduzindo em muito o movimento migratório.
ALGUMAS CONSEQUÊNCIAS SOBRE O TRABALHO DE MIGRANTES ILEGAIS..
Local: Japão, qualquer estado ou cidade, alguns decasséguis moram num prédio de apartamentos simples, dividem um quarto/cozinha, trabalham para um empreiteiro que não conhecem bem o nome, não tem carteira assinada, não tem benefícios, não tem convenio medico, não tem décimo terceiro, apenas saem de férias quando ocasionam férias coletivas na empresa, 15 ou 20 minutos de almoço, não podem financiar imóvel, carro, ou quaisquer bens duráveis, compram somente a vista, não podem se envolver em acidentes de transito. Como vemos, não difere muito de trabalhadores estrangeiros que moram e trabalham no Brasil, ilustrei este constatado, apenas para mostrar que as contradições entre o capital e o trabalho são comuns em qualquer lugar do planeta, apenas minimizado em algumas regiões, este exemplo poderia acontecer nos EUA, Alemanha, França, ou qualquer outro país, o capital abre e fecha filiais em qualquer parte do mundo, não se importa com o ser humano, ele migra ao bel prazer. Para abrir uma fabrica no Brasil e oferecer 750 empregos diretos, uma indústria automobilística francesa fechou uma fabrica na Bélgica onde mantinha 7500 postos de trabalho diretos (Para onde foram estes trabalhadores demitidos?), isso é apenas um exemplo entre milhares. O sistema só não consegue mudar os locais de exploração das matérias primas.
CONCLUSÃO
Gostaria ao concluir, explanar algumas idéias para tentarmos, senão sanar definitivamente (não acredito que nos parâmetros do sistema capitalista estes conflitos sejam solucionados definitivamente), ao menos amenizar o gravíssimo problema do movimento migratório, não é concebível, seres humanos trabalhando em condições subumanas em regimes escravagistas ou semi-escravagistas apenas porque vêem de uma região mais pobre, por pertencer a outras minorias, etc., na situação de foragidos ou banidos políticos, ou então por causa de cataclismos naturais, ou simplesmente por pertencer às áreas mais pobres do planeta, todos devemos ser respeitados dignamente. Se o sistema vigente não tem capacidade para solucionar esta e outras situações degradantes referente ao ser humano, que reconheça. Só assim a humanidade poderá debater e encontrar seu caminho. Para abrir a discussão, seleciono alguns tópicos para serem colocados em prática a curto e médio prazo, estes tópicos, apesar de gerarem um grande trabalho para sua concretização, são viáveis.
• Beneficiamento das matérias no local de origem de extração, ex. minério do ferro, alumínio, cobre, cal, cimento, madeira, grãos, subprodutos do petróleo, etc.
• Após serem beneficiadas estas matérias (não havendo condições de serem manufaturadas no local), as empresas compradoras por excelência devem exigir das vendedoras as, ISO’s 9000, 14000 e 18000, que regem sobre o controle das qualidades ambientais e das relações do trabalho.
• Um fundo internacional (teoricamente já existe) uma espécie de tributo cobrado de empresas transnacionais e destinados a educação e saúde em países do terceiro mundo, principalmente as regiões mais pobres do planeta, para que não houvesse desvios este fundo seria aplicado pela FAO e UNESCO, seria fiscalizado por ONGs, associações locais, organismos internacionais de auditoria, toda a comunidade envolvida, sindicatos, etc., quanto mais fiscalização mais eficiente sua distribuição.
• Uma reformulação dos salários nas regiões onde originam os disparos emigratórios, para que estas regiões se tornem atrativas para todos. As nações devem envolver-se neste processo, através de fóruns constantes e soluções diretas e praticas.
• O debate constante em fóruns, seminários, nas escolas, nas igrejas, dentro de secretarias e ministérios de governos, para solucionarmos definitivamente o problema dos preconceitos raciais, sociais, étnicos, sexo, etc. …
Com alguns destes tópicos alinhados, gostaria agora de prendê-lo um pouco mais nesta leitura e falar sobre alguns relatórios atuais de organismos com aos quais não tenho duvidas sobre exatidão e seriedade:
Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o aumento dos preços dos alimentos no mundo fez o numero de famintos aumentar em 40 milhões em 2008. a FAO divulgou na data de 09/12/2008 que a fome já atinge 963 milhões de pessoas. A FAO disse ainda que a crise mundial levara ainda mais pessoas a esta condição. Segundo a FAO, os problemas estruturais da fome, como falta de acesso à terra, ao credito, e ao emprego, combinados com o aumento dos preços dos alimentos permanecem como uma dura realidade para milhões de pessoas . A FAO relatou ainda que grande maioria destes famintos -907 milhões- vive nos países pobres. Destes, 590 milhões moram em sete países, são estes; Índia, China, Congo, Bangladesh, Indonésia, Paquistão e Etiópia, este mesmo relatório informa que na África Subsaariana, um terço da população -236 milhões- vive em estado de fome crônica. Sendo a maior proporção dentre os continentes. O Congo foi disparado o país Africano onde a fome mais se alastrou. A população de famintos passou de, 26 por cento em 2003/05 para 76 por cento em 2008. Na America Latina e Caribe, a fome atinge 51 milhões de pessoas atualmente.
Outro relatório desta vez emitido pela Comissão Econômica para a America Latina e o Caribe, ( Cepal ), informa que a crise do “sistema capitalista” (eles não usam sistema capitalista, usam crise financeira global), provocara um aumento no numero de pobres e indigentes na America Latina nos próximos anos, acirrando ainda mais os problemas que atravessamos.
Minha opinião para abertura de uma discussão sobre o tema “MOVIMENTO MIGRATÓRIO”.
Como em todas as crises da historia, quem sofre realmente são as massas oprimidas, pagando um alto preço pela dissolução dos problemas do sistema de exploração, nada mais sensato que, as massas tomem as rédeas para a condução de uma sociedade onde realmente a fraternidade e a solidariedade sejam focados como ponto central de todas as políticas. Não vejo outra solução.
O que aconteceu no México, após o 27 de setembro de 2014? As fotos em redes sociais, o vídeo na Internet, e acima de tudo, as experiências pessoais de boca transmissíveis, passeatas realizadas, intervenções artísticas e políticas em espaços públicos, greves em universidades e milhões de pessoas indignados com um evento que já passou as fronteiras nacionais. “Vivos foram levados, vivos nós queremos!”, “Não somos nós todos, faltando 43”, “Somos todos Ayotzinapa” “Você pode ser você, eles poderiam ser seus filhos” fazem parte dos slogans que gritavam nas últimas semanas, cansados de impunidade e vendo essa afronta à sociedade como os professores-alunos. É a consciência coletiva que ganhou uma batalha feroz contra o individualismo até então invicto. E é por isso que não é raro (quando você acessa os solidários do Facebook ou do Twitter) ver banners mexicanos em vários idiomas, mostrando fisionomia solidaria: “A sua luta é a nossa luta”, “Nous Sommes Tous Ayotzinapa” ” Demokratie em Mexiko ist ein Betrug “. A partir da eleição de 2012, Colima começou a cantar no mesmo tom que o resto do país, ou pelo menos uma parte da sociedade de Colima. A quarta-feira do lado de fora da catedral, na marcha organizada pelo CEU e por estudantes de filosofia, podemos ver unidos os zapatistas, as feministas de diferentes grupos, artistas, professores, sindicalistas, estudantes organizados e não organizados e uma série de pessoas difíceis de classificar. É Colima se opondo solidariamente ao silêncio indolente das elites.
A Syngenta é uma empresa transnacional do agronegócio com sede na Suíça. A empresa tem operações em mais de 90 países, e emprega mais de 19.500 pessoas. Em 2006, suas vendas foram de US$8,1 bilhões, tendo 80% de sua receita proveniente de agrotóxicos e 20% da produção de sementes. A Syngenta é a terceira maior empresa do setor de sementes no mundo.
A Syngenta resulta de mais de dois séculos de fusões de empresas européias do setor químico. Segundo Brian Tokar, o antecessor mais velho da Syngenta foi J.R. Geigy Ltd., que foi fundada na Suíça em 1758, e começou a produzir químicos industriais inclusive tintas, tinturas e outros produtos. A Geigy ficou famosa e rica quando descobriu a eficácia inseticida do Dicloro Difenil Tricloroetano (DDT, atualmente, produto este proibido em boa parte do planeta). A Syngenta também tem raízes na Industrial Chemical Industries (ICI), uma empresa de explosivos fundada na Grã Bretanha em 1926 por Alfred Nobel, o inventor da dinamite. A ICI abastecia as Forças Aliadas durante a Segunda Guerra Mundial com explosivos e químicos para uso como arma química. Em 1940, a ICI descobriu as propriedades seletivas do ácido alphanapthylacetic, e sintetizaram os herbicidas MCPA e 2,4-D. O herbicida, agente laranja como é conhecido popularmente, derivado do 2,4-d, posteriormente foi usado pelos militares dos estados unidos durante a guerra imperialista do Vietnã , a grande propaganda de guerra americana na época, dizia que o agente laranja era utilizado para desfolhar as arvores, porém na realidade era utilizado para desfolhar a carne dos norte-vietnamitas. Em 1970 a Geigy e a Ciba se fundiram para formar a Ciba-Geigy, uma grande empresa com operações em mais de 50 países. Em 1994 a ICI desmembrou seus setores de químicos farmacêuticos e agrotóxicos dando origem à Zeneca Group PLC. A Zeneca fundiu-se com a Astra AB da Suécia em 1998, criando a AstraZeneca. Em 1996, a Sandoz, uma outra empresa Suíça formada em 1876, fundiu-se com a Ciba-Geigy para formar a Novartis, a maior fusão empresarial na história daquela época. Em 2000, a Novartis fundiu-se com o setor do agronegócio da AstraZeneca, formando a Syngenta, o primeiro grupo global focado exclusivamente no agronegócio.
A biotecnologia é muito importante para a Syngenta. Entre 2001 e 2002, a Syngenta foi responsável pela maior contaminação genética da história, quando vendeu ilegalmente sementes transgênicas de milho BT10 aos agricultores nos Estados Unidos. Este milho transgênico entrou nos sistemas alimentares dos humanos e de animais. A Syngenta também é líder no desenvolvimento da “Tecnologia Terminator”, um processo de engenharia genética que torna sementes estéreis numa tentativa de forçar os agricultores a sempre comprarem suas sementes, em oposição à prática camponesa de selecionar, cuidar e compartilhar sementes livremente.
O Crime da Syngenta e a Ocupação
A Ciba-Geigy começou suas operações no Brasil em 1971 e passou a ser demominada Syngenta em 2001. No início de março de 2006, a Terra de Direitos, uma organização localizada em Curitiba, que atua nas áreas de direitos humanos e meio ambiente, e trabalha com os movimentos sociais, denunciou ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais (IBAMA), que a Syngenta e doze outros produtores plantaram ilegalmente soja transgênica na zona de amortecimento do Parque Nacional do Iguaçu. Dado a suas ameaças à biodiversidade, por determinação da legislação federal brasileira, é proibido cultivar transgênicos na zona de amortecimento dos parques nacionais. Uma investigação feita pelo IBAMA confirmou que a Syngenta e os agricultores violaram a lei ambiental federal e multou a todos. A multa da Syngenta é de aproximadamente US$465,000. Enquanto todos os agricultores recorreram à multa, perderam e em seguida pagaram suas multas, a Syngenta tem se recusado a reconhecer qualquer crime, sendo a única que ainda não efetivou o pagamento.
Após a investigação do IBAMA ter confirmado a violação da lei federal pela Syngenta, a Via Campesina ocupou não violentamente o seu campo experimental. A Via Campesina e a Terra de Direitos defendem legalmente a ocupação com base num artigo constitucional que diz que a terra precisa cumprir uma função social. Eles argumentam que o campo experimental da Syngenta não estava cumprindo a sua função social, e que o cultivo ilegal da soja transgênica na zona de amortecimento do Parque Nacional do Iguaçu constituiu uma ameaça direta à sociedade brasileira, porque colocou em risco sua biodiversidade, os recursos naturais e o sistema alimentar do país.
Em julho de 2008, a Terra de Direitos e a Via Campesina lançaram uma campanha internacional de solidariedade, conquistando apoio de mais de 75 organizações de todo o mundo. A campanha dirigiu emails diretamente para Pedro Rugeroni, chefe da Syngenta no Brasil, exigindo que a empresa reconheça seu crime e pague a multa ao IBAMA. A campanha também dirigiu emails ao Governador Requião (Paraná), motivando-o a desapropriar o sítio da Syngenta. Em resposta, a Syngenta comprou uma página inteira nos dois maiores jornais brasileiros, onde publicou uma mensagem em sua defesa. Na sua resposta hostil aos apoiadores da campanha internacional, continuou negando qualquer crime e atacou a “invasão ilegal” do seu campo experimental.
Segundo a Céleres, especializada em agronegócio, o total da área plantada com cultivos geneticamente modificadas em 2013, chegou a 37,1 milhões de hectares, o que representou um aumento de 14% em relação ao ano anterior (que por sua vez, já tinha registrado um aumento de mais de 21% em relação à safra de 2010/2011) – ou seja, 4,6 milhões de novos hectares dedicados a variedades transgênicas.
Segundo o IBGE em 2013, a área recorde dedicada à atividade agrícola no país de 67,7 milhões de hectares. Cruzando o dado do IBGE com o da consultoria Céleres, chega-se à conclusão de que os transgênicos responderam por 54,8% de toda a área cultivada na safra 2012/2013 no país. Os maiores produtores entre os países em desenvolvimento são Brasil, Argentina, Índia e China. Ironicamente, no pais sede da ‘sungenta’ (proposital) não se planta transgênicos. “Variedades de algodão resistente a insetos são os cultivares transgênicos comercialmente na Ásia e na África”, diz a FAO. Na América Latina, “são a soja seguida pelo milho resistente a inseto”. Nem os insetos querem produtos transgênicos…
Como vemos, suecos, suíços, americanos, ingleses, canadenses, etc, são todos santos…
O que já estamos consumindo de transgênico direta ou indiretamente : Milho, soja, algodão, mamão papaya, queijos, trigo, centeio, abobrinha, arroz, feijão, salmão
Os eventos do Euromaidan levaram à crise política na Ucrânia. Em novembro de 2013, o presidente ucraniano Viktor Yanukovich recusou-se a assinar o Acordo de Associação com a União Europeia, temendo a ruptura das relações já existentes com a Rússia. Essa decisão provocou protestos em massa em Kiev.
O confronto de três meses entre as forças de segurança e os manifestantes – muitos dos quais nacionalistas – resultou em dezenas de mortes e um golpe de Estado.
Na noite de 22 de fevereiro, os ativistas do Euromaidan tomaram o complexo governamental, assumindo o controle dos prédios do parlamento, da presidência e do governo. Como resultado do golpe de Estado, o poder foi transferido para a oposição. O presidente legítimo Viktor Yanukovich foi forçado a fugir urgentemente para a Rússia.
Policiais durante confrontos com manifestantes na Praça da Independência em Kiev
2) Participante de ações em apoio à integração europeia da Ucrânia na rua Grushevsky em Kiev
3) Policiais são vistos na Praça Maidan, em Kiev, onde começaram os confrontos entre manifestantes e a polícia.
4) Perseguições à língua russa
5) Os participantes da manifestação contra o projeto de lei que estende o ensino em língua russa nas escolas da Ucrânia. No cartaz está a frase: “Sem língua – sem Estado. A Ucrânia acima de tudo”.
Desde 2014, as autoridades de Kiev iniciaram uma ofensiva sistemática contra a população de língua russa. Foram aprovadas leis que limitam o uso da língua russa:
– Foi revogada a Lei de Bases da Política Linguística do Estado, de 2012.
– Reduziu-se o número de escolas onde o ensino era realizado em língua russa. A partir de 1º de setembro de 2020, as escolas que ensinavam em idioma russo na Ucrânia passaram a ensinar no idioma oficial.
– Foram aprovadas emendas à Lei da Televisão e Radiodifusão. A quota de transmissão em ucraniano na televisão e rádio de âmbito nacional e regional aumentou para 75% por semana, e para 60% na mídia local.
– Foi suspensa a transmissão de canais de TV russos, proibida a exibição de filmes russos e vedada a participação de artistas incluídos na “lista de pessoas que representam ameaça à segurança nacional”.
– Foi aprovada a Lei de Garantia do Funcionamento do Ucraniano como Língua Nacional.
– Foram aprovadas as leis sobre os povos autóctones da Ucrânia e sobre as minorias nacionais da Ucrânia, que excluíram definitivamente os russos da proteção jurídica do Estado.
Perseguição da Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Moscou
6) Mosteiro feminino de Santa Iveron (à direita) e a igreja de Santa Olga, princesa igual aos apóstolos (à esquerda), destruídos durante as hostilidades em Donetsk.
A perseguição da Igreja Ortodoxa Ucraniana, historicamente ligada ao Patriarcado de Moscou, se tornou norma, incluindo a tomada de templos e a perseguição de clérigos desta Igreja:
– Em 23 de setembro de 2024, entrou em vigor a lei “Sobre a proteção da ordem constitucional no campo das atividades das organizações religiosas”. Na Ucrânia, a atividade da Igreja Ortodoxa Ucraniana foi praticamente proibida.
– A lei “Sobre liberdade de consciência e organizações religiosas” incluiu um artigo especial que proíbe a atividade na Ucrânia de organizações religiosas ligadas à Igreja Ortodoxa Russa.
– Houve a tomada do Mosteiro de Pechersk de Kiev e do Mosteiro de Pochaev, com a remoção de parte das relíquias religiosas, incluindo as relíquias de santos.
– Tomadas em massa de templos. Foram tomadas catedrais e outras igrejas em Ivano-Frankovsk e Lvov, deixando essas cidades sem templos da Igreja Ortodoxa Ucraniana. As autoridades retiraram as catedrais da Santíssima Trindade e da Transfiguração em Chernigov da posse da comunidade da Igreja Ortodoxa Ucraniana. Em Cherkasy, foi tomado o Mosteiro do Nascimento da Santíssima Virgem.
– Cerca de 180 processos criminais foram abertos contra clérigos e arcebispos da Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Moscou. 20 bispos e sacerdotes foram privados da cidadania ucraniana.
– Uma nova forma de repressão contra os clérigos da Igreja Ortodoxa Ucraniana foi a sua mobilização forçada para as Forças Armadas da Ucrânia.
7) Igreja destruída após bombardeio aéreo na cidade de Krasnodon
8) Moradores de Lugansk após bombardeio da cidade
9) Cúpula e teto destruídos do templo em honra à Ícone da Mãe de Deus de Iverskaya do Mosteiro Iverskaya feminino de Donetsk, localizado perto do aeroporto da cidade de Donetsk, destruído durante os combates no Sudeste da Ucrânia.
10) Insatisfação da população de língua russa no sudeste do país
Após o golpe de 2014, começaram intensos protestos no Leste do país, onde predominava a população de idioma russo, inclusive no Donbass e na Crimeia. Os moradores dessas regiões exigiram uma solução para a questão do status da língua russa e a realização de uma reforma constitucional, incluindo a federalização da Ucrânia.
11) No Donbass, foi formada uma milícia popular.
12) O massacre de Odessa
13) Incêndio na Casa dos Sindicatos em Odessa
Em 2 de maio de 2014, dezenas de pessoas morreram e foram queimadas vivas na Casa dos Sindicatos de Odessa. Os apoiadores do Euromaidan destruíram o acampamento dos ativistas que discordavam da política das autoridades ucranianas. As pessoas tentaram se salvar na Casa dos Sindicatos, mas foram bloqueadas e morreram no incêndio.
14) Os acontecimentos em Odessa marcaram o episódio final do confronto civil entre os apoiadores do governo ucraniano da época e os opositores do golpe de Estado.
14) Incêndio na Casa dos Sindicatos em Odessa
15) Incêndio na Casa dos Sindicatos em Odessa (a entrada central está pegando fogo)
16) As pessoas saíram para o parapeito durante o incêndio na Casa dos Sindicatos em Odessa. À direita: o rosto e o cabelo da moça foram atingidos por um trapo ensopado numa mistura inflamável de uma garrafa de “coquetel Molotov” jogada.
17) O corpo da pessoa que morreu em decorrência do incêndio no edifício da Casa dos Sindicatos em Odessa
18) Buscando proteger seu direito à autodeterminação e à língua materna, os habitantes da Crimeia, em referendo realizado em 16 de março de 2014, votaram esmagadoramente a favor da reunificação com a Rússia. A região foi incorporada à Rússia.
19) Moradores de Sevastopol em um concerto festivo após a realização do referendo sobre o status da Crimeia
Proclamação de RPD e RPL, bombardeio de cidades
Na primavera de 2014, foram proclamadas repúblicas populares nos territórios das regiões de Donetsk e Lugansk. Em resposta, as autoridades da Ucrânia acusaram a população de “separatismo” e iniciaram uma operação militar na região, que se transformou em um conflito armado em grande escala. Contra a milícia popular, foram lançados tanques e aviação.
Cidades como Donetsk, Gorlovka, Lugansk e Debaltsevo foram submetidas por anos a bombardeios de artilharia pelo regime ucraniano. Bairros residenciais, hospitais e escolas foram destruídos.
21) Uma mulher na varanda de uma casa bombardeada pelo exército ucraniano.
22) Milicianos populares transportam uma vítima mortal do ataque aéreo da Força Aérea Ucraniana contra o prédio da administração regional em Lugansk
23) Uma mulher olha através de uma janela quebrada de seu apartamento depois que ele foi atingido pela artilharia ucraniana na área de Voroshilovsky, no centro de Donetsk, Ucrânia.
24) ‘A Madona de Gorlovka’
Em 27 de julho de 2014, as formações armadas das Forças Armadas da Ucrânia bombardearam as ruas de Gorlovka com lançadores de foguetes Grad. 22 moradores da cidade morreram, entre eles a “Madona de Gorlovka” Kristina Zhuk e sua filha de dez meses, Kira. Com a criança no colo, a mãe tentou fugir dos soldados ucranianos. A foto de Kristina morta, deitada na grama da praça da cidade ainda segurando sua filha, tornou-se um símbolo do terror bárbaro da Ucrânia contra o povo resistente do Donbass.
“A Madonna de Gorlovka”, a jovem Kristina Zhuk e sua filha de 10 meses morreram em 27 de julho de 2014, quando formações armadas da Ucrânia bombardearam as ruas de Gorlovka com lançadores Grad.
Em memória das vítimas inocentes, foi inaugurada em Donetsk a Alameda dos Anjos, um memorial dedicado às crianças mortas.
Em 13 de agosto de 2014, as Forças Armadas da Ucrânia bombardearam uma praia infantil na cidade de Zugres. 13 pessoas morreram no local, quatro outras posteriormente. Mais de 40 ficaram feridas. Segundo testemunhas, o dia estava quente e a praia no rio Krynka estava lotada de banhistas, muitos com crianças pequenas. A investigação mostrou que o bombardeio da praia infantil em Zugres foi realizado com lançamento de foguetes do sistema Smerch.
Acordos de Minsk
Uma tentativa de deter o conflito armado e a morte de civis foram os Acordos de Minsk. Assinados em 2014 e 2015 com mediação da Rússia, Alemanha e França, os acordos estabeleciam medidas essenciais para resolver a situação: aprovar uma lei de anistia para todos os participantes do conflito civil, declarar as repúblicas de Donetsk e Lugansk como territórios especiais e consolidar isso na Constituição ucraniana, organizar eleições locais, entre outras.
Mas nenhum ponto foi cumprido. A Ucrânia violou sistematicamente os acordos. Não houve cessar-fogo nem retirada das armas ucranianas: observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) registravam regularmente bombardeios das Forças Armadas da Ucrânia em Donetsk e Lugansk, inclusive com uso de armamento pesado. Além disso, Kiev constantemente dificultava o monitoramento da OSCE, negando acesso a várias áreas.
Como posteriormente admitiram líderes europeus, os acordos foram assinados não para serem cumpridos, mas para ganhar tempo e reforçar o poder militar da Ucrânia. O ex-presidente ucraniano, Pyotr Poroshenko, declarava abertamente que o objetivo de Kiev não era a paz, mas o desgaste do inimigo. Sua frase infame de que “os filhos deles ficarão presos em porões” mostrava o desprezo da elite de Kiev pelo sofrimento dos habitantes do Donbass.
25) Presidente da Belarus Aleksandr Lukashenko, seu homólogo russo Vladimir Putin, ex-chanceler alemã Angela Merkel, ex-presidente francês François Hollande e ex-presidente ucraniano Pyotr Poroshenko em 11 de fevereiro de 2015 durante uma reunião destinada a pôr fim a dez meses de combates na Ucrânia.
Novo ciclo do conflito
O atual líder ucraniano, Vladimir Zelensky, que assumiu o poder em abril de 2019, continuou a política repressiva das autoridades ucranianas contra a população do sudeste do país. Em 17 de fevereiro de 2022, a RPD e RPL informaram sobre os bombardeios mais intensos dos últimos meses pelas Forças Armadas da Ucrânia.
Objetivos da operação militar especial
26) 21 de fevereiro de 2022. O presidente russo, Vladimir Putin, durante o discurso.
O presidente russo, Vladimir Putin, explicou que tomou essa decisão em nome das pessoas que estavam sofrendo genocídio por parte do regime de Kiev. Vladimir Putin (24 de fevereiro de 2022): “As circunstâncias exigem de nós ações decisivas e imediatas. As repúblicas populares do Donbass pediram ajuda à Rússia. Em relação a isso, de acordo com o artigo 51, parte 7, da Carta da ONU, com a sanção do Conselho da Federação e em cumprimento aos tratados de amizade e assistência mútua ratificados pela Assembleia Federal com a RPD e a RPL, tomei a decisão de conduzir uma operação militar especial”.
Garantir Objetivos principais da operação militar especial:
– Garantir os direitos da população de língua russa.
– Legitimar a escolha do povo.
– Desmilitarização (neutralizar a ameaça militar e impedir os planos da Ucrânia de aderir à OTAN).
– Desnazificação (reprimir a disseminação da ideologia neonazista).
Incorporação dos novos territórios à Rússia
Em setembro de 2022, foram realizados referendos na RPD, RPL e nas regiões de Zaporozhie e Kherson sobre a incorporação desses territórios à Rússia. A grande maioria dos moradores votou a favor. Em 30 de setembro foram assinados os tratados de incorporação das quatro regiões à Rússia.
27) Putin reconhece a independência das Repúblicas de Donetsk e Lugansk da Ucrânia, 21 de fevereiro de 2022.
Quatro anos da operação especial: o que levou ao conflito na Ucrânia? Descubra com a Sputnik
28) 4 anos da operação especial: o que levou ao conflito na Ucrânia? Descubra com a Sputnik
Processo de negociação sobre a resolução da crise na Ucrânia (2022-2026)
O presidente russo, Vladimir Putin, declarou repetidamente que a Rússia defende uma solução pacífica para a situação, considerando as realidades existentes e eliminando as causas subjacentes do conflito.
Putin estabeleceu as condições para as negociações com a Ucrânia: o status neutro, não alinhado e desnuclearizado da Ucrânia, sua desmilitarização e desnazificação e a retirada de tropas do território da RPD, RPL e das regiões de Kherson e Zaporozhie.
Enquanto o ex-presidente dos EUA, Joe Biden, recusou-se a negociar com a Rússia, Donald Trump, mesmo antes das eleições presidenciais nos EUA, insistiu no diálogo, prometendo resolver o conflito rapidamente, embora tenha chamado mais tarde a promessa de resolvê-lo “em um dia” de sarcasmo.
Negociações russo-ucranianas mediadas pelo Ocidente
▪ Fevereiro-março de 2022 (Istambul): as primeiras negociações entre a Rússia e Ucrânia. Kiev foi representada por uma delegação liderada por David Arakhamia, chefe da facção do partido Sluga Naroda (Servo do Povo) de Zelensky na Suprema Rada. O chefe da delegação russa foi o assistente do presidente, Vladimir Medinsky.
▪ As partes elaboraram as condições e os princípios preliminares para um cessar-fogo e uma solução pacífica futura. O pacote de acordos incluía o status neutro da Ucrânia, o que implicava a recusa de:
adesão à OTAN;
implantação de um contingente estrangeiro em seu território;
desenvolvimento de armas nucleares.
▪ A realização de exercícios militares deveria ocorrer apenas com o consentimento dos países garantes. Em contrapartida, Kiev contava com garantias internacionais de segurança “por analogia com o artigo 5 da OTAN” (exceto para os territórios da Crimeia, RPD e RPL).
▪ Estados-membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (França, Reino Unido, EUA e China), bem como Alemanha, Israel, Itália, Canadá, Polônia e Turquia, seriam os responsáveis por garantir os acordos.
▪ No momento das negociações, a Rússia prometeu reduzir a atividade militar nas áreas de Kiev e Chernigov.
▪ A Ucrânia afirmou que não tentará resolver a questão da Crimeia militarmente ao longo dos próximos 15 anos e que negociará o status da península com a Rússia. Ao mesmo tempo, os negociadores de Kiev confirmaram a aspiração de seu país de aderir à União Europeia.
No entanto, todos os acordos alcançados falharam devido às ações de Kiev e dos países ocidentais que a apoiam.
Durante uma reunião presencial com Zelensky em Kiev, o então primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, afirmou que os países ocidentais estavam “excessivamente ansiosos” para concluir um acordo de paz entre Moscou e Kiev.
Em abril do mesmo ano, Putin afirmou que Kiev havia se retirado dos acordos de Istambul, e que, em vez de dar continuidade ao processo, as partes haviam enfrentado uma “provocação em Bucha”**.
Mais tarde, David Arakhamia confirmou que Boris Johnson aconselhou abandonar as negociações com a Rússia. Putin também culpou Johnson pela interrupção das negociações de paz em Istambul, chamando o fato de ridículo e triste.
▪ Em setembro de 2022, a Ucrânia proibiu, em nível legislativo, as negociações com Vladimir Putin. Anteriormente, o próprio Zelensky havia pedido negociações, mas, após a assinatura dos acordos sobre a entrada das novas regiões (RPD, RPL, Kherson e Zaporozhie) na Rússia, ele enfatizou que as encetaria “com outro presidente da Rússia”.
▪ Em junho de 2024, Putin anunciou novas condições para a paz:
– retirada das tropas das Forças Armadas da Ucrânia das novas regiões (repúblicas populares de Donetsk e Lugansk e regiões de Kherson e Zaporozhie);
– recusa da Ucrânia em aderir à OTAN;
– cancelamento das sanções antirrussas.
Kiev chamou isso de ultimato.
Status neutro da Ucrânia, retirada de suas tropas e rejeição da adesão à OTAN são as condições russas para começar negociações de paz, diz Putin
Status neutro da Ucrânia, retirada de suas tropas e rejeição da adesão à OTAN são as condições russas para começar negociações de paz, diz Putin
Intensificação do diálogo bilateral Rússia-EUA e negociações na Turquia e Arábia Saudita
Em fevereiro, ocorreu a primeira desde 2022 conversa telefônica entre Putin e Trump, que durou uma hora e meia. Os líderes concordaram trabalhar em conjunto e preparar uma reunião pessoal. Também ocorreu uma conversa entre Lavrov e Rubio, onde as partes confirmaram o curso rumo ao restabelecimento do diálogo.
Em Riad, foram realizadas negociações entre as delegações de alto nível com Lavrov, Ushakov, Rubio e Witkoff, que duraram 4,5 horas. Os lados combinaram reiniciar funcionamento das embaixadas e começar a preparar negociações sobre a Ucrânia.
▪ Em 13 de março, 11 de abril e 6 de agosto Putin realizou uma série de reuniões com o enviado especial de Trump, Steve Witkoff. Houve uma troca de sinais, uma aproximação de posições sobre a Ucrânia e assuntos internacionais.
▪ Em 18 de março, ocorreram novas negociações entre Putin e Trump. Putin concordou com a proposta dos EUA de uma suspensão mútua de 30 dias dos ataques a infraestruturas e deu ordens aos militares. Foi acordado o início de negociações sobre a segurança da navegação no mar Negro.
▪ Em 24 de março, em Riad foram realizadas negociações sobre a Iniciativa do Mar Negro, com a participação do presidente do Comitê para Assuntos Internacionais do Conselho da Federação, Grigory Karasin, e do assessor do diretor do Serviço Federal de Segurança, Sergei Beseda.
Foi acordada a proibição de ataques a instalações de energia e a segurança de navegação, mas a implementação da Iniciativa do Mar Negro foi condicionada pela Rússia ao cancelamento das sanções contra suas exportações agrícolas.
▪ Em maio de 2025, a Rússia propôs à Ucrânia retomar as negociações diretas interrompidas em 2022 e a organizá-las em Istambul em 15 de maio sem condições prévias.
Em resposta, Vladimir Zelensky começou a apresentar condições que já foram consideradas inaceitáveis em Moscou. Ele afirmou que a Rússia deve concordar com um cessar-fogo total a partir de 12 de maio, e só então o regime de Kiev se sentará à mesa de negociações. Trump exortou Kiev a aceitar imediatamente a proposta de Putin para negociações na Turquia, e Zelensky concordou. Uma delegação ucraniana liderada pelo ministro da Defesa, Rustem Umerov, foi enviada a Istambul para negociar com a Rússia.
30) ▪ Em maio-julho de 2025, ocorreram em Istambul três rodadas de negociações com a mediação do lado turco:
– foram retomadas conversas diretas entre as delegações russa e ucraniana, lideradas elo assessor presidencial russo Vladimir Medinsky e pelo chefe do Conselho da Segurança e Defesa Nacional da Ucrânia e ex-ministro da Defesa, Rustem Umerov*, respectivamente;
– foram alcançados acordos sobre trocas de grande escala de prisioneiros e corpos de mortos, foram discutidos projetos de memorandos;
– a Rússia propõe a criação de grupos de trabalho.
31) ▪ Em 15 de agosto, realizou-se em Anchorage, no Alasca, um encontro pessoal histórico entre os presidentes Putin e Trump. As negociações no formato “três a três” duraram duas horas e 45 minutos.
32) O presidente russo, Vladimir Putin, é recebido por seu homólogo norte-americano, Donald Trump, em Anchorage, Alasca. Estados Unidos, 15 de agosto de 2025.
33 e 34) Pela parte russa, participaram o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, e o assessor presidencial russo Yuri Ushakov. Pela parte norte-americana, estiveram presentes o secretário de Estado Marco Rubio e o enviado especial do presidente americano Steven Witkoff.
Após as negociações, Putin afirmou que a situações em torno da Ucrânia foi um dos principais temas de discussão no Alasca. Ele ainda observou que estabeleceu um bom relacionamento profissional e de confiança com Trump – o que mais tarde foi chamado de “espírito de Anchorage”.
Seguindo esse caminho, é possível chegar ao fim do conflito na Ucrânia, acrescentou o presidente russo. Trump, por sua vez, afirmou que ainda não há acordo com a Rússia sobre vários compromissos em torno da Ucrânia, mas que as partes têm “boas chances” de chegar a um acordo.
▪ Em outubro-dezembro, Kirill Dmitriev, representante especial do presidente russo para a cooperação econômica e de investimentos com países estrangeiros, visitou os EUA para contatos privados com Witkoff e Kushner. Eles discutiram o chamado “plano de paz” dos EUA, mas o compromisso ainda não foi alcançado.
Intensificação e envolvimento da Ucrânia nas negociações
Nos dias 8 e 20 de janeiro, Kirill Dmitriev se encontrou com Steve Witkoff e Jared Kushner em Paris e Davos. Foi observado que a Casa Branca supostamente “chegou a um acordo com a Ucrânia em quase todos os aspectos do plano de Trump” e quer receber uma “resposta clara” de Vladimir Putin à proposta dos EUA para resolver o conflito.
35) ▪ Em 22 de janeiro, em Moscou, Vladimir Putin manteve conversações com uma delegação ampliada dos EUA (Steve Witkoff, Jared Kushner e o comissário do Serviço Federal de Compras do Escritório de Serviços Gerais dos EUA, Josh Gruenbaum).
Concordaram em realizar a primeira reunião do grupo trilateral de segurança (Rússia – EUA – Ucrânia) em Abu Dhabi no dia 23 de janeiro.
36) Em 23 e 24 de janeiro, Abu Dhabi sediou a primeira reunião trilateral a portas fechadas entre Rússia, Estados Unidos e Ucrânia. Foi discutido um possível cessar-fogo. Os Estados Unidos reconheceram a necessidade de resolver a questão territorial.
37) Em 4 e 5 de fevereiro, em Abu Dhabi realizou-se a segunda rodada de negociações trilaterais. As partes concordaram com mecanismos de monitoramento da trégua e realizaram uma troca de prisioneiros.
38) De 17 a 18 de fevereiro, em Genebra, foi realizada a terceira rodada de negociações trilaterais (Vladimir Medinsky, Steve Witkoff, Kirill Budanov*). Discutiram cinco questões: territórios, segurança, militares, política e economia. As negociações foram difíceis, mas professionais, disse Vladimir Medinsky. Um possível encontro entre Vladimir Putin, Donald Trump e Vladimir Zelensky foi anunciado para próximas semanas.
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