*Pelo Fim das linhas Burguesas Divisórias…

Destruindo As Barreiras e as Linhas Divisórias, Acaba-se com o Movimento Migratório: Pelo Fim do Regime Burguês de Produção e Dominação

*O movimento Migratório Atual – por villorblue

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algum tempo atrás, fui a uma exposição de fotografias no MON, do foto/jornalista Sebastião Salgado, fiquei pensando sobre o processo migratório e suas causas, desde 1993 Salgado vem fotografando o movimento migratório de seres humanos em todo planeta. Inteirei – me (surpreso), que quase cento e cinqüenta milhões de pessoas sofrem deste processo migratório atualmente e vivem fora de seus locais de origem, numero altíssimo se levarmos em consideração o aumento da população mundial atual que paira em torno de cem milhões de seres humanos anualmente. O aumento é ainda mais assustador, cerca de dez milhões de pessoas engrossam este cordão todos os anos, mantendo estas proporções, daqui a dez anos esta enorme fila migratória terá duzentos e cinqüenta milhões de pessoas, em 1985 eram trinta milhões. Partindo desta analise, Salgado andou por 45 países, durante 7 anos, 45 países é quase um quarto do numero total de nações, se levarmos em consideração os 202 países existente, (dados de 2002, de acordo com a Wikipédia), o que da ao seu trabalho uma importância impar.
Os primeiros povos a migrarem para as Américas (por volta de 48 a 60 mil anos) emigraram da Ásia, provavelmente atravessando o estreito de Bering, alguns teóricos pensam também, que povos oriundos da Polinésia, Malásia e Austrália atingiram a America do sul navegando através do Oceano Pacífico, esta seria outra corrente.
Próximo ao ano de 1500 habitavam o Brasil entre 5 a 6 milhões de nativos, (destes , sobreviveram em péssimas condições de vida e com suas culturas em frangalhos, aproximadamente 200 mil pessoas), poderíamos discorrer ainda mais sobre muitas situações historicamente conhecidas, mais isto não vem bem ao caso, o que eu gostaria de evidenciar seriam as “causas de repulsão e de atração” que evidenciam alguns destes movimentos migratórios em alguma regiões.
Partindo das três causas que a meu ver são as mais importantes, “perseguições político/regionais, econômicas e de natureza climática”, sigo minha linha de pensamento e procurarei me concentrar na atualidade, sendo que posso retornar a historia para ilustrar ou reforçar algum raciocínio.
Segundo o ACNUR (Auto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), a maioria dos refugiados internacionais migra em busca de empregos, ou melhores empregos e melhores salários, após isso vem ás causas de guerras, perseguições étnicas e religiosas, – não nesta ordem obrigatoriamente -, este movimento objetiva principalmente ao EUA e a Europa ocidental e se originam a partir da África, America do Sul e regiões sul e sudeste da Ásia, como podemos constatar, das nações mais pobres do planeta.
Se as causas principais de repulsão da migração atualmente são as acima citadas, poderemos pensar um pouco mais sobre as causas de atração.
Esta analogia é bem simples, mais a partir dela entraremos em uma noção maior. Tenho um trabalho atualmente, ganho muito pouco, na cidade vizinha tem varias empresas com muitos empregos e remuneração maior, a cidade tem uma qualidade de vida melhor. O que eu faço? Fico? Migro? Ai esta a duvida.
Para sobreviver mais confortavelmente, o sistema capitalista teorizou e generalizou. Nas regiões em que ele retira matérias primas para manter seu parque industrial manufatureiro, os salários são vergonhosos, em regiões onde estão implantados os parques industriais os salários são menos vergonhosos e onde estão alojados os executivos, as gerencias, diretorias, etc., os salários são bem melhores. O leitor quer um exemplo? A Adidas abriu uma fabrica na Ásia, mão de obra barata e matéria prima quase de graça, os executivos continuam no EUA com seus salários fabulosos, é assim com todas as transnacionais, carros, cigarros, alimentos, eletrônicos, informática, roupa, etc, etc…Um exemplo mais fácil de confirmar por estar mais próximo, a Cba, (companhia brasileira de alumínio) do grupo Votorantim, comprou a troco de bananas uma vasta extensão de terras na região do Vale do Ribeira (a região com o menor IDH do estado de São Paulo), na divisa entre Paraná e São Paulo, Brasil.
Porque comprou a preço de banana? Primeiro a região sofreu todo um processo de empobrecimento regional ao longo dos últimos anos, fatos divulgados na mídia, falta de investimentos sociais, inexistência de investimentos em infra- estrutura para escoamento da produção agrícola, criação de empregos, etc. A região em evidencia ficou abandonada por um longo tempo, noticiou-se que a Cba (Cia Brasileira de Alumínio) iria construir uma represa (Usina do Alto Tijuco) no rio Ribeira do Iguape, esta represa iria alagar uma vasta área e “ai daquele que teimasse em viver nas regiões abaixo”, na cidade vizinha, Apiaí em São Paulo, tem uma grande mineradora de Cimento, (matéria prima), em outro município limítrofe Adrianópolis no Paraná, tem uma mina (meio desativada..?) de chumbo, prata e ouro (matéria prima), dizem os moradores da região, mais esclarecidos e antigos, que as serras que serpenteiam a região são ricas em ferro, alumínio, prata, urânio e outros. Estas terras atualmente pertencem a Cba, a maioria foi comprada a um preço muito baixo, como a região há muito tempo esta sem investimentos nas áreas sociais, a população em geral, (os pequenos proprietários de terra, etc), venderam ou abandonaram as terras, indo engrossar as periferias das grandes cidades em busca de trabalho. Este exemplo, simplório, por estar mais próximo, faz com que entendamos melhor a situação global.
Nos últimos anos no Brasil, vemos constantemente migrantes morando clandestinamente nas grandes cidades. Quem são estes migrantes? Geralmente oriundos da África, Ásia e America do Sul e geralmente se movimentam por causas econômicas. Quanto ao movimento nacional, sempre tivemos uma grande movimentação da região nordeste e norte do Brasil rumo a região Sudeste/Sul, como a situação de empregos em São Paulo e Rio de Janeiro esta saturada atualmente, se detecta movimentos do Nordeste em direção a alguns estados do Norte (Tocantins, Pará, etc) originados do Piauí, Maranhão, e outros. E na região Sudeste nota-se também o contrario de anos anteriores, habitantes de origens nordestinas estão migrando ou retornando para sua região de origem.
Retornando aos movimentos internacionais, vamos citar um país de origem, poderia citar a China, qualquer região da África, Coréia, qualquer um, especificando citarei apenas a Bolívia. Temos visto constantemente na mídia principalmente em São Paulo, historias de bolivianos que migram e se vem envolvidos em algum problema, geralmente são vitimas de aproveitadores, que lhes tiram o pouco dinheiro que ganham, prometem rios e fundos e não cumprem o que prometem, estes irmãos trabalhadores, que arriscam tudo para conseguir um lugar ao sol, vivem escondidos, trabalham até 20 horas por dia para ter algum lucro, numa clássica relação corroída entre capital e trabalho, isto é, semi escravidão. Este é apenas um exemplo brasileiro, (isto é, falando apenas dos movimentos dentro do território brasileiro. No geral este tipo de problema é igual –só ampliando ou diminuindo suas proporções/micro ou macro- em todas as regiões do planeta onde existe a recepção de migrantes, veja o caso do Japão e seus migrantes brasileiros, “os decasséguis”, eles são vigiados quando entram em supermercados, lojas, etc.), talvez por ignorância e um perfeito desconhecimento da situação destes trabalhadores, olham estes migrantes como se fossem os grandes (ou parte) responsáveis pela péssima situação ou problemas em que vivem, ou por todos os problemas gerados na região onde moram e por serem geralmente pobres, são vistos abaixo da linha do preconceito, desprezados e se não bastasse a falta de benefícios e os baixos salários a que são submetidos em seus trabalhos semi escravos.
COMO O TRABALHADOR DE UMA NAÇÃO POBRE, VÊ UMA NAÇÃO RICA E IMPERIALISTA…
Esta visão serve para quaisquer países em qualquer continente, para facilitar o entendimento exemplificaremos o Brasil como receptor do movimento.
Como um paraguaio, peruano, boliviano, etc, vê o Brasil lá fora? Geralmente sendo este trabalhador um pouco mais consciente, pensa de primeira, é um pais rico e imperialista. Espera lá. Imperialista? Com certeza, desde há muito tempo. Lembram do tratado de Tordesilhas? E da guerra do Paraguai? E a situação do Acre? E do estado de Santa Catarina? A mudança destas divisas e ganho de território foram simples manobras imperialistas, tenho em consciência que toda nação receptora de movimentos migratórios são diretamente responsável pelas regiões pobres do planeta.
Se existe regiões empobrecidas, os mais ricos exploram suas matérias primas como um aspirador de pó absorve a poeira de um tapete. Só os países mais ricos têm parques industriais para transformar esta matéria prima em objetos comerciáveis, apenas eles possuem também saída para estes produtos através das câmaras mundiais, sendo assim impõe a estas matérias prima o preço que querem, relegando aos mais pobres apenas o trabalho e o (in) conformismo.
O Brasil é visto pelo proletário da America Latina, África, sul e sudeste da Ásia, como um país rico e imperialista (não me refiro a população extremamente pobre e as suas tristes realidades), a historia e os dados estão aí para atestar este imperialismo e os índices confirmam que o pais (não a população) não é pobre (PIB, reservas internas e internacionais, arrecadação de impostos, etc.), miserável somos nós, sua massa explorada, esta miséria geralmente não é mostrado no exterior, infelizmente a propaganda internacional mostra apenas mulheres de biquíni, corpos torrados ao sol, como se o Brasil fosse apenas uma grande nação de fornicadores e lascivos.
Como entrar no Brasil é mais fácil do que entrar em países da Europa ocidental e EUA, o Brasil seria uma das opções para se trabalhar e ganhar dinheiro, por três motivos maiores, em parte por se falar o português, o brasileiro aceita razoavelmente o migrante, temos muitas empresas (micro, pequenas, e medias) que admitem estrangeiros sem constrangimentos, incluindo neste aceite os clandestinos, estas facilidades agem como um farol sobre os mais pobres de outros países, norteando e obcecando.
Na idade media o tema dos bárbaros colonizadores, era “não existe pecado ao sul do equador”, isso prevalece como se fosse um arquétipo maldito (este lema foi um dos grandes responsável pelo extermínio da nação indígena brasileira).
Voltando um pouco, se exige pouco das empresas que exploram matéria prima nas áreas das, relações do trabalho, ecologia e sociais, as matérias primas geralmente são vendidas na sua forma pura para outros países (a não ser em países do primeiro mundo onde geralmente são beneficiadas e manufaturadas no local de extração, ver o vale do silício na Califórnia-EUA), deveriam ser beneficiadas em seus locais de extração, se assim ocorresse, seriam gerados um grande numero de empregos nos países do terceiro mundo, contribuindo para o aumento do IDH nestas regiões e segurando os trabalhadores em suas regiões de origem, reduzindo em muito o movimento migratório.
ALGUMAS CONSEQUÊNCIAS SOBRE O TRABALHO DE MIGRANTES ILEGAIS..
Local: Japão, qualquer estado ou cidade, alguns decasséguis moram num prédio de apartamentos simples, dividem um quarto/cozinha, trabalham para um empreiteiro que não conhecem bem o nome, não tem carteira assinada, não tem benefícios, não tem convenio medico, não tem décimo terceiro, apenas saem de férias quando ocasionam férias coletivas na empresa, 15 ou 20 minutos de almoço, não podem financiar imóvel, carro, ou quaisquer bens duráveis, compram somente a vista, não podem se envolver em acidentes de transito. Como vemos, não difere muito de trabalhadores estrangeiros que moram e trabalham no Brasil, ilustrei este constatado, apenas para mostrar que as contradições entre o capital e o trabalho são comuns em qualquer lugar do planeta, apenas minimizado em algumas regiões, este exemplo poderia acontecer nos EUA, Alemanha, França, ou qualquer outro país, o capital abre e fecha filiais em qualquer parte do mundo, não se importa com o ser humano, ele migra ao bel prazer. Para abrir uma fabrica no Brasil e oferecer 750 empregos diretos, uma indústria automobilística francesa fechou uma fabrica na Bélgica onde mantinha 7500 postos de trabalho diretos (Para onde foram estes trabalhadores demitidos?), isso é apenas um exemplo entre milhares. O sistema só não consegue mudar os locais de exploração das matérias primas.
CONCLUSÃO
Gostaria ao concluir, explanar algumas idéias para tentarmos, senão sanar definitivamente (não acredito que nos parâmetros do sistema capitalista estes conflitos sejam solucionados definitivamente), ao menos amenizar o gravíssimo problema do movimento migratório, não é concebível, seres humanos trabalhando em condições subumanas em regimes escravagistas ou semi-escravagistas apenas porque vêem de uma região mais pobre, por pertencer a outras minorias, etc., na situação de foragidos ou banidos políticos, ou então por causa de cataclismos naturais, ou simplesmente por pertencer às áreas mais pobres do planeta, todos devemos ser respeitados dignamente. Se o sistema vigente não tem capacidade para solucionar esta e outras situações degradantes referente ao ser humano, que reconheça. Só assim a humanidade poderá debater e encontrar seu caminho. Para abrir a discussão, seleciono alguns tópicos para serem colocados em prática a curto e médio prazo, estes tópicos, apesar de gerarem um grande trabalho para sua concretização, são viáveis.

• Beneficiamento das matérias no local de origem de extração, ex. minério do ferro, alumínio, cobre, cal, cimento, madeira, grãos, subprodutos do petróleo, etc.
• Após serem beneficiadas estas matérias (não havendo condições de serem manufaturadas no local), as empresas compradoras por excelência devem exigir das vendedoras as, ISO’s 9000, 14000 e 18000, que regem sobre o controle das qualidades ambientais e das relações do trabalho.
• Um fundo internacional (teoricamente já existe) uma espécie de tributo cobrado de empresas transnacionais e destinados a educação e saúde em países do terceiro mundo, principalmente as regiões mais pobres do planeta, para que não houvesse desvios este fundo seria aplicado pela FAO e UNESCO, seria fiscalizado por ONGs, associações locais, organismos internacionais de auditoria, toda a comunidade envolvida, sindicatos, etc., quanto mais fiscalização mais eficiente sua distribuição.
• Uma reformulação dos salários nas regiões onde originam os disparos emigratórios, para que estas regiões se tornem atrativas para todos. As nações devem envolver-se neste processo, através de fóruns constantes e soluções diretas e praticas.
• O debate constante em fóruns, seminários, nas escolas, nas igrejas, dentro de secretarias e ministérios de governos, para solucionarmos definitivamente o problema dos preconceitos raciais, sociais, étnicos, sexo, etc. …

Com alguns destes tópicos alinhados, gostaria agora de prendê-lo um pouco mais nesta leitura e falar sobre alguns relatórios atuais de organismos com aos quais não tenho duvidas sobre exatidão e seriedade:
Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o aumento dos preços dos alimentos no mundo fez o numero de famintos aumentar em 40 milhões em 2008. a FAO divulgou na data de 09/12/2008 que a fome já atinge 963 milhões de pessoas. A FAO disse ainda que a crise mundial levara ainda mais pessoas a esta condição. Segundo a FAO, os problemas estruturais da fome, como falta de acesso à terra, ao credito, e ao emprego, combinados com o aumento dos preços dos alimentos permanecem como uma dura realidade para milhões de pessoas . A FAO relatou ainda que grande maioria destes famintos -907 milhões- vive nos países pobres. Destes, 590 milhões moram em sete países, são estes; Índia, China, Congo, Bangladesh, Indonésia, Paquistão e Etiópia, este mesmo relatório informa que na África Subsaariana, um terço da população -236 milhões- vive em estado de fome crônica. Sendo a maior proporção dentre os continentes. O Congo foi disparado o país Africano onde a fome mais se alastrou. A população de famintos passou de, 26 por cento em 2003/05 para 76 por cento em 2008. Na America Latina e Caribe, a fome atinge 51 milhões de pessoas atualmente.
Outro relatório desta vez emitido pela Comissão Econômica para a America Latina e o Caribe, ( Cepal ), informa que a crise do “sistema capitalista” (eles não usam sistema capitalista, usam crise financeira global), provocara um aumento no numero de pobres e indigentes na America Latina nos próximos anos, acirrando ainda mais os problemas que atravessamos.

Minha opinião para abertura de uma discussão sobre o tema “MOVIMENTO MIGRATÓRIO”.
Como em todas as crises da historia, quem sofre realmente são as massas oprimidas, pagando um alto preço pela dissolução dos problemas do sistema de exploração, nada mais sensato que, as massas tomem as rédeas para a condução de uma sociedade onde realmente a fraternidade e a solidariedade sejam focados como ponto central de todas as políticas. Não vejo outra solução.

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*Eles apenas pensavam e protestavam…foram assassinados – por villorblue

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43 crianças sequestradas e assassinadas no dia 27 de setembro de 2014… México e o extermínio sistemático dos povos autóctones nas AméricasIsso é uma herança do maldito psi e parece não ter fim…

O que aconteceu no México, após o 27 de setembro de 2014? As fotos em redes sociais, o vídeo na Internet, e acima de tudo, as experiências pessoais de boca transmissíveis, passeatas realizadas, intervenções artísticas e políticas em espaços públicos, greves em universidades e milhões de pessoas indignados com um evento que já passou as fronteiras nacionais. “Vivos foram levados, vivos nós queremos!”, “Não somos nós todos, faltando 43”, “Somos todos Ayotzinapa” “Você pode ser você, eles poderiam ser seus filhos” fazem parte dos slogans que gritavam nas últimas semanas, cansados de impunidade e vendo essa afronta à sociedade como os professores-alunos. É a consciência coletiva que ganhou uma batalha feroz contra o individualismo até então invicto. E é por isso que não é raro (quando você acessa os solidários do Facebook ou do Twitter) ver banners mexicanos em vários idiomas, mostrando fisionomia solidaria: “A sua luta é a nossa luta”, “Nous Sommes Tous Ayotzinapa” ” Demokratie em Mexiko ist ein Betrug “. A partir da eleição de 2012, Colima começou a cantar no mesmo tom que o resto do país, ou pelo menos uma parte da sociedade de Colima. A quarta-feira do lado de fora da catedral, na marcha organizada pelo CEU e por estudantes de filosofia, podemos ver unidos os zapatistas, as feministas de diferentes grupos, artistas, professores, sindicalistas, estudantes organizados e não organizados e uma série de pessoas difíceis de classificar. É Colima se opondo solidariamente ao silêncio indolente das elites.

Leia mais;…http://ceucolima.blogspot.com.br/

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*A Syngenta na guerra do Vietnã – por villorblue

Leia tambem: https://radioproletario.wordpress.com/2016/01/12/mosquitos-geneticamente-modificados-liberados-aos-milhoes-inclusive-no-brasil/

História e Sociedade (27)

A Syngenta é uma empresa transnacional do agronegócio com sede na Suíça. A empresa tem operações em mais de 90 países, e emprega mais de 19.500 pessoas. Em 2006, suas vendas foram de US$8,1 bilhões, tendo 80% de sua receita proveniente de agrotóxicos e 20% da produção de sementes. A Syngenta é a terceira maior empresa do setor de sementes no mundo.

A Syngenta resulta de mais de dois séculos de fusões de empresas européias do setor químico. Segundo Brian Tokar, o antecessor mais velho da Syngenta foi J.R. Geigy Ltd., que foi fundada na Suíça em 1758, e começou a produzir químicos industriais inclusive tintas, tinturas e outros produtos. A Geigy ficou famosa e rica quando descobriu a eficácia inseticida do Dicloro Difenil Tricloroetano (DDT, atualmente, produto este proibido em boa parte do planeta). A Syngenta também tem raízes na Industrial Chemical Industries (ICI), uma empresa de explosivos fundada na Grã Bretanha em 1926 por Alfred Nobel, o inventor da dinamite. A ICI abastecia as Forças Aliadas durante a Segunda Guerra Mundial com explosivos e químicos para uso como arma química. Em 1940, a ICI descobriu as propriedades seletivas do ácido alphanapthylacetic, e sintetizaram os herbicidas MCPA e 2,4-D. O herbicida, agente laranja como é conhecido popularmente, derivado do 2,4-d, posteriormente foi usado pelos militares dos estados unidos durante a guerra imperialista do Vietnã , a grande propaganda de guerra americana na época, dizia que o agente laranja era utilizado para desfolhar as arvores, porém na realidade era utilizado para desfolhar a carne dos norte-vietnamitas. Em 1970 a Geigy e a Ciba se fundiram para formar a Ciba-Geigy, uma grande empresa com operações em mais de 50 países. Em 1994 a ICI desmembrou seus setores de químicos farmacêuticos e agrotóxicos dando origem à Zeneca Group PLC. A Zeneca fundiu-se com a Astra AB da Suécia em 1998, criando a AstraZeneca. Em 1996, a Sandoz, uma outra empresa Suíça formada em 1876, fundiu-se com a Ciba-Geigy para formar a Novartis, a maior fusão empresarial na história daquela época. Em 2000, a Novartis fundiu-se com o setor do agronegócio da AstraZeneca, formando a Syngenta, o primeiro grupo global focado exclusivamente no agronegócio.

A biotecnologia é muito importante para a Syngenta. Entre 2001 e 2002, a Syngenta foi responsável pela maior contaminação genética da história, quando vendeu ilegalmente sementes transgênicas de milho BT10 aos agricultores nos Estados Unidos. Este milho transgênico entrou nos sistemas alimentares dos humanos e de animais. A Syngenta também é líder no desenvolvimento da “Tecnologia Terminator”, um processo de engenharia genética que torna sementes estéreis numa tentativa de forçar os agricultores a sempre comprarem suas sementes, em oposição à prática camponesa de selecionar, cuidar e compartilhar sementes livremente.

O Crime da Syngenta e a Ocupação

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A Ciba-Geigy começou suas operações no Brasil em 1971 e passou a ser demominada Syngenta em 2001. No início de março de 2006, a Terra de Direitos, uma organização localizada em Curitiba, que atua nas áreas de direitos humanos e meio ambiente, e trabalha com os movimentos sociais, denunciou ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais (IBAMA), que a Syngenta e doze outros produtores plantaram ilegalmente soja transgênica na zona de amortecimento do Parque Nacional do Iguaçu. Dado a suas ameaças à biodiversidade, por determinação da legislação federal brasileira, é proibido cultivar transgênicos na zona de amortecimento dos parques nacionais. Uma investigação feita pelo IBAMA confirmou que a Syngenta e os agricultores violaram a lei ambiental federal e multou a todos. A multa da Syngenta é de aproximadamente US$465,000. Enquanto todos os agricultores recorreram à multa, perderam e em seguida pagaram suas multas, a Syngenta tem se recusado a reconhecer qualquer crime, sendo a única que ainda não efetivou o pagamento.

Após a investigação do IBAMA ter confirmado a violação da lei federal pela Syngenta, a Via Campesina ocupou não violentamente o seu campo experimental. A Via Campesina e a Terra de Direitos defendem legalmente a ocupação com base num artigo constitucional que diz que a terra precisa cumprir uma função social. Eles argumentam que o campo experimental da Syngenta não estava cumprindo a sua função social, e que o cultivo ilegal da soja transgênica na zona de amortecimento do Parque Nacional do Iguaçu constituiu uma ameaça direta à sociedade brasileira, porque colocou em risco sua biodiversidade, os recursos naturais e o sistema alimentar do país.

Em julho de 2008, a Terra de Direitos e a Via Campesina lançaram uma campanha internacional de solidariedade, conquistando apoio de mais de 75 organizações de todo o mundo. A campanha dirigiu emails diretamente para Pedro Rugeroni, chefe da Syngenta no Brasil, exigindo que a empresa reconheça seu crime e pague a multa ao IBAMA. A campanha também dirigiu emails ao Governador Requião (Paraná), motivando-o a desapropriar o sítio da Syngenta. Em resposta, a Syngenta comprou uma página inteira nos dois maiores jornais brasileiros, onde publicou uma mensagem em sua defesa. Na sua resposta hostil aos apoiadores da campanha internacional, continuou negando qualquer crime e atacou a “invasão ilegal” do seu campo experimental.

Segundo a Céleres, especializada em agronegócio, o total da área plantada com cultivos geneticamente modificadas em 2013, chegou a 37,1 milhões de hectares, o que representou um aumento de 14% em relação ao ano anterior (que por sua vez, já tinha registrado um aumento de mais de 21% em relação à safra de 2010/2011) – ou seja, 4,6 milhões de novos hectares dedicados a variedades transgênicas.

Segundo o IBGE em 2013, a área recorde dedicada à atividade agrícola no país de 67,7 milhões de hectares. Cruzando o dado do IBGE com o da consultoria Céleres, chega-se à conclusão de que os transgênicos responderam por 54,8% de toda a área cultivada na safra 2012/2013 no país. Os maiores produtores entre os países em desenvolvimento são Brasil, Argentina, Índia e China. Ironicamente, no pais sede da ‘sungenta’  (proposital) não se planta transgênicos.  “Variedades de algodão resistente a insetos são os cultivares transgênicos comercialmente na Ásia e na África”, diz a FAO. Na América Latina, “são a soja  seguida pelo milho resistente a inseto”. Nem os insetos querem produtos transgênicos…

Como vemos, suecos, suíços, americanos, ingleses, canadenses, etc, são todos santos…

O que já estamos consumindo de transgênico direta ou indiretamente : Milho, soja, algodão, mamão papaya, queijos, trigo, centeio, abobrinha, arroz, feijão, salmão

Fonte : http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/02/130207_transgenicos_cultivo_tp

Isto tudo parece um filme de terror.

*Multinacionais de Tecnologia Incentivam a Neocolonização

As multinacionais têm limitado o acesso aos pacotes e softwares que criaram, condicionando suas funções a um valor de assinatura mensal ou anual. As grandes multinacionais tecnológicas estão gradualmente privatizando seus produtos, limitando o uso de novas funções por meio de assinaturas pagas às quais poucas pessoas têm acesso, disse Alvin Lezama, diretor geral da Comissão Nacional de Tecnologias de Informação (Conati), ele descreveu a estratégia como uma “neocon“.

Em uma nova investigação da “Conatel al Aire” , a Lezama investigou as empresas transnacionais que aplicam uma economia “neo-colonizante” que impede que a tecnologia esteja disponível para todos, aproveitando a dependência que eles criaram no mercado internacional.

Lezama explicou que a estratégia é privatizar pacotes e softwares, que há cinco anos estavam disponíveis para todos, e agora busca capitalizar a renda fechando a cerca que permite seu uso.

Ele ressaltou que a agenda de tecnologia da informação é preparada por essas mesmas empresas transnacionais. Para impedir que isso aconteça na Venezuela, ele propõe que os profissionais da área de tecnologia sejam treinados em comunicação e vice-versa, para gerar, através de análises e estudos, suas próprias agendas que divulgam o histórico dessas empresas de mídia.

Em relação às tecnologias livres, ele disse que é necessário treinamento, serviço e manutenção de indústrias sustentáveis, que se moldam e se tornam um mecanismo de desenvolvimento, para que gerem alianças com os fabricantes e se tornem um ecossistema autossustentável.

Ele indicou que a Conati trabalha para desenvolver uma plataforma piloto que consiste em criar uma rede nacional de tecnologias de suporte, impulsionar o processo de migração de sistemas privados para livres e desenvolver uma estratégia que permita a criação de comunidades para cada aplicativo, onde eles atendem. desenvolvedores e usuários que crescem de forma independente.

Leia na íntegra: Multinacionais de tecnologia incentivam a neocolonização

Leia também: Adobe vai parar de fornecer seus serviços na Venezuela. A empresa está apenas seguindo ordens do governo norte-americano

*A Prostituição é Considerada a Escravidão do Século XXI

A PROSTITUIÇÃO NÃO É A MAIS ANTIGA DAS PROFISSÕES. É SIM, A MAIS ANTIGA FORMA DE DOMINAÇÃO E EXPLORAÇÃO PATRIARCAL

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Artigo de opinião da porta-voz do Grupo Socialista Municipal na Câmara Municipal de Villarrobledo, Caridad Ballesteros, por ocasião do Dia Internacional contra a exploração sexual e o tráfico de mulheres, meninas e meninos

Neste momento, quando a Violência de Gênero nos horroriza, é uma realidade invisível, escondida entre uma suposta diversão e luzes de neon, mas que constitui uma das formas de violência mais terríveis e aceitas que se conhece.

Entre 40 e 42 milhões de pessoas são prostituídas no mundo, 80% são mulheres e meninas.

 nos diz que 90% das mulheres prostituídas são contra sua vontade, 9 em cada 10 mulheres são forçadas, enganadas, sequestradas, roubadas, compradas e vendidas. O mito da prostituta livre é uma mentira e a maior das injustiças, porque enquanto houver apenas uma mulher traficada, a prostituição não pode ser considerada uma forma de liberdade.

No ano passado, 14.000 escravos sexuais foram detectados na Espanha e apenas 1 entre 20 casos são relatados, o numero pode ser 20 vezes maior, ou bem mais. Nas crianças, a realidade é ainda mais sombria e não há dados confiáveis, mas a polícia alerta para o aumento constante e alarmante de menores prostituídos, de homens que exigem meninas.

Meninas compradas, enganadas, pensando que estes criminosos lhes oferecem um futuro, ajuda para suas famílias, meninas roubadas da vida. Meninas de países pobres, principalmente Paraguai, República Dominicana e África Subsaariana. Os explorados espanhóis constituem uma minoria, mas existem, e eles também estão aumentando. A maioria é capturada on-line por dinheiro fácil ou promete ser modelo.

A chamada indústria do sexo, por não ser uma indústria, é uma rede criminal organizada que lucra com o assédio de mulheres e meninas, porque esse negócio movimenta 10 milhões de euros por  na Espanha, um negócio muito lucrativo que muitas partes políticos e organizações, que se autodenominam progressistas, pedem para legalizar o processo, considerando-o como um comercio qualquer (em alguns países a prostituição e o trafico de drogas entram para cálculos de crescimento dos [PIB] produto interno bruto – parênteses nosso).

Do PSOE, temos uma posição clara: a exploração de mulheres e meninas não pode ser considerada trabalho, a escravidão e a violência não podem ser legalizadas, e é por isso que acreditamos na abolição da prostituição. E nós nos perguntamos e convidamos você a refletir sobre o assunto: se a prostituição é um trabalho, você a deseja para suas filhas ou filhos ?

Essa realidade, essa forma de violência socialmente aceita contra as mulheres, não poderia ocorrer se não houvesse demanda, se não houvesse homens que exigissem que as mulheres satisfizessem seus desejos. Sem clientes não há prostituição, sem clientes não há tráfico.

E, no entanto, e infelizmente, somos o terceiro país do mundo (Espanhaparênteses nosso) em prostituição, depois da Tailândia e Porto Rico. Somos o primeiro país da Europa a demandar prostituição.

40% dos homens já pagaram pelo sexo, 4 em cada 10 homens e não acreditam que a prostituição seja uma forma de violência. É difícil pensar que alguém é capaz de imaginar que, para uma mulher solteira, trancada em um bordel, forçada a entregar todo o dinheiro que ganha, ela e sua família sofrendo ameaças e estando sujeitas a tantos riscos físicos e mentais, é difícil acreditar que alguém pense que isso não é violência, que seja divertido. Você não pode satisfazer um desejo às custas do sofrimento de uma mulher, uma menina …

Esse é um problema social que afeta a todos nós e que somos chamados a tornar visível como a primeira maneira de lutar por sua erradicação. A educação de nossas crianças e adolescentes é essencial para impedi-los de traficar redes ou impedir que se tornem consumidores de prostitutas, homens que usam mulheres como objetos para usar e jogar fora.

A educação afetivo-sexual é primordial, porque, se não educarmos, a pornografia fará isso e é gratuito, eles terão um clique, com apenas um telefone para acessá-lo.

Pornografia é teoria, prostituição e estupro é prática. Ninguém está alheio ao aumento alarmante de casos de estupros, muitos deles em grupos, e se forem educados em violência, praticarão a violência.

Do governo socialista de Castilla-La Mancha, com a nossa Lei sobre Violência de Gênero, fica claro que a prostituição é uma violência de gênero e é trabalhada intensivamente pelo Ministério da Igualdade com programas de conscientização e disseminação para a prevenção do consumo de drogas. Prostituição entre jovens. Nas palavras de nossa conselheira,  : “Embora saibamos que a tarefa que enfrentamos é enorme, não devemos desistir do esforço para alcançar uma sociedade mais justa e, portanto, mais feliz para aqueles que a compõem”.

É tarefa de todos tornar visível e lutar contra esse flagelo social. É tarefa dos homens recusar-se a participar dessa desumanização das mulheres, censurar quem termina a festa em um bordel e dizer alto e claro SEM VOCÊ, NÃO HÁ COMÉRCIO.

Ler na íntegra: La prostitución es considerada la esclavitud del siglo XXI

*Psicanálise Contra o Fascismo

 Do mito da Torre de Babel à diferença entre Real, Simbólico e Imaginário

O fascismo e o UM

O fascismo foi um movimento político italiano que tomou seu nome das milícias de combate [Fasci di combattimento] fundadas em 1919 por Benito Mussolini.1 As Fasci di combattimento eram uma organização armada paramilitar composta por militantes, que usavam a violência para impor suas ideias. Seus membros vestiam como uniforme uma camisa negra, tinham armas e se organizavam em grupos de ação militar e nomeavam a si mesmos de squadracce, isto é, milícias.

Seu alvo e seu estilo eram a ação direta contra as associações operárias, as câmaras do trabalho, os sindicalistas, as oposições em geral.

Por que a pedra fundamental do fascismo se chamava MILÍCIAS de combate [FASCI des combattants]? Que significa FASCIO?

A palavra “fascismo” deriva da palavra latina fascio, que significa feixe. Como objeto, um feixe é um conjunto de elementos longilíneos atados. Pensemos no feixe de luz. Na Antiga Roma, os fasces lictoriae (o emblema do lictor) eram as armas levadas pelo lictor, isto é, varas de madeira amarradas com faixas de couro, em torno de uma machadinha. A palavra “lictor” designava tanto as armas assim ligadas quanto todo homem que as levava. Os lictores (em latim clássico: lictor, –oris no singular; lictores, –orum no plural) eram civis que pertenciam à classe de servidores da antiga Roma. Eles constituíam a escolta dos magistrados, que possuíam o poder de constranger e punir.

O emblema dos lictores é o símbolo do poder e da autoridade máxima: o Imperium. Esse emblema, de forma cilíndrica, que reúne varas de madeira, com listas vermelhas, simboliza o poder de punir, e a machadinha que está no meio simboliza o poder de matar, de decretar a morte.

Observemos que esses símbolos – feixe de varas, machadinha – são símbolos fálicos que encarnam o poder. Um feixe une, reúne elementos diferentes em um UM; um UM indivisível, um corpo sem articulação. Um UM que simboliza a força.

 

O fascismo é o adversário estratégico

Michel Foucault (2001, p. 133, 136) considera o fascismo como o inimigo político a abater:

O adversário estratégico é o fascismo […] o fascismo que está dentro de cada um de nós, em nossas cabeças e em nosso comportamento de todos os dias; o fascismo, que nos faz amar o poder e desejar verdadeiramente o que nos oprime e nos explora.2

Foucault define o fascismo como o adversário estratégico. Sendo assim, o combate contra o fascismo não pode ser senão de longo fôlego e dar-se permanentemente sobre um vasto território. Porque o fascismo posssui não apenas soldados evidentes que se colocarão diante de nós, mas também soldados infiltrados no campo inimigo (o que chamaria de ‘campo da democracia’). Esses soldados são tão hábeis e treinados que têm a capacidade de se infiltrar em nós, em nossa consciência e, ainda mais longe, em nosso inconsciente. Poder-se-ia pois pensar que, face a tal inimigo, a tamanha força, a tamanha devastação, a batalha da democracia estaria perdida logo de início. Seus informantes, seus serviços secretos estão em toda parte, e nós não podemos fazer nada para contê-los.

Isso não é totalmente falso: nosso trabalho de luta contra o fascismo revela-se difícil, pois “o fascismo […] está dentro de cada um de nós, em nossas cabeças e em nosso comportamento de todos os dias […]” (FOUCAULT, 2001, p. 136).

 

O fascismo em nós

Por que o fascismo estaria em nós, em nossa cabeça? Por que nos impele a amar o poder e a escolher o que nos oprime? Eis aqui questões que concernem à psicanálise e às quais vou tentar responder.

Vimos que é próprio do fascismo fazer UM, reunir os elementos separados em uma unidade firme de tal modo que não se possa mais separá-los. Reunidos em uma totalidade, eles jamais poderão assumir sua própria autonomia. Cada vara deve ficar bem colada ao cilindro que envolve a machadinha, poder-se-ia dizer, machado de guerra. Assim, cada sujeito deve permanecer assujeitado, escravizado ao poder de um único mestre, caso contrário, o risco é de morte, e a machadinha aí está para lembrá-lo disso.

O problema do fascismo é, então, esse UM monolítico, totalitário. Ele se insinua no interior da cidadela fechada do Eu, ele a controla e a domina, impedindo, de todas as formas, que um sujeito emerja. O fascismo não seria, antes de tudo, uma posição psíquica totalitária e idólatra, ou seja, uma posição de fidelidade a uma ideia, a uma imagem? Impossivel não pensar no papel do Supereu, no severo controle de nossos atos e nossos pensamentos.

 

A torre de Babel: uma língua, um povo, um lugar

Para compreender a posição psíquica que se submete ao UM, eu lhes proponho percorrer uma passagem bíblica surpreendente: o mito de Babel: “Todo o mundo se servia de uma mesma língua e das mesmas palavras” (GÊNESIS, 11.1).3

Chegando, pois, a Babel, os homens se puseram a construir uma cidade e uma torre: “Construamos uma cidade e uma torre cujo ápice penetre nos céus ! Façamo-nos UM nome (chem) e não sejamos dispersos sobre toda a terra” (GÊNESIS 11.4). Tais foram as palavras dos habitantes de Babel, que se puseram logo à obra sob o olhar do Eterno que diz: “Eis que todos constituem um só povo e falam uma só língua” (GÊNESIS, 11.6). Deus não parece satisfeito e decide intervir para confundir as línguas do povo de Babel. Esse verbo “confundir” é a tradução do verbo hebreu NaVeL (noun, vet, lamed),4 que significa, mais precisamente, “separar”.

Deus desce, pois, do céu, para separar as línguas e dispersar esse povo que aspira a ser UM.5

Vemos que Deus intervém para interromper o processo que conduz ao Um: uma língua, um povo, um lugar. Deus considera que qualquer tentativa visando produzir o UM fazendo surgir uma torre que pudesse perfurar o céu é pretensiosa e idólatra, pois esse UM não pertence senão a Ele, o Deus único.

O mundo de Babel está fechado no UM, privado de abertura. Se tudo é UM, as palavras não podem ser separados das coisas. Ora, sem distância entre as palavras e as coisas, não há liberdade possível. A palavra adere à matéria, o Simbólico é prisioneiro do Real. A palavra e a interpretação tornam-se impossíveis. A diferença se apaga. Não existe mais diferença entre esses três registros propostos por Lacan: Imaginário, Simbólico, Real. A linguagem, isto é, o Simbólico cola no Real e no Imaginário. Os três registros se confundem, e essa língua monolítica de Babel perde sua força simbólica e se torna um palavreado vazio. “Eis que todos constituem um só povo e falam uma só língua” (GÊNESIS, 11.6). O Simbólico perde sua função de religar os significantes, o símbolo não tem mais nenhum suporte e perde seu sentido, pois que tudo é UM. A metaforização não existe quando Tudo é o Mesmo. Quando real, simbólico e imaginário se confundem, perdem toda a função de separação. Função que Deus ocupa ao intervir em Babel, separando as línguas para deixar espaço para a interpretação, para a crítica. E é o que fará Lacan ao dar à psicanálise conceitos novos que nos são muito úteis. Nós podemos dizer que Lacan faz, com essa distinção e essa separação entre RSI, uma obra de criação ou de recriação da psicanálise.

Na Babel como no fascismo a língua torna-se muito concreta; seu alvo é o poder, a apropriação: fazer UM. Fazer de modo que o Eu faça UM com seu objeto. A língua é posta em movimento por desejo de poder que quer construir uma torre mais alta que o céu.

Tenho a impressão de que vivemos em uma Babel moderna. Nosso presente torna a torre transparente, não mais toda construída de tijolos e argamassa, mas composta de microchips. Ela tenta reduzir o Real ao Rimbólico, mas o que consegue é criar uma linguagem terna, esvaziando-a de sua força simbólica. A fala se faz imagem fixa que cola no real. O Real, por seu turno, perde sua voz/via e sua força.

O homem está ligado, preso-imobilizado em sua relação com os signos, os códigos, as imagens. As relações humanas estão secando. As imagens dificilmente tornam-se significantes. O discurso torna-se impossível. Não há lugar para o diálogo, somente para um monólogo coletivo, um murmúrio. Estamos mergulhados em uma fala totalitária, que quebra a liberdade. A característica dessa liberdade é a possibilidade de não dizer as coisas como elas são nem como elas aparentam, mas poder dizê-las de outro modo, poder recriá-las, reinventá-las.

Pela tradição judaica, essa fala totalitária é idólatra, é um culto da imagem, da aparência.

Deus intervém, então, na Babel: ele separa as línguas dos habitantes de Babel e os dispersa pelo mundo. O método de criação de Deus é bem conhecido, sempre o mesmo: a separação. Para criar o Mundo, ele primeiro separou o céu da terra, o dia da noite, a mulher do homem. Ele transforma o UM em DOIS, em múltiplos. Separar as línguas, mas também o Real do Simbólico, separar a palavra da matéria, o tijolo da argamassa, que servem para construir esse arranha-céu das origens: a torre de Babel. Dessa forma, o homem sai da reclusão de um mundo totalizante. Ele assume o risco de viver em uma realidade aberta e múltipla, um mundo aberto à mudança, ao futuro onde os reencontros, as descobertas, as invenções são possiveis. Um mundo de liberdade.

Deus se opõe à realização dessa cidade do UM (que ele nomeará Babel)6 e cria um lugar onde as línguas são diferenciadas graças à sua intervenção de separar. Cada nova língua nomeará diferentemente o Real, e, para compreendê-las, será preciso uma obra de interpretação e de tradução.

A pluralidade das línguas e dos discursos impede que a palavra seja fixada, colada em uma verdade.

Hoje a linguagem da internet e a comunicação virtual tornaram-se soberanas. O simbólico se confunde com o imaginário e faz desaparecer a nossos olhos o referente, o Real.7 Temos a impressão de que o Real não é mais necessário. Ele tem sido anulado e vem dando lugar a uma realidade virtual.

Nossa ‘aldeia global’ assemelha-se a uma torre de Babel muito singular, onde o Real8 é apagado pela imagem, por uma escritura fundamentalmente estabelecida sobre a imagem. Estamos em vias de viver uma espécie de negação [déni]9 do Real?

 

O Real, o Imaginário e a psicanálise

Se o Real é negado, isso não significa que ele não exista, que ele não opere, mas simplesmente que o ignoramos porque não podemos ter a representação dele. Quais são as consequências? Vivemos em uma hipertrofia da imagem, em que o Imaginário toma o lugar, todo o lugar do Real. O resultado é um Mundo onde há muita comunicação, mas as palavras são imobilizadas, o sentido abstraído, a fala esvaziada de seu sentido radical, das estratificações significantes e das emoções. As palavras tornam-se ídolos.

Deus responde, pois, à idolatria dos babelianos pela separação das línguas e a dispersão do povo sobre toda a Terra. Graças a essa disseminação, os homens saem de um mundo fechado e se encontram em um mundo aberto. A psicanálise responde à idolatria pelas palavras que se emancipam da escravidão do sentido único, do sentido dogmático, pelas palavras ditas com toda liberdade. Elas se referem à experiência do corpo, às emoções que lhe deram forma, criaram-no, elaboraram-no. A psicanálise separa o significante do significado. O significante se emancipa e, na autonomia encontrada, pode tomar sua liberdade de significar. Uma análise é um novo começo que visa essa liberdade. Ela visa destruir os ídolos, para nos fazer sair do país do SENTIDO ÚNICO. Ela se abre para o significante e para suas potencialidades de sentido, de novos sentidos. Com esse novo começo, um sujeito assume o risco de viver em um mundo doravante aberto e múltiplo. Um mundo de liberdade. Esse mundo de liberdade não é um mundo imobilizado, parado, siderado pela palavra, deslumbrado pelo excesso de luz, mas um mundo em construção. Quanto à confusão das línguas, ela reintroduz a diferença. As palavras encontram sua distância em relação às coisas. O cavalo é um cavalo, mas há tantas palavras para nomeá-lo quantas são as línguas que existem. A confusão das línguas introduzida por Deus, a pluralidade da linguagem não constitui uma complicação inútil; ao contrário, é útil ao Real que a linguagem tenta dizer, representar em seu movimento contínuo e em mudança. Se há mil maneiras de dizer uma coisa, é porque essa coisa não é sempre a mesma. Ela muda continuadamente. Um copo em alemão é chamado de Glas; em italiano, bicchiere; e a mesma palavra de uma mesma língua ou dialeto é percebida e pronunciada diferentemente por cada indivíduo. No lugar, no furo dessa diferença, há o Real. O processo de comunicação é um trabalho que consiste em aproximar o que está separado. Em unir o que está disperso. Essa união não está, todavia, definida de uma vez por todas. Ela não está garantida, mas está sempre em movimento e mudança. Dois homens jamais falam exatamente a mesma língua. A distância entre a palavra e a coisa, entre a coisa e o símbolo, devolve a cada um uma liberdade de discurso. Essa distância não significa, contudo, que a palavra se abstraia da coisa; ao contrário, graças a essa distância, ela não cola na coisa e se autonomiza para melhor poder representá-la em novas formas. A coisa não está imóvel, permanente; ela muda continuamente, ela é o Real. Se o fixamos em uma imagem, nós o perdemos de vista. Daí a necessidade de interpretar os discursos que vêm até nós. Compreender o outro é reconhecer sua singularidade e interpretá-lo. É achar o tempo para traduzir seu discurso. E traduzi-lo não é traí-lo; ao contrário, é o único meio de se aproximar dele. Traduzir é, de alguma forma, recriar, reinventar, isto é, dar uma nova forma, uma nova representação à coisa, que, uma vez nomeada, nos escapará ainda, e mais ainda. Assim, a ação de Deus não é somente uma punição. Essa abertura à pluralidade das línguas é sobretudo uma bênção. Bene dire é o ‘bem dizer’, dizer diferentemente, tentar surpreender, tomar na palavra a diferença da coisa. A ilusão do fascismo é dizer as coisas como elas são ‘verdadeiramente’; elas, porém, são sempre diferentes, elas são o impossível de dizer. A língua do fascismo se quer concreta, verdadeira, intensa e recusa a mediação da interpretação. O fascismo vê em toda tradução uma traição, em toda interpretação, uma trapaça.

Da mesma maneira, o Eu é prisioneiro de uma autoridade que o espreita, que o controla. O Supereu está sempre sobre ele, prestes a censurá-lo, a abatê-lo com seu olhar frio, perseguidor. Um Supereu, que está assentado sobre o Eu e não o deixa se mover, se autonomizar, tomar iniciativa, tornar-se adulto, tornar-se sujeito. Nós estamos no domínio da imagem, do eidolon, do ídolo. O Eu surge no desenvolvimento da criança e aparece com nossa imagem diante do espelho. Ele que, entretanto, persiste em nós. A superpotência [surpuissance] da imagem faz do Supereu um ídolo, um superman, que permte imaginar, mas não permite pensar, pesar nem avaliar.

 

O Real, o impossível: o que “não cessa de não se escrever”

Retornemos à questão do Real, isto é, do IMPOSSÍVEL, e à relação que ele mantém com o Simbólico e o Imaginário.

O Real é o impossível, nos diz Lacan (1972-1973] 1976, p. 86). O Real é o “que não cessa de não se escrever”, isto é, alguma coisa como uma necessidade, que não pode ser gravada em uma escritura. Se ela assim o for, não será mais o Real, mas o Simbólico. O Real é invisível, incompreensível, não representável.

O Real é definido por uma negação; na fórmula proposta por Lacan, é alguma coisa que ‘não cessa’ e que ‘não se escreve’. O nome do deus da Bíblia não se pronuncia, mas ele se escreve: YHVH.10 O Real, para a psicanálise, toma o lugar de Deus; é um Real que se faz sintoma, que se diz, entre outros, em uma sessão analítica, mas ‘que não se escreve’. Para descrever o Real, Lacan propõe colocar em jogo duas negações: ‘não cessa’ é a primeira, que exprime a necessidade. O Real é necessidade! A outra negação é ‘alguma coisa que não se escreve’. O Real é negativo ou ao menos é conotado negativamente. O vocábulo negativo vem do latim necare, que significa matar. Seu radical é nex, necis, que significa morte, assassinato. O Real é, pois, a necessidade: alguma coisa que ‘não cessa’, um continuum, é a Natureza com sua incessante renovação, possível somente por um contínuo assassinato do presente. A segunda negação, ‘que não se escreve’, é o assassinato da escritura, do signo, do Simbólico. O Real é o impossível de simbolizar, pois, desde que ele é simbolizado, não é mais Real. O Real é o impossível.

Mas o fato de que o Real nos escapa, de que seja impossível, não significa que ele não aja; ao contrário, ele age por excelência, desde que o “que não cessa”, não cessa de recusar uma inscrição mesmo estando em um contínuo vir-a-ser. E se o Real age, não podemos ignorá-lo, mesmo se nos é incompreensível. Porque ele nos é incompreensivel é que deve ser levado em conta como um X que impulsiona nossa vida.

Esse fator X, que é o Real, tem uma dupla característica: de um lado, ele é não gravável; de outro, ele é atuante. Ele não age completamente em silêncio, pois, quando ele age, ele chama, ele nos chama, ele nos invoca. O termo “vocação” vem do latim vocatio, que significa chamar e corresponde ao grego  , de . Essa palavra “apelo”, na Bíblia dita Septuaginta, é a tradução do verbo hebreu , que designa, em um sentido específico, o apelo que Deus dirige ao homem.11

 

As profissões impossíveis e o apelo do real

Em Análise terminável e interminável, Freud (1937) tinha falado do ‘impossível’ a propósito de certas profissões [misteres] como ‘educar’, ‘curar’ e ‘governar’. A isso ele acrescentará ‘psicanalisar’. O impossível anúncio de que estamos em presença do Real. Trata-se de profissões impossíveis com efeito, porque têm a ver com o Real. Curar tem a ver com o Real do corpo, psicanalisar com o Real da psique. Mas, antes de ser impossíveis, essas atividades humanas são misteres. E de onde vem este nome: mister? Em italiano, mestiere está mais próximo da palavra ministerium, com seu halo de sagrado. O ministro é, na Bíblia, um servo de Deus: lidar com o Real é da ordem do sagrado e do mistério, pois o Real escapa a toda representação. Mas é a língua alemã que nos dá as chaves desse mistério. Em alemão, para dizer ‘mister’, diz-se Beruf, que significa apelo ou retorno. Beruf é o termo escolhido por Luther para traduzir a palavra bíblica , que foi traduzida em latim por vocatio e, em grego, Klesis. Para Luther, um mister é uma vocação; somos chamados por Deus para cumprir neste mundo uma tarefa determinada. Nós cumprimos um destino, pois somos chamados por Deus. Se Freud chama a psicanálise de um ‘mister’, é porque para ele, na psicanálise e em outros misteres, alguma coisa do Real apela. O Real da psicanálise chama e se exprime pela voz, por uma invocação. Isso significa que, embora seja da ordem do negativo, embora seja impossível, o Real desempenha um papel determinante nas atividades humanas. O Real chama, e é preciso encontrar formas de ouvir esse apelo, vale mais ouvi-lo, conectar-se com ele, para que, quando ele nos tocar, estejamos prontos para lhe dar uma resposta, para acolhê-lo ou repeli-lo. E, de todo modo, quando nos toca, ele deixa um sinal, uma marca, ele nos tange.12 O Real é uma manifestação da contingência, isto é, “do que cessa de não se escrever”. O Real é “o que não cessa de não se escrever”, contudo ele surge, quando bate à porta na forma “do que cessa de não se escrever”, salvo se ele não se escreve sobre o papel, ou não apenas, mas ele se escreve na realidade, frequentemente em nosso corpo, deixando nele um sinal. Para entender o apelo do Real ou do sintoma, é preciso sair da necessidade, da impossibilidade de ser tocado por ele. É interessante que esse apelo do Real, esse Beruf seja nomeado em hebreu cara, termo que nos reenvia, na língua latina, à ‘carícia’ de alguém próximo que nos ama, a carícia de uma mão que nos toca, a de um ser caro. Essa ‘carícia’ é o ponto de contato onde o Real toca nosso corpo e se torna contingente. Ele nos ‘tange’. É essa tangibilidade que permite ao Real tocar o Simbólico e o Imaginário e articular com eles uma relação. Se o Real é simplesmente negado, ele permanecerá colado ao Simbólico e ao Imaginário, e poderá causar danos. Nesse caso, esse ‘tocar’ pode tornar-se violento, ele se transformará em um choque. É o caso do amor que dá lugar ao ódio ou à perversão. O que importa aqui é que Real, Simbólico e Imaginário estejam separados e, ao mesmo tempo, articulados, isto é, em relações recíprocas. Está claro que nessa relação não podemos excluir o Real.

O silêncio do Real, o fato de que ele não nos chama não significa que ele está ausente, mas que ele está colado no Simbólico e no Imaginário: ele não tem necessidade de chamá-los, pois Simbólico e Imaginário já estão ali, o Real se funde com eles. Quando o Real se cala, a tempestade chega, pois essa colagem é incestuosa. Nós nos encontramos aí diante dessa unidade que forma um bloco, onde não há diferença, onde não há mais significantes. Não há mais diferença entre as coisas, entre palavra e coisa, nenhuma diferença entre Real, Simbólico, Imaginário.

 

O interdito de construir imagem

Na Bíblia, Deus, o Real, se revela na escritura, dando a Moisés a tábua da lei e depois a Bíblia aos profetas. Deus, o Real, torna-se escritura. Esse impossível (de pronunciar e de ver) torna-se possível graças à ‘revelação’. Para a psicanálise, o Real não se escreve, não se revela em um texto, mas na palavra viva, aquela, por exemplo, que tentamos fazer surgir em uma cura analítica. Na escritura bíblica, a palavra é imagem, signo para ler e interpretar. A palavra do analisante é som, significante para ouvir e interpretar. Nos dois casos, o leitor, o lictor, o intérprete é um sujeito. O interdito de contruir imagem na religião hebraica visa proibir que se fixe o sentido de uma vez por todas em uma imagem, em uma única interpretação. Isso é proibido uma vez que Deus, o Real, ‘não cessa’, no sentido de um continuum e no sentido de uma necessidade em movimento, impossível de se aprisionar em um UM. Para se fixar, ela se negará, visto que sua essência é não ser fixa. Negar a necessidade é negar a vida e a matéria. O significante da psicanálise é um significante sonoro, é um dizer, um “dieure”,13 como diz Lacan. O significante bíblico é uma escritura que deve ser, contudo, lida e interpretada. Eu digo ‘lida’. E isso significa alguma coisa de especial na língua hebraica, uma vez que há uma diferença entre o que se lê no signo da escritura e o som, a pronúncia da palavra. Às consoantes que são efetivamente escritas, o leitor deve acrescentar as vogais, isto é, a articulação das consoantes, que não são grafadas no texto bíblico originário. Isso para lembrar que, à escritura que fixa, que imobiliza, é preciso acrescentar a voz, uma vocalização que é sempre singular, única, e da qual não se pode fazer imagem. Com efeito, o risco da escritura, enquanto imagem, é ser imobilizadora, risco de fechar o sentido em uma única interpretação, em uma prisão. É um fato que frequentemente as religiões são produtoras de dogmas, uma vez que elas estão do lado do ideal. Eidos, em grego, significa imagem. O grande cuidado da Bíblia na Torah é cassar (fazer cessar) toda idolatria. O judaísmo, no relato bíblico, nasce da revolução operada por Abraão, que cassa os ídolos, a estatueta que seu pai Terah adorava e vendia no mercado. Terah, o pai do primeiro patriarca, era um mercador de ídolos. O judaísmo é mais próximo da psicanálise com relação aos outros monoteísmos, pois, como a psicanálise, ele luta contra os ídolos, mesmo aqueles que são inscritos no texto bíblico. E isso por meio da fala, da interpretação. Se o texto bíblico é uma revelação, isso não impede que ele seja continuamente interpretado. O dever de um judeu é ler e reler a Torah e lhe dar sentido, um novo sentido. A revelação não é un desvelamento radical do divino, do Real, mas somente parcial, fragmentário, que deve ser interpretado sempre de novo.

 

O fascismo nos faz amar o poder

Para terminar meu propósito, eu retorno à citação de Foucault que abriu este artigo: o fascismo “[…] nos faz amar o poder e desejar verdadeiramente o que nos oprime e nos explora”. Como é possível que o fascismo nos faça amar nosso inimigo? Aquele que nos oprime e nos explora. Não existe em nós alguma coisa que favoreça essa posição de submissão? Alguma coisa que coloca o sujeito para baixo e que se coloca como autoridade acima?

Etimologicamente, o Supereu se coloca ‘sobre’(super), acima do Eu. O Supereu é uma instância psíquica que se encontra ‘sobre’ o Eu e não hesita em esmagá-lo. É uma instância superior que tem, pois, uma certa ascendência sobre o Eu. O Supereu é uma autoridade que protege o Eu, mas que ao mesmo tempo imobiliza o sujeito e faz isso de tal modo que ele não possa vir-a-ser. Ele se comporta um pouco como esses pais que, para proteger seus filhos do perigo da rua, os encerram em seu quarto e lhes tiram toda a liberdade. O Supereu se apresenta com um ar superseguro – seguro de si nessa confrontação com o Eu, que obedece docilmente às injunções desse ditador que dita ‘de dentro’ os protocolos de ação. O Eu obedece e se submete a ele. Por quais razões? Fazemos a hipótese de que isso seja por amor. O fascismo nos faz amar o poder, o mesmo poder que nos submete. E, mais ainda, ele nos faz desejá-lo. Nós ‘desejamos o que nos oprime’. Não seria por que sua autoridade, sua força idealizada nos tranquiliza? O supereu, ao qual nós aderimos, se mostra forte, capaz de nos proteger, mas sua ação sedutora é perversa. Seu lado autoridade tranquilizadora nos faz esquecer que ele pode, a qualquer momento, nos esmagar. Como não cair de amores por tal super-herói musculoso? Semelhante a uma estrela que, com seu brilho, possui um grande poder de sedução, mas também de ‘sideração’, o Supereu fascina, reúne toda diferença e a reduz ao UM, a uma imagem do poder que nós não hesitamos em chamar ‘fálico’.

Leia na íntegra: Psicanálise contra o fascismo…

*Capitalismo suicida: ou mudamos de modelo ou acaba o mundo

CATÁSTROFE

Capitalismo suicida: ou mudamos de modelo ou acaba o mundo, diz intelectual

Para Armando Bartra, mundo vive "crise ambiental final; isso é o capitalismo do fim do mundo. Ou acaba o capitalismo ou acaba o mundo” - Créditos: Foto: Pedro Stropasolas/Brasil de Fato
Foto: Pedro Stropasolas/Brasil de Fato

No início de setembro, dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontaram para um intenso aumento no número de queimadas na Amazônia. Segundo o documento, 30.901 focos de incêndio foram registrados em agosto, mês em que ocorreu o chamado “dia do fogo”. Na ocasião, produtores da região Norte do Brasil iniciaram um movimento conjunto para incendiar áreas da maior floresta tropical do mundo.

Em entrevista ao Brasil de Fato, o filósofo e antropólogo Armando Bartra, professor da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), afirmou que o recrudescimento dos ataques aos recursos naturais fazem parte de uma nova dimensão do modelo capitalista, o que ele qualifica como “capitalismo suicida” ou “capitalismo do fim do mundo”.

“Estamos vivendo uma terrível crise em um capitalismo que lucra com a escassez. Pois quanto menos barris de petróleo existem, mais caros são. Quanto menos água doce há, mais cara é. Quanto menos territórios privilegiados existem, mais caros são. Quanto menos comida há, mais cara é […]. Isso é o capitalismo do fim do mundo. Ou acaba o capitalismo ou acaba o mundo”.

O professor, que esteve em visita ao Brasil, comentou ainda a vitória de Andrés Manuel López Obrador nas eleições presidenciais mexicanas de 2018, o que considera “a realização de uma utopia”. “A legitimidade de López Obrador é enorme. Isso impediu uma fraude eleitoral e permitiu, pela primeira vez, que tenhamos um presidente que não representa uma continuidade histórica do sistema político mexicano. Todo o resto ainda precisa ser feito. Mas isso já é uma utopia”.

Confira a entrevista na íntegra:

Brasil de Fato: O segundo capítulo do seu livro O Princípio, que trata dos primeiros quatro meses do governo de Andrés Manuel López Obrador, começa com uma frase do escritor argentino Julio Cortázar que diz que “o bom das utopias é que elas são realizáveis”. A vitória de López Obrador é uma utopia realizada? O que ela significa para o México e para a América Latina?

Armando Bartra: O triunfo da proposta político-eleitoral do Movimento Regeneração Nacional (Morena), que triunfou no 1º de julho de 2018, torna concreta uma esperança. Uma esperança que já existe há muito tempo. Porque não é somente a esperança daqueles que formam parte desse partido.

A sigla que derrotamos, o Partido Revolucionário Institucional (PRI),  se funda no final da Revolução Mexicana de 1910. E eles não apenas criaram um novo Estado, um Estado pós-revolucionário, mas também construíram um partido e uma maneira de eleger, ano após ano, candidatos do mesmo partido. Eles foram chamados de “monarcas sexênios”. Era como se fossem reis que só duravam por seis anos. E depois vinha outro, outro e depois outro. Mas todos eram iguais.

Não podíamos mudar nada profundamente em nosso país se não mudássemos de governo. E mudar não era somente derrotar um governo em uma eleição, mas derrotar um sistema político que tinha um século de duração.

Por isso, de algum modo, o 1º de julho do ano passado foi a realização de uma utopia, que significava não somente ganhar a eleição. A legitimidade de López Obrador é enorme. Isso impediu uma fraude eleitoral. E permitiu, pela primeira vez, que tenhamos um presidente que não representa a continuidade histórica do sistema político mexicano. Todo o resto ainda precisa ser feito. Mas isso já é uma utopia.

Quais os erros e acertos do governo López Obrador nestes 10 meses?

Em primeiro lugar, é um governo terrivelmente legítimo. Se acreditamos que a soberania popular pode ser transferida para uma pessoa, para um grupo de pessoas, a um presidente da República, a uma série de governadores, deputados e senadores que devem expressar essa vontade popular, López Obrador tem um mandato extraordinário. Um mandato respaldado por 30 milhões de mexicanos e mexicanas. Nenhum presidente na história do México havia conquistado isso.

López Obrador chega como um candidato de ruptura. Claramente um candidato de ruptura, de oposição radical ao sistema. E chega com uma porcentagem de votos extraordinária. Um mandato deste tamanho é muito complicado de se assumir.

Uma das providências que o governo tomou é a de, em todas as manhãs, durante a semana, fazer uma conferência de imprensa. Todos os dias apresenta um informe para que conheçamos o mundo rural, camponês. Ele informa a nação.

Há seis anos, López Obrador teve um ataque cardíaco em um momento de luta pela defesa do petróleo, pois o estavam privatizando – e de fato a extração foi privatizada. Ele sobreviveu e continuou o trabalho intenso.

Isso foi um aviso. Creio que López Obrador sabe que a vida é curta e é melhor fazer as coisas rápido, pois ele sabe que não é eterno. É um ativismo com uma intensidade que nunca vimos.

Após assumir, López Obrador afirmou que o neoliberalismo havia chegado ao fim no México. Na prática, no entanto, uma mudança estrutural tão radical não parece uma tarefa fácil. É possível uma alteração tão drástica?

O que López Obrador disse é que nós não iremos atuar conforme critérios neoliberais. Mas ele sabe – todos sabemos – que o neoliberalismo não é só um modelo. O neoliberalismo está impresso em nossa Constituição, que foi modificada pelos governos neoliberais; em nossas leis secundárias; está impresso nas instituições públicas; nas secretarias e ministérios. As regras de operação do governo funcionam com critérios neoliberais.

O neoliberalismo está metido até o fundo da nossa realidade. É a primeira vez que um governo decide abandonar um modelo neoliberal e governar de outra maneira. O que acontece é que esse é um processo longo. É preciso exorcizar o demônio do neoliberalismo do país. E isso levará tempo.

A política de López Obrador privilegia os pobres. Sim, primeiros com critérios redistributivos de renda, com critérios de transferências. Mas coloca os pobres na frente.

Foto: Pedro Stropasolas/Brasil de Fato

Segundo Bartra, eleição de López Obrador é uma “utopia realizada”

Tivemos no México um aumento do salário mínimo. Historicamente se aumentava o salário cerca de 1,5%, 2%. Os neoliberais diziam: “se aumentamos o salário, aumenta a inflação; se aumenta a inflação, aumenta o custo de vida e o pobre sai perdendo. Portanto, não aumentamos o salário pelo seu bem”. López Obrador aumentou o salário mínimo em 16% e não há inflação.

Para os neoliberais, temos a sorte de estarmos na fronteira com os Estados Unidos. De acordo com eles, só falta um pouquinho para o México ser um país de primeiro mundo. Cruzamos a fronteira e pronto. Então tudo é feito pensando no Norte, nos Estados Unidos.

López Obrador prioriza o Sul e o Sudeste. Primeiro as zonas rurais, indígenas, que em termos de investimento e serviços são mais atrasadas. É uma heresia para o neoliberalismo.

Hoje, na América Latina, temos Jair Bolsonaro no Brasil, Mauricio Macri na Argentina, Iván Duque na Colômbia e Lenín Moreno no Equador. É o fim do curso emancipatório que teve lugar na região?

Estamos falando de uma transformação civilizatória. Não queremos uma mudança qualquer, queremos uma mudança com profundidade, que não apenas termine com a lógica do capitalismo, mas também com a lógica do colonialismo.

Estamos em um refluxo: golpe de Estado contra Dilma no Brasil e depois uma eleição em que Bolsonaro ganhou drasticamente. Temos um governo neoliberal na Argentina, com Macri, e uma traição no Equador – não podemos chamar de outra coisa.

Na Bolívia, Venezuela e Uruguai, a esquerda segue governando. E agora no México. O ciclo histórico de longa duração não é permanentemente um ascenso. Há subidas e descidas. É inevitável. Tivemos ascensos prolongados, depois uma série de golpes e um retrocesso de curtíssimo prazo.

Pensemos no governo de Macri. Ele não vai ganhar essa próxima eleição, não pode ganhar. O neoliberalismo na Argentina não é capaz de se manter no poder com legitimidade eleitoral. No caso do Uruguai, creio que a Frente Ampla vai ganhar. Seria a quarta vez. Na Bolívia, as pessoas com quem falei disseram que não está tão fácil, porque se Evo Morales não ganhar no primeiro turno, todos irão se virar contra ele. Mas eles creem que ele vai ganhar, e eu também.

Então temos México, Venezuela, Bolívia e Uruguai, que seguem, e a Argentina, que se soma. Eu digo que estamos iniciando a segunda onda do ciclo emancipatório.

Em uma entrevista ao jornal mexicano La Jornada, o senhor afirmou que hoje vivemos uma etapa do capitalismo que definiu como “capitalismo do fim do mundo” ou “capitalismo suicida”. Poderia explicar o que isso significa?

Na modernidade, tínhamos crises de abundância. Sobrava, não faltava. Hoje temos, outra vez, as velhas crises de escassez. Hoje temos um problema severo com a terra fértil. O Brasil, por exemplo, ainda tem uma fronteira agrícola. Mas se seguirem forçando essa fronteira, veremos, em um prazo curtíssimo, o que é topar contra a parede. Não se pode seguir destruindo a Amazônia, e isso está sendo feito.

Temos um problema sério com o esgotamento da fertilidade natural do solo e sua substituição por química. O que significa que empobrecem o solo e o contaminam. O solo e as águas. Hoje temos uma guerra pela água, uma competição pela água doce. Não é algo que temos em abundância, algo que sobre.

Temos escassez de energia. Somos dependentes do petróleo, do gás e de minerais. As tecnologias para seguir obtendo [esses recursos] são absolutamente suicidas. Utilizam enormes quantidades de água e provocam contaminação. Estamos raspando o fundo do tacho. Já não há mais o que retirar. Não temos alternativas fáceis. A facilidade energética do petróleo não vai se repetir.

Estamos vivendo uma terrível crise de escassez. Uma crise de escassez em um capitalismo que lucra com a escassez. Porque quanto menos barris de petróleo existem, mais caros são. Quanto menos água doce há, mais cara é. Quanto menos territórios privilegiados existem, mais caros são. Quanto menos comida há, mais cara é.

O capital busca o encarecimento, busca a destruição dos recursos naturais, porque isso faz com que sua privatização gere maior lucro. Isso é um capitalismo suicida. O capitalismo produzia pobreza e riqueza. Ele vivia da mais-valia.

[Agora] vive cada vez mais do lucro, da privatização dos recursos naturais. Há uma crise ambiental final, definitiva. Isso é o capitalismo do fim do mundo. Ou acaba o capitalismo ou acaba o mundo.

Os incêndios recentes na Amazônia são um exemplo desse capitalismo?

Todo mundo sabe que a Amazônia não é um território que vale somente para o Brasil. O mundo inteiro depende [dela] – em realidade, qualquer ecossistema ultrapassa suas fronteiras. Mas no caso da Amazônia, por sua extensão e importância, não se trata de qualquer coisa.

A destruição, como está ocorrendo, é realmente suicida. Suicida para o Brasil, mas também para o mundo. A solução não é a de que os europeus assumam a administração. Não estou de acordo com o governo do Brasil, mas creio que não se trata de “estrangeirizar” a Amazônia, e sim de que o povo brasileiro se imponha sobre seus governos ecocidas.

A obtenção dos recursos naturais está sendo cada vez mais custosa em termos ambientais. Isso nos deixa próximos não do fim do capitalismo, mas da civilização como a conhecemos.

Há uma diferença substantiva entre os séculos XIX e XXI. Ela tem a ver com a natureza insustentável do capitalismo. Que, hoje sabemos, não só esgota as energias e a criatividade dos seres humanos, mas também destrói o entorno natural na mesma proporção, se não em uma proporção maior.

Edição: Vivian Fernandes

Do: BRASIL DE FATO

*Sistema Internacional, Suas Origens e Regras.

Sistema internacional, suas origens e regras. A igualdade legal dos Estados é uma ficção.

A gênese do sistema internacional

Quando os continentes começaram a interagir entre si, a aproximadamente cinco séculos atrás, lentamente, começaram a se formar, o que hoje é chamado de “sistema internacional”. É uma tentativa de quebrar a cerca islâmica – que ameaçava estrangular estrategicamente os pequenos e divididos reinos cristãos da Europa -, Portugal e Castela lançaram suas navegações através do Atlântico para a Ásia, na fronteira com o poder muçulmano. Na Europa, tribos, reinos e impérios, através da guerra e do comércio, estavam em contato, durante séculos, mais ou menos intensamente, de alguma forma sendo influenciados um pelo outro. Entretanto, até 1521, em um caso, e 1533, no outro, dois grandes impérios, os astecas e os incas – nas Américas, que unificaram, pela força, vários povos e línguas – nunca haviam sofrido, a influência da Eurásia. Os astecas e incas não sabiam da existência de Roma, Constantinopla, Damasco, Meca e Pequim, e não sofreram a influência de alguns dos centros de poder da Eurásia. Somente com a chegada de Hernán Cortés no México e Francisco Pizarro no Peru, pode-se supor que todas as principais unidades políticas do mundo integraram o mesmo sistema, o “sistema mundial” e que, portanto, as ações de uma unidade política sempre influenciam , direta ou indiretamente, as outras unidades políticas com maior ou menor intensidade, dependendo do grau de vulnerabilidade que cada uma delas detém.

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Nesse momento histórico, nasce a escola teológica espanhola – que questiona e analisa a legalidade ou ilegalidade da conquista da “América hispânica” – as sementes do direito internacional que, após um árduo processo histórico, se consagrará em 1945, com a letra de São Francisco, a igualdade jurídica dos Estados e a proibição de guerra.

No entanto, enquanto o princípio da igualdade legal dos Estados proclamado pelo direito internacional for uma ficção jurídica que serve apenas a finalidades decorativas, no cenário internacional, o poder é e sempre será a medida de todas as coisas. Os estados não são iguais entre si simplesmente porque alguns têm mais poder do que outros.

A ficção da igualdade jurídica dos Estados

A observação simples e objetiva do cenário internacional mostra que a igualdade legal dos Estados é uma ficção, pela simples razão de que alguns estados têm mais poder do que outros, levando o direito internacional a ser uma rede que captura as moscas mais fracas, mas deixa as mais fortes passarem.

Os Estados existem como sujeitos ativos do sistema internacional, desde que possuam poder. Somente aqueles com poder são capazes de construir seu próprio destino; aqueles sem poder suficiente para resistir à imposição da vontade de outro estado acabam sendo objeto da história, porque são incapazes de direcionar seu próprio destino.

Pela própria natureza do sistema internacional – onde de alguma forma governa a situação que se assemelha ao estado da natureza -, os estados com poder tendem a estabelecer os líderes ou a se subordinar e, logicamente, desprovidos dos atributos de poder suficiente para manter sua autonomia tendem a tornar-se vassalos ou subordinados, além de quem consegue manter os aspectos formais da soberania.

Nesses estados, quando são democráticos, grandes decisões são tomadas de volta à maioria de sua população e, quase sempre, fora de seu território. Os estados democráticos subordinados têm uma democracia de baixa intensidade.

Logicamente, existem graus no relacionamento de subordinação, que é um relacionamento não estático, mas dinâmico. É importante não confundir o conceito de interdependência econômica com subordinação. Os Estados Unidos dependem do petróleo saudita, mas não estão sujeitos à Arábia Saudita. Em vez disso, a Arábia Saudita, à qual os Estados Unidos dependem fortemente de seu suprimento de petróleo, é subordinada pelos Estados Unidos a tal ponto que, apesar da monarquia saudita ser a guardiã dos lugares sagrados do Islã, foi forçada quando os Estados Unidos exigiram permitir o solo sagrado islâmico – preservado por mandato religioso para qualquer exército no exterior – para a presença maciça dos militares dos EUA. A interdependência econômica não altera a divisão fundamental do sistema internacional em Estados subordinados e Estados subordinados.

O poder como uma medida de todas as coisas

O poder tem sido e é uma condição necessária para moderar, neutralizar ou impedir a subordinação política e a exploração econômica. Para qualquer unidade política, da cidade-estado grega aos estados nacionais do mundo moderno, o poder é o seno que não condiciona a garantir a segurança e a neutralizar a ganância. A riqueza dos Estados impotentes é sempre transitória, tende a ser passageira. Porque a riqueza de algumas nações muitas vezes desperta em outras o desejo de possuir os bens de outras, desejo que leva a assaltos, roubos e fraudes. Ou seja, submeter-se à subordinação militar, à subordinação econômica ou à subordinação ideológico-cultural, que é a maneira mais perfeita de escravizar um Estado porque é uma fraude ideológica, um truque ou esquema – construído através da ideologia – por sua riqueza e sua subordinação política pacífica sem estar ciente da situação.

Infelizmente, a primazia do direito internacional é, e será por um longo período histórico, uma bela utopia inatingível.

A terceira etapa da globalização nascida com as grandes descobertas marítimas não altera as suposições sobre as quais as relações internacionais se situam conceitualmente, como afirma Raymond Aron, é dada pelo fato de que as unidades políticas estão se esforçando para impor – umas às outras – sua vontade. A política internacional, sustenta Aron, sempre envolve um choque de vontades – vontade de impor ou não permitir as imposições da vontade do outro – porque é constituída pelos Estados que pretendem se determinar livremente.

Em última instância, uma vez que, como sustentou Aron, sobre o relacionamento entre os Estados, cada um mantém e reivindica o direito de tomar justiça em suas próprias mãos e o direito de decidir se deve ou não lutar, regido pela lógica descrita por Hegel sobre como nascem mestres e servos. Em sua “Fenomenologia do Espírito”, Hegel descreve como nascem mestre e servo. Os homens querem ser livres e não ser constrangidos a viver de acordo com as imposições dos outros. É por isso que eles se confrontam em uma luta mortal. Literalmente mortal, porque apenas um que está disposto a morrer pela liberdade derrota o outro. Quem tem medo e procura um seguro de sobrevivência física, se aposenta e deixa o campo de batalha à mercê do “outro” que se torna, portanto, o “senhor” e ele, em seu “servo”.

O raciocínio hegeliano pode ser aplicado, por analogia, ao cenário internacional, mas certamente deve ser qualificado, uma vez que o confronto mortal ocorre apenas em uma série limitada de momentos decisivos da história. Na arena internacional, há senhores e servos: Estados subordinados e subordinados e, para o exercício de seu domínio, os subordinados usam o poder econômico, militar e cultural. Como exemplo, poderíamos dizer que a guerra pela independência, liderada pelas treze colônias contra a Inglaterra, foi um daqueles momentos decisivos da história, foi o juiz do apelo de Hegel, quando se pode ver claramente, que apenas esses sujeitos (homens ou mulheres) que estão dispostos a morrer por sua liberdade podem ser livres. No entanto, essa liberdade que as treze colônias conquistaram no campo de batalha precisou ser enraizada tanto econômica quanto culturalmente.

Para um estado periférico, querer decidir seu próprio destino sempre envolve uma tensão dialética entre o medo de uma possível punição e o desejo de liberdade, entendida como a capacidade máxima de autonomia que é capaz de conquistar.

O medo leva ao realismo colaboracionista ou claudicado, pelo qual o Estado abdica da capacidade de liderar seu destino, sendo colocado em uma situação de subordinação passiva, vinculando seu destino à boa vontade do estado subordinado.

O desejo de alcançar a capacidade de direcionar seu próprio destino leva ao realismo liberacionista, pelo qual o Estado, com base na situação atual, ou seja, subordinação, decide transformar a realidade para iniciar um processo histórico no curso do qual procurará adquirir os elementos de poder necessários para alcançar a autonomia. No processo de construção da autonomia, o primeiro estágio é a “subordinação ativa”.

As regras do sistema internacional

Afirmar que, no cenário internacional, o poder é a medida de todas as coisas, não implica postular a ausência de limites como ideal e regra de conduta para os Estados ou, desconhecendo a importância da moralidade internacional, da opinião pública internacional e os direitos internacionais como limites do poder dos Estados, mas partindo de uma leitura realista das regras de interação entre eles.

No sistema internacional, a lei não escrita é tão importante quanto a lei escrita. O sistema sempre tende a ser classificado inevitavelmente pelo interesse das maiores potências, por exemplo, os estados que têm mais poder.

Embora o peso da opinião pública nacional e internacional – inspirada no princípio da igualdade legal dos Estados e do respeito pelos direitos humanos – imponha certas restrições às ações internacionais dos Estados mais poderosos, também é verdade que existem prioridades absolutas ligadas ao interesses vitais das maiores potências que estão além de qualquer consideração da justiça ideal e abstrata.

Como evidenciado por numerosos exemplos históricos, quando em jogo os interesses vitais das maiores potências, o princípio da igualdade legal dos Estados se torna uma ficção que serve apenas a propósitos decorativos. As maiores potências tendem a impor em suas respectivas áreas de influência – ou na periferia como um todo, quando há consenso entre elas – certas regras, inspiradas em seus interesses vitais, que muitas vezes são convenientemente camufladas com princípios éticos e legais.

Escusado será dizer que o momento em que as grandes potências estão enfrentando são os melhores momentos históricos para um estado localizado na periferia do sistema tentar consolidar seu poder nacional e alcançar a máxima autonomia possível. As treze colônias, sendo territórios coloniais dependentes, poderiam alcançar a independência devido à França e Espanha estarem enfrentando a Inglaterra. O processo de industrialização na Argentina e no Brasil, essencial para esses países darem o primeiro passo para conquistar sua autonomia nacional, foi facilitado pelo confronto militar que ocorreu entre 1939 e 1945 no centro hegemônico do poder mundial.

Como entender a natureza do sistema e suas regras?

Agora, como você entende a natureza do sistema internacional e as regras não explícitas através das quais os estados mais poderosos tentam governar o sistema?

Karl von Clausewitz, em quem Raymond Aron estava tão inspirado a escrever sua obra monumental “Paixet guerre entre les nation“, fornece um princípio fundamental para esse fim quando ele diz:

    Seria um erro usar os componentes químicos de um grão de trigo para estudar a forma da espiga: basta ir aos campos para ver as espigas já formadas. A pesquisa e a observação, a filosofia e a experiência, não devem ser negligenciadas e nunca mutuamente exclusivas: elas se garantem. (Clausewitz, 1994: 27)

Claramente, o primeiro passo para entender o sistema e o desenvolvimento de uma metodologia e uma teoria das relações internacionais não pode ser dado senão a partir da observação da realidade. Hoje, como nos dias da Roma Imperial, continua sendo válido o apótema do grande historiador grego Políbio de Megalópole que, através de seu esforço para criar uma estrutura útil para entender algum aspecto da realidade política, foi um dos primeiros a esclarecer que “qualquer dissertação ou preparação teórica deve ser feita após observação cuidadosa da realidade e será a última que dará a categoria de ser assumida ou rejeitada” (Andreotti, 2000: 18).

Fazendo uma leitura das ações políticas tomadas pelas grandes potências, é possível começar a juntar as peças do quebra-cabeça da situação global. Contudo, o “presente” – isto é, o cenário internacional, as ações dos Estados, suas estratégias políticas, econômicas e ideológicas e a arquitetura interna do próprio sistema – não é entendido pela mera análise da realidade ou pelo simples acúmulo de crônicas sobre o presente.

É aqui que a história entra em cena, porque, através de um profundo estudo histórico, podemos começar a entender a natureza real da potência mundial. Portanto, nosso método é a análise do “ser” – o fenômeno político temporário molda internacionalmente a análise do “ser” – sua substância específica, voltando a “ser” um vislumbre do futuro.

Desde o “hoje” do sistema internacional (ou o estado hoje cujo comportamento é analisado) até o seu passado mais recente e mais distante é o “ser” – e seguindo, nesse sentido, o metol Alberto Ferré, podemos dizer que para entender o Para apresentar e projetar cenários futuros, é necessário fazer “uma jornada para as fontes a partir das quais os fenômenos que vemos hoje, para retornar a esta sendo uma bagagem de hipótese explicativa melhor com a qual investigar novamente o futuro presente-passado-presente-futuro: se você poderia traçar nosso método, essas seriam suas coordenadas”(Methol Ferré e Metalli, 2006: 12).

Refletindo sobre a importância do conhecimento histórico do método histórico para a compreensão do fenômeno político e do estudo das relações internacionais, Luiz Alberto Moniz Bandeira afirma:

Mal consigo entender a política externa e as relações internacionais de um país sem colocá-las em sua historicidade concreta, em suas conexões imediatas, em suas condições essenciais e em sua contínua mutação. Por último – não o agressivo passado morto – é a substância real do presente, que nada mais é do que uma evolução constante. (Moniz Bandeira, 2004: 32)

Em seu brilhante estudo “Ensaios na teoria e prática da política internacional”, Stanley Hoffmann adverte claramente que um dos problemas característicos que afligem as relações internacionais – intimamente ligado não à natureza delas, mas ao fato de que a disciplina nasceu nos Estados Unidos e ainda existe, sua residência principal – ênfase exagerada no presente, na preponderância de estudos que tratam apenas desse nó. Segundo Hoffmann, o erro dos estudiosos norte-americanos – que constitui uma séria fraqueza nas relações internacionais como disciplina de estudo, levando a uma real deficiência na compreensão do atual sistema internacional – repetida fora dos Estados Unidos porque especialistas de outros países tendem a refletem mais ou menos servilmente e com algum atraso a moda norte-americana”(Hoffmann, 1991: 25).

Quando enfatizada a importância do conhecimento histórico sobre as relações internacionais, como disciplina de estudo, deve-se advertir que a realidade de uma época só pode ser entendida durante todo o processo e que o “conhecimento do processo histórico requer, portanto, compreensão os fenômenos no contexto da época, ligados às estruturas da sociedade em que ocorreram, revelando a conexão da causalidade, sem recorrer a uma conceitualização abstrata de valores alheios à realidade da época. Você não pode julgar a época como aqueles valores políticos e morais gerados em tempos posteriores”(Moniz Bandeira, 2006: 32).

Entendemos, portanto, que o conhecimento histórico é a chave para a compreensão de hoje e a previsão dos fluxos de energia de amanhã, porque o passado, como substância real do presente, molda o futuro. Para Hans Morgenthau:

Traçar o curso dessa corrente (de poder) e os vários afluentes que a compõem, e antecipar mudanças de direção e velocidade, é uma tarefa ideal do observador da política internacional. (Morgenthau, 1986: 193)

Os Estados, como grandes atores no cenário internacional, adquirem um caráter específico nas circunstâncias em que foram formados e desenvolvidos. A impressão recebida pelos Estados em seus estágios fundadores modela, de certa forma, seu comportamento subsequente no cenário internacional. Assim, ‘a tendência ao messianismo nacional, acentuada no povo americano (EUA) pela crença de ser o escolhido de Deus, gerou a ideia de que o destino manifesto dos Estados Unidos era expandir-se por todo o hemisfério, não apenas suas fronteiras territoriais, mas também o econômico. E essa ideia, que der Geist des Volkes, condensou e liderou sua história”(Moniz Bandeira, 2004: 33). Como justamente argumenta Moniz Bandeira, não é possível entender o que são Estados Unidos, Argentina, Brasil, Uruguai, nem qualquer outro Estado sem conhecer profundamente seu passado, suas origens e como eles evoluíram ao longo dos séculos:

    Os médicos, para diagnosticar uma doença, geralmente buscam conhecer a história pessoal e a história familiar do paciente. O conhecimento sobre a vida  dos indivíduos, sua capacidade e sua vocação são obtidos a partir da maneira como a pessoa agiu ou o que ocorreu ao longo de sua vida, ou seja, através do seu currículo ou ficha policial. Portanto, a compreensão do fenômeno político ou de uma política estatal deve ser através do conhecimento da história, pois, se nada é absolutamente verdadeiro, também nada é absolutamente contingente, casual. (Moniz Bandeira, 2004: 32)
Bibliografia

ANDREOTTI, Gonzalo Cruz, “Introdução geral” a POLIVIO, Historia. Libros I-V, Madri, Ed. Gredos, 2000.

CLAUSEWITZ, Karl von, De la guerra, Buenos Aires, ed. Labor, 1994.

HOFFMANN, Stanley, Jano e Minerva. Ensaios sobre a guerra e a paz, Buenos Aires, Editor do Grupo Latinoamericano, 1991.

METHOL FERRE, Alberto y METALLI, Alver, América Latina do século XXI, Buenos Aires, ed. Edhsa, 2006.

MONIZ BANDEIRA, Luiz Alberto, Argentina, Brasil e Estados Unidos. Do Triplo Alianza ao Mercosul, Buenos Aires, ed. Norma, 2004.

MONIZ BANDEIRA, Luiz Alberto, Formação dos Estados na Califórnia, Buenos Aires, Editor do Grupo Norma, 2006.

MORGENTHAU, Hans, Política entre as regiões. Lucha pelo poder e paz, Buenos Aires, Editor do Grupo Latinoamericano, 1986.

Autor: Marcelo Gullo

Traduzido para publicação em dinamicaglobal.wordpress.com

Fonte: Katehon.com

Leia na íntegra: KATEHON 

*Terraplanismo – Analogia

Desde a antiguidade estuda-se a probabilidade da terra ser esférica (Pitágoras)

Universum Heikenwaelder Hugo, Austria,Camille Flammarion (1842-1925) L'atmosphère météorologie populaire, Hachette, Paris, 1888, p. 163

Imagem: Universum – Heikenwaelder Hugo, Austria,Camille Flammarion (1842-1925) L’atmosphère météorologie populaire, Hachette, Paris, 1888, p. 163

Pesquisa divulgada pelo Instituto Data Folha afirma que 7% dos brasileiros acreditam que a terra é plana, isso poderia parecer cômico e fruto da ignorância se não fosse assustador.

Deixando o empirismo, apenas em 1961 o russo Yuri Gagarin pode observar que a terra era redonda e azul, segundo suas observações feitas na hora.

No século XV, o genovês Cristóvão Colombo teve trabalho para fazer entender que a terra era redonda, isso, pelo fato da igreja presa aos seus dogmas, condenava e perseguia todos aqueles que pensavam e divulgavam que morávamos num lar em forma de globo, alguns foram queimados em fogueiras, outros, tiveram que negar a ciência para não serem queimados.

Após Pitágoras ter explicado que a terra era esférica, passaram dezenove séculos até Colombo navegar e afirmar que a terra não tinha fim, isso é; não acabava como afirmavam os terra-planistas (colocar um ovo em pé , um ovo cozido, porém provou que poderia, uma ‘metáfora proverbial’ e brincadeiras a parte).

Se a quase dois milênios o mundo ocidental partia do conhecimento empírico que a terra era redonda. Porque regredimos tanto e vivemos todo este tempo acreditando que ela era plana ?

A repressão, a castração religiosa, o domínio das castas fazendo acreditar que as massas eram inferiores, por este motivo as camadas populares eram proibidas de ler. O conhecimento e a produção deste conhecimento e da ciência sempre foi exclusividade das classes dominantes. E neste ponto a classe dominante não quer perder a hegemonia.

  • O que tem a ver o até agora mostrado com os adeptos do terra planismo atual ?
  • Simples, uma frase apenas: A volta das formas de dominação que a humanidade atravessou durante todo o período da “idade das trevas“. Por isso a maior ferramenta usada para a pratica do terra planismo é a religião.

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Imagem: O ovo de Colombo Columbus_Breaking_the_Egg’_(Christopher_Columbus)_by_William_Hogarth_Breaking_the_Egg’_(Christopher_Columbus)_by_William_Hogarth

Para entendermos melhor a situação do “terraplanismo” na Europa e sua expansão pelo planeta (influencia o mundo eurocêntrico conservado e conservador até os dias atuais), podemos ler e estudar a obra de três pesquisadores e pensadores dos mais corajosos de todos os tempos. O polonês Nicolau Copérnico – 1473/1543 (desenvolveu a teoria do HeliocentrismoTeoria quantitativa da moeda e a  Lei de Gresham) , o italiano Giordano Bruno – 1548/1600 (seus livros e tratados influenciaram Galileu GalileiGottfried Wilhelm LeibnizArthur SchopenhauerFriedrich Wilhelm Joseph von Schelling),o italiano Galileu Galilei – 1564/1642 (suas obras mais importantes, sobre: CinemáticaAnalytical dynamicsTelescópio e comprovação do Heliocentrismo).

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Imagem da internet – Giordano Bruno

É importante entendermos o contexto histórico da passagem destes três fantásticos pensadores. Citando um, Giordano Bruno teve seus livros queimados na Praça São Pedro, após oito anos de carcere e sofrimento ele foi assassinado pela inquisição cristã por não ter renegado à ciência. Este exemplo real é o mais simbólico para entendermos o “terraplanismo” atual, que nada mais é do que a volta as origens, ou, a volta à “idade das trevas“.

Vamos a algumas observações:

* Na idade média apenas a nobreza e a igreja tinha acesso a cultura e ao conhecimento cientifico (produção e estudo), mudando este conceito após o surgimento da classe de artesões e o mercantilismo, nascendo nesta época, as escolas mais ou menos como as conhecemos hoje em dia, o ensino antigamente era praticado tete-a-tete, e só aprendia as famílias ditas nobres.

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Imagem da internet: Professor e alunos em sala de aula no século XV

Este é o objetivo da classe dominante atual, por isso são contra a educação de qualidade, casos há em que são contra qualquer tido de educação, a classe média (ela acredita que é classe dominante) quer ter exclusividade na produção do conhecimento cientifico e cultural, a classe média não aceita perder esta prerrogativa, neste ponto a classe média é usada a vontade pela classe dominante.

*Na idade das trevas a nobreza acreditava ser dona de coisas e pessoas, um dono de feudo poderia matar um servo infiel e jamais seria condenado, poderia requisitar a noite de nupcias de noivas residentes em seus feudos, aumentar impostos, diminuir impostos, tomar propriedades (?), etc, etc. 

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Imagem: O direito do Senhor Feudal à primeira noite com a noiva – ‘JUS PRIMAE NOCTIS’

Atualmente a policia mata e nada acontece, um exemplo é o bonito estado do Rio de Janeiro, o governador atual da o exemplo e sai caçando pessoas de helicóptero, ri e dança alegremente quando sua PM mata um sequestrador de ônibus, sequestrador  sem antecedentes e provavelmente usando um simulacro. Os estupros, abusos e violência contra mulheres e crianças aumenta assustadoramente e alguns juízes ainda colocam culpa nas vitimas (por tentar seduzir o violador alegam alguns), sendo que a primeira pergunta algumas vezes é, que roupa a vitima usava, ou ainda, estava alcoolizada.

* Na idade média a nobreza alimentava suas luxurias a custa do trabalho, do suor e do sangue dos aldeões, estes trabalhavam diuturnamente com toda a sua família, incluindo crianças bem pequenas, nada era suficiente, a cada nova proposta o aumento de impostos vinha em primeiro lugar.

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Imagem: Impostometro 

Usando o Brasil como exemplo, o impostometro sinaliza quase 1Tri e 800Bi arrecadados em impostos, isso apenas nestes nove meses de 2019, bem pior que antigamente, antes havia os arrecadadores de impostos, que por alguns motivos nem passavam cobrando, hoje o desconto é feito na fonte, não possibilitando ao trabalhador qualquer alternativa para sonegar.

Já é o suficiente para começarmos a pensar no “TERRA PLANISMO” contemporâneo, ele tem multiplicado o numero de adeptos a cada dia ? Sim, o terra planismo nada mais é que a volta a “idade das trevas“, o retorno a todo o obscurantismo que a humanidade atravessou durante alguns milênios. Não se trata apenas de uma falta de noção, conhecimento, um humor bufo ou apenas observações pra causar polemicas e manter o nome de seus autores na mídia.

Vai muito além do que uma simples piada de mal gosto, como os atentados em escolas e igrejas, os assassinatos étnicos ou a criminalização da pobreza, o terra planismo é uma filosofia desenvolvida e a cada dia multiplicada em seguidores, é algo pra se temer e combater no lugar de se rir.

Só lembrando, hitler era terra planista, não na visão geografia da terra, na visão filosófica contemporânea, queria apenas o domínio total da raça humana, não teve exito, mas deixou seus filhotes pra continuar sua obra.

Por: villorBlue

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*América Perde a Ásia-Pacífico. O Domínio Total do Espectro Continua a Falhar

Como o império nos enxerga ?

Como fornecedores de riqueza e prazer

O mundo segundo os EUA

Sempre trabalhando um pouco mais do que a maioria para ficar um passo abaixo da realidade, o secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, fez observações especialmente sinceras nesta semana, de que a retirada do EUA do INF foi programada para um direcionamento de forças contra a China.

Falando a Fox em 21 de agosto , Esper disse: Queremos ter certeza de que nós, como nós precisamos, ter a capacidade de impedir o mau comportamento chinês … China é a prioridade número um para este departamento. Está descrito na estratégia nacional de defesa, por que achamos que é um concorrente estratégico de longo prazo e que está buscando uma campanha de maximização, se você preferir, em todo o teatro indo-Pacífico, seja político, econômico ou militar … ”

Ecoando um pouco o Dr. Strangelove, Esper afirmou que há uma mudança iminente de conflito de baixa intensidade que dura 18 anos para conflitos de alta intensidade contra concorrentes como Rússia e China“.

Enquanto os exercícios militares americanos no Pacífico se desenrolavam na porta da China a um ritmo acelerado desde que o Pivot para a Ásia foi anunciado em 2011, com o mais recente exercício bienal EUA-Austrália Talisman Sabre e jogos de guerra Ulchi Freedom EUA-Coréia do Sul este mês , a China não permaneceu ociosa.

Em resposta à vasta gama de infra-estruturas militares americanas construídas na fronteira com a China, a China reagiu revelando tecnologias de mísseis anti-balísticos de ponta, incluindo armas hipersônicas para combater a ameaça americana. Uma grande parte da resposta defensiva da China inclui o sistema anti-míssil russo S400, que também está sendo adotado pela Índia, Turquia, Síria e Emirados Árabes Unidos como um sistema unificado que torna os sistemas americanos THAAD e ABM impotentes e obsoletos. Embora não confirmados , os generais americanos temem que a China esteja construindo uma base naval conjunta China-Camboja na província de Preah Sihanouk, que dá à China acesso fácil às águas costeiras do Golfo da Tailândia e pronto acesso ao Mar da China Meridional.

A impotência militar dos EUA, quando confrontada com as novas tecnologias de ponta reveladas pela Rússia e pela China, foi descrita em um relatório recente divulgado pelo Centro de Estudos dos EUA da Universidade de Sydney, que afirmava que “os EUA não desfrutam mais da primazia militar no Pacífico indo e sua capacidade manter um equilíbrio de poder favorável é cada vez mais incerto. ” Referindo-se às armas antiaéreas avançadas da China, o relatório diz que os sistemas de contra-intervenção chineses minaram a capacidade da América de projetar energia na região indo-pacífica ”, que, segundo os autores, poderiam tornar-se impotente nas primeiras 8 horas de conflito.

Em vez de usar essas informações para propor uma nova doutrina de segurança baseada na cooperação e no diálogo oferecida pela China em inúmeras ocasiões, os autores do relatório se juntam ao mundo de fantasia de Esper pedindo uma estratégia de “defesa coletiva” semelhante à OTAN do Pacífico, na qual todos dos aliados estadunidenses do Pacífico poderiam se unir em uma aliança militar anti-chinesa e aliviar a América do fardo de levar a Segunda Guerra Mundial por conta própria.

Sabemos que a OTAN do Pacífico está em discussão há algum tempo e esteve no centro dos recentes exercícios navais da Pacific Vanguard realizados entre os EUA, Austrália, Japão e Coréia do Sul em maio de 2019, com a participação de 3000 soldados, dois destróieres japoneses, um Destruidor sul-coreano e duas fragatas australianas em seu primeiro jogo de guerra conjunto. Essa perspectiva também estava por trás do exercício naval de agosto realizado pela Malásia, EUA, Nova Zelândia e Austrália em Guam. Os EUA têm 54.000 soldados no Japão e 28.000 na Coréia do Sul.

Quando a China e a Rússia realizaram sua primeira patrulha aérea conjunta de longo alcance na Ásia-Pacífico em julho de 2019, a Coréia do Sul e o Japão embarcaram em jatos para interceptar as aeronaves chinesa e russa, com a Coréia do Sul disparando centenas de tiros de alerta. Apoiados pelos EUA, os dois países asiáticos gritaram alto (e sem evidências) que seu espaço aéreo havia sido violado.

Em resposta aos comentários beligerantes de Esper e do relatório australiano, o Ministério das Relações Exteriores da China disse que “a China está firmemente em um caminho de desenvolvimento pacífico e nossa política de defesa nacional é de natureza defensiva”. A China foi além, fornecendo uma estrutura cooperativa sob a “Iniciativa do Cinturão e Rota“, construída em torno da brilhante agenda política de fornecer soluções diplomáticas para pontos de tensão geopolíticos por meio de estratégias de desenvolvimento econômico que enriquecem todos os participantes. Essa abordagem proporcionou um grande retorno à China, através da eliminação de tensões com outras nações que reivindicam território no Mar da China Meridional – especialmente sob a orientação pró-BRI do Dr. Mahathir Mohammed, da Malásia, e do Presidente Duterte das Filipinas .

Não se sentindo à vontade sendo pego no fogo cruzado de uma troca nuclear, o Japão e a Coréia do Sul também chegaram ao ponto de criar um novo acordo de cooperação trilateral com a China em 21 de agosto, baseado nos projetos de troca da próxima geração em três países. Esperamos discutir parcerias orientadas para o futuro e assuntos regionais, incluindo a Coréia do Norte. ” O acordo também permite o investimento em união internacional em todos os países que operam sob a estrutura do BRI. Juntos, os três países representam mais de um quarto da produtividade mundial e têm tudo a ganhar trabalhando juntos.

Os oficiais militares americanos que promovem a doutrina obsoleta do domínio do Full Spectrum estão dançando ao som de uma música que parou de tocar há algum tempo. Tanto a Rússia quanto a China mudaram as regras do jogo em vários níveis e podem responder com força fatal a qualquer ataque ao solo com armas da próxima geração além do escopo de qualquer coisa imaginada pelos teóricos dos jogos das torres de marfim no oeste.

O navio da história mundial mudou de rumo das corredeiras da guerra e do colapso econômico, à medida que a Iniciativa do Cinturão e Rota ( Belt and Road Initiative) cresceu para proporções nunca imaginadas possíveis apenas alguns anos antes e os próximos meses serão decisivos, à medida que o Ocidente fizer uma alto critica. e decidir qual futuro gostaria de ter.

DO: Strategic Culture

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