*Pelo Fim das linhas Burguesas Divisórias…

Destruindo As Barreiras e as Linhas Divisórias, Acaba-se com o Movimento Migratório: Pelo Fim do Regime Burguês de Produção e Dominação

*O movimento Migratório Atual – por villorblue

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algum tempo atrás, fui a uma exposição de fotografias no MON, do foto/jornalista Sebastião Salgado, fiquei pensando sobre o processo migratório e suas causas, desde 1993 Salgado vem fotografando o movimento migratório de seres humanos em todo planeta. Inteirei – me (surpreso), que quase cento e cinqüenta milhões de pessoas sofrem deste processo migratório atualmente e vivem fora de seus locais de origem, numero altíssimo se levarmos em consideração o aumento da população mundial atual que paira em torno de cem milhões de seres humanos anualmente. O aumento é ainda mais assustador, cerca de dez milhões de pessoas engrossam este cordão todos os anos, mantendo estas proporções, daqui a dez anos esta enorme fila migratória terá duzentos e cinqüenta milhões de pessoas, em 1985 eram trinta milhões. Partindo desta analise, Salgado andou por 45 países, durante 7 anos, 45 países é quase um quarto do numero total de nações, se levarmos em consideração os 202 países existente, (dados de 2002, de acordo com a Wikipédia), o que da ao seu trabalho uma importância impar.
Os primeiros povos a migrarem para as Américas (por volta de 48 a 60 mil anos) emigraram da Ásia, provavelmente atravessando o estreito de Bering, alguns teóricos pensam também, que povos oriundos da Polinésia, Malásia e Austrália atingiram a America do sul navegando através do Oceano Pacífico, esta seria outra corrente.
Próximo ao ano de 1500 habitavam o Brasil entre 5 a 6 milhões de nativos, (destes , sobreviveram em péssimas condições de vida e com suas culturas em frangalhos, aproximadamente 200 mil pessoas), poderíamos discorrer ainda mais sobre muitas situações historicamente conhecidas, mais isto não vem bem ao caso, o que eu gostaria de evidenciar seriam as “causas de repulsão e de atração” que evidenciam alguns destes movimentos migratórios em alguma regiões.
Partindo das três causas que a meu ver são as mais importantes, “perseguições político/regionais, econômicas e de natureza climática”, sigo minha linha de pensamento e procurarei me concentrar na atualidade, sendo que posso retornar a historia para ilustrar ou reforçar algum raciocínio.
Segundo o ACNUR (Auto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), a maioria dos refugiados internacionais migra em busca de empregos, ou melhores empregos e melhores salários, após isso vem ás causas de guerras, perseguições étnicas e religiosas, – não nesta ordem obrigatoriamente -, este movimento objetiva principalmente ao EUA e a Europa ocidental e se originam a partir da África, America do Sul e regiões sul e sudeste da Ásia, como podemos constatar, das nações mais pobres do planeta.
Se as causas principais de repulsão da migração atualmente são as acima citadas, poderemos pensar um pouco mais sobre as causas de atração.
Esta analogia é bem simples, mais a partir dela entraremos em uma noção maior. Tenho um trabalho atualmente, ganho muito pouco, na cidade vizinha tem varias empresas com muitos empregos e remuneração maior, a cidade tem uma qualidade de vida melhor. O que eu faço? Fico? Migro? Ai esta a duvida.
Para sobreviver mais confortavelmente, o sistema capitalista teorizou e generalizou. Nas regiões em que ele retira matérias primas para manter seu parque industrial manufatureiro, os salários são vergonhosos, em regiões onde estão implantados os parques industriais os salários são menos vergonhosos e onde estão alojados os executivos, as gerencias, diretorias, etc., os salários são bem melhores. O leitor quer um exemplo? A Adidas abriu uma fabrica na Ásia, mão de obra barata e matéria prima quase de graça, os executivos continuam no EUA com seus salários fabulosos, é assim com todas as transnacionais, carros, cigarros, alimentos, eletrônicos, informática, roupa, etc, etc…Um exemplo mais fácil de confirmar por estar mais próximo, a Cba, (companhia brasileira de alumínio) do grupo Votorantim, comprou a troco de bananas uma vasta extensão de terras na região do Vale do Ribeira (a região com o menor IDH do estado de São Paulo), na divisa entre Paraná e São Paulo, Brasil.
Porque comprou a preço de banana? Primeiro a região sofreu todo um processo de empobrecimento regional ao longo dos últimos anos, fatos divulgados na mídia, falta de investimentos sociais, inexistência de investimentos em infra- estrutura para escoamento da produção agrícola, criação de empregos, etc. A região em evidencia ficou abandonada por um longo tempo, noticiou-se que a Cba (Cia Brasileira de Alumínio) iria construir uma represa (Usina do Alto Tijuco) no rio Ribeira do Iguape, esta represa iria alagar uma vasta área e “ai daquele que teimasse em viver nas regiões abaixo”, na cidade vizinha, Apiaí em São Paulo, tem uma grande mineradora de Cimento, (matéria prima), em outro município limítrofe Adrianópolis no Paraná, tem uma mina (meio desativada..?) de chumbo, prata e ouro (matéria prima), dizem os moradores da região, mais esclarecidos e antigos, que as serras que serpenteiam a região são ricas em ferro, alumínio, prata, urânio e outros. Estas terras atualmente pertencem a Cba, a maioria foi comprada a um preço muito baixo, como a região há muito tempo esta sem investimentos nas áreas sociais, a população em geral, (os pequenos proprietários de terra, etc), venderam ou abandonaram as terras, indo engrossar as periferias das grandes cidades em busca de trabalho. Este exemplo, simplório, por estar mais próximo, faz com que entendamos melhor a situação global.
Nos últimos anos no Brasil, vemos constantemente migrantes morando clandestinamente nas grandes cidades. Quem são estes migrantes? Geralmente oriundos da África, Ásia e America do Sul e geralmente se movimentam por causas econômicas. Quanto ao movimento nacional, sempre tivemos uma grande movimentação da região nordeste e norte do Brasil rumo a região Sudeste/Sul, como a situação de empregos em São Paulo e Rio de Janeiro esta saturada atualmente, se detecta movimentos do Nordeste em direção a alguns estados do Norte (Tocantins, Pará, etc) originados do Piauí, Maranhão, e outros. E na região Sudeste nota-se também o contrario de anos anteriores, habitantes de origens nordestinas estão migrando ou retornando para sua região de origem.
Retornando aos movimentos internacionais, vamos citar um país de origem, poderia citar a China, qualquer região da África, Coréia, qualquer um, especificando citarei apenas a Bolívia. Temos visto constantemente na mídia principalmente em São Paulo, historias de bolivianos que migram e se vem envolvidos em algum problema, geralmente são vitimas de aproveitadores, que lhes tiram o pouco dinheiro que ganham, prometem rios e fundos e não cumprem o que prometem, estes irmãos trabalhadores, que arriscam tudo para conseguir um lugar ao sol, vivem escondidos, trabalham até 20 horas por dia para ter algum lucro, numa clássica relação corroída entre capital e trabalho, isto é, semi escravidão. Este é apenas um exemplo brasileiro, (isto é, falando apenas dos movimentos dentro do território brasileiro. No geral este tipo de problema é igual –só ampliando ou diminuindo suas proporções/micro ou macro- em todas as regiões do planeta onde existe a recepção de migrantes, veja o caso do Japão e seus migrantes brasileiros, “os decasséguis”, eles são vigiados quando entram em supermercados, lojas, etc.), talvez por ignorância e um perfeito desconhecimento da situação destes trabalhadores, olham estes migrantes como se fossem os grandes (ou parte) responsáveis pela péssima situação ou problemas em que vivem, ou por todos os problemas gerados na região onde moram e por serem geralmente pobres, são vistos abaixo da linha do preconceito, desprezados e se não bastasse a falta de benefícios e os baixos salários a que são submetidos em seus trabalhos semi escravos.
COMO O TRABALHADOR DE UMA NAÇÃO POBRE, VÊ UMA NAÇÃO RICA E IMPERIALISTA…
Esta visão serve para quaisquer países em qualquer continente, para facilitar o entendimento exemplificaremos o Brasil como receptor do movimento.
Como um paraguaio, peruano, boliviano, etc, vê o Brasil lá fora? Geralmente sendo este trabalhador um pouco mais consciente, pensa de primeira, é um pais rico e imperialista. Espera lá. Imperialista? Com certeza, desde há muito tempo. Lembram do tratado de Tordesilhas? E da guerra do Paraguai? E a situação do Acre? E do estado de Santa Catarina? A mudança destas divisas e ganho de território foram simples manobras imperialistas, tenho em consciência que toda nação receptora de movimentos migratórios são diretamente responsável pelas regiões pobres do planeta.
Se existe regiões empobrecidas, os mais ricos exploram suas matérias primas como um aspirador de pó absorve a poeira de um tapete. Só os países mais ricos têm parques industriais para transformar esta matéria prima em objetos comerciáveis, apenas eles possuem também saída para estes produtos através das câmaras mundiais, sendo assim impõe a estas matérias prima o preço que querem, relegando aos mais pobres apenas o trabalho e o (in) conformismo.
O Brasil é visto pelo proletário da America Latina, África, sul e sudeste da Ásia, como um país rico e imperialista (não me refiro a população extremamente pobre e as suas tristes realidades), a historia e os dados estão aí para atestar este imperialismo e os índices confirmam que o pais (não a população) não é pobre (PIB, reservas internas e internacionais, arrecadação de impostos, etc.), miserável somos nós, sua massa explorada, esta miséria geralmente não é mostrado no exterior, infelizmente a propaganda internacional mostra apenas mulheres de biquíni, corpos torrados ao sol, como se o Brasil fosse apenas uma grande nação de fornicadores e lascivos.
Como entrar no Brasil é mais fácil do que entrar em países da Europa ocidental e EUA, o Brasil seria uma das opções para se trabalhar e ganhar dinheiro, por três motivos maiores, em parte por se falar o português, o brasileiro aceita razoavelmente o migrante, temos muitas empresas (micro, pequenas, e medias) que admitem estrangeiros sem constrangimentos, incluindo neste aceite os clandestinos, estas facilidades agem como um farol sobre os mais pobres de outros países, norteando e obcecando.
Na idade media o tema dos bárbaros colonizadores, era “não existe pecado ao sul do equador”, isso prevalece como se fosse um arquétipo maldito (este lema foi um dos grandes responsável pelo extermínio da nação indígena brasileira).
Voltando um pouco, se exige pouco das empresas que exploram matéria prima nas áreas das, relações do trabalho, ecologia e sociais, as matérias primas geralmente são vendidas na sua forma pura para outros países (a não ser em países do primeiro mundo onde geralmente são beneficiadas e manufaturadas no local de extração, ver o vale do silício na Califórnia-EUA), deveriam ser beneficiadas em seus locais de extração, se assim ocorresse, seriam gerados um grande numero de empregos nos países do terceiro mundo, contribuindo para o aumento do IDH nestas regiões e segurando os trabalhadores em suas regiões de origem, reduzindo em muito o movimento migratório.
ALGUMAS CONSEQUÊNCIAS SOBRE O TRABALHO DE MIGRANTES ILEGAIS..
Local: Japão, qualquer estado ou cidade, alguns decasséguis moram num prédio de apartamentos simples, dividem um quarto/cozinha, trabalham para um empreiteiro que não conhecem bem o nome, não tem carteira assinada, não tem benefícios, não tem convenio medico, não tem décimo terceiro, apenas saem de férias quando ocasionam férias coletivas na empresa, 15 ou 20 minutos de almoço, não podem financiar imóvel, carro, ou quaisquer bens duráveis, compram somente a vista, não podem se envolver em acidentes de transito. Como vemos, não difere muito de trabalhadores estrangeiros que moram e trabalham no Brasil, ilustrei este constatado, apenas para mostrar que as contradições entre o capital e o trabalho são comuns em qualquer lugar do planeta, apenas minimizado em algumas regiões, este exemplo poderia acontecer nos EUA, Alemanha, França, ou qualquer outro país, o capital abre e fecha filiais em qualquer parte do mundo, não se importa com o ser humano, ele migra ao bel prazer. Para abrir uma fabrica no Brasil e oferecer 750 empregos diretos, uma indústria automobilística francesa fechou uma fabrica na Bélgica onde mantinha 7500 postos de trabalho diretos (Para onde foram estes trabalhadores demitidos?), isso é apenas um exemplo entre milhares. O sistema só não consegue mudar os locais de exploração das matérias primas.
CONCLUSÃO
Gostaria ao concluir, explanar algumas idéias para tentarmos, senão sanar definitivamente (não acredito que nos parâmetros do sistema capitalista estes conflitos sejam solucionados definitivamente), ao menos amenizar o gravíssimo problema do movimento migratório, não é concebível, seres humanos trabalhando em condições subumanas em regimes escravagistas ou semi-escravagistas apenas porque vêem de uma região mais pobre, por pertencer a outras minorias, etc., na situação de foragidos ou banidos políticos, ou então por causa de cataclismos naturais, ou simplesmente por pertencer às áreas mais pobres do planeta, todos devemos ser respeitados dignamente. Se o sistema vigente não tem capacidade para solucionar esta e outras situações degradantes referente ao ser humano, que reconheça. Só assim a humanidade poderá debater e encontrar seu caminho. Para abrir a discussão, seleciono alguns tópicos para serem colocados em prática a curto e médio prazo, estes tópicos, apesar de gerarem um grande trabalho para sua concretização, são viáveis.

• Beneficiamento das matérias no local de origem de extração, ex. minério do ferro, alumínio, cobre, cal, cimento, madeira, grãos, subprodutos do petróleo, etc.
• Após serem beneficiadas estas matérias (não havendo condições de serem manufaturadas no local), as empresas compradoras por excelência devem exigir das vendedoras as, ISO’s 9000, 14000 e 18000, que regem sobre o controle das qualidades ambientais e das relações do trabalho.
• Um fundo internacional (teoricamente já existe) uma espécie de tributo cobrado de empresas transnacionais e destinados a educação e saúde em países do terceiro mundo, principalmente as regiões mais pobres do planeta, para que não houvesse desvios este fundo seria aplicado pela FAO e UNESCO, seria fiscalizado por ONGs, associações locais, organismos internacionais de auditoria, toda a comunidade envolvida, sindicatos, etc., quanto mais fiscalização mais eficiente sua distribuição.
• Uma reformulação dos salários nas regiões onde originam os disparos emigratórios, para que estas regiões se tornem atrativas para todos. As nações devem envolver-se neste processo, através de fóruns constantes e soluções diretas e praticas.
• O debate constante em fóruns, seminários, nas escolas, nas igrejas, dentro de secretarias e ministérios de governos, para solucionarmos definitivamente o problema dos preconceitos raciais, sociais, étnicos, sexo, etc. …

Com alguns destes tópicos alinhados, gostaria agora de prendê-lo um pouco mais nesta leitura e falar sobre alguns relatórios atuais de organismos com aos quais não tenho duvidas sobre exatidão e seriedade:
Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o aumento dos preços dos alimentos no mundo fez o numero de famintos aumentar em 40 milhões em 2008. a FAO divulgou na data de 09/12/2008 que a fome já atinge 963 milhões de pessoas. A FAO disse ainda que a crise mundial levara ainda mais pessoas a esta condição. Segundo a FAO, os problemas estruturais da fome, como falta de acesso à terra, ao credito, e ao emprego, combinados com o aumento dos preços dos alimentos permanecem como uma dura realidade para milhões de pessoas . A FAO relatou ainda que grande maioria destes famintos -907 milhões- vive nos países pobres. Destes, 590 milhões moram em sete países, são estes; Índia, China, Congo, Bangladesh, Indonésia, Paquistão e Etiópia, este mesmo relatório informa que na África Subsaariana, um terço da população -236 milhões- vive em estado de fome crônica. Sendo a maior proporção dentre os continentes. O Congo foi disparado o país Africano onde a fome mais se alastrou. A população de famintos passou de, 26 por cento em 2003/05 para 76 por cento em 2008. Na America Latina e Caribe, a fome atinge 51 milhões de pessoas atualmente.
Outro relatório desta vez emitido pela Comissão Econômica para a America Latina e o Caribe, ( Cepal ), informa que a crise do “sistema capitalista” (eles não usam sistema capitalista, usam crise financeira global), provocara um aumento no numero de pobres e indigentes na America Latina nos próximos anos, acirrando ainda mais os problemas que atravessamos.

Minha opinião para abertura de uma discussão sobre o tema “MOVIMENTO MIGRATÓRIO”.
Como em todas as crises da historia, quem sofre realmente são as massas oprimidas, pagando um alto preço pela dissolução dos problemas do sistema de exploração, nada mais sensato que, as massas tomem as rédeas para a condução de uma sociedade onde realmente a fraternidade e a solidariedade sejam focados como ponto central de todas as políticas. Não vejo outra solução.

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*Eles apenas pensavam e protestavam…foram assassinados – por villorblue

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43 crianças sequestradas e assassinadas no dia 27 de setembro de 2014… México e o extermínio sistemático dos povos autóctones nas AméricasIsso é uma herança do maldito psi e parece não ter fim…

O que aconteceu no México, após o 27 de setembro de 2014? As fotos em redes sociais, o vídeo na Internet, e acima de tudo, as experiências pessoais de boca transmissíveis, passeatas realizadas, intervenções artísticas e políticas em espaços públicos, greves em universidades e milhões de pessoas indignados com um evento que já passou as fronteiras nacionais. “Vivos foram levados, vivos nós queremos!”, “Não somos nós todos, faltando 43”, “Somos todos Ayotzinapa” “Você pode ser você, eles poderiam ser seus filhos” fazem parte dos slogans que gritavam nas últimas semanas, cansados de impunidade e vendo essa afronta à sociedade como os professores-alunos. É a consciência coletiva que ganhou uma batalha feroz contra o individualismo até então invicto. E é por isso que não é raro (quando você acessa os solidários do Facebook ou do Twitter) ver banners mexicanos em vários idiomas, mostrando fisionomia solidaria: “A sua luta é a nossa luta”, “Nous Sommes Tous Ayotzinapa” ” Demokratie em Mexiko ist ein Betrug “. A partir da eleição de 2012, Colima começou a cantar no mesmo tom que o resto do país, ou pelo menos uma parte da sociedade de Colima. A quarta-feira do lado de fora da catedral, na marcha organizada pelo CEU e por estudantes de filosofia, podemos ver unidos os zapatistas, as feministas de diferentes grupos, artistas, professores, sindicalistas, estudantes organizados e não organizados e uma série de pessoas difíceis de classificar. É Colima se opondo solidariamente ao silêncio indolente das elites.

Leia mais;…http://ceucolima.blogspot.com.br/

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*A Syngenta na guerra do Vietnã – por villorblue

Leia tambem: https://radioproletario.wordpress.com/2016/01/12/mosquitos-geneticamente-modificados-liberados-aos-milhoes-inclusive-no-brasil/

História e Sociedade (27)

A Syngenta é uma empresa transnacional do agronegócio com sede na Suíça. A empresa tem operações em mais de 90 países, e emprega mais de 19.500 pessoas. Em 2006, suas vendas foram de US$8,1 bilhões, tendo 80% de sua receita proveniente de agrotóxicos e 20% da produção de sementes. A Syngenta é a terceira maior empresa do setor de sementes no mundo.

A Syngenta resulta de mais de dois séculos de fusões de empresas européias do setor químico. Segundo Brian Tokar, o antecessor mais velho da Syngenta foi J.R. Geigy Ltd., que foi fundada na Suíça em 1758, e começou a produzir químicos industriais inclusive tintas, tinturas e outros produtos. A Geigy ficou famosa e rica quando descobriu a eficácia inseticida do Dicloro Difenil Tricloroetano (DDT, atualmente, produto este proibido em boa parte do planeta). A Syngenta também tem raízes na Industrial Chemical Industries (ICI), uma empresa de explosivos fundada na Grã Bretanha em 1926 por Alfred Nobel, o inventor da dinamite. A ICI abastecia as Forças Aliadas durante a Segunda Guerra Mundial com explosivos e químicos para uso como arma química. Em 1940, a ICI descobriu as propriedades seletivas do ácido alphanapthylacetic, e sintetizaram os herbicidas MCPA e 2,4-D. O herbicida, agente laranja como é conhecido popularmente, derivado do 2,4-d, posteriormente foi usado pelos militares dos estados unidos durante a guerra imperialista do Vietnã , a grande propaganda de guerra americana na época, dizia que o agente laranja era utilizado para desfolhar as arvores, porém na realidade era utilizado para desfolhar a carne dos norte-vietnamitas. Em 1970 a Geigy e a Ciba se fundiram para formar a Ciba-Geigy, uma grande empresa com operações em mais de 50 países. Em 1994 a ICI desmembrou seus setores de químicos farmacêuticos e agrotóxicos dando origem à Zeneca Group PLC. A Zeneca fundiu-se com a Astra AB da Suécia em 1998, criando a AstraZeneca. Em 1996, a Sandoz, uma outra empresa Suíça formada em 1876, fundiu-se com a Ciba-Geigy para formar a Novartis, a maior fusão empresarial na história daquela época. Em 2000, a Novartis fundiu-se com o setor do agronegócio da AstraZeneca, formando a Syngenta, o primeiro grupo global focado exclusivamente no agronegócio.

A biotecnologia é muito importante para a Syngenta. Entre 2001 e 2002, a Syngenta foi responsável pela maior contaminação genética da história, quando vendeu ilegalmente sementes transgênicas de milho BT10 aos agricultores nos Estados Unidos. Este milho transgênico entrou nos sistemas alimentares dos humanos e de animais. A Syngenta também é líder no desenvolvimento da “Tecnologia Terminator”, um processo de engenharia genética que torna sementes estéreis numa tentativa de forçar os agricultores a sempre comprarem suas sementes, em oposição à prática camponesa de selecionar, cuidar e compartilhar sementes livremente.

O Crime da Syngenta e a Ocupação

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A Ciba-Geigy começou suas operações no Brasil em 1971 e passou a ser demominada Syngenta em 2001. No início de março de 2006, a Terra de Direitos, uma organização localizada em Curitiba, que atua nas áreas de direitos humanos e meio ambiente, e trabalha com os movimentos sociais, denunciou ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais (IBAMA), que a Syngenta e doze outros produtores plantaram ilegalmente soja transgênica na zona de amortecimento do Parque Nacional do Iguaçu. Dado a suas ameaças à biodiversidade, por determinação da legislação federal brasileira, é proibido cultivar transgênicos na zona de amortecimento dos parques nacionais. Uma investigação feita pelo IBAMA confirmou que a Syngenta e os agricultores violaram a lei ambiental federal e multou a todos. A multa da Syngenta é de aproximadamente US$465,000. Enquanto todos os agricultores recorreram à multa, perderam e em seguida pagaram suas multas, a Syngenta tem se recusado a reconhecer qualquer crime, sendo a única que ainda não efetivou o pagamento.

Após a investigação do IBAMA ter confirmado a violação da lei federal pela Syngenta, a Via Campesina ocupou não violentamente o seu campo experimental. A Via Campesina e a Terra de Direitos defendem legalmente a ocupação com base num artigo constitucional que diz que a terra precisa cumprir uma função social. Eles argumentam que o campo experimental da Syngenta não estava cumprindo a sua função social, e que o cultivo ilegal da soja transgênica na zona de amortecimento do Parque Nacional do Iguaçu constituiu uma ameaça direta à sociedade brasileira, porque colocou em risco sua biodiversidade, os recursos naturais e o sistema alimentar do país.

Em julho de 2008, a Terra de Direitos e a Via Campesina lançaram uma campanha internacional de solidariedade, conquistando apoio de mais de 75 organizações de todo o mundo. A campanha dirigiu emails diretamente para Pedro Rugeroni, chefe da Syngenta no Brasil, exigindo que a empresa reconheça seu crime e pague a multa ao IBAMA. A campanha também dirigiu emails ao Governador Requião (Paraná), motivando-o a desapropriar o sítio da Syngenta. Em resposta, a Syngenta comprou uma página inteira nos dois maiores jornais brasileiros, onde publicou uma mensagem em sua defesa. Na sua resposta hostil aos apoiadores da campanha internacional, continuou negando qualquer crime e atacou a “invasão ilegal” do seu campo experimental.

Segundo a Céleres, especializada em agronegócio, o total da área plantada com cultivos geneticamente modificadas em 2013, chegou a 37,1 milhões de hectares, o que representou um aumento de 14% em relação ao ano anterior (que por sua vez, já tinha registrado um aumento de mais de 21% em relação à safra de 2010/2011) – ou seja, 4,6 milhões de novos hectares dedicados a variedades transgênicas.

Segundo o IBGE em 2013, a área recorde dedicada à atividade agrícola no país de 67,7 milhões de hectares. Cruzando o dado do IBGE com o da consultoria Céleres, chega-se à conclusão de que os transgênicos responderam por 54,8% de toda a área cultivada na safra 2012/2013 no país. Os maiores produtores entre os países em desenvolvimento são Brasil, Argentina, Índia e China. Ironicamente, no pais sede da ‘sungenta’  (proposital) não se planta transgênicos.  “Variedades de algodão resistente a insetos são os cultivares transgênicos comercialmente na Ásia e na África”, diz a FAO. Na América Latina, “são a soja  seguida pelo milho resistente a inseto”. Nem os insetos querem produtos transgênicos…

Como vemos, suecos, suíços, americanos, ingleses, canadenses, etc, são todos santos…

O que já estamos consumindo de transgênico direta ou indiretamente : Milho, soja, algodão, mamão papaya, queijos, trigo, centeio, abobrinha, arroz, feijão, salmão

Fonte : http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/02/130207_transgenicos_cultivo_tp

Isto tudo parece um filme de terror.

*[FEMINISMO] QUANDO O “LÚMPEN” LEVANTA A VOZ

O termo lumpemproletariado ou lumpesinato ou ainda subproletariado designa, no vocabulário marxista, a população situada socialmente abaixo do proletariado, do ponto de vista das condições de vida

Do: SOLIDARIEDADE OBREIRA

[Feminismo] Quando o "lumpen" levanta a voz
 FOTOGRAFÍA DE JOHANNES MAHN.

 

A esquerda política, e por algumas décadas, infelizmente, também um certo espectro do anarquismo, é profundamente classista. No sentido em que ele acredita que a sociedade é constituída por classes antagônicas e promove o desaparecimento delas? Não, no sentido de que ele tem preconceitos elitistas em relação às pessoas mais afetadas pelo sistema.

Infelizmente, o fato de que quase todos os fundadores teóricos do socialismo no século XIX (com exceção de Proudhon e pouco mais) eram de classe superior, favorecido em sua reformulação da classe trabalhadora sistematicamente exclui as pessoas mais pobres e marginalizadas . Isso fazia alusão a todas aquelas pessoas que só podiam acessar empregos irregulares e qualquer ocupação condenada por lei ou moral e convenções sociais. O termo “lumpemproletariado” (“proletariado em trapos”), cunhado por Marx e Engels em seu Manifesto do Partido Comunista (1848) 1, não tinha outra intenção senão denegrir e traçar uma linha clara entre proletários e “subproletários”. Em sua opinião, o “lumpen” é quase sempre instintivamente contra-revolucionário e, se não arrastado pela força para o campo da revolução, deve ser, mais ou menos, disparado 2 . O socialismo centralista e estatista manteve visões semelhantes até hoje. O anarquismo, por outro lado, não foi até recentemente que começou a adquiri-los.

O discurso de Marx e Engels já foi confrontado naquela época por Bakunin. Para ele, o marxismo excluía os setores da equação política (não apenas o “lumpen”, mas também o campesinato), cujo potencial revolucionário não podia ser menosprezado. Bakunin, embora às vezes caísse em uma romantização e idealização desnecessárias 3 , estava claro que não poderia segregar o projeto revolucionário àqueles que mais precisavam dele:

“[…] O proletariado extremamente pobre, o lumpemproletariado de que Marx e Engels senhores e, consequentemente, toda a escola social-democrata na Alemanha, fala dele com desprezo, é tratado muito injustamente, porque nele, e só nele, e não nos extratos burgueses das massas trabalhadoras […] é onde toda a inteligência e toda a força do futuro da revolução social” é cristalizado.

Abrir braços aos setores mais pobres do proletariado, que outras forças políticas rejeitaram, era uma constante do incipiente movimento anarquista para além de Bakunin. De Stirner ao anarcoindividualismo francês e italiano e ao anarco-sindicalismo ibérico. Talvez seja por isso que o anarquismo se tornou especialmente forte entre as massas camponesas das regiões mais deprimidas e entre a população urbana mais marginalizada das grandes cidades. A importância, nos eventos revolucionários subsequentes, daqueles oprimidos acusados ​​de serem “desclassificados” por viverem à margem da moralidade burguesa, demonstraria o erro do anátema marxista. Desde a Comuna de Paris (1871), passando pela Semana Trágica de Barcelona (1909) até a Revolução Espanhola (1936), o ninguém, o sem nome e sem classes.

Em 18 de março de 1871 foram muitas das mulheres mais pobres em Paris que, com Louise Michel no comando, soou o alarme e impediu que a Versaillesque-tropas do governo recuperassem as armas tomadas da Guarda Nacional. Eram estas mulheres, muitas delas prostitutas, ao qual foram recrutados para estabelecer um serviço de ambulância na frente de batalha (apesar da oposição de “aristocracia operária do sexo masculino” ), e foram elas que se juntaram a crianças de rua, ex – condenados e desempregados para formar batalhões que nasceram diretamente dos subúrbios.

Em 1909, quando o governo espanhol começa a recrutar os jovens proletários catalães para um novo bufonaria imperialista em Marrocos, são as mulheres que (na fase mais difícil) iniciam os primeiros atos de protesto, e, entre elas, mais uma vez, prostitutas. A mobilização de mulheres para evitar que seus filhos ou companheiros morressem em uma estúpida briga colonialista, fez com que a ação  adquirisse a natureza de uma verdadeira insurreição, que durou de 26 de julho a 2 de agosto. Naqueles dias, e nos dias que antecederam os apelidos de “prostitutas companheiros” como “La Valenciana”, “O Cuarentacéntimos”, “La Bilbaina”, “La Larga” ou “O Castiza” se destacaram da multidão: ergueram barricadas, organizando e liderarando piquetes, escondendo perseguidos e preparando a logística do bairro para atacar as “forças da ordem”.

Nos anos após, a jovem CNT iria crescer e especialmente, entre 20 e 30, ela iria muito se consolidar entre os jovens militantes dos bairros mais marginalizados (Las injúria em Madrid a Barcelona Chinatown) das grandes cidades do Estado. Essa militância não seria contemplativa e, muitas vezes, comporia os quadros de defesa da Confederação. Profissionais como Felipe Sandoval, de pobreza mais extrema, ou especialistas como o artista Lluis Serracant ( “Autumn Flower”), eram frequentes entre os “homens (e mulheres) de ação” de anarcossindicado. Mesmo aquele que foi secretário do Comité Nacional da CNT, e antes da Regional da Catalunha, “Marianet” Rodríguez Vázquez, veio do mundo da delinquência juvenil. Seria precisamente na prisão que ele abordaria as ideias libertárias, seguindo um processo bastante comum na época. Como a CNT tinha sido proibida por períodos intermitentes, cerca de 10 anos (1911-1914 e 1923-1930), e as  conexões naturais dela, constantemente presas com o resto da população carcerária, os contatos com militantes politizados eram inevitáveis. As prisões tornaram-se centros de propaganda e formação e as idéias anti-penais dos anarquistas circularam sem dificuldade. A força da ligação do “lumpen” com a CNT seria submetida ao julgamento pelo fogo dos dias revolucionários de 19 de julho de 1936.

É este pequeno retábulo histórico uma tentativa de idealizar o “lumpen” e confirmar aquele suposto “instinto revolucionário” do qual Bakunin falou? Em absoluto. Eu tenho vivido muito perto da miséria para não conhecer todo o capitalismo nu, o darwinismo social e a merda sem açúcar que está por trás disso. Quem sabe marginalização através da literatura barata ou moda série sociológica, o último pop artefato Hollywood, alguma realidade quatro ou Telecinco, clips de redes sociais ou de vídeo na MTV, você pode consumir substitutos e fingir que você não conhece Mas quando a marginalização envolve você e te estrangula diariamente, alguns de nós apenas tentam encontrar as ferramentas para escapar dela. Ou você faz isso ou se permite o luxo de comprar a própria caricatura que você vende de si mesmo, mesclar com sua identidade e continuar naufragado sobrecarregado por clichês. Minha intenção, portanto, não pode estar mais longe da simplicidade mitificadora. Esse semblante histórico que compartilhei é apenas uma tentativa humilde e incompleta de demonstrar que muitas vezes somos precisamente o que as circunstâncias não nos impedem de ser; e que às vezes somos iguais até quando as circunstâncias nos impedem de ser. Sim, mostrar a face da adversidade nossa melhor versão é um desafio que afeta o nobre renunciar a seus privilégios para abraçar a causa dos oprimidos, os oprimidos e esquecer momentaneamente que a fome a abraçar a causa de sua própria autonomia; mas, e não se pode negar, descer uma encosta é sempre menos difícil do que subir. A renúncia de privilégios não implica a mesma quantidade de trabalho que conquistar direitos. O primeiro supõe, acima de tudo, um ato de consciência individual e, no máximo, desagrado familiar; o segundo, além disso, requer um ato deliberado de luta social. Eu não idealizo, mas reconheço o mérito daqueles que se recusam a continuar engolindo lama. Recusando-me a deixar os outros se arrastarem antes que você não pareça para mim, sinto muito, não é metade arriscado.

Para a maioria de esquerda, no entanto, as tentativas emancipatórias de “lumpen” nunca é parte de um processo consciente e autônoma, mas algo que é forçado pela força dos acontecimentos ou que têm diretamente para forçá-lo. E mesmo aqueles que não contemplam o “lumpen” como um setor de contra-sistema, vê-lo como um menor eterno velho, perdido, desorientado, imaturo, que deve ser guiado e dirigido, porque é por si só incapaz. É a mentalidade da caridade cristã e da tutela do enegero. Ideologia saturada não são capazes de ver que a alforria único apoio (liberdade concedida) e não a auto-emancipação, nem as consequências reais desta posição. Quando cacarejar como um mantra que “a emancipação dos trabalhadores vai trabalhar-se ou não” acreditam que a primeira linha dos estatutos da AIT, 1864 (escrito precisamente por Marx, a pedido de cartistas e Proudhon) inclui qualquer explorado , exceto pelo “lumpen”. Eles querem “salvar pessoas”, mas sem contar essas pessoas. Despotismo ilustrado, finalmente, embora seja pintado de vermelho.

Foi o que aconteceu com o último debate sobre o direito das prostitutas de sindicalizar-sem. A análise da prostituição, de uma perspectiva libertária, não pode ser mais meridiana. É uma das formas de opressão, da exploração do ser humano pelo ser humano, mais brutal, bruta e sem artifícios de tudo o que existe. É também um dos poucos que precede o capitalismo, ou seja, uma das poucas relações de poder que tem sido comercializada, embora encontre um aliado perfeito no livre comércio, não vem diretamente dele. A prostituição é filha de uma instituição muito mais antiga e rançosa: o patriarcado. Esse é o que estabeleceu a hierarquia dos gêneros, a que historicamente transformou as mulheres em espólios de guerra e a que continua a reduzi-las a um simples objeto de consumo, sexual ou doméstico. A prostituição (embora eu não omita que também haja o homem) é um produto incontestável da androcracia. Qualquer tentativa de romantizar é vã e todo discurso sobre a absurda voluntariedade. Nenhuma forma de exploração é voluntária. Se algo vai ser feito voluntariamente, por que existe o incentivo ou a coerção da retribuição econômica sem a qual não o faríamos? Certifique-se de que todos tenham um telhado e três refeições por dia e depois podemos falar sobre o voluntariado. Enquanto isso, não haverá livre escolha condicionada pela necessidade. Por que há incentivo ou coerção de retribuição econômica sem a qual não faríamos isso? Certifique-se de que todos tenham um telhado e três refeições por dia e depois podemos falar sobre o voluntariado. Enquanto isso, não haverá livre escolha condicionada pela necessidade. Por que há incentivo ou coerção de retribuição econômica sem a qual não faríamos isso? Certifique-se de que todos tenham um telhado e três refeições por dia e depois podemos falar sobre o voluntariado. Enquanto isso, não haverá livre escolha condicionada pela necessidade.

A postura anarquista sempre foi a da abolição. Se você quer que a abolição da escravidão moderna se transforme em trabalho assalariado, como você pode excluir a prostituição desse requisito? Todas as formas de exploração e salários devem ser abolidas, e mais aquelas que não apenas tentam alugar nosso corpo e nossa inteligência, mas também nossa privacidade. Acho que podemos considerar essa afirmação como historicamente majoritária no anarquismo. No entanto, o problema não se coloca tanto em relação ao abolir-se (quando interpretado como uma figura abstrata), mas em relação à forma como deve ser obtido-lo (quando se torna o que realmente importa: a figura concreta). Grande parte, ou pelo menos com repercussão suficiente nos meios de contra-informação, de certos setores do anarquismo para a esquerda autoritária, eles concordam em reivindicar a abolição, mas, para minha surpresa, excluindo prostitutas do processo e negando seu direito de se organizar / sindicalizar. Mil desculpas serão dadas para negar essa afirmação, mas a realidade é que toda a retórica sobre a auto-organização é descartada assim que as prostitutas saem do obscurantismo e entram em cena.

Algumas das desculpas mais úteis são: “não pode organizar-se, porque eles não são treinados.” Embora pareça um exagero, que é o que temos ouvido e lido nos dias de hoje. Comparado animais recorrentemente não-humanos em gaiolas, ou com crianças exploradas no trabalho, eles têm sido atribuídos respectivamente a mesma capacidade emancipadora dos seres que não possuem faculdades intelectuais humanas ou de outros que ainda não vencidos ou totalmente desenvolvidos . Essa é a visão nua, e aqui ser pouco de maquiagem, você tem realmente prostitutas de algumas torres de marfim: médio ou formar seres limitados, incapaz de emitir um parecer, e muito menos uma solução razoável sobre a sua própria situação.

Quando lhes é concedida permissão para se organizar, eles dizem: “organizar, mas não participar, porque isso significaria aceitar que a prostituição é um trabalho”. Somente a organização de prostitutas é entendida como uma ONG de caridade, nunca como uma estrutura forte e exigente. O debate não é se ou não a prostituição é um trabalho, porque a pergunta, quase sempre jogado tão tendenciosa, geralmente mais viagens excluindo prostitutas condenando a prostituição; o debate, que não se quer enfrentar porque revela os verdadeiros preconceitos burgueses por trás da questão, é se as prostitutas são de classe trabalhadora ou não. Aqueles de nós que os reconhecem como colegas de classe ignoram os julgamentos legais e morais da mesma sociedade que os explora. Eles não têm os meios de produção em sua posse, eles ganham seu pão submetendo-se a uma sangrenta exploração que, por sua vez, não exerce sobre os outros. Para considerá-los lutando irmãs, você não precisa mais. Se admitirmos que eles são da classe trabalhadora, teremos que reconhecer simultaneamente seu direito de articular sua luta usando a estrutura sindical. Apesar de querermos sacralizá-lo e colocá-lo atrás de um cordão de ouro que não pode ser transferido, a realidade é que um sindicato não é mais que um órgão de classe usado por aqueles abaixo para defender seus próprios interesses. Independentemente da opinião de que merecemos essa ou aquela atividade, quer a consideremos funcionar ou não, a ferramenta sindical é igualmente válida e utilizável. São inquilinos sindicatos, com quase 100 anos de história, um corpo estritamente operário? Não são, e por sua reformulação moderna tem gerado tantas objeções dos puristas, mas, na realidade, eles parecem ignorar é de que os sindicatos inquilinos nasceram precisamente dirigido por sindicatos e organizações trabalhistas, como a CNT ea FAI, que compreendia reivindicações de classe de forma abrangente e não traçar uma linha entre o inquilino eo trabalho. É por isso que eles são tão necessárias hoje como antes. Não precisamos também a proliferar sindicatos presas, sejam elas organizações não só de trabalho? O importante é construir estruturas defensivas com as quais a classe trabalhadora, em suas diferentes etapas e compatível, como consumidores, como preso, como inquilinos, e não apenas como produtores,

Outra das objeções mais comuns alude à possibilidade de que o estabelecimento de uma união de prostitutas assumir reconhecimento tácito de um empregador e isso vai abrir a porta para legitimar cafetões e regulamentação da prostituição. Em primeiro lugar, e, infelizmente, as várias associações de cafetões que exploram as mulheres sob o eufemismo de “hostess local” já foram regularizados e legalizado, entre outros pelo Supremo Tribunal muito por quase 20 anos 11. É curioso que a organização legal dos exploradores não aumente hoje, nem aumente, então, a mesma agitação que a tentativa de organização dos explorados. Por outro lado, é absurdo acreditar que uma organização sindical de autodefesa necessariamente implique o reconhecimento de uma associação de empregadores. Apenas implica a necessidade de se organizar para combater os abusos e agressões, de onde quer que eles venham. Qual é a gestão dos sindicatos de manteros e lateros? Constituem-se como um sindicato para defender-se de incursões policiais e políticas municipais, para tecer redes de apoio e protesto, sem que isso signifique reconhecer os empregadores como interlocutores. O mesmo pode ser dito sobre a pretensão distorcida de que criar uma união é legitimar a exploração sofrida pelos sindicatos. Quando as pessoas vivem amontoados em um “piso patera” ou em uma sala de lavagem minimamente como casa particular participar de um sindicato de inquilinos, eles estão legitimando locação, assim, Draconian à qual foram submetidos? Quando um grupo de trabalhadores migrantes, sujeitos a maratonianas horas de trabalho, sem medidas de segurança qualquer e salários de fome genuína, juntando-se a um sindicato convencional, são eles legitimar a escravidão velada a que estão sujeitas ou, pelo contrário são lutando? O que legitima a exploração é permanecer desarmado, desarmado, isolado e silencioso. O que justifica a opressão é continuar como antes, escondido sob o manto do status quo, sem fazer barulho, sem perturbar.

Um dos principais argumentos para negar a sindicalização das prostitutas refere-se ao suposto caráter amarelo que pode estar por trás dos sindicatos que impulsionam o processo. Em face da ignorância, aceitaremos o orçamento. Certamente há muitos interesses espúrios que podem tentar controlar esses sindicatos, assim como empregadores com sindicatos convencionais ou administração com plataformas habitacionais. Agora, a existência de estruturas amarelas e de quinta coluna dentro das organizações de trabalhadores invalida todas as formas de organização e sindicação? Se existem CCOO e UGT, deslegitima, por exemplo, todos os anarco-sindicatos? Tomar a parte pelo todo nunca é uma boa solução. A existência de sindicatos amarelos que tentam compensar a exploração das companheiras é apenas mais um argumento para os sindicatos revolucionários abrirem suas portas à organização dos mais precários. Para mais amarillismo mais precisamos de organizações militantes contrárias ao armistício social.

Neste ponto, sem muitos mais argumentos contra isso, acaba deixando ir: “OK, organizá-los, mas fazê-lo para exigir a abolição da prostituição ipso facto”. Sim, gostaria que sim, mas a realidade é geralmente muito mais difícil, insatisfatória e complexa. Não sei quantas pessoas que me leram trabalharam em um sindicato, mas se tiverem, saberão exatamente do que estou falando. Quando um inquilino se aproxima de um sindicato de moradores, ele o faz para exigir a abolição dos aluguéis e a socialização da moradia ou simplesmente pedir uma redução do aluguel ou evitar seu despejo? Quando um trabalhador convencional se aproxima de um sindicato, Faz isso para exigir a abolição do trabalho assalariado e a destruição do sistema capitalista, ou faz isso inicialmente para evitar uma redução no salário ou para evitar a demissão? Geralmente, nenhum explorado se aproxima de uma organização de trabalhadores para exigir uma mudança radical revolucionária. As pessoas, logicamente, estão interessadas apenas em um princípio para melhorar suas condições de vida, o que não é pouco. Então, com o contato, a confluência e o auto-aprendizado, esse processo está sendo dado, pelo qual as expectativas são abertas e as demandas são ampliadas. Mas o primeiro passo, para conseguir isso, é organizar. Podemos exigir que as prostitutas comecem a dar os primeiros passos organizacionais que imediatamente exigem a abolição da prostituição e o desaparecimento do sistema patriarcal e que, por sua vez, renunciam a reivindicar direitos simples e elementares de saúde ou sociais? Quem tem a autoridade moral necessária para fazê-lo. Mas não se esqueça antes de visitar as organizações de trabalhadores com mais de um século de história que ainda não exigem isso de seus afiliados.

E este último ponto abre a porta, inevitavelmente, para o tipo de abolição que queremos. Queremos uma abolição vertical, de baixo para cima, baseada em decretos e leis, que exclua as prostitutas do processo ou que queiramos uma abolição que emergiu de baixo para cima e protagonizou as afetadas? Quando hoje a esquerda fala da abolição da prostituição, e ao fazê-lo argumentando alguns dos argumentos desmantelados acima que negam a organização / sindicação de prostitutas, ela está na verdade defendendo uma muito pequena abolição abolicionista. Sem as prostitutas que lideram o processo, a abolição só pode vir do Estado, de uma reforma do Código Penal promovida pelo Parlamento, de leis aplicadas pelos tribunais e de uma série de medidas governamentais. Não há mais viagens.

Nenhuma mudança de paradigma radical, e é isso que a abolição requer, nunca ocorreu com as costas daqueles diretamente afetados. Nos anos que antecederam a Guerra Civil Americana (que durou de 1861 a 1865), um movimento considerável estava se desenvolvendo em favor da abolição da escravidão, principalmente branca, religiosa e, em muitos casos, paternalista em relação aos próprios escravos. A escravidão tornou-se um assunto que ofendia a moral cristã dos brancos, mas não necessariamente em uma questão que era da competência dos negros. Esse movimento poderia levar à aplicação da “Proclamação da emancipação” no final da guerra, mas sendo um mero decreto legal, que não exigia participação ou contribuição e nem mesmo a opinião dos negros, a abolição governamental da escravidão tornou-se uma “falsa abolição”. Durante as décadas subsequentes, os negros, tanto no norte como no sul (embora com maior virulência nos estados do sul), eram simplesmente cidadãos de segunda ou terceira classe. Segregação era um fato, assassinatos e linchamentos diários também. Eles não conquistaram direitos tangíveis. Eles continuaram trabalhando nas plantações dos brancos com a diferença de que agora eles tinham que pagar um aluguel para residir neles. Fontes públicas, restaurantes, albergues, transportes e escolas permaneceram reservados, principalmente para brancos. Não é até 90 anos depois que o paradigma – sem cair – vacila. O que aconteceu? Que os afro-americanos assumiram o controle de suas próprias reivindicações e de sua própria emancipação.

A concessão de direitos de cima para baixo, concedida por terceiros, é incompatível com qualquer mudança que não seja meramente estética e formal; não há mudança profunda se não for diretamente realizada pelos afetados. Patraphrase o que os sobreviventes dos Comitês de Defesa da CNTD disseram sobre a revolução 12 , não há possível abolição do Estado, mas contra o Estado. E é aqui que certo anarquismo atual rompe com a histórica história libertária sobre a abolição. O abolicionismo anarquista, exceto por exceções lamentáveis, sempre tentou escapar dos juízos morais elitistas que excluíam prostitutas do resto da classe trabalhadora. Para este abolicionismo, as diferentes maneiras de explorar as mulheres não podiam ser hierarquizadas, e elas não entendiam que a mulher casada pela inércia13 ou o trabalhador da fábrica tateou por seu empregador, eles olharam por cima do ombro para a prostituta e não entenderam sua situação como parte de um todo. O anarquismo acreditava que a prostituição era um fenômeno cultural e social, mas também, e é algo que hoje parece querer ser omitido, econômico 14 . Livre Mulheres falhar quando o evento revolucionário em Barcelona 1936, para criar seu famoso libertador da prostituição, não espera nada de decretos governamentais, não acredita que isso é o suficiente para esvaziar os bordéis e prostitutas levar para uma mudança ocorre para melhor 15. Embora em algumas circunstâncias em si poderia ser demasiado paternalista, o programa Mujeres Libres era apoiar a organização de prostitutas, na tentativa de aproximá-los das estruturas sindicais (e vice-versa), levá-los de se juntar e, a partir daí, para introduzir uma formação profissional e reciclagem de mão de obra. O projeto falhou devido a circunstâncias sociais e estratégicas que excedem a análise deste artigo. Mas a grande lição que pode ser tirada de um dos momentos históricos em que a possibilidade da abolição da prostituição foi mais definida, é que você não pode virar as costas para os afetados.

A abolição da prostituição não será alcançada sem questionar e atacar antes (ou pelo menos simultaneamente) a estrutura que a originou e a que hoje a sustenta: o patriarcado e o capitalismo, respectivamente. Para acabar com a prostituição, precisamos, portanto, de uma mudança de paradigma; e não há mudança de paradigma possível se os afetados não forem organizados primeiro.

Nessa linha de pensamento, Goldman nos disse, em sua tripla condição de anarquista, uma mulher e, em uma ocasião, uma prostituta:

“Apenas uma opinião pública inteligente educado, para parar a implementação do ostracismo legal e moral em relação à prostituição, deve contribuir para melhorar esse estado de coisas. Fechar os olhos com uma falsa modéstia e fingir ignorância desse mal e não reconhecê-lo como um fator social na vida moderna só vai agravá-lo. Devemos estar acima da ideia estúpida de que sou melhor do que você, tentando ver na prostituta apenas um produto das condições sociais. […] Com relação à erradicação total da prostituição, nada, nenhum método pode realizar este grande compromisso, mas a transmutação mais completo e radical de valores, atualmente falsamente reconhecido como benéfico, especialmente no que diz respeito à parte moral juntamente com a abolição da escravidão industrial, as suas causas Causarum “.

A importância de poupar os malditos sermões e a suposta superioridade moral, a necessidade são aqueles afetada para levar seu próprio processo de emancipação, é algo que vai além da distribuição de prostitutas e directamente refere-se a todo o sector explorados e marginalizados que vivem na periferia da “classe trabalhadora canônica”. Precisamos organizar e organização social entre os prisioneiros, paradas crônicas sem-teto e todos esmagados pelo sistema vivendo em suas margens. Se não formos capazes de aprender e ouvir, para apoiar e ajudar as pessoas porra é e agremie, pelo menos não funcionam paus na roda.

Mas para a esquerda chegar a essa conclusão, e parar de boicotar tudo o que não pode controlar, ela deve primeiro liberar muito lastro. Ele deve parar de usar limites legais como uma bússola e deve abandonar todo o moralismo que lhe foi instilado na universidade, no partido ou na igreja. Embora não seja tão disposto a demolir burguesa em que 17, continuará a mostrar um classismo assertivo que ainda não pode definir. Se sabemos que há um racismo assertiva de que é incapaz de avaliar o racismo e por sua vez um próprio nacionalismo assertivo (como vimos em relação ao conflito Catalão) vê o nacionalismo em todos os lugares, exceto em seu próprio patriotismo, temos de admitir que também há um classismo assertiva que analisa com muita dedicação todos os preconceitos das classes superiores sobre a classe operária, mas não tem interesse em questionar seus próprios preconceitos em relação ao “lumpen”, que exclui a classe trabalhadora.

Em conclusão, sei que a organização do “lumpen” não precisa representar, por si só, uma mudança radical. Nem mesmo, necessariamente, uma mudança para melhor. As pessoas podem se organizar para acomodar sua opressão, para se venderem a instituições ou para qualquer outra corrupção similar. Pode, de fato, que a porcentagem de mudança real produzida pela organização / sindicação dos precários, marginalizados e excluídos seja realmente baixa. É uma possibilidade. Mas contra essa possibilidade, uma certeza aumenta: sem esses primeiros passos organizacionais, a variação percentual é de 0%. Assumir a derrota como ponto de partida é um bom incentivo para criar literatura épica e aproveitar as batalhas perdidas pelos nossos avós. Aqueles que não temos nostalgia, aqueles que não temos estabilidade, nem telhado próprio, nem pão seguro, não podemos nos contentar com isso. Temos que nos conhecer, nos conhecer, nos organizar e começar a desenvolver uma resistência econômica e social nas ruas. Talvez a esquerda não esteja de acordo, mas ainda resta uma opção: continue a mexer com medo toda vez que uma puta ergue a voz.

NOTAS

  1. A definição diz: ” O lumpemproletariado, esse produto passivo da putrefação das camadas mais baixas da velha sociedade […]” (Marx e Engels, op.cit.). No primeiro volume de O Capital (1867), Marx insiste em separar explicitamente os trabalhadores que caem na pobreza pelo desemprego, orfandade, velhice ou acidentes de “vagabundos, criminosos, prostitutas, em suma, o próprio proletariado lumpen [… ] ” (ibid.). Ao longo de toda Marx trabalho e geliana pode ler passagens do mesmo espírito : “O Lumpenproletariat, Que compunham os elementos desmoralizados de tudo social e concentrados principalmente em grandes cidades camadas, a escória é o pior dos aliados possíveis. Esse desperdício é absolutamente venal e muito irritante ” (Engels, prefácio à segunda edição de The Peasant War in Germany , 1870). ” [A] lumpenproletariat , que em todas as grandes cidades formar uma massa bem renunciadas do proletariado industrial. Esta camada é um centro de recrutamento para os ladrões e criminosos de todos os tipos que vivem com os despojos da sociedade, pessoas sem profissão fixa, vagabundos, pessoas desabrigadas, sem credo […] “(Marx, a luta de classes na França de 1848 a 1850 , 1850). No18 Brumário de Louis Bonaparte (1854) Marx faz uma longa lista com muitos dos tipos de “subproletários” que identifica e variando de mendigos e ex – condenados a Traperos e apontadores, para acabar concluindo que eles são uma “hez, resíduos e escórias todos os tipos”. Eles brandir julgamentos idênticos hoje, sem corar, enquanto alguns risos bebida moda goles cúmplices são, em muitas das nossas conversas, discussões e fóruns públicos. Eu sinto falta das redes sociais que não sabem beber vermelho militância cib errnau tica enquanto exala falta de empatia.
  2. ” Quando os trabalhadores franceses escreveram nas paredes de casas em cada uma das revoluções: Morte aos ladrões, eles fizeram em um ataque de entusiasmo, para a propriedade, mas plenamente consciente que acima de tudo que era necessário para se livrar dessa banda “(Engels, a Guerra …, op.cit.).

  3. É emblemático que a passagem em que ele define o “lumpen” como “a flor do proletariado”: “Ao flor do proletariado compreender acima de tudo que grande massa, esses milhões de incivilizados, deserdados, miseráveis e analfabetos Engels e Marx define submeter o regime paternal de um governo forte […]. Ao flor do proletariado eu entendo isso muito carne do governo eterno, este grande ralé populares Sendo quase intocados pela civilização burguesa carrega em seu ventre, suas paixões, seus instintos, suas aspirações, todas as necessidades e misérias da sua posição coletiva, todos os germes de socialismo em um futuro, e que por si só só é poderoso o suficiente hoje para inaugurar e o triunfo da revolução social “(M. Bakunin, Knuto-germânico Império e da revolução social , 1871).

  4. Íd, Estatismo y anarquía , 1873.

  5. Além dos eventos acima mencionados, eles poderiam ser nomeado muitos mais motins e tentativas revolucionárias onde o “lumpen” desempenhou um papel decisivo ou que tomou a iniciativa, mas isso exigiria converter este artigo humilde de toda uma tese de investigação. Muitos dos “protestos de fome” e greves de aluguel nos primeiros anos. XX foram chefiados pelo “lumpen”, especialmente pelos camaradas que exerciam a prostituição. Um caso paradigmático é o da greve dos inquilinos iniciada por prostitutas no início de 1922 em Veracruz (México), e promovida pelo Sindicato Revolucionário de Inquilinos organizado pelo anarquista Heron Proal. Este último homenageava os camaradas numa manifestação: “Vocês foram […] os primeiros a decretar a greve que hoje assumiu proporções gigantescas: vocês são realmente verdadeiras heroínas, por terem colocado a primeira pedra deste gigantesco edifício que agora erguemos; eles são os iniciadores e, portanto, merecem um abraço muito próximo da comunhão. A União dos Inquilinos Vermelhos abre os braços e chama-os carinhosamente de suas amadas irmãs. Sim pessoal, e não rir (porque a palavra irmãs provocou risos na platéia) essas mulheres pobres e negligenciadas são não só os nossos parceiros, mas também nossas irmãs, […] e não há razão para excluí-los da fraternidade, mais, como eles são a exploração da burguesia “(citado em A União dos Inquilinos Vermelhos abre os braços e chama-os carinhosamente de suas amadas irmãs. Sim pessoal, e não rir (porque a palavra irmãs provocou risos na platéia) essas mulheres pobres e negligenciadas são não só os nossos parceiros, mas também nossas irmãs, […] e não há razão para excluí-los da fraternidade, mais, como eles são a exploração da burguesia “(citado em A União dos Inquilinos Vermelhos abre os braços e chama-os carinhosamente de suas amadas irmãs. Sim pessoal, e não rir (porque a palavra irmãs provocou risos na platéia) essas mulheres pobres e negligenciadas são não só os nossos parceiros, mas também nossas irmãs, […] e não há razão para excluí-los da fraternidade, mais, como eles são a exploração da burguesia “(citado emO movimento de inquilino de Veracruz, 1922 , 1976, de OG Mundo).

  6. “As mulheres se atiram nas armas e nas metralhadoras entre nós e o exército; Soldados ficar parado “(L. Michel, a Comuna de Paris . História e Memórias , 1898).

  7. “Quem tem mais razão do que essas mulheres, as vítimas mais infelizes da velha ordem, para dar suas vidas pela nova?” (Michel, citado por JM Merriman em Massacre: Vida e Morte na Comuna de Paris de 1871 , 2017). A Comuna, entretanto, não gostou do sacrifício desses camaradas e, em sua resolução “Sobre a prostituição” (de 30 de março a 18 de junho), como tentativa de aboli-lo, decretou, após um lindo prefácio, a prisão de todas as mulheres “libertas da prostituição” (dixit) circulando no 2º distrito, mas não uma única medida contra cafetões ou proxenetas.

  8. O chefe de polícia Atarazanas inspetor diria sobre “La Bilbaína e” La Castiza “:” Essas duas mulheres são e sempre foram os líderes de todos os distúrbios começaram no Sul […] “(citado por A. Talero em seu artigo “O ‘óleo’ de 1909. Papel das mulheres na Semana Trágica” na História 16 , 1979).

  9. Como uma semelhança do nexo entre anarquistas e “lumpen” durante esse período histórico pode ser consultado Fora da lei (volume I [2016] e II [2017]) da editora La Felguera.

  10. “Os militantes anarco-sindicalistas passaram a noite nos sindicatos, nos centros, nos Ateneues Libertários. As sirenes anunciam que as tropas rebeldes avançam no centro da cidade e que, armadas ou desarmadas, devem ir combatê-las. […] Os deserdados recebidos nos quartéis de Montjuic, aqueles que à noite atiraram no barril de pólvora, vizinhos do Povo Seco vão para a mobilização. […] As esfarrapadas das barracas do Monte Carmelo descem em direção à cidade e juntam-se aos moradores das ruas para se urbanizarem, para as do Poblet […]. Os bons peões para qualquer comércio, aqueles sem trabalho, convergem para o quartel e para a maestranza de San Andrés, cuja conquista lhes dará armas suficientes para dominar toda a cidade. […] [Os trabalhadores das diferentes indústrias ligarão] com os ‘trinxeraires’ [podem ser traduzidos como ‘urchins’] e ciganos do Somorostro. Todos eles ouviram o lamento das sirenes “(Luis Romero,Três dias de julho de 1967).

  11. Independentemente do que você diz que o Código Penal o artigo 187.1 do mesmo sobre o proxenetismo, a Associação Nacional de local Stagger (ANELA) é legal desde 2001, e da Associação Nacional de Empresários Mesalina (ASNEM) desde 2004 (sentença de acordo da 4ª Câmara Social do Supremo Tribunal). Essas e outras associações, ligadas em muitas ocasiões à extrema direita, mantêm uma atividade de exploração sexual legal diante da completa vulnerabilidade das mulheres que hoje ainda estão desarmadas. Aqueles que depois de ler esta tentativa de estabelecer uma diferença vergonhosa entre “alterne” e “prostituição” podem salvar-se do esforço e do ridículo.

  12. Citado por Agustín Guillamón em “Das comissões de defesa à análise revolucionária dos amigos de Durruti. Os Comitês de Defesa da CNT “(em Out of law II, op.cit.).

  13. No anarquismo, era um recurso clássico e muito provocativo para equiparar casamento e prostituição. Anne Mahé argumentou de forma grosseira: “[…] a grande maioria das mulheres são prostitutas, prostitutas honestas que, sem desejo ou prazer, cumprem o ‘dever conjugal’ […]; eles, as prostitutas honestas, que desprezam tanto aqueles que fazem do amor um trabalho “( Defesa da prostituição , 1905). Para Emile Armand: “Atualmente não há diferença essencial entre o casamento burguês e a prostituição. O casamento é uma prostituição de longo prazo, e a prostituição é um casamento de curta duração “( emancipação sexual, amor em camaradagem e movimentos de vanguarda).1934). Emma Goldman fez um argumento semelhante: “É apenas uma questão de gradação [mulheres] é vendido a um homem, casado ou vários” ( “Prostituição” em Hipocrisia do puritanismo and Other Essays , 1910).

  14. O artigo de Mujeres Libres (publicado em sua publicação homônima) intitulado “Ações contra a prostituição” não parou de repetir essa premissa: “Insistimos no que foi dito muitas vezes: as mulheres devem ser economicamente livres. […] Somente a liberdade econômica possibilita as outras liberdades, tanto de indivíduos como de povos. Aqui está isso tão repetido, tão ouvido e que é a base das ações contra a prostituição, porque a mulher que vive em dependência econômica recebe um pagamento, mesmo que seja de um marido legítimo “(na compilação de M. Nash: Free Women Espanha 1936-1939 , 1974).

  15. Novamente através de sua revista, Mujeres Libres compartilha o texto “Liberais da prostituição”, onde eles comentam carregado de ironia: “Em vários lugares que visitamos recentemente, fomos informados, em grande medida, que eles haviam abolido a prostituição . Quando perguntamos como e o que havia sido feito com as mulheres que praticaram, nos disseram: Ah, são eles! Deste modo, suprimir a prostituição é muito simples: reduz-se a deixar algumas mulheres na rua, sem nenhum meio de vida “(ibid.).

  16. Goldman, op.cit. Novamente de Mujeres Libres eles iriam emitir um julgamento similar através desta “falsa entrevista”:

    “-O que você acha da prostituição?

    – Que não só mulheres e sexos se prostituem.

    – Você acha que é necessário?

    Acho que é uma afronta ao homem e à mulher. E para a civilização.

    -Como suprimir isso?

    – Reprimindo leis e costumes moralizadores. Reedificando-nos sexualmente “(Nash, op.cit.).

  17. Os preconceitos burgueses em relação ao “lumpen”, também transversal à esquerda, raramente foram melhor descritos do que neste fragmento essencial de Stirner: “A burguesia se reconhece em sua moralidade, intimamente ligada à sua essência. O que ela exige, em primeiro lugar, é que você tenha uma ocupação séria, uma profissão honrada, uma conduta moral. indústria Knight, a prostituta, o ladrão, ladrão e assassino, o jogador, o boêmio, os indivíduos são experiência imoral e burguesa para aquelas pessoas sem moral a repulsão mais vívida. O que todos eles não têm é esse tipo de direito de domicílio na vida que dá um negócio sólido: meios seguros de existência, renda estável, etc .; como sua vida não repousa sobre uma base segura, pertencem ao clã de indivíduos perigosos, o proletariado perigoso são os indivíduos que não oferecem nenhuma garantia e não têm nada a perder, nada arriscar. Família ou casamento, por exemplo, atam o homem, e este vínculo fornece-lhe um lugar na sociedade, ele serve como fiador; Mas quem é responsável pela prostituta? […] Todos aqueles que os burgueses consideram suspeitos, hostis e perigosos podem ser reunidos sob o nome de vagabundos. […] Esses andarilhos extravagantes entrar na classe de pessoas inquietas, instáveis ​​e inquietas, como são os proletários, e quando eles criam suspeitas de falta de domicílio moral, são chamados de tecelões de rede, exaltados e exaltado. Tal é o sentido amplo do chamado proletariado e pauperismo. Quanto é o tolo que acreditava que a burguesia capaz de desejar o desaparecimento da pobreza (miséria) e dedicar para esse fim todos os seus esforços! Nada, pelo contrário, conforta o bom burguês como convicção, incomparavelmente consoladora, que um sábio decreto da Providência de uma vez por todas partilhou riquezas e felicidade. A miséria que se acumula nas ruas em torno dele, não perturbar o verdadeiro cidadão ao ponto de pedir para fazer mais para congraçar-se com ela, jogando esmolas ou prestação de trabalho e ninharia trabalhoso para um bom rapaz. Mas ele se sente profundamente o constrangimento de seus prazeres pacíficos pelos murmúrios de descontentamento e miséria de mudanças ansiosos para aqueles pobres que não sofrem em silêncio e Penan, mas começam a balançar e desatinar. Tranque o vagabundo! Jogue o encrenqueiro nas masmorras mais escuras! Ele quer agitar o descontentamento e derrubar a ordem estabelecida! Atordoar! Apedreadlo! “( A miséria que se acumula nas ruas em torno dele, não perturbar o verdadeiro cidadão ao ponto de pedir para fazer mais para congraçar-se com ela, jogando esmolas ou prestação de trabalho e ninharia trabalhoso para um bom rapaz. Mas ele se sente profundamente o constrangimento de seus prazeres pacíficos pelos murmúrios de descontentamento e miséria de mudanças ansiosos para aqueles pobres que não sofrem em silêncio e Penan, mas começam a balançar e desatinar.Tranque o vagabundo! Jogue o encrenqueiro nas masmorras mais escuras! Ele quer agitar o descontentamento e derrubar a ordem estabelecida! Atordoar! Apedreadlo! “( A miséria que se acumula nas ruas em torno dele, não perturbar o verdadeiro cidadão ao ponto de pedir para fazer mais para congraçar-se com ela, jogando esmolas ou prestação de trabalho e ninharia trabalhoso para um bom rapaz. Mas ele se sente profundamente o constrangimento de seus prazeres pacíficos pelos murmúrios de descontentamento e miséria de mudanças ansiosos para aqueles pobres que não sofrem em silêncio e Penan, mas começam a balançar e desatinar. Tranque o vagabundo! Jogue o encrenqueiro nas masmorras mais escuras! Ele quer agitar o descontentamento e derrubar a ordem estabelecida!Atordoar! Apedreadlo! “( dando-lhe esmolas ou fornecendo o trabalho e a ninharia a algum bom e laborioso rapaz.Mas ele se sente profundamente o constrangimento de seus prazeres pacíficos pelos murmúrios de descontentamento e miséria de mudanças ansiosos para aqueles pobres que não sofrem em silêncio e Penan, mas começam a balançar e desatinar. Tranque o vagabundo! Jogue o encrenqueiro nas masmorras mais escuras! Ele quer agitar o descontentamento e derrubar a ordem estabelecida! Atordoar! Apedreadlo! “( dando-lhe esmolas ou fornecendo o trabalho e a ninharia a algum bom e laborioso rapaz. Mas ele se sente profundamente o constrangimento de seus prazeres pacíficos pelos murmúrios de descontentamento e miséria de mudanças ansiosos para aqueles pobres que não sofrem em silêncio e Penan, mas começam a balançar e desatinar. Tranque o vagabundo!Jogue o encrenqueiro nas masmorras mais escuras! Ele quer agitar o descontentamento e derrubar a ordem estabelecida! Atordoar! Apedreadlo! “( Ele quer agitar o descontentamento e derrubar a ordem estabelecida! Atordoar!Apedreadlo! “( Ele quer agitar o descontentamento e derrubar a ordem estabelecida! Atordoar! Apedreadlo! “(O Um e sua propriedade , 1844).

 

*Dívida Pública Recorde dos EUA

Imagem: Money

Do: Pátria Latina

A dívida pública dos EUA ultrapassou a marca sem precedentes de 21,5 trilhões de dólares (R$ 84,5 trilhões). Em entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik, o economista Aleksandr Abramov explicou as razões possíveis e a reação eventual dos investidores.

 

A dívida pública dos EUA bateu o recorde, superando 21,5 trilhões de dólares (R$ 84,5 trilhões), comunicou a edição Washington Examiner. Durante o ano financeiro de 2018, que terminou a 30 de setembro, ela aumentou em 1,2 trilhões de dólares (R$ 4,7 trilhões).

A edição sublinhou também que até 2020 o déficit orçamental dos EUA ultrapassará o trilhão de dólares, enquanto a dívida pública permanecerá com tendência de crescimento bem rápido, porque as despesas governamentais não são controladas de forma nenhuma.

Especialistas criticam falta de profundidade dos presidenciáveis em relação a propostas para reequilibrar as contas públicas

Imagem: MARCOS SANTOS/USP

Em agosto, o Congresso norte-americano comunicou que os empréstimos do governo, nos primeiros 11 meses do ano financeiro, foram de 895 bilhões de dólares, o que é 222 bilhões mais que no ano anterior.O especialista do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas russo, Aleksandr Abramov, explicou ao serviço russo da Rádio Sputnik, o que podia ter causado o aumento da dívida pública dos EUA até esse nível extraordinário.

“Temos que notar desde já que enquanto os EUA forem capazes de cumprir seu serviço de dívida, ou seja, de pagar sem tardança, é pouco provável que algum dos investidores possa reclamar quanto ao nível alto da dívida”, opina o economista.

Nota de 1 dólar norte-americano

© SPUTNIK / ALEXEY SUHORUKOV

Entretanto, ele afirma que esse se tornou um problema grande e o recorde de hoje foi provocado, provavelmente, por tais problemas como a reforma fiscal e outras indulgências que cortaram parte das receitas do orçamento.Para Aleksandr Abramov é evidente que, ao calcular a reforma fiscal, os EUA esperavam o surgimento de novos rendimentos daqui a algum tempo. Mas isso ainda não aconteceu. Por isso o crescimento da dívida pública dos EUA “se torna um problema mais alarmante e o mundo hoje, provavelmente, estará esperando dos EUA explicações mais ou menos claras do que acontecerá depois”, concluiu o economista.

*Na ONU, Impera a lei da Selva

 

 

Do: Nocaute:

Trump foi para a Assembleia Geral da ONU com uma mensagem incisiva: os Estados Unidos não vão “tolerar” que sua soberania e supremacia, e muito menos que seu “direito” (muitas aspas) de agir unilateralmente e livre de qualquer tipo de responsabilidade frente aos organismos unilaterais, sejam contestadas. Ou seja, o globalismo e o multilateralismo agora dão lugar ao exercício da conveniência: se foros de concertação podem ser instrumentalizados para avançar meus interesses, muito bem. Se não, eu levo a bola para casa e não brinco mais.

Se há algo que não podemos acusar Trump, é de inconsistência. À frente do governo dos Estados Unidos, ele não só empoderou e deu espaço para que os setores mais reacionários de Washington pudessem finalmente agir movidos por ressentimentos de longa data, mas também tem feito jus à sua promessa de desmantelar espaços de concertação e acordos entendidos como inconvenientes ao seu projeto de poder. E deixa isso bastante claro.

Ao anunciar sanções unilaterais contra a Venezuela, em clara violação do Direito Internacional, justamente em meio ao maior encontro anual da ONU, ou ao acusar China de interferência nas eleições regionais agendadas para novembro (que prometem uma significativa vitória dos democratas), ou mesmo ao defender uma posição em relação ao Irã já desacreditada por especialistas da própria ONU, Trump mostra que está disposto, ainda mais que seus antecessores, a instrumentalizar o organismo para ganho próprio.

Essa é a primeira vez que os Estados Unidos presidem uma reunião desse Conselho defendendo uma posição minoritária. A atuação arrogante e irresponsável dos Estados Unidos deixa a descoberto os perigos do militarismo e de sua cruzada global de poder. Mas também retoma um questionamento fundamental: até onde a diplomacia de suborno e manipulação pode se sustentar? Até quando os países-membros do Conselho de Segurança aceitarão ser cúmplices (silenciosos ou não) das agressões estadunidenses?

É um retorno à lógica do poder pelo poder. Resta saber se estamos frente a um ponto fora da curva ou a uma tendência a se consolidar.

*Crianças Atacadas por Evangélicos – Barbárie Capitalista e a Nova Santa Inquisição

Do: VOZES DE TRABALHADORES

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CASA DE PROTEÇÃO PARA CRIANÇAS ACUSADAS DE BRUXARIA, CONGO. NA IMAGEM 30 CRIANÇAS RESGATADAS EM 2016 ANTES DE SEREM QUEIMADAS.
HTTP://WWW.INFOANS.ORG/EN/SECTIONS/NEWS/ITEM/2124-DEMOCRATIC-REPUBLIC-OF-CONGO-SAVE-THE-CHILD-WITCHES

 

Em uma nova purificação, organizações cristãs evangélicas e pentecostais, como a Assembleia de Deus, são citadas como as principais promotoras da perseguição, abandono, assassinato, tortura e mutilação de crianças (1). Acusadas de bruxaria, crianças da África, Ásia e América vivem o inferno na terra na mãos dos cristãos (2).

Nigéria, Nepal, Índia, Indonésia, Paquistão, Papua Nova Guiné, Tailândia, México, Síria, Bolívia, Guatemala e Haiti são países onde os casos apontam como vítimas crianças portadoras de necessidades especiais ou doenças físicas como epilepsia. Outro motivo apontado como justificador da perseguição são as próprias características das crianças, como serem inquietas ou preguiçosas. Até bebês com cravos ou manchas são alvos, sendo queimados, obrigados a beber cimento, ácido ou veneno.

Em entrevista a BBC de Londres, o advogado James Ibor, da cidade de Calabar, capital do Estado de Cross Rivers na Nigéria,  que administra a Iniciativa Básica de Aconselhamento Jurídico (BRIC), especializada em abusos contra menores, diz que “igrejas pentecostais como estas encorajam suas congregações a culpar a bruxaria por sua infelicidade ou falhas pessoais” e que “… vendem medo para poderem manter membros que continuamente pagam ofertas e dízimos (doações semanais)” (3).

Profeta Okon, também entrevistado pelo jornal londrino, afirma que “Se essa pessoa está pronta e disposta a ser entregue, então começamos a falar um preço (…) Os mais fortes e difíceis de matar são os espíritos marinhos (…) Por isso eu cobraria cerca de 200.000 Naira (US$ 556), mas isso é negociável com os pais.” (ibid).

A BRIC também administra casas de proteção para esses jovens. As casas surgiram como abrigos temporários até que parentes assumissem a guarda das vítimas. A recusa dos parentes tornou-se padrão e os abrigos temporários tornaram-se permanentes.

“Muitas vezes temos que pressionar por investigações” diz Ibor, que fala da relutância policial “e do governo em investigar questões controversas combinadas com a falta de disposição das famílias e comunidades para fornecer evidências” (Ibid). O advogado relata que um quarto dos casos atendidos pelo BRIC são de crianças acusadas de bruxaria (4).

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ACUSADOS ​​DE SEREM BRUXOS E BRUXAS, PROTESTANDO NA SEDE DO GOVERNO NIGÉRIA.

Em 2016 o abuso aos direitos humanos, provocados pela crença em bruxaria, já constituía o maior numero de casos registrados (5). Em 2017 a ONU, ao final de seu workshop de bruxaria, declarou que “o número exato de vítimas de tal abuso é desconhecido e acredita-se que seja subnotificado” (ONU).

No Congo são milhares de igrejas que ganham dinheiro realizando cerimonias de libertação. Conforme o Ministério de Assuntos Sociais é estimado que “pode haver até 50.000 crianças sendo mantidas em igrejas – muitas vezes em condições precárias – enquanto aguardam o exorcismo.” (6). A organização Save the Children aponta que a falta de ação do governo criou “uma indiferença que está matando crianças e expondo-as a repetidos abusos” (Ibid).

Alexandre Ghiot Costa

Notas:

1 – As matrizes e igrejas cristãs são apontadas como as principais responsáveis pela organização desse modelo de perseguição infantil nos relatórios da UNICEF (Crianças acusadas de feitiçaria, Um estudo antropológico das práticas contemporâneas na África, abril 2010), em relatório da Agência da ONU para Refugiados – UNHCR (NOVOS PROBLEMAS NA PESQUISA DE REFUGIADOS, Quebrando o feitiço: respondendo a feitiçaria e as acusações contra crianças, Ar nº 197, janeiro 2011) e (Acusações de bruxaria e perseguição; Assassinatos Mutilações e Sacrifício Humano: Crenças e práticas prejudiciais por trás de uma crise global em direitos humanos, setembro 2017). Até o final do século XX essas religiões jogavam seu ódio contra os mais velhos, mas não havendo relatos do que hoje é apontada como uma crise humanitária. Na última década do século o alvo das acusações passou a ser as crianças. Somente em dois Estados da Nigéria foram 15.000 crianças marcadas como bruxas em 2008, conforme a ONU.

2 – Os já mencionados relatórios destacam que, apesar de existir crença em feitiçaria em parte da religiosidade africana, é a entrada da matriz cristã que ocasiona essa dura realidade. O fenômeno é característico do século XXI, após a entrada, no século anterior, de organizações de tipo evangélicas/pentecostais. Também, os documentos identificam como raro a incidência de perseguição de crianças, por bruxaria, da matriz muçulmana.

3 – https://www.bbc.co.uk/news/resources/idt-sh/nigeria_children_witchcraft

4 – O advogado exemplifica contando um caso em que o pai, que envenenou seus dois filhos e confessou, um ano depois, continua sem ser julgado e os corpos das crianças permanecem no necrotério

5 – http://www.whrin.org/wp-content/uploads/2017/10/2017-UNREPORT-final.pdf

6 – “Save the Children (Março de 2006) A invenção das bruxas da criança na República Democrática do Congo”.

Bibliografia:

CNN: https://www.youtube.com/watch?v=SXiNjM_mPAI

“Save the Children (Março de 2006) A invenção das bruxas da criança na República Democrática do Congo ”

https://www.bbc.co.uk/news/resources/idt-sh/nigeria_children_witchcraft

https://www.unicef.org/wcaro/wcaro_children-accused-of-witchcraft-in-Africa.pdf

https://www.legalaidboard.ie/en/About-the-Board/Press-Publications/Newsletters/Child-Witches-in-the-Democratic-Republic-of-Congo.html

http://www.unhcr.org/4d346eab9.pdf

http://www.whrin.org/wp-content/uploads/2017/10/2017-UNREPORT-final.pdf

http://www.infoans.org/en/sections/news/item/2124-democratic-republic-of-congo-save-the-child-witches

EM PLENO SÉCULO 21

QUE CRISTIANISMO É ESTE ?

 

*Na Bulgária, Caçar Refugiados é um Esporte

Do: DN 

Viagem à fronteira mais ignorada da Europa, no sul da Bulgária, onde há grupos paramilitares de patrulha, campos de refugiados que são um desespero, deportações e detenções inexplicáveis. Daqui percebe-se um continente inteiro. Os refugiados são para manter longe de vista. Custe o que custar

Hoje é um bom dia para ir à caça”, e Dinko Valev, 31 anos, avalia o céu de Yambol, no sul da Bulgária – está limpo. É ele o dono deste ferro-velho e é com o dinheiro que aqui fatura que financia o exército paramilitar de que é líder – e que denominou de Movimento Nacionalista Búlgaro.

Comecei sozinho há três anos a vigiar a fronteira de moto todo-o-terreno. Agora somos 50 homens, temos sete tanques e um helicóptero.” O que é que fazem exatamente? “Caçamos refugiados, na Bulgária é um desporto“, diz. “Chamem-lhe migrantes, chamem-lhe refugiados, chamem-lhe o que quiserem, que para mim eles são potenciais terroristas que põem a Europa em perigo. Não os podemos, nem vamos, deixar entrar.”

Dinko tornou-se famoso na Bulgária há dois anos quando, depois de entregar 12 sírios às autoridades, o canal de televisão bTV o apresentou como “o super-herói que está a lutar pela pátria.” Dias depois, o primeiro-ministro veio agradecer publicamente a ajuda dos civis que apoiam a polícia na monitorização da fronteira: “O vosso contributo é bem-vindo”, disse então Boyto Borisov.

Em 2016, Bruxelas pagou seis mil milhões à Turquia para travar o fluxo de refugiados para a Europa, depois de quase dois milhões de pessoas terem entrado na União no ano anterior. E foi nesse momento que os grupos paramilitares do país vizinho ganharam espaço para crescer. “A Bulgária construiu um muro e passou a impedir entradas sem atender a causas humanitárias nem a pedidos de asilo”, diz Martin Dimitrov, jornalista do diário búlgaro 24 Horas e especialista em questões de imigração. “A palavra de ordem agora é expulsar, doa a quem doer.”

Dinko Valev e o seu exército têm hoje carta-branca para caçar os refugiados que quiserem. Na sucata que também é centro de operações, o homem apressa-se nos contatos, amanhã é dia de ir ter com as patrulhas. Um bom dia para a caça, como ele disse antes. Há hoje menos gente a passar a fronteira? “Há cada vez mais.” Mesmo com o muro? “Eles cortam o arame, mas nós não os deixamos entrar.” O que fazem aos refugiados que encontram? “Entregamos à polícia, mas se resistirem damos-lhes uma sova.” Já mataram alguém? Uma pausa, Dinko não responde. A conversa acaba aqui.

A fronteira mais esquecida

A aldeia de Rezovo não tem mais de uma vintena de casas, mas tem mais de uma centena de bandeiras búlgaras penduradas nas janelas, nos postes elétricos, nas árvores. Tem um monumento que assinala onde estamos: no extremo sudeste da União Europeia. Um pequeno ribeiro, altamente vigiado pela polícia marítima, separa a Bulgária da Turquia. Na margem norte, mesmo encostada à água, há uma enorme vedação, e essa é uma imagem estranha – um curso de água murado, para que ninguém o atravesse.

“Temos a fronteira mais bem guardada da Europa”, orgulhava-se em junho deste ano o primeiro-ministro búlgaro no Parlamento Europeu. “Proponho que a Europa feche todas as suas fronteiras como nós fechámos, para que mais nenhum refugiado possa entrar.” Estes 267 quilómetros de raia com a Turquia estão vedados por arame farpado, de três a quatro metros de altura. Há unidades policiais em todas as aldeias do sul e há as milícias civis, toleradas pelo governo de Sófia.

Quando toda a gente estava a olhar para os refugiados que atravessavam o Mediterrâneo pela Itália e sobretudo pela Grécia, ou que eram travados por terra na Croácia e na Hungria, a Bulgária foi-se mantendo fora do radar – apesar de lhe pertencer a maior fronteira terrestre com a Turquia. Entre os refugiados, no entanto, aquela passagem era conhecida como a mais cruel.

“Eu queria salvar-me na Europa e afinal a Europa tratava-me como se eu nem sequer fosse humano”

Keyhan Yusefi, um jornalista curdo de 37 anos, decidiu há três anos que só tinha uma hipótese de se manter vivo: chegar à Europa. “Quando o Daesh chegou ao Iraque, os jornalistas tinham a cabeça a prémio e eu não era exceção”, conta agora ao DN. “No dia em que fui à escola buscar o filho de um colega meu que tinha sido assassinado tomei uma decisão. Tinha chegado a hora.”

Largou a pé de Duhok e atravessou a fronteira com a Turquia – 12 horas, sem problemas de maior. “Depois meti-me num autocarro para Istambul e acabei por ficar lá um mês, a preparar o salto.” Na noite de 28 para 29 de dezembro de 2015 chegou ao norte do país, tentou entrar por Rezovo. “Lembro-me que nevava intensamente e que fui perdendo de vista as pessoas que tentavam passar comigo. Muitas foram apanhadas na fronteira e mandadas voltar para trás. Morreram de frio na floresta.”

Ele e mais três rapazes conseguiram passar a rede. Começaram a subir os montes quando lhes apareceu um grupo de homens mal encarados – eram os guardas do Movimento Nacionalista de Dinko Valev. “Eu só gritava que era jornalista, mas fui espancado até não ter forças para resistir. Depois entregaram-me à polícia.” Durante três noites não o deixaram dormir, conta, mantinham-no acordado à base de murros e pontapés.

“Depois prenderam-me dez dias num campo de refugiados, de onde não podia sair.” Lembra-se que as casas de banho estavam imundas, que os chuveiros não funcionavam, nada. “Eu queria salvar-me na Europa e afinal a Europa tratava-me como se eu nem sequer fosse humano.” No primeiro dia em que lhe foi dada permissão de saída do campo fugiu.

Durante três meses percorreu o continente oculto até chegar à Suécia, onde tinha família. Aí, entregou-se às autoridades. “Mandaram-me de volta para a Bulgária porque era aqui que tinha o primeiro registo. Então voltaram a espancar-me e torturar-me. Mas o facto de ir para a Suécia permitiu que eu tivesse uma oportunidade de pedir de asilo.” Se receber resposta positiva, garante, sairá imediatamente do país.

Em março deste ano, a comissão parlamentar europeia de Liberdades Civis visitou a fronteira da Bulgária com a Turquia. O relatório final é bastante claro: “Os abusos dos direitos humanos mantêm-se persistentes.” Além dos casos de espancamento e tortura, “agora os refugiados veem-se empurrados para trás sem oportunidade sequer de fazer um pedido de asilo”. Martin Dimitrov, jornalista búlgaro, resume o estado das coisas neste momento: “Batemos nuns quantos refugiados e deixamos que muitos morram. Os outros, simplesmente, tratamo-los mal.”

Um campo para fantasmas

Muros altos com vedações eletrificadas. Três blocos de edifícios robustos, com as paredes descascadas. Um posto de vigia com vista para o enorme terreiro onde um rapaz sírio, vestido com uma camisola de Cristiano Ronaldo, e esta ainda é do Real Madrid, se torna todas as tardes estrela local de futebol. Isto é o campo de refugiados de Harmanli, o maior do país, a 40 quilómetros da fronteira turca. Isto também é uma antiga prisão, convertida em albergue improvisado em 2015. Isto continua a ser uma prisão, dizem os que lá vivem.

*Zimbabwe tem Multimilionárias Reservas de Ouro

* Russia Denuncia na ONU Ingerência dos EUA na Nicarágua

REUTERS / Mike Segar

Do: Prensa Latina

A Rússia denunciou nesta quarta-feira (5) na ONU a ingerência dos Estados Unidos nos assuntos internos da Nicarágua e a intenção de Washington de empregar o Conselho de Segurança como árbitro contra esse país centro-americano.

A Rússia denunciou nesta quarta-feira (5) na ONU a ingerência dos Estados Unidos nos assuntos internos da Nicarágua e a intenção de Washington de empregar o Conselho de Segurança como árbitro contra esse país centro-americano.

Em um debate convocado pela representação estadunidense no âmbito do Conselho e que foi rejeitado por vários membros desta instância, o representante permanente da Rússia na ONU, Vassily Nebenzia, destacou as repercussões negativas para a Nicarágua desta reunião.

Alguns integrantes do Conselho de Segurança querem fazer pressão sobre um Estado soberano para que realize mudanças, porém, após o debate convocado, agora é possível que a polarização na Nicarágua se intensifique e fortaleça, apontou.

Talvez seja precisamente esse o desejo dos que promoveram esta discussão no órgão de 15 membros, sublinhou o diplomata.

Nebenzia também criticou a histórica ingerência de Washington em várias nações latino-americanas e isto é o que faz também ao empregar sua posição de poder para levar este tema perante o Conselho.

Se os Estados Unidos estão tão preocupados pela situação dos cidadãos nicaraguenses o lógico seria que suspendesse as medidas restritivas que impôs a esse país por motivos políticos, observou o embaixador.

Em muitas ocasiões, acrescentou, o conceito de violação de direitos humanos é ultilizado de maneira hipócrita, pois os conflitos que se atiçam a partir do estrangeiro são a própria causa dessas violações dos direitos humanos.

Por isso, o diplomata pediu aos Estados Unidos para deixarem de impor tendências colonialistas na Nicarágua e empregar sua posição de poder para atacar o governo dessa nação.

Os que tentam prejudicar a economia nicaraguense para provocar descontentamento popular são precisamente os iniciadores de debates como este no Conselho de Segurança, sublinhou Nebenzia.

Além disso, destacou que a situação nesse país centro-americano tem se establizado nos últimos dias, e como os problemas ali devem ser resolvidos por um diálogo pacífico interno do país, e não por meio de ingerência de uma potência estrangeira e destruidora.

 

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