*Pelo Fim das linhas Burguesas Divisórias…

Destruindo As Barreiras e as Linhas Divisórias, Acaba-se com o Movimento Migratório: Pelo Fim do Regime Burguês de Produção e Dominação

*O movimento Migratório Atual – por villorblue

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algum tempo atrás, fui a uma exposição de fotografias no MON, do foto/jornalista Sebastião Salgado, fiquei pensando sobre o processo migratório e suas causas, desde 1993 Salgado vem fotografando o movimento migratório de seres humanos em todo planeta. Inteirei – me (surpreso), que quase cento e cinqüenta milhões de pessoas sofrem deste processo migratório atualmente e vivem fora de seus locais de origem, numero altíssimo se levarmos em consideração o aumento da população mundial atual que paira em torno de cem milhões de seres humanos anualmente. O aumento é ainda mais assustador, cerca de dez milhões de pessoas engrossam este cordão todos os anos, mantendo estas proporções, daqui a dez anos esta enorme fila migratória terá duzentos e cinqüenta milhões de pessoas, em 1985 eram trinta milhões. Partindo desta analise, Salgado andou por 45 países, durante 7 anos, 45 países é quase um quarto do numero total de nações, se levarmos em consideração os 202 países existente, (dados de 2002, de acordo com a Wikipédia), o que da ao seu trabalho uma importância impar.
Os primeiros povos a migrarem para as Américas (por volta de 48 a 60 mil anos) emigraram da Ásia, provavelmente atravessando o estreito de Bering, alguns teóricos pensam também, que povos oriundos da Polinésia, Malásia e Austrália atingiram a America do sul navegando através do Oceano Pacífico, esta seria outra corrente.
Próximo ao ano de 1500 habitavam o Brasil entre 5 a 6 milhões de nativos, (destes , sobreviveram em péssimas condições de vida e com suas culturas em frangalhos, aproximadamente 200 mil pessoas), poderíamos discorrer ainda mais sobre muitas situações historicamente conhecidas, mais isto não vem bem ao caso, o que eu gostaria de evidenciar seriam as “causas de repulsão e de atração” que evidenciam alguns destes movimentos migratórios em alguma regiões.
Partindo das três causas que a meu ver são as mais importantes, “perseguições político/regionais, econômicas e de natureza climática”, sigo minha linha de pensamento e procurarei me concentrar na atualidade, sendo que posso retornar a historia para ilustrar ou reforçar algum raciocínio.
Segundo o ACNUR (Auto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), a maioria dos refugiados internacionais migra em busca de empregos, ou melhores empregos e melhores salários, após isso vem ás causas de guerras, perseguições étnicas e religiosas, – não nesta ordem obrigatoriamente -, este movimento objetiva principalmente ao EUA e a Europa ocidental e se originam a partir da África, America do Sul e regiões sul e sudeste da Ásia, como podemos constatar, das nações mais pobres do planeta.
Se as causas principais de repulsão da migração atualmente são as acima citadas, poderemos pensar um pouco mais sobre as causas de atração.
Esta analogia é bem simples, mais a partir dela entraremos em uma noção maior. Tenho um trabalho atualmente, ganho muito pouco, na cidade vizinha tem varias empresas com muitos empregos e remuneração maior, a cidade tem uma qualidade de vida melhor. O que eu faço? Fico? Migro? Ai esta a duvida.
Para sobreviver mais confortavelmente, o sistema capitalista teorizou e generalizou. Nas regiões em que ele retira matérias primas para manter seu parque industrial manufatureiro, os salários são vergonhosos, em regiões onde estão implantados os parques industriais os salários são menos vergonhosos e onde estão alojados os executivos, as gerencias, diretorias, etc., os salários são bem melhores. O leitor quer um exemplo? A Adidas abriu uma fabrica na Ásia, mão de obra barata e matéria prima quase de graça, os executivos continuam no EUA com seus salários fabulosos, é assim com todas as transnacionais, carros, cigarros, alimentos, eletrônicos, informática, roupa, etc, etc…Um exemplo mais fácil de confirmar por estar mais próximo, a Cba, (companhia brasileira de alumínio) do grupo Votorantim, comprou a troco de bananas uma vasta extensão de terras na região do Vale do Ribeira (a região com o menor IDH do estado de São Paulo), na divisa entre Paraná e São Paulo, Brasil.
Porque comprou a preço de banana? Primeiro a região sofreu todo um processo de empobrecimento regional ao longo dos últimos anos, fatos divulgados na mídia, falta de investimentos sociais, inexistência de investimentos em infra- estrutura para escoamento da produção agrícola, criação de empregos, etc. A região em evidencia ficou abandonada por um longo tempo, noticiou-se que a Cba (Cia Brasileira de Alumínio) iria construir uma represa (Usina do Alto Tijuco) no rio Ribeira do Iguape, esta represa iria alagar uma vasta área e “ai daquele que teimasse em viver nas regiões abaixo”, na cidade vizinha, Apiaí em São Paulo, tem uma grande mineradora de Cimento, (matéria prima), em outro município limítrofe Adrianópolis no Paraná, tem uma mina (meio desativada..?) de chumbo, prata e ouro (matéria prima), dizem os moradores da região, mais esclarecidos e antigos, que as serras que serpenteiam a região são ricas em ferro, alumínio, prata, urânio e outros. Estas terras atualmente pertencem a Cba, a maioria foi comprada a um preço muito baixo, como a região há muito tempo esta sem investimentos nas áreas sociais, a população em geral, (os pequenos proprietários de terra, etc), venderam ou abandonaram as terras, indo engrossar as periferias das grandes cidades em busca de trabalho. Este exemplo, simplório, por estar mais próximo, faz com que entendamos melhor a situação global.
Nos últimos anos no Brasil, vemos constantemente migrantes morando clandestinamente nas grandes cidades. Quem são estes migrantes? Geralmente oriundos da África, Ásia e America do Sul e geralmente se movimentam por causas econômicas. Quanto ao movimento nacional, sempre tivemos uma grande movimentação da região nordeste e norte do Brasil rumo a região Sudeste/Sul, como a situação de empregos em São Paulo e Rio de Janeiro esta saturada atualmente, se detecta movimentos do Nordeste em direção a alguns estados do Norte (Tocantins, Pará, etc) originados do Piauí, Maranhão, e outros. E na região Sudeste nota-se também o contrario de anos anteriores, habitantes de origens nordestinas estão migrando ou retornando para sua região de origem.
Retornando aos movimentos internacionais, vamos citar um país de origem, poderia citar a China, qualquer região da África, Coréia, qualquer um, especificando citarei apenas a Bolívia. Temos visto constantemente na mídia principalmente em São Paulo, historias de bolivianos que migram e se vem envolvidos em algum problema, geralmente são vitimas de aproveitadores, que lhes tiram o pouco dinheiro que ganham, prometem rios e fundos e não cumprem o que prometem, estes irmãos trabalhadores, que arriscam tudo para conseguir um lugar ao sol, vivem escondidos, trabalham até 20 horas por dia para ter algum lucro, numa clássica relação corroída entre capital e trabalho, isto é, semi escravidão. Este é apenas um exemplo brasileiro, (isto é, falando apenas dos movimentos dentro do território brasileiro. No geral este tipo de problema é igual –só ampliando ou diminuindo suas proporções/micro ou macro- em todas as regiões do planeta onde existe a recepção de migrantes, veja o caso do Japão e seus migrantes brasileiros, “os decasséguis”, eles são vigiados quando entram em supermercados, lojas, etc.), talvez por ignorância e um perfeito desconhecimento da situação destes trabalhadores, olham estes migrantes como se fossem os grandes (ou parte) responsáveis pela péssima situação ou problemas em que vivem, ou por todos os problemas gerados na região onde moram e por serem geralmente pobres, são vistos abaixo da linha do preconceito, desprezados e se não bastasse a falta de benefícios e os baixos salários a que são submetidos em seus trabalhos semi escravos.
COMO O TRABALHADOR DE UMA NAÇÃO POBRE, VÊ UMA NAÇÃO RICA E IMPERIALISTA…
Esta visão serve para quaisquer países em qualquer continente, para facilitar o entendimento exemplificaremos o Brasil como receptor do movimento.
Como um paraguaio, peruano, boliviano, etc, vê o Brasil lá fora? Geralmente sendo este trabalhador um pouco mais consciente, pensa de primeira, é um pais rico e imperialista. Espera lá. Imperialista? Com certeza, desde há muito tempo. Lembram do tratado de Tordesilhas? E da guerra do Paraguai? E a situação do Acre? E do estado de Santa Catarina? A mudança destas divisas e ganho de território foram simples manobras imperialistas, tenho em consciência que toda nação receptora de movimentos migratórios são diretamente responsável pelas regiões pobres do planeta.
Se existe regiões empobrecidas, os mais ricos exploram suas matérias primas como um aspirador de pó absorve a poeira de um tapete. Só os países mais ricos têm parques industriais para transformar esta matéria prima em objetos comerciáveis, apenas eles possuem também saída para estes produtos através das câmaras mundiais, sendo assim impõe a estas matérias prima o preço que querem, relegando aos mais pobres apenas o trabalho e o (in) conformismo.
O Brasil é visto pelo proletário da America Latina, África, sul e sudeste da Ásia, como um país rico e imperialista (não me refiro a população extremamente pobre e as suas tristes realidades), a historia e os dados estão aí para atestar este imperialismo e os índices confirmam que o pais (não a população) não é pobre (PIB, reservas internas e internacionais, arrecadação de impostos, etc.), miserável somos nós, sua massa explorada, esta miséria geralmente não é mostrado no exterior, infelizmente a propaganda internacional mostra apenas mulheres de biquíni, corpos torrados ao sol, como se o Brasil fosse apenas uma grande nação de fornicadores e lascivos.
Como entrar no Brasil é mais fácil do que entrar em países da Europa ocidental e EUA, o Brasil seria uma das opções para se trabalhar e ganhar dinheiro, por três motivos maiores, em parte por se falar o português, o brasileiro aceita razoavelmente o migrante, temos muitas empresas (micro, pequenas, e medias) que admitem estrangeiros sem constrangimentos, incluindo neste aceite os clandestinos, estas facilidades agem como um farol sobre os mais pobres de outros países, norteando e obcecando.
Na idade media o tema dos bárbaros colonizadores, era “não existe pecado ao sul do equador”, isso prevalece como se fosse um arquétipo maldito (este lema foi um dos grandes responsável pelo extermínio da nação indígena brasileira).
Voltando um pouco, se exige pouco das empresas que exploram matéria prima nas áreas das, relações do trabalho, ecologia e sociais, as matérias primas geralmente são vendidas na sua forma pura para outros países (a não ser em países do primeiro mundo onde geralmente são beneficiadas e manufaturadas no local de extração, ver o vale do silício na Califórnia-EUA), deveriam ser beneficiadas em seus locais de extração, se assim ocorresse, seriam gerados um grande numero de empregos nos países do terceiro mundo, contribuindo para o aumento do IDH nestas regiões e segurando os trabalhadores em suas regiões de origem, reduzindo em muito o movimento migratório.
ALGUMAS CONSEQUÊNCIAS SOBRE O TRABALHO DE MIGRANTES ILEGAIS..
Local: Japão, qualquer estado ou cidade, alguns decasséguis moram num prédio de apartamentos simples, dividem um quarto/cozinha, trabalham para um empreiteiro que não conhecem bem o nome, não tem carteira assinada, não tem benefícios, não tem convenio medico, não tem décimo terceiro, apenas saem de férias quando ocasionam férias coletivas na empresa, 15 ou 20 minutos de almoço, não podem financiar imóvel, carro, ou quaisquer bens duráveis, compram somente a vista, não podem se envolver em acidentes de transito. Como vemos, não difere muito de trabalhadores estrangeiros que moram e trabalham no Brasil, ilustrei este constatado, apenas para mostrar que as contradições entre o capital e o trabalho são comuns em qualquer lugar do planeta, apenas minimizado em algumas regiões, este exemplo poderia acontecer nos EUA, Alemanha, França, ou qualquer outro país, o capital abre e fecha filiais em qualquer parte do mundo, não se importa com o ser humano, ele migra ao bel prazer. Para abrir uma fabrica no Brasil e oferecer 750 empregos diretos, uma indústria automobilística francesa fechou uma fabrica na Bélgica onde mantinha 7500 postos de trabalho diretos (Para onde foram estes trabalhadores demitidos?), isso é apenas um exemplo entre milhares. O sistema só não consegue mudar os locais de exploração das matérias primas.
CONCLUSÃO
Gostaria ao concluir, explanar algumas idéias para tentarmos, senão sanar definitivamente (não acredito que nos parâmetros do sistema capitalista estes conflitos sejam solucionados definitivamente), ao menos amenizar o gravíssimo problema do movimento migratório, não é concebível, seres humanos trabalhando em condições subumanas em regimes escravagistas ou semi-escravagistas apenas porque vêem de uma região mais pobre, por pertencer a outras minorias, etc., na situação de foragidos ou banidos políticos, ou então por causa de cataclismos naturais, ou simplesmente por pertencer às áreas mais pobres do planeta, todos devemos ser respeitados dignamente. Se o sistema vigente não tem capacidade para solucionar esta e outras situações degradantes referente ao ser humano, que reconheça. Só assim a humanidade poderá debater e encontrar seu caminho. Para abrir a discussão, seleciono alguns tópicos para serem colocados em prática a curto e médio prazo, estes tópicos, apesar de gerarem um grande trabalho para sua concretização, são viáveis.

• Beneficiamento das matérias no local de origem de extração, ex. minério do ferro, alumínio, cobre, cal, cimento, madeira, grãos, subprodutos do petróleo, etc.
• Após serem beneficiadas estas matérias (não havendo condições de serem manufaturadas no local), as empresas compradoras por excelência devem exigir das vendedoras as, ISO’s 9000, 14000 e 18000, que regem sobre o controle das qualidades ambientais e das relações do trabalho.
• Um fundo internacional (teoricamente já existe) uma espécie de tributo cobrado de empresas transnacionais e destinados a educação e saúde em países do terceiro mundo, principalmente as regiões mais pobres do planeta, para que não houvesse desvios este fundo seria aplicado pela FAO e UNESCO, seria fiscalizado por ONGs, associações locais, organismos internacionais de auditoria, toda a comunidade envolvida, sindicatos, etc., quanto mais fiscalização mais eficiente sua distribuição.
• Uma reformulação dos salários nas regiões onde originam os disparos emigratórios, para que estas regiões se tornem atrativas para todos. As nações devem envolver-se neste processo, através de fóruns constantes e soluções diretas e praticas.
• O debate constante em fóruns, seminários, nas escolas, nas igrejas, dentro de secretarias e ministérios de governos, para solucionarmos definitivamente o problema dos preconceitos raciais, sociais, étnicos, sexo, etc. …

Com alguns destes tópicos alinhados, gostaria agora de prendê-lo um pouco mais nesta leitura e falar sobre alguns relatórios atuais de organismos com aos quais não tenho duvidas sobre exatidão e seriedade:
Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o aumento dos preços dos alimentos no mundo fez o numero de famintos aumentar em 40 milhões em 2008. a FAO divulgou na data de 09/12/2008 que a fome já atinge 963 milhões de pessoas. A FAO disse ainda que a crise mundial levara ainda mais pessoas a esta condição. Segundo a FAO, os problemas estruturais da fome, como falta de acesso à terra, ao credito, e ao emprego, combinados com o aumento dos preços dos alimentos permanecem como uma dura realidade para milhões de pessoas . A FAO relatou ainda que grande maioria destes famintos -907 milhões- vive nos países pobres. Destes, 590 milhões moram em sete países, são estes; Índia, China, Congo, Bangladesh, Indonésia, Paquistão e Etiópia, este mesmo relatório informa que na África Subsaariana, um terço da população -236 milhões- vive em estado de fome crônica. Sendo a maior proporção dentre os continentes. O Congo foi disparado o país Africano onde a fome mais se alastrou. A população de famintos passou de, 26 por cento em 2003/05 para 76 por cento em 2008. Na America Latina e Caribe, a fome atinge 51 milhões de pessoas atualmente.
Outro relatório desta vez emitido pela Comissão Econômica para a America Latina e o Caribe, ( Cepal ), informa que a crise do “sistema capitalista” (eles não usam sistema capitalista, usam crise financeira global), provocara um aumento no numero de pobres e indigentes na America Latina nos próximos anos, acirrando ainda mais os problemas que atravessamos.

Minha opinião para abertura de uma discussão sobre o tema “MOVIMENTO MIGRATÓRIO”.
Como em todas as crises da historia, quem sofre realmente são as massas oprimidas, pagando um alto preço pela dissolução dos problemas do sistema de exploração, nada mais sensato que, as massas tomem as rédeas para a condução de uma sociedade onde realmente a fraternidade e a solidariedade sejam focados como ponto central de todas as políticas. Não vejo outra solução.

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*Eles apenas pensavam e protestavam…foram assassinados – por villorblue

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43 crianças sequestradas e assassinadas no dia 27 de setembro de 2014… México e o extermínio sistemático dos povos autóctones nas AméricasIsso é uma herança do maldito psi e parece não ter fim…

O que aconteceu no México, após o 27 de setembro de 2014? As fotos em redes sociais, o vídeo na Internet, e acima de tudo, as experiências pessoais de boca transmissíveis, passeatas realizadas, intervenções artísticas e políticas em espaços públicos, greves em universidades e milhões de pessoas indignados com um evento que já passou as fronteiras nacionais. “Vivos foram levados, vivos nós queremos!”, “Não somos nós todos, faltando 43”, “Somos todos Ayotzinapa” “Você pode ser você, eles poderiam ser seus filhos” fazem parte dos slogans que gritavam nas últimas semanas, cansados de impunidade e vendo essa afronta à sociedade como os professores-alunos. É a consciência coletiva que ganhou uma batalha feroz contra o individualismo até então invicto. E é por isso que não é raro (quando você acessa os solidários do Facebook ou do Twitter) ver banners mexicanos em vários idiomas, mostrando fisionomia solidaria: “A sua luta é a nossa luta”, “Nous Sommes Tous Ayotzinapa” ” Demokratie em Mexiko ist ein Betrug “. A partir da eleição de 2012, Colima começou a cantar no mesmo tom que o resto do país, ou pelo menos uma parte da sociedade de Colima. A quarta-feira do lado de fora da catedral, na marcha organizada pelo CEU e por estudantes de filosofia, podemos ver unidos os zapatistas, as feministas de diferentes grupos, artistas, professores, sindicalistas, estudantes organizados e não organizados e uma série de pessoas difíceis de classificar. É Colima se opondo solidariamente ao silêncio indolente das elites.

Leia mais;…http://ceucolima.blogspot.com.br/

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*A Syngenta na guerra do Vietnã – por villorblue

Leia tambem: https://radioproletario.wordpress.com/2016/01/12/mosquitos-geneticamente-modificados-liberados-aos-milhoes-inclusive-no-brasil/

História e Sociedade (27)

A Syngenta é uma empresa transnacional do agronegócio com sede na Suíça. A empresa tem operações em mais de 90 países, e emprega mais de 19.500 pessoas. Em 2006, suas vendas foram de US$8,1 bilhões, tendo 80% de sua receita proveniente de agrotóxicos e 20% da produção de sementes. A Syngenta é a terceira maior empresa do setor de sementes no mundo.

A Syngenta resulta de mais de dois séculos de fusões de empresas européias do setor químico. Segundo Brian Tokar, o antecessor mais velho da Syngenta foi J.R. Geigy Ltd., que foi fundada na Suíça em 1758, e começou a produzir químicos industriais inclusive tintas, tinturas e outros produtos. A Geigy ficou famosa e rica quando descobriu a eficácia inseticida do Dicloro Difenil Tricloroetano (DDT, atualmente, produto este proibido em boa parte do planeta). A Syngenta também tem raízes na Industrial Chemical Industries (ICI), uma empresa de explosivos fundada na Grã Bretanha em 1926 por Alfred Nobel, o inventor da dinamite. A ICI abastecia as Forças Aliadas durante a Segunda Guerra Mundial com explosivos e químicos para uso como arma química. Em 1940, a ICI descobriu as propriedades seletivas do ácido alphanapthylacetic, e sintetizaram os herbicidas MCPA e 2,4-D. O herbicida, agente laranja como é conhecido popularmente, derivado do 2,4-d, posteriormente foi usado pelos militares dos estados unidos durante a guerra imperialista do Vietnã , a grande propaganda de guerra americana na época, dizia que o agente laranja era utilizado para desfolhar as arvores, porém na realidade era utilizado para desfolhar a carne dos norte-vietnamitas. Em 1970 a Geigy e a Ciba se fundiram para formar a Ciba-Geigy, uma grande empresa com operações em mais de 50 países. Em 1994 a ICI desmembrou seus setores de químicos farmacêuticos e agrotóxicos dando origem à Zeneca Group PLC. A Zeneca fundiu-se com a Astra AB da Suécia em 1998, criando a AstraZeneca. Em 1996, a Sandoz, uma outra empresa Suíça formada em 1876, fundiu-se com a Ciba-Geigy para formar a Novartis, a maior fusão empresarial na história daquela época. Em 2000, a Novartis fundiu-se com o setor do agronegócio da AstraZeneca, formando a Syngenta, o primeiro grupo global focado exclusivamente no agronegócio.

A biotecnologia é muito importante para a Syngenta. Entre 2001 e 2002, a Syngenta foi responsável pela maior contaminação genética da história, quando vendeu ilegalmente sementes transgênicas de milho BT10 aos agricultores nos Estados Unidos. Este milho transgênico entrou nos sistemas alimentares dos humanos e de animais. A Syngenta também é líder no desenvolvimento da “Tecnologia Terminator”, um processo de engenharia genética que torna sementes estéreis numa tentativa de forçar os agricultores a sempre comprarem suas sementes, em oposição à prática camponesa de selecionar, cuidar e compartilhar sementes livremente.

O Crime da Syngenta e a Ocupação

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A Ciba-Geigy começou suas operações no Brasil em 1971 e passou a ser demominada Syngenta em 2001. No início de março de 2006, a Terra de Direitos, uma organização localizada em Curitiba, que atua nas áreas de direitos humanos e meio ambiente, e trabalha com os movimentos sociais, denunciou ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais (IBAMA), que a Syngenta e doze outros produtores plantaram ilegalmente soja transgênica na zona de amortecimento do Parque Nacional do Iguaçu. Dado a suas ameaças à biodiversidade, por determinação da legislação federal brasileira, é proibido cultivar transgênicos na zona de amortecimento dos parques nacionais. Uma investigação feita pelo IBAMA confirmou que a Syngenta e os agricultores violaram a lei ambiental federal e multou a todos. A multa da Syngenta é de aproximadamente US$465,000. Enquanto todos os agricultores recorreram à multa, perderam e em seguida pagaram suas multas, a Syngenta tem se recusado a reconhecer qualquer crime, sendo a única que ainda não efetivou o pagamento.

Após a investigação do IBAMA ter confirmado a violação da lei federal pela Syngenta, a Via Campesina ocupou não violentamente o seu campo experimental. A Via Campesina e a Terra de Direitos defendem legalmente a ocupação com base num artigo constitucional que diz que a terra precisa cumprir uma função social. Eles argumentam que o campo experimental da Syngenta não estava cumprindo a sua função social, e que o cultivo ilegal da soja transgênica na zona de amortecimento do Parque Nacional do Iguaçu constituiu uma ameaça direta à sociedade brasileira, porque colocou em risco sua biodiversidade, os recursos naturais e o sistema alimentar do país.

Em julho de 2008, a Terra de Direitos e a Via Campesina lançaram uma campanha internacional de solidariedade, conquistando apoio de mais de 75 organizações de todo o mundo. A campanha dirigiu emails diretamente para Pedro Rugeroni, chefe da Syngenta no Brasil, exigindo que a empresa reconheça seu crime e pague a multa ao IBAMA. A campanha também dirigiu emails ao Governador Requião (Paraná), motivando-o a desapropriar o sítio da Syngenta. Em resposta, a Syngenta comprou uma página inteira nos dois maiores jornais brasileiros, onde publicou uma mensagem em sua defesa. Na sua resposta hostil aos apoiadores da campanha internacional, continuou negando qualquer crime e atacou a “invasão ilegal” do seu campo experimental.

Segundo a Céleres, especializada em agronegócio, o total da área plantada com cultivos geneticamente modificadas em 2013, chegou a 37,1 milhões de hectares, o que representou um aumento de 14% em relação ao ano anterior (que por sua vez, já tinha registrado um aumento de mais de 21% em relação à safra de 2010/2011) – ou seja, 4,6 milhões de novos hectares dedicados a variedades transgênicas.

Segundo o IBGE em 2013, a área recorde dedicada à atividade agrícola no país de 67,7 milhões de hectares. Cruzando o dado do IBGE com o da consultoria Céleres, chega-se à conclusão de que os transgênicos responderam por 54,8% de toda a área cultivada na safra 2012/2013 no país. Os maiores produtores entre os países em desenvolvimento são Brasil, Argentina, Índia e China. Ironicamente, no pais sede da ‘sungenta’  (proposital) não se planta transgênicos.  “Variedades de algodão resistente a insetos são os cultivares transgênicos comercialmente na Ásia e na África”, diz a FAO. Na América Latina, “são a soja  seguida pelo milho resistente a inseto”. Nem os insetos querem produtos transgênicos…

Como vemos, suecos, suíços, americanos, ingleses, canadenses, etc, são todos santos…

O que já estamos consumindo de transgênico direta ou indiretamente : Milho, soja, algodão, mamão papaya, queijos, trigo, centeio, abobrinha, arroz, feijão, salmão

Fonte : http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/02/130207_transgenicos_cultivo_tp

Isto tudo parece um filme de terror.

*Batalha de Cable Street

A batalha na Inglaterra entre pró e anti fascistas:

Quando a Inglaterra foi invadida pelos nazistas haviam muitos simpatizantes no pais. E dois anos após esta batalha, a Inglaterra sentiu na carne o que os anti-fascistas afirmavam e lutaram contra:

Batalha de Cable Street aconteceu no domingo, 4 de Outubro de 1936 na rua Cable Street no bairro East End de Londres. Foi um confronto entre a Polícia Metropolitana, protegendo a marcha de membros da União Britânica de Fascistas,[1]liderada por Oswald Mosley, e vários contra-manifestantes locais anti-fascistas, incluindo judeus locais, socialistasanarquistas e grupos comunistas. A maioria de ambos os lados percorreram um longo caminho até o local do contronto. Mosley havia planejado enviar milhares de integrantes da União Britânica de Fascistas uniformizados como os Camisas Negras para marchar pelo East End, que na época tinha uma grande população judaica.

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Os grupos antifascistas construíram barricadas em uma tentativa de impedir a marcha. As barricadas foram construídas perto da junção com Christian Street. Estima-se que 100.000 manifestantes antifascistas compareceram e foram confrontados por 6.000 policiais, que tentaram retirar as barricadas para permitir a marcha dos 2.000-3.000 fascistas.

 Os manifestantes revidaram com pedaços de madeira, pedras, e outras armas improvisadas. Lixo, legumes podres e os conteúdos de penicos foram jogados contra a polícia por mulheres que viviam nas casas ao longo da rua. Após uma série de confrontos, Mosley concordou em cancelar a marcha para evitar derramamento de sangue.

Os manifestantes da União Britânica de Fascistas foram dispersos em direção Hyde Park, enquanto os antifascistas se revoltaram com a polícia. Cerca de 150 manifestantes foram presos, embora alguns conseguiram escapar com a ajuda de outros manifestantes. Cerca de 175 pessoas ficaram feridas, incluindo policiais, mulheres e crianças.Pintura moderna que descreve os eventos da Batalha de Cable Street.

Pintura moderna que descreve os eventos da Batalha de Cable Street

PENSE: O FASCISMO JOGA SUA SEMENTE EM TERRENO ADUBADO PELO MEDO E PELA COVARDIA:

Ler na íntegra: Batalha de Cable Street

Leia também: Chefe de operação que levou à morte do brasileiro Jean Charles assume mais alto cargo policial do Reino Unido

*Conversa Sobre Prisões e Saúde Mental

Sobre o estado capitalista e a saúde mental:

Com: António Pedro Dores e Vera Silva

…Se o império for um estado mais avançado da hegemonia da economia capitalista no mundo, como se poderia explicar o forte crescimento da prática do encarceramento na era da globalização sobretudo financeira? Se, em vez disso, o estado for uma forma de concretização do império, um modo particular de organizar a vida em sociedade, resultado da evolução das mafias em representantes dos proprietários e destes em representantes das nações, as prisões seriam um dos modos de limitar a ação das mafias concorrentes e, também, de seduzir e intimidar os povos submetidos. Se o estado for entendido como uma entidade social distinta das nações, dos povos e das prisões, não se percebe como pode persistir com a economia e a sociedade contra si. Se, ao invés, o estado for entendido como uma forma de concretização das alianças entre as pessoas, os mercados e a administração pública, mais fácil será compreender o uso dado aos presos, como bodes expiatórios utilizados por quem tenham mais poder contra quem esteja fragilizado, para satisfazer necessidade de satisfação de sentimentos de retaliação. A discussão do valor relativo destas duas concepções das prisões (sociedade à parte ou lastro perverso do poder social) baseia-se em dois textos: “Quem são os presos?” e “O império”. A discussão sobre o sentido da presença do império na nossa vida quotidiana permitir-nos-á pensar a utilidade e eficácia da prisão para os estados capitalistas. As estratégias misóginas, hétero normativas e racistas incorporadas em nós foram e são fundamentais para a perpetuação da organização imperial, cujas elites dependem da existência de prisões e de manicômios produzidos e legitimados pela criminologia e pela psicologia forense, aliadas na conceptualização mistificadora da sociopatia e da psicopatia. Evocam-se a histérica, a prostituta, a mulher criminal, e xs respetivos filhxs, porque são figuras modelo da especialização do exercício do poder e servem ainda hoje para pensar e compreender a prisão e a saúde mental….

PELO FIM DO SISTEMA MANICOMIAL…

*Croácia: Fascismo Dentro do Campo e Além

O time nazista da croácia, continua a comprimentar sua torcida supremata na copada russia.png

De: Missão Verdade

A Copa do Mundo de Futebol é, por excelência, um grande evento esportivo cheio de linhas políticas subjacentes. A vitória da última quarta-feira da Croácia contra a Inglaterra, 2 gols contra 1, vale a pena dizer, coloca o país dos Bálcãs pela primeira vez no confronto para a taça disputada.

A Croácia, dessa maneira, faz história. Parte dos adeptos do futebol em todo o mundo estava preparada para pesquisar na Internet a carreira futebolística deste país que tem surpreendido por ser colocado na luta pela liderança mundial neste desporto.

No entanto, a descoberta que muitos encontraram é o principal denominador que deve ser mencionado sobre a Croácia: é um país com pouco mais de 20 anos de existência, erigido como uma nação rápida em detrimento da guerra, sangue, fogo, ódio e os interesses geopolíticos do Ocidente.

A construção nacionalista “croata”

Em 1990, após o colapso do partido comunista liderado pela Iugoslávia, a Croácia adotou sua atual constituição e organizou suas primeiras eleições multipartidárias. Declarou sua independência em 8 de outubro de 1991, desintegrando a Iugoslávia e obtendo reconhecimento internacional pela ONU em 1992, uma cisão que foi impulsionada pelo Ocidente e suas sanções contra a Iugoslávia para produzir sua fragmentação.

Nesses tempos, a secessão era um elemento promovido como um dispositivo funcional para a fragmentação da Eurásia, uma abordagem associada à atomização dos componentes componentes do Pacto de Varsóvia.

A formação da Croácia como a conhecemos hoje foi uma viagem de 5 anos de guerra no início dos anos 90, a chamada Guerra dos Bálcãs, que abalou diretamente a Europa central no território das nações que conhecemos hoje como Hungria, Kosovo, Eslovênia, Sérvia e Montenegro. A Croácia estruturou seu território de maneira difusa por meio da ocupação de regiões que eles endossaram na Convenção de Erdut de novembro de 1995, embora o processo não tenha terminado em janeiro de 1998.

Cinco anos depois, o que na época política é um período histórico muito curto, a Croácia apresentou sua candidatura para ingressar na União Européia (UE) e tornou-se candidata oficial um ano depois.

Sua candidatura foi fortemente promovida pelos Estados Unidos em seu roteiro de posicionamento na Europa Oriental. Durante esse período, o país teve de resolver as disputas fronteiriças com a Eslovênia e melhorar alguns aspectos políticos, econômicos e ambientais para se adequar ao modelo europeu, que nada mais era do que o desmantelamento dos restos políticos iugoslavos para dar rédea livre ao neoliberalismo. .

Finalmente, em janeiro de 2012, os cidadãos croatas votaram a favor do seu acesso e em 1 de julho de 2013 a Croácia tornou-se o 28 membro da UE.

a nazista presidente da croácia e o fascista alaranjado gestor estadunidense, unhas e dedos

Antes disso, especificamente em 2008  , a Croácia já era um membro pleno da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Era curioso que um país que tecnicamente nem sequer se consolidasse territorialmente, passou a fazer parte do alinhamento militar de elite do planeta.

Esta adesão não ocorreu devido ao mérito croata. Neste contexto, os Estados Unidos e seus aliados da Otan realizaram a expansão do chamado “escudo antimíssil”, um dispositivo estratégico para a ocupação da Europa Oriental e um cerco tático à Federação Russa, em face da geopolítica. conflitos que moldaram as hostilidades entre a Rússia e o Ocidente. nos últimos anos.

Em termos concretos, a Croácia, nascida de guerras e feridas culturais, é um desperdício originado da abordagem estratégica do Ocidente executada após o colapso do bloco soviético. Os Bálcãs e outras regiões da Europa Oriental, relegados ao ostracismo político e econômico desde o início dos anos 90, atolados em conflitos raciais, religiosos e territoriais, eram o foco perfeito para o estabelecimento de um esquema de “países franqueados” em antigas áreas de influência soviética. , e que nos tempos atuais de reedição de uma nova Guerra Fria, apontam para a Rússia de Vladimir Putin.

Além do campo de futebol

Esta Copa do Mundo também é marcada pelas particularidades do momento político atual. São tempos do ressurgimento do fascismo na Europa, o Brexit e Donald Trump na Casa Branca.

O conflito da mudança de época apareceu no campo de futebol e nas arquibancadas na Rússia. A Fifa está considerando uma sanção de dois jogos pela vida croata por dizer “glória à Ucrânia” após a disputa de pênaltis contra a Rússia, um lema do fascismo ucraniano. Lembre-se que na Copa do Mundo há um veto total de alusões e ações que incentivam a política.

A mídia A República relata  que não é a primeira vez que a Croácia está envolvida em situações semelhantes. Já era escandaloso quando, em um vídeo publicado pelo jogador de futebol Lovren, vários jogadores croatas foram vistos, entre eles Vrsaljko, do Atlético de Madrid, cantando o “Bojna Cavoglave”, uma canção da banda Thompson, que faz pedido de desculpas do regime fascista croata da Ustacha durante a Segunda Guerra Mundial.

Em 2015, a UEFA sancionou a própria Federação Croata de Futebol com um jogo a portas fechadas e 50.000 euros por insultos racistas dos seus adeptos. Esse jogo, contra a Itália, foi jogado com uma suástica pintada com a tesoura no gramado do estádio, então a UEFA reabriu procedimentos disciplinares contra a Croácia.

Em 2013, o jogador croata Simunic foi multado em 3 mil 500 euros pelos seus gritos nazistas. Durante uma celebração, o jogador de futebol pediu ao público que cantasse com ele um lema bem conhecido dos “ustachis”. “Za dom” (“Para casa”) exclamou Simunic três vezes através do microfone do estádio com uma mão levantada, enquanto o público respondeu “Spremni” (“pronto”). Essa foi uma das saudações dos “ustachis”, o protetorado croata da Alemanha nazista.

Aparentemente, os sentimentos anti-russos, anticomunistas, o ultra-nacionalismo à direita e as referências às feridas deixadas pela guerra, são componentes identitários entre alguns jogadores da camisa de xadrez e seus fãs.

No entanto, a glorificação do fascismo não é fotografia completa: o provável novo campeão mundial é um fator exemplar no conflito de poder em sua variante européia. Entenda com isso a crise do pacto civilizatório europeu atravessado por crises simultâneas e incontroláveis ​​que minam a identidade e a estabilidade da UE como instituição.

Nesta quarta-feira, o presidente da Croácia, Kolinda Grabar-Kiratovic (fã declarado de sua seleção),   deu um presente para sua colega inglesa   Theresa May, a primeira ministra do Brexit, pouco antes do duelo entre os croatas e os ingleses. Deu-lhe uma camisa com o nome e o número 10 nas costas (de Modric). Kolinda também deu outra camisa a Donald Trump, que entende pouco ou nada sobre futebol. No seu caso, ele usava o Kramaric 9. Isso aconteceu na Cúpula da OTAN em Bruxelas.

A crise interna da OTAN consiste em um pulso de financiamento. Trump praticamente ordenou que os países membros alocassem 2% do PIB de cada país em gastos militares, uma figura astronômica que Trump exige “imediatamente” sem esperar 2025 como planejado. Trump também exige que países como a Alemanha redimensionem seus gastos militares em vez de “financiar a Rússia” com a compra de gás.

A Croácia, em sua posição de vassalo da UE e da OTAN, é parte de uma corrida irrestrita ao conflito e suas derivações. Como os outros membros da coalizão, eles argumentam sobre a possibilidade de promover o fechamento do barril de petróleo para o Irã, considerando a opção militar, já que o país persa prometeu fechar o Estreito de Ormuz, sendo capaz de gerar um caos de petróleo. proporções bíblicas.

Esta crise é o resultado da ignorância de Trump sobre o acordo nuclear assinado por Barack Obama com o Irã e outros países. Este par de referências resume o turbilhão de fragmentação política e o estabelecimento do “Império do Caos”, onde a Croácia é um componente.

Temos de acrescentar neste caso   o papel da Croácia no tratamento   do enorme drama migratório. Em 2017, a Croácia e a Hungria foram notícia quando dezenas de milhares de refugiados   literalmente morreram entre o frio e a chuva   sem poder entrar na Europa.

A presença de refugiados de terras muçulmanas também desencadeou algumas reações de ódio na Croácia. Ela serviu para desencadear emoções reflexivas em uma cota de interculturalidade croata que continua a irradiar esporadicamente sua origem do conflito de identidade.

Uma Copa do Mundo serviria a Croácia para se consolidar no concerto das nações, afinal de contas e estritamente falando eles têm uma seleção completa e altamente coesa, eles têm excelente direção técnica e chegam à final contra muitas previsões.

Mas a Croácia como campeão seria um retrato no futebol dos tempos de fragmentação em que vivemos. A era em que o antigo consenso entra em colapso, onde as antigas instituições são desativadas, onde os espasmos do nazismo reaparecem e onde nem a Alemanha nem o Brasil estão na final da Copa do Mundo.

Croácia na linha da história.jpg

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*VC SABE POR QUE O FASCISTA VIVE FALANDO DE CORRUPÇÃO ?

gráfico

Imagem: No Brasil,os 3 partidos mais corruptos são partidos de direita 

1-O fascismo não tem nenhum projeto que eleve o ser humano, nenhum projeto social.

2-Todo o projeto fascista é embasado na melhoria da produção capitalista.

3-A corrupção dos setores burgueses está embutida nos projetos nazifascistas.

4-Acreditam piamente que o capital e somente o capital – a produção capitalista é o seu objetivo – pode trazer a tão sonhada elevação humana que as pessoas procuram.

5-Por este motivo escravizam a grande parcela das massas que não compartilham com os mesmos conceitos escravagistas.

6-Um exemplo eram as fabricas nazistas que funcionavam com judeus escravizados na Alemanha entre 39 e 45, a  “I. G. Farben” foi um dos exemplos entre muitos.

7-Quando não aptos ao trabalho, ela(e)s eram descartada(o)s nos fornos incineradores de pessoas.

8-Os idosos e doentes não eram – e não são abrigados num sistema de “previdência social” como deveriam – por este motivo os nazifascistas são contra a previdência social e procuram de todas as formas acabar com ela em qualquer lugar do planeta onde exista.

Por: villorBlue

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*Quem são os Hells Angels na Europa

Foto: Hells Angels. Grupos ligados a extrema direita:

Do: Diário de Noticias

Em março passado tudo se precipitou quando um grupo de cerca de 40 de motards “fora-da-lei” – todos identificados pela PJ e alvo desta operação – invadiram, com barras de ferro, paus e facas, um restaurante no Prior Velho, com o objetivo de agredir um grupo rival. No meio deste grupo rival, os “Bandidos”, estava Mário Machado, que tem um historial de conflitos com os Hells Angels, do tempo em que liderava a fação mais violenta dos “cabeças rapadas” no nosso país, os Portuguese Hammerskins. Ambos os grupos de motards têm também ligações à extrema-direita violenta, com ostentação de símbolos neo-nazis por alguns dos seus elementos.

Acabado de sair da prisão, em liberdade condicional, depois de condenado por vários crimes graves (extorsão, agressões, posse ilegal de arma), o também fundador do movimento Nova Ordem Social e candidato à liderança da Juve Leo (entretanto derrotado), reuniu os “Bandidos” para criar um núcleo português e conquistar território aos negócios dos Hells Angels. Um dos seis feridos pelas alegadas agressões seria um alemão, que, contou o Correio da Manhã, ali se encontrava para apadrinhar o evento.

A Europol sublinha que “a maior ameaça para a segurança pública” destes gangues “reside na sua propensão para utilizar formas de violência extremas”

Segundo revelaram na altura ao Expresso fontes judiciais, parte dos atacantes eram estrangeiros, oriundos de países do norte da Europa: Inglaterra, Alemanha, Bélgica, Finlândia e Suécia.

Esta investigação ganhou forma a partir de 2016, quando os investigadores da UNCT começaram a reunir vários casos de violência a envolver elementos deste grupo. Mas foi nos últimos quatro meses que a Unidade Nacional de Contraterrorismo (UNCT) da PJ reuniu o máximo de informações recolhidas pela PSP e GNR, principalmente as que relacionavam o grupo com atividade criminosa. Ao todo são cerca de uma centena os identificados pela PJ.

400 em Portugal?

Há registos da presença em Portugal dos Hells Angels desde 2002. Fundado nos Estados Unidos na década de 40, o Hells Angels tem cinco motoclubes em território nacional: Lisboa, Cascais, Margem Sul, Porto e Algarve. O número total de elementos estima-se em cerca de 400, embora fonte policial garanta que não ultrapassam a centena.

O grupo e as suas atividades fora da lei têm passado mais ou menos incólumes pelo radar das forças de segurança. Isto apesar de, sabe o DN, este ser um tema recorrente nas reuniões de trabalho entre os serviços de informações e as polícias.

Ainda recentemente as autoridades tinham sido chamadas à atenção para a concentração de motards marcada para Faro para os próximos dias 19 a 22 de julho, pelo risco de violência que representava a presença dos Hells Angels e dos Bandidos, que alegadamente se encontram numa luta de conquista de poder.

“É uma organização muito fechada de difícil intrusão de agentes infiltrados, não só pelos requisitos exigidos, mas também devido ao risco que pode representar o violento processo de separação”

Nos últimos anos, têm sido noticiados alguns casos de criminalidade a envolver este grupo, mas sempre em resultado de conflitos entre os seus membros, com tentativas de homicídio, agressões e extorsões. Talvez seja esse o motivo pelo qual ainda não criou o alarme público como já aconteceu noutros países. A sua atividade tem estado centrada na segurança de espaços de diversão noturna, que as autoridade associam ao tráfico de droga, utilização ilícita de armas e branqueamento de capitais, embora nenhum tenha ido a tribunal por isso.

Uma análise académica feita pelo capitão da GNR Edgar Palma sobre a “ameaça transnacional” deste grupo no nosso país, conclui que esta “é real, está próxima e tem estado em crescimento”. No seu trabalho, feito em 2015 para a Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, este oficial diz que com “uma breve análise dos casos conhecidos através da comunicação social, facilmente se percebe a índole extremamente agressiva e violenta dos Hells Angels”. Edgar Palma salienta que “são uma organização criminosa, operando transversalmente dentro do espectro da criminalidade organizada, por vezes de forma integrada e global sob uma temática e ideologia motard”.

Segundo este oficial da GNR “os Hells Angels são conhecidos a nível mundial pela sua estrutura hierarquizada, dedicada na sua grande maioria a diversas atividades criminosas. É uma organização muito fechada de difícil intrusão de agentes infiltrados, não só pelos requisitos exigidos, mas também devido ao risco que pode representar o violento processo de separação”. Palma defende um maior “investimento no estudo desta nova estrutura de criminalidade organizada, pois os episódios sugerem ligações a atividades de extorsão, de agressões violentas, de possível envolvimento em esquemas de segurança privada na noite, de apoio logístico de criminosos procurados internacionalmente, ou mesmo futuramente em redes de tráfico de droga, tráfico de armas e tráfico de seres humanos como já tem sido relatado noutros países da UE”.

Ameaça europeia

A Europol tem monitorizado o crescimento dos Hells Angels no espaço europeu nos últimos anos, onde na última década o grupo duplicou os seus clubes. Os “gangues de motards fora-da-lei”, como lhe chama esta organização de cooperação policial europeia, “são considerados uma ameaça nacional e uma prioridade política”.

A Europol sublinha que “a maior ameaça para a segurança pública” destes gangues “reside na sua propensão para utilizar formas de violência extremas”. Estas incluem “a utilização de armas de fogo e engenhos explosivos, tais como granadas. De uma forma geral, o uso da intimidação e da violência são intrínsecos a esta subcultura de gangues de motards fora-da-lei e serve para exercer controlo sobre os membros do grupo, gangues rivais e outros, tais como as vítimas de extorsão”.

Ao exibir as suas “cores” e os seus símbolos identificativos, explica a Europol, “os membros destes grupos exploram a reputação de violência associada ao seu grupo para afirmar o seu papel individual nos mercados do crime”.

Em 2013 gangue foi indiciado por tentativa de homicídio, agressões, tráfico de seres humanos para prostituição, rapto, ameaças, extorsão, posse ilegal de armas, branqueamento, fraude, falsificação de documentos e corrupção

Na Alemanha, onde este grupo foi ganhando espaço e poder, as autoridades de alguns Estados decidiram mesmo proibi-lo. No ano passado, depois de uma grande operação policial na Renânia e Norte-Vestefália, o ministro do Interior desta região afirmou: “Os membros deste clube são criminosos. O seu dia a dia consiste em violência, armas, drogas e prostituição forçada”. Em 2016, a polícia fechou um dos maiores bordéis da Alemanha, propriedade dos Hell Angels, por fuga ao fisco e tráfico de seres humanos.

A última grande operação registada pela Europol contra os Hell Angels foi em 2013. A “Operação Casablanca” resultou na prisão de 25 membros em Espanha, suspeitos de vários crimes graves cometidos em vários países da Europa. A investigação, de dois anos e meio, estendeu-se à Áustria, Alemanha, Luxemburgo e Holanda. O gangue foi indiciado por tentativa de homicídio, agressões, tráfico de seres humanos para prostituição, rapto, ameaças, extorsão, posse ilegal de armas, branqueamento, fraude, falsificação de documentos e corrupção.

*Declínio Imperial Dos EUA Por Trás Da Mais Recente Violência Na América Latina

A MANIPULAÇÃO DAS MASSAS FEITA PELAS GRANDES CORPORAÇÕES MIDIÁTICAS, ALGUMAS, A SÉCULOS MANIPULANDO NA AMÉRICA LATINA:

Por: Jim Byrne

É abundantemente claro para os povos do mundo que o Império dos EUA está diminuindo em sua influência . Seus militares, apesar de quantias absurdas de dinheiro, tecnologia sofisticada e oficiais e tropas bem treinados, não entregaram vitórias conclusivas no Afeganistão, Iraque, Síria, Líbia, Iêmen ou qualquer outro teatro de guerra ilegal.

No entanto, essa realidade nem sempre é clara para os povos dos EUA . Poucos meios de comunicação dominados por corporações, se é que existem, relatam o contexto em que os EUA estão manobrando como um em que estão se aproximando do isolamento e um desespero que leva a mais guerra contra os chamados inimigos, políticas econômicas estritas para os chamados parceiros comerciais. e interrupções sociais para manter antigas alianças.

Mas, com a eleição de Trump, muitos nos EUA estão começando a prestar atenção à verdadeira natureza da violência rotineiramente imposta ao resto do mundo pelo imperialismo dos EUA.

No dia 4 de julho, um relatório da Associated Press capturou as contas de vários funcionários dos EUA e da América Latina que descreveram o desejo insistente do presidente Trump de usar os militares dos EUA para invadir a Venezuela . Em uma reviravolta estranha, grandes agências de notícias como a CNN e a Fox News estão publicando uma reportagem que carrega superficialmente uma crítica contra o desejo de Trump de invadir a Venezuela, enquanto esses mesmos meios recentemente reciclaram as linhas do Departamento de Estado sobre o presidente venezuelano Maduro e a possibilidade de “ mudança de regime. ”

Esse tipo de amnésia intencional corre solta em toda a mídia dominada por corporações , e podemos lembrar que, durante a campanha eleitoral de 2016, a CNN deu a Trump US $ 2 bilhões em publicidade gratuita, cobrindo-o com tanto tempo no ar. Além disso, o próprio relatório da AP recicla as mesmas linhas do Departamento de Estado sobre o fato de Maduro ser “impopular” e o governo ser “altamente repressivo” e a única causa da crise econômica. Mais uma vez, temos uma história desprovida do contexto regional e internacional que é tão importante para fazer sentido dos fatos.

Primeiro, o contexto regional para os EUA e a América Latina é um dos antecedentes das intervenções norte-americanas que remontam à política estabelecida em 1823, chamada de Doutrina Monroe. Depois que rebeliões anticoloniais tiraram Espanha e Portugal de boa parte da América Latina, os EUA declararam ousadamente a outros impérios europeus que a América Latina era “nosso quintal”. Desde 1823, os EUA têm conduzido e apoiado a derrubada de muitos governos democraticamente eleitos. em favor de ditaduras militares brutais em toda a América Latina.

A violência em massa do imperialismo dos EUA na América Latina a partir do século XX se transformou em diferentes táticas no século 21, como financiamento de ONGs, manipulação da mídia e criação de confrontos de rua para fazer os governos parecerem impopulares e repressivos .

A razão pela qual os EUA recorreram a essas táticas se deve ao sucesso e popularidade dos governos em lugares como Bolívia, Equador, Venezuela e Nicarágua. Esses países fazem parte da chamada “Maré Rosa” de governos esquerdistas progressistas que foram levados ao poder por populações esgotadas pelos Programas de Ajuste Estrutural e pelo financiamento da dívida da agenda neoliberal do Consenso de Washington. É preciso reconhecer que isso ocorreu quando o imperialismo dos EUA esteve envolvido em várias guerras durante a estrofe de abertura de sua chamada Guerra ao Terror.

Não é uma hipérbole nem conspiração dizer que as invasões do Afeganistão e do Iraque pelos EUA abriram as portas para o surgimento da “Maré Rosa” na América Latina. Pode-se ter certeza de que, se os recursos do imperialismo dos EUA estivessem à disposição no início dos anos 2000, ele teria intervindo para produzir um resultado diferente da radicalização da Revolução Bolivariana da Venezuela, o retorno de Daniel Ortega, da Nicarágua, e a criação de muitos. programas econômicos, políticos e sociais, organizações e instituições fora dos ditames de Washington. Estes foram passos progressivos para a região, mas também para o contexto internacional, uma vez que a China e a Rússia ofereceram políticas comerciais não-exploradoras e ajuda que criou a abertura para um mundo multipolar longe da hegemonia dos EUA.

Quando os EUA abriram seus teatros ilegais de guerra no Afeganistão e no Iraque para incluir a Líbia, Síria, Somália, Paquistão e Iêmen, continuaram a provar sua incapacidade de alcançar os resultados desejados de regimes subservientes, isolar o Irã e proteger Israel. Mesmo o horrível pesadelo do programa Drone de Obama, que desencadeou mais de 100.000 bombas nesses sete países diferentes, não conseguiu melhorar a situação dos objetivos norte-americanos no Oriente Médio.

Cada uma dessas arenas de guerra criadas pelos EUA deve ser registrada como perdas em seus empreendimentos imperiais . Seus aliados na região – Arábia Saudita e Israel – provaram ser tão sanguinários e implacáveis ​​quanto os EUA, já que seus ataques ilegais, embargos e assentamentos contra as populações do Iêmen e da Palestina continuam a encorajar o Campo de Resistência que consiste em Irã, Hezbollah, Houthis no Iêmen, palestinos e não menos de todos os sírios.

Combine essas perdas com a ineficácia para destruir a República Popular Democrática da Coréia e isolar a República Popular da China, e o quadro é claro: o Império dos EUA está em plena retirada estratégica . Esse contexto internacional forçou a classe dominante dos EUA a reavaliar o equilíbrio de forças e desviar sua atenção para a América Latina.

Após a morte prematura do presidente revolucionário da Venezuela, Hugo Chávez, e a subseqüente eleição de Nicolas Maduro, de repente, o preço do petróleo caiu em todo o mundo porque a Arábia Saudita, aliada dos EUA, inundou o mercado. Devemos reconhecer que essa é a estratégia imperial dos EUA para acabar com o financiamento dos programas sociais e econômicos amplamente divulgados e bem-sucedidos que nacionalizaram a produção de petróleo para a Revolução Bolivariana. Embora deva ser notado que o governo venezuelano precisava rever suas políticas monetárias para enfrentar melhor as questões de inflação e moeda, devemos reconhecer que o imperialismo dos EUA conspirou com capitalistas compradores da Venezuela para estrangular a economia através de uma estratégia covarde de acumular bens básicos e então preço de cinzelamento.

Com uma estratégia na frente econômica, a oposição criou um pequeno exército de manifestantes violentos que variou de membros de gangues, neonazistas, paramilitares colombianos e estudantes pequeno-burgueses. Com essas duas peças, a mídia controlada pelas corporações procedeu a manipular as mensagens e imagens para convencer os venezuelanos comuns e a comunidade internacional de que o governo bolivariano é autoritário, brutalmente repressivo, não representa o povo e, portanto, deve ser removido.

Para um exemplo de tal manipulação da mídia, uma imagem se tornou viral de policiais blindados atacando manifestantes e foi divulgada sem escrutínio, até que surgiu a imagem da Espanha em 2005. O alto nível de coordenação da manipulação da mídia evoca memórias da tentativa derrubada de Hugo Chávez em 2002, quando a mídia corporativa fez parecer que o governo atirou em cidadãos quando na verdade era a oposição.

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*Plano Atlanta: O Golpe Judicial-Midiático na América Latina

A conspiração internacional para derrubar os presidentes progressistas do continente com uso da mídia e do Judiciário

Eduardo Vasco, Pravda.Ru

“Como não podemos ganhar desses comunistas pela via eleitoral, compartilho com vocês isto aqui.”

__________

Com essas palavras agressivas um ex-presidente sul-americano iniciava a explicação de um plano conspiratório a outros ex-presidentes latino-americanos, em uma suíte do hotel Marriot, em Atlanta (EUA), no final de novembro de 2012.

A primeira etapa da conspiração seria iniciar uma campanha de desprestígio através dos meios de comunicação contra os presidentes progressistas e de esquerda da região para minar sua liderança. A pressão midiática levaria à segunda etapa: a instauração de processos judiciais para interromper o mandato dos governantes.

O Plano Atlanta resultaria nos chamados “golpes suaves” – “encobertos de julgamentos políticos precedidos por escândalos de corrupção, ou campanhas dirigidas a ventilar supostos comportamentos questionáveis da vida íntima dos líderes progressistas; incluindo, se fosse necessário, familiares, amigos ou pessoas próximas”.

Quem conta é Manolo Pichardo, deputado dominicano e atual presidente da Conferência Permanente de Partidos Políticos da América Latina e Caribe (COPPAL), em um artigo publicado em março de 2016 no jornal Listín Diario, da República Dominicana, intitulado “El Plan Atlanta”, denominação que ele deu à trama continental.

Em entrevista exclusiva à Pravda.Ru, o político diz que presenciou a conversa “por acaso”. Não era o tipo de reunião que o agradava. Pichardo, dirigente do Partido da Libertação Dominicana, de centro-esquerda, estava acostumado a participar de encontros do Foro de São Paulo ou da própria COPPAL, mesmo antes de assumir sua presidência.

Graças à amizade com um ex-presidente da América Central, ele começou a frequentar fóruns organizados pela direita e centro-direita latino-americana, com a presença de lideranças a nível mundial e suporte de instituições como Global Peace Foundation, Conferencia Liderazgo Uruguay, Instituto Patria Soñada e Fundación Esquipulas.

O primeiro que participou foi realizado em 2011, em Brasília. Os debatedores, segundo ele, proclamavam “discursos servis” aos Estados Unidos e acusavam os governos latino-americanos de agirem com desconfiança injustificada em relação a Washington. Além disso, “louvava-se a liberdade dos mercados e a diminuição do Estado”. As palavras de Pichardo no encontro, criticando a desigualdade social e se referindo à crise estrutural do capitalismo, iam de encontro ao discurso dos outros participantes.

“Lembro-me muito pouco do encontro de 2011 em Brasília, posso dizer que ali estava reunida a liderança continental que corresponde, em sua maioria, aos interesses dos setores conservadores do nosso continente, incluindo ex-presidentes. Eu, por exemplo, expus em uma mesa com dois ex-presidentes da região: um extremamente conservador e um social cristão de centro, de ideias moderadas”, recorda.

O outro evento ao qual compareceu foi o que originou a Missão Presidencial Latino-americana (MPL), conferência realizada entre 28 de novembro e 1º de dezembro de 2012 no hotel Marriot, na cidade de Atlanta, que reuniu ex-mandatários de diversos países e líderes de diferentes setores da América Latina e dos EUA. No final da conferência, foi lançada a Declaração de Atlanta, carta de compromisso assinada pelos ex-presidentes que participaram da 1ª Cúpula da MPL.

A Cúpula buscou dar “impulso a uma nova era de relações internacionais entre os Estados Unidos e a América Latina”, segundo o comunicado emitido à imprensa em 30 de novembro daquele ano. No mesmo documento, são citados como participantes da 1ª Cúpula da MPL alguns ex-presidentes de países da América Central e do Sul. O ex-presidente brasileiro José Sarney não participou da Cúpula, mas comunicou seu apoio.

Na Declaração de Atlanta os membros da MPL defendem o “estreitamente de laços” entre América Latina e EUA, “fortalecendo o comércio, os investimentos, o intercâmbio de experiências e tecnologia a longo prazo”.

A reunião privada em que foi exposto o Plano Atlanta ocorreu antes da assinatura da Declaração. Pichardo resolveu, anos depois, revelar o conteúdo da conspiração ao denunciá-la em fóruns internacionais e meios de comunicação latino-americanos.

“De fato, nunca pensei que falaria sobre esse tema”, aponta. “A ideia de fazê-lo surge depois de conversar com alguns amigos e companheiros do meu partido que me convenceram que, pela gravidade do que havia sido revelado, era necessário denunciá-lo. Eu insistia que isso colocaria em apuros os que me convidaram, mas me insistiam que o pior que podia acontecer era o dano à região, a ruptura da ordem democrática e o retrocesso em matéria da institucionalidade que permitiu conquistas econômicas e sociais”, completa o ex-presidente do Parlamento Centro-americano (PARLACEN).

Envolvimento da mídia e de um juiz brasileiros

Para conseguir implementar o Plano Atlanta, o ex-presidente sul-americano que explicou a trama a seus pares afirmou contar com a ajuda dos meios de comunicação, inclusive mencionando veículos brasileiros. Entretanto, perguntado pela reportagem, Pichardo diz não se lembrar exatamente quais foram citados.

Em seu artigo de 2016, o político dominicano afirma que também se mencionou “alguns nomes de indivíduos ligados às instituições judiciais da região comprometidos com a conspiração”. À Pravda.Ru, ele revela que um dos juízes citados é brasileiro, mas também não lembra seu nome.

“Recordo que inclusive falou-se de um juiz com o qual se podia contar para a execução da trama. Mas não posso me lembrar de nomes, pois cheguei àquela reunião por acaso”, explica.

Lula: a “joia da coroa”

 

Em seu artigo, Pichardo questiona se as quedas dos presidentes de Honduras, em 2009, e do Paraguai, em 2012, teriam servido de laboratório para futuras ações do Plano Atlanta em países de maior peso na América Latina.+

“Foram Manuel Zelaya e Fernando Lugo tubos de ensaio para chegar ao resto, aos [presidentes ou ex-presidentes] de países com maior peso econômico da região, até alcançar a ‘joia da coroa’, que é, sem discussão, Lula Da Silva, o líder mais influente, para com sua queda provocar o efeito dominó que parecem buscar?”

Ele conta a esta reportagem que, “conhecidos os detalhes da urdidura revelada ou concebida em Atlanta, é fácil deduzir que o que ocorre no Brasil e [em] outras partes da região, onde se persegue ou se destitui líderes progressistas no governo, é sua execução”. Segundo ele, tal operação conquistou êxito após os ensaios que foram os golpes em Honduras, com presença militar, e depois no Paraguai, mais aperfeiçoado, por “vias institucionais”.

“Me parece que o empenho em [desestabilizar o] Brasil tem a ver com o peso de sua economia e sua influência na região e no mundo, não podemos esquecer que o gigante sul-americano é parte do BRICS, um esquema de cooperação que surge como expressão da perda de hegemonia ocidental e Lula, sem dúvida, construiu uma liderança que tem influenciado na região, uma liderança que promoveu esquemas de integração regionais que vão dando sentido à latino-americanidade, que, mais que um sentimento de pátria, é um projeto de independência que nos empurra para uma agenda própria que nos distancia de ser o quintal dos Estados Unidos. Lula, portanto, é um alvo.”