*Pelo Fim das linhas Burguesas Divisórias…

Destruindo As Barreiras e as Linhas Divisórias, Acaba-se com o Movimento Migratório: Pelo Fim do Regime Burguês de Produção e Dominação

*O movimento Migratório Atual – por villorblue

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algum tempo atrás, fui a uma exposição de fotografias no MON, do foto/jornalista Sebastião Salgado, fiquei pensando sobre o processo migratório e suas causas, desde 1993 Salgado vem fotografando o movimento migratório de seres humanos em todo planeta. Inteirei – me (surpreso), que quase cento e cinqüenta milhões de pessoas sofrem deste processo migratório atualmente e vivem fora de seus locais de origem, numero altíssimo se levarmos em consideração o aumento da população mundial atual que paira em torno de cem milhões de seres humanos anualmente. O aumento é ainda mais assustador, cerca de dez milhões de pessoas engrossam este cordão todos os anos, mantendo estas proporções, daqui a dez anos esta enorme fila migratória terá duzentos e cinqüenta milhões de pessoas, em 1985 eram trinta milhões. Partindo desta analise, Salgado andou por 45 países, durante 7 anos, 45 países é quase um quarto do numero total de nações, se levarmos em consideração os 202 países existente, (dados de 2002, de acordo com a Wikipédia), o que da ao seu trabalho uma importância impar.
Os primeiros povos a migrarem para as Américas (por volta de 48 a 60 mil anos) emigraram da Ásia, provavelmente atravessando o estreito de Bering, alguns teóricos pensam também, que povos oriundos da Polinésia, Malásia e Austrália atingiram a America do sul navegando através do Oceano Pacífico, esta seria outra corrente.
Próximo ao ano de 1500 habitavam o Brasil entre 5 a 6 milhões de nativos, (destes , sobreviveram em péssimas condições de vida e com suas culturas em frangalhos, aproximadamente 200 mil pessoas), poderíamos discorrer ainda mais sobre muitas situações historicamente conhecidas, mais isto não vem bem ao caso, o que eu gostaria de evidenciar seriam as “causas de repulsão e de atração” que evidenciam alguns destes movimentos migratórios em alguma regiões.
Partindo das três causas que a meu ver são as mais importantes, “perseguições político/regionais, econômicas e de natureza climática”, sigo minha linha de pensamento e procurarei me concentrar na atualidade, sendo que posso retornar a historia para ilustrar ou reforçar algum raciocínio.
Segundo o ACNUR (Auto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), a maioria dos refugiados internacionais migra em busca de empregos, ou melhores empregos e melhores salários, após isso vem ás causas de guerras, perseguições étnicas e religiosas, – não nesta ordem obrigatoriamente -, este movimento objetiva principalmente ao EUA e a Europa ocidental e se originam a partir da África, America do Sul e regiões sul e sudeste da Ásia, como podemos constatar, das nações mais pobres do planeta.
Se as causas principais de repulsão da migração atualmente são as acima citadas, poderemos pensar um pouco mais sobre as causas de atração.
Esta analogia é bem simples, mais a partir dela entraremos em uma noção maior. Tenho um trabalho atualmente, ganho muito pouco, na cidade vizinha tem varias empresas com muitos empregos e remuneração maior, a cidade tem uma qualidade de vida melhor. O que eu faço? Fico? Migro? Ai esta a duvida.
Para sobreviver mais confortavelmente, o sistema capitalista teorizou e generalizou. Nas regiões em que ele retira matérias primas para manter seu parque industrial manufatureiro, os salários são vergonhosos, em regiões onde estão implantados os parques industriais os salários são menos vergonhosos e onde estão alojados os executivos, as gerencias, diretorias, etc., os salários são bem melhores. O leitor quer um exemplo? A Adidas abriu uma fabrica na Ásia, mão de obra barata e matéria prima quase de graça, os executivos continuam no EUA com seus salários fabulosos, é assim com todas as transnacionais, carros, cigarros, alimentos, eletrônicos, informática, roupa, etc, etc…Um exemplo mais fácil de confirmar por estar mais próximo, a Cba, (companhia brasileira de alumínio) do grupo Votorantim, comprou a troco de bananas uma vasta extensão de terras na região do Vale do Ribeira (a região com o menor IDH do estado de São Paulo), na divisa entre Paraná e São Paulo, Brasil.
Porque comprou a preço de banana? Primeiro a região sofreu todo um processo de empobrecimento regional ao longo dos últimos anos, fatos divulgados na mídia, falta de investimentos sociais, inexistência de investimentos em infra- estrutura para escoamento da produção agrícola, criação de empregos, etc. A região em evidencia ficou abandonada por um longo tempo, noticiou-se que a Cba (Cia Brasileira de Alumínio) iria construir uma represa (Usina do Alto Tijuco) no rio Ribeira do Iguape, esta represa iria alagar uma vasta área e “ai daquele que teimasse em viver nas regiões abaixo”, na cidade vizinha, Apiaí em São Paulo, tem uma grande mineradora de Cimento, (matéria prima), em outro município limítrofe Adrianópolis no Paraná, tem uma mina (meio desativada..?) de chumbo, prata e ouro (matéria prima), dizem os moradores da região, mais esclarecidos e antigos, que as serras que serpenteiam a região são ricas em ferro, alumínio, prata, urânio e outros. Estas terras atualmente pertencem a Cba, a maioria foi comprada a um preço muito baixo, como a região há muito tempo esta sem investimentos nas áreas sociais, a população em geral, (os pequenos proprietários de terra, etc), venderam ou abandonaram as terras, indo engrossar as periferias das grandes cidades em busca de trabalho. Este exemplo, simplório, por estar mais próximo, faz com que entendamos melhor a situação global.
Nos últimos anos no Brasil, vemos constantemente migrantes morando clandestinamente nas grandes cidades. Quem são estes migrantes? Geralmente oriundos da África, Ásia e America do Sul e geralmente se movimentam por causas econômicas. Quanto ao movimento nacional, sempre tivemos uma grande movimentação da região nordeste e norte do Brasil rumo a região Sudeste/Sul, como a situação de empregos em São Paulo e Rio de Janeiro esta saturada atualmente, se detecta movimentos do Nordeste em direção a alguns estados do Norte (Tocantins, Pará, etc) originados do Piauí, Maranhão, e outros. E na região Sudeste nota-se também o contrario de anos anteriores, habitantes de origens nordestinas estão migrando ou retornando para sua região de origem.
Retornando aos movimentos internacionais, vamos citar um país de origem, poderia citar a China, qualquer região da África, Coréia, qualquer um, especificando citarei apenas a Bolívia. Temos visto constantemente na mídia principalmente em São Paulo, historias de bolivianos que migram e se vem envolvidos em algum problema, geralmente são vitimas de aproveitadores, que lhes tiram o pouco dinheiro que ganham, prometem rios e fundos e não cumprem o que prometem, estes irmãos trabalhadores, que arriscam tudo para conseguir um lugar ao sol, vivem escondidos, trabalham até 20 horas por dia para ter algum lucro, numa clássica relação corroída entre capital e trabalho, isto é, semi escravidão. Este é apenas um exemplo brasileiro, (isto é, falando apenas dos movimentos dentro do território brasileiro. No geral este tipo de problema é igual –só ampliando ou diminuindo suas proporções/micro ou macro- em todas as regiões do planeta onde existe a recepção de migrantes, veja o caso do Japão e seus migrantes brasileiros, “os decasséguis”, eles são vigiados quando entram em supermercados, lojas, etc.), talvez por ignorância e um perfeito desconhecimento da situação destes trabalhadores, olham estes migrantes como se fossem os grandes (ou parte) responsáveis pela péssima situação ou problemas em que vivem, ou por todos os problemas gerados na região onde moram e por serem geralmente pobres, são vistos abaixo da linha do preconceito, desprezados e se não bastasse a falta de benefícios e os baixos salários a que são submetidos em seus trabalhos semi escravos.
COMO O TRABALHADOR DE UMA NAÇÃO POBRE, VÊ UMA NAÇÃO RICA E IMPERIALISTA…
Esta visão serve para quaisquer países em qualquer continente, para facilitar o entendimento exemplificaremos o Brasil como receptor do movimento.
Como um paraguaio, peruano, boliviano, etc, vê o Brasil lá fora? Geralmente sendo este trabalhador um pouco mais consciente, pensa de primeira, é um pais rico e imperialista. Espera lá. Imperialista? Com certeza, desde há muito tempo. Lembram do tratado de Tordesilhas? E da guerra do Paraguai? E a situação do Acre? E do estado de Santa Catarina? A mudança destas divisas e ganho de território foram simples manobras imperialistas, tenho em consciência que toda nação receptora de movimentos migratórios são diretamente responsável pelas regiões pobres do planeta.
Se existe regiões empobrecidas, os mais ricos exploram suas matérias primas como um aspirador de pó absorve a poeira de um tapete. Só os países mais ricos têm parques industriais para transformar esta matéria prima em objetos comerciáveis, apenas eles possuem também saída para estes produtos através das câmaras mundiais, sendo assim impõe a estas matérias prima o preço que querem, relegando aos mais pobres apenas o trabalho e o (in) conformismo.
O Brasil é visto pelo proletário da America Latina, África, sul e sudeste da Ásia, como um país rico e imperialista (não me refiro a população extremamente pobre e as suas tristes realidades), a historia e os dados estão aí para atestar este imperialismo e os índices confirmam que o pais (não a população) não é pobre (PIB, reservas internas e internacionais, arrecadação de impostos, etc.), miserável somos nós, sua massa explorada, esta miséria geralmente não é mostrado no exterior, infelizmente a propaganda internacional mostra apenas mulheres de biquíni, corpos torrados ao sol, como se o Brasil fosse apenas uma grande nação de fornicadores e lascivos.
Como entrar no Brasil é mais fácil do que entrar em países da Europa ocidental e EUA, o Brasil seria uma das opções para se trabalhar e ganhar dinheiro, por três motivos maiores, em parte por se falar o português, o brasileiro aceita razoavelmente o migrante, temos muitas empresas (micro, pequenas, e medias) que admitem estrangeiros sem constrangimentos, incluindo neste aceite os clandestinos, estas facilidades agem como um farol sobre os mais pobres de outros países, norteando e obcecando.
Na idade media o tema dos bárbaros colonizadores, era “não existe pecado ao sul do equador”, isso prevalece como se fosse um arquétipo maldito (este lema foi um dos grandes responsável pelo extermínio da nação indígena brasileira).
Voltando um pouco, se exige pouco das empresas que exploram matéria prima nas áreas das, relações do trabalho, ecologia e sociais, as matérias primas geralmente são vendidas na sua forma pura para outros países (a não ser em países do primeiro mundo onde geralmente são beneficiadas e manufaturadas no local de extração, ver o vale do silício na Califórnia-EUA), deveriam ser beneficiadas em seus locais de extração, se assim ocorresse, seriam gerados um grande numero de empregos nos países do terceiro mundo, contribuindo para o aumento do IDH nestas regiões e segurando os trabalhadores em suas regiões de origem, reduzindo em muito o movimento migratório.
ALGUMAS CONSEQUÊNCIAS SOBRE O TRABALHO DE MIGRANTES ILEGAIS..
Local: Japão, qualquer estado ou cidade, alguns decasséguis moram num prédio de apartamentos simples, dividem um quarto/cozinha, trabalham para um empreiteiro que não conhecem bem o nome, não tem carteira assinada, não tem benefícios, não tem convenio medico, não tem décimo terceiro, apenas saem de férias quando ocasionam férias coletivas na empresa, 15 ou 20 minutos de almoço, não podem financiar imóvel, carro, ou quaisquer bens duráveis, compram somente a vista, não podem se envolver em acidentes de transito. Como vemos, não difere muito de trabalhadores estrangeiros que moram e trabalham no Brasil, ilustrei este constatado, apenas para mostrar que as contradições entre o capital e o trabalho são comuns em qualquer lugar do planeta, apenas minimizado em algumas regiões, este exemplo poderia acontecer nos EUA, Alemanha, França, ou qualquer outro país, o capital abre e fecha filiais em qualquer parte do mundo, não se importa com o ser humano, ele migra ao bel prazer. Para abrir uma fabrica no Brasil e oferecer 750 empregos diretos, uma indústria automobilística francesa fechou uma fabrica na Bélgica onde mantinha 7500 postos de trabalho diretos (Para onde foram estes trabalhadores demitidos?), isso é apenas um exemplo entre milhares. O sistema só não consegue mudar os locais de exploração das matérias primas.
CONCLUSÃO
Gostaria ao concluir, explanar algumas idéias para tentarmos, senão sanar definitivamente (não acredito que nos parâmetros do sistema capitalista estes conflitos sejam solucionados definitivamente), ao menos amenizar o gravíssimo problema do movimento migratório, não é concebível, seres humanos trabalhando em condições subumanas em regimes escravagistas ou semi-escravagistas apenas porque vêem de uma região mais pobre, por pertencer a outras minorias, etc., na situação de foragidos ou banidos políticos, ou então por causa de cataclismos naturais, ou simplesmente por pertencer às áreas mais pobres do planeta, todos devemos ser respeitados dignamente. Se o sistema vigente não tem capacidade para solucionar esta e outras situações degradantes referente ao ser humano, que reconheça. Só assim a humanidade poderá debater e encontrar seu caminho. Para abrir a discussão, seleciono alguns tópicos para serem colocados em prática a curto e médio prazo, estes tópicos, apesar de gerarem um grande trabalho para sua concretização, são viáveis.

• Beneficiamento das matérias no local de origem de extração, ex. minério do ferro, alumínio, cobre, cal, cimento, madeira, grãos, subprodutos do petróleo, etc.
• Após serem beneficiadas estas matérias (não havendo condições de serem manufaturadas no local), as empresas compradoras por excelência devem exigir das vendedoras as, ISO’s 9000, 14000 e 18000, que regem sobre o controle das qualidades ambientais e das relações do trabalho.
• Um fundo internacional (teoricamente já existe) uma espécie de tributo cobrado de empresas transnacionais e destinados a educação e saúde em países do terceiro mundo, principalmente as regiões mais pobres do planeta, para que não houvesse desvios este fundo seria aplicado pela FAO e UNESCO, seria fiscalizado por ONGs, associações locais, organismos internacionais de auditoria, toda a comunidade envolvida, sindicatos, etc., quanto mais fiscalização mais eficiente sua distribuição.
• Uma reformulação dos salários nas regiões onde originam os disparos emigratórios, para que estas regiões se tornem atrativas para todos. As nações devem envolver-se neste processo, através de fóruns constantes e soluções diretas e praticas.
• O debate constante em fóruns, seminários, nas escolas, nas igrejas, dentro de secretarias e ministérios de governos, para solucionarmos definitivamente o problema dos preconceitos raciais, sociais, étnicos, sexo, etc. …

Com alguns destes tópicos alinhados, gostaria agora de prendê-lo um pouco mais nesta leitura e falar sobre alguns relatórios atuais de organismos com aos quais não tenho duvidas sobre exatidão e seriedade:
Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o aumento dos preços dos alimentos no mundo fez o numero de famintos aumentar em 40 milhões em 2008. a FAO divulgou na data de 09/12/2008 que a fome já atinge 963 milhões de pessoas. A FAO disse ainda que a crise mundial levara ainda mais pessoas a esta condição. Segundo a FAO, os problemas estruturais da fome, como falta de acesso à terra, ao credito, e ao emprego, combinados com o aumento dos preços dos alimentos permanecem como uma dura realidade para milhões de pessoas . A FAO relatou ainda que grande maioria destes famintos -907 milhões- vive nos países pobres. Destes, 590 milhões moram em sete países, são estes; Índia, China, Congo, Bangladesh, Indonésia, Paquistão e Etiópia, este mesmo relatório informa que na África Subsaariana, um terço da população -236 milhões- vive em estado de fome crônica. Sendo a maior proporção dentre os continentes. O Congo foi disparado o país Africano onde a fome mais se alastrou. A população de famintos passou de, 26 por cento em 2003/05 para 76 por cento em 2008. Na America Latina e Caribe, a fome atinge 51 milhões de pessoas atualmente.
Outro relatório desta vez emitido pela Comissão Econômica para a America Latina e o Caribe, ( Cepal ), informa que a crise do “sistema capitalista” (eles não usam sistema capitalista, usam crise financeira global), provocara um aumento no numero de pobres e indigentes na America Latina nos próximos anos, acirrando ainda mais os problemas que atravessamos.

Minha opinião para abertura de uma discussão sobre o tema “MOVIMENTO MIGRATÓRIO”.
Como em todas as crises da historia, quem sofre realmente são as massas oprimidas, pagando um alto preço pela dissolução dos problemas do sistema de exploração, nada mais sensato que, as massas tomem as rédeas para a condução de uma sociedade onde realmente a fraternidade e a solidariedade sejam focados como ponto central de todas as políticas. Não vejo outra solução.

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*Eles apenas pensavam e protestavam…foram assassinados – por villorblue

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43 crianças sequestradas e assassinadas no dia 27 de setembro de 2014… México e o extermínio sistemático dos povos autóctones nas AméricasIsso é uma herança do maldito psi e parece não ter fim…

O que aconteceu no México, após o 27 de setembro de 2014? As fotos em redes sociais, o vídeo na Internet, e acima de tudo, as experiências pessoais de boca transmissíveis, passeatas realizadas, intervenções artísticas e políticas em espaços públicos, greves em universidades e milhões de pessoas indignados com um evento que já passou as fronteiras nacionais. “Vivos foram levados, vivos nós queremos!”, “Não somos nós todos, faltando 43”, “Somos todos Ayotzinapa” “Você pode ser você, eles poderiam ser seus filhos” fazem parte dos slogans que gritavam nas últimas semanas, cansados de impunidade e vendo essa afronta à sociedade como os professores-alunos. É a consciência coletiva que ganhou uma batalha feroz contra o individualismo até então invicto. E é por isso que não é raro (quando você acessa os solidários do Facebook ou do Twitter) ver banners mexicanos em vários idiomas, mostrando fisionomia solidaria: “A sua luta é a nossa luta”, “Nous Sommes Tous Ayotzinapa” ” Demokratie em Mexiko ist ein Betrug “. A partir da eleição de 2012, Colima começou a cantar no mesmo tom que o resto do país, ou pelo menos uma parte da sociedade de Colima. A quarta-feira do lado de fora da catedral, na marcha organizada pelo CEU e por estudantes de filosofia, podemos ver unidos os zapatistas, as feministas de diferentes grupos, artistas, professores, sindicalistas, estudantes organizados e não organizados e uma série de pessoas difíceis de classificar. É Colima se opondo solidariamente ao silêncio indolente das elites.

Leia mais;…http://ceucolima.blogspot.com.br/

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*A Syngenta na guerra do Vietnã – por villorblue

Leia tambem: https://radioproletario.wordpress.com/2016/01/12/mosquitos-geneticamente-modificados-liberados-aos-milhoes-inclusive-no-brasil/

História e Sociedade (27)

A Syngenta é uma empresa transnacional do agronegócio com sede na Suíça. A empresa tem operações em mais de 90 países, e emprega mais de 19.500 pessoas. Em 2006, suas vendas foram de US$8,1 bilhões, tendo 80% de sua receita proveniente de agrotóxicos e 20% da produção de sementes. A Syngenta é a terceira maior empresa do setor de sementes no mundo.

A Syngenta resulta de mais de dois séculos de fusões de empresas européias do setor químico. Segundo Brian Tokar, o antecessor mais velho da Syngenta foi J.R. Geigy Ltd., que foi fundada na Suíça em 1758, e começou a produzir químicos industriais inclusive tintas, tinturas e outros produtos. A Geigy ficou famosa e rica quando descobriu a eficácia inseticida do Dicloro Difenil Tricloroetano (DDT, atualmente, produto este proibido em boa parte do planeta). A Syngenta também tem raízes na Industrial Chemical Industries (ICI), uma empresa de explosivos fundada na Grã Bretanha em 1926 por Alfred Nobel, o inventor da dinamite. A ICI abastecia as Forças Aliadas durante a Segunda Guerra Mundial com explosivos e químicos para uso como arma química. Em 1940, a ICI descobriu as propriedades seletivas do ácido alphanapthylacetic, e sintetizaram os herbicidas MCPA e 2,4-D. O herbicida, agente laranja como é conhecido popularmente, derivado do 2,4-d, posteriormente foi usado pelos militares dos estados unidos durante a guerra imperialista do Vietnã , a grande propaganda de guerra americana na época, dizia que o agente laranja era utilizado para desfolhar as arvores, porém na realidade era utilizado para desfolhar a carne dos norte-vietnamitas. Em 1970 a Geigy e a Ciba se fundiram para formar a Ciba-Geigy, uma grande empresa com operações em mais de 50 países. Em 1994 a ICI desmembrou seus setores de químicos farmacêuticos e agrotóxicos dando origem à Zeneca Group PLC. A Zeneca fundiu-se com a Astra AB da Suécia em 1998, criando a AstraZeneca. Em 1996, a Sandoz, uma outra empresa Suíça formada em 1876, fundiu-se com a Ciba-Geigy para formar a Novartis, a maior fusão empresarial na história daquela época. Em 2000, a Novartis fundiu-se com o setor do agronegócio da AstraZeneca, formando a Syngenta, o primeiro grupo global focado exclusivamente no agronegócio.

A biotecnologia é muito importante para a Syngenta. Entre 2001 e 2002, a Syngenta foi responsável pela maior contaminação genética da história, quando vendeu ilegalmente sementes transgênicas de milho BT10 aos agricultores nos Estados Unidos. Este milho transgênico entrou nos sistemas alimentares dos humanos e de animais. A Syngenta também é líder no desenvolvimento da “Tecnologia Terminator”, um processo de engenharia genética que torna sementes estéreis numa tentativa de forçar os agricultores a sempre comprarem suas sementes, em oposição à prática camponesa de selecionar, cuidar e compartilhar sementes livremente.

O Crime da Syngenta e a Ocupação

rolo compressor agroprodutivo

A Ciba-Geigy começou suas operações no Brasil em 1971 e passou a ser demominada Syngenta em 2001. No início de março de 2006, a Terra de Direitos, uma organização localizada em Curitiba, que atua nas áreas de direitos humanos e meio ambiente, e trabalha com os movimentos sociais, denunciou ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais (IBAMA), que a Syngenta e doze outros produtores plantaram ilegalmente soja transgênica na zona de amortecimento do Parque Nacional do Iguaçu. Dado a suas ameaças à biodiversidade, por determinação da legislação federal brasileira, é proibido cultivar transgênicos na zona de amortecimento dos parques nacionais. Uma investigação feita pelo IBAMA confirmou que a Syngenta e os agricultores violaram a lei ambiental federal e multou a todos. A multa da Syngenta é de aproximadamente US$465,000. Enquanto todos os agricultores recorreram à multa, perderam e em seguida pagaram suas multas, a Syngenta tem se recusado a reconhecer qualquer crime, sendo a única que ainda não efetivou o pagamento.

Após a investigação do IBAMA ter confirmado a violação da lei federal pela Syngenta, a Via Campesina ocupou não violentamente o seu campo experimental. A Via Campesina e a Terra de Direitos defendem legalmente a ocupação com base num artigo constitucional que diz que a terra precisa cumprir uma função social. Eles argumentam que o campo experimental da Syngenta não estava cumprindo a sua função social, e que o cultivo ilegal da soja transgênica na zona de amortecimento do Parque Nacional do Iguaçu constituiu uma ameaça direta à sociedade brasileira, porque colocou em risco sua biodiversidade, os recursos naturais e o sistema alimentar do país.

Em julho de 2008, a Terra de Direitos e a Via Campesina lançaram uma campanha internacional de solidariedade, conquistando apoio de mais de 75 organizações de todo o mundo. A campanha dirigiu emails diretamente para Pedro Rugeroni, chefe da Syngenta no Brasil, exigindo que a empresa reconheça seu crime e pague a multa ao IBAMA. A campanha também dirigiu emails ao Governador Requião (Paraná), motivando-o a desapropriar o sítio da Syngenta. Em resposta, a Syngenta comprou uma página inteira nos dois maiores jornais brasileiros, onde publicou uma mensagem em sua defesa. Na sua resposta hostil aos apoiadores da campanha internacional, continuou negando qualquer crime e atacou a “invasão ilegal” do seu campo experimental.

Segundo a Céleres, especializada em agronegócio, o total da área plantada com cultivos geneticamente modificadas em 2013, chegou a 37,1 milhões de hectares, o que representou um aumento de 14% em relação ao ano anterior (que por sua vez, já tinha registrado um aumento de mais de 21% em relação à safra de 2010/2011) – ou seja, 4,6 milhões de novos hectares dedicados a variedades transgênicas.

Segundo o IBGE em 2013, a área recorde dedicada à atividade agrícola no país de 67,7 milhões de hectares. Cruzando o dado do IBGE com o da consultoria Céleres, chega-se à conclusão de que os transgênicos responderam por 54,8% de toda a área cultivada na safra 2012/2013 no país. Os maiores produtores entre os países em desenvolvimento são Brasil, Argentina, Índia e China. Ironicamente, no pais sede da ‘sungenta’  (proposital) não se planta transgênicos.  “Variedades de algodão resistente a insetos são os cultivares transgênicos comercialmente na Ásia e na África”, diz a FAO. Na América Latina, “são a soja  seguida pelo milho resistente a inseto”. Nem os insetos querem produtos transgênicos…

Como vemos, suecos, suíços, americanos, ingleses, canadenses, etc, são todos santos…

O que já estamos consumindo de transgênico direta ou indiretamente : Milho, soja, algodão, mamão papaya, queijos, trigo, centeio, abobrinha, arroz, feijão, salmão

Fonte : http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/02/130207_transgenicos_cultivo_tp

Isto tudo parece um filme de terror.

*Justiça Neonazista da Ucrânia Condena Ex-presidente derrubado pelo imperialismo

Ucrania

Do: Causa Operária

A Justiça da Ucrânia, sob o controle de golpistas neonazistas financiados pelo imperialismo norte-americano, decidiu nesta quinta-feira condenar a uma pena de 15 anos de prisão o ex-presidente Viktor Yanukovich, exilado na vizinha Rússia, por alta traição e outras acusações.

Dentro do “julgamento” realizado na capital Kiev, os promotores pediram a pena por alta traição e cumplicidade do acusado na agressão militar contra a Ucrânia e no “atentado” contra sua “integridade territorial”.

Durante o julgamento controlado pelos extremistas de direita o juiz acusou diversas vezes os advogados de Yanukovich de “atrapalhar” continuamente o julgamento do líder deposto em fevereiro de 2014.

O que devemos frisar aqui é que a Ucrânia passou por um golpe com participação de neonazistas, que mataram anarquistas, perseguiram comunistas, e agora, dentro da justiça, controlam a corte com seus capachos pagos pelo imperialismo.

Neste caso, o magistrado que leva um processo fraudulento de perseguição fascista contra o ex-presidente, ordenou que outros advogados assumissem o caso, que é um circo. Um advogado do Estado, que deveria se encarregar da “defesa” de Yanukovich, é claro, rejeitou imediatamente seus serviços pois os indicados fazem parte dessa composição golpista que domina o Estado ucraniano.

Leia na íntegra: Justiça neonazista da Ucrânia condena ex-presidente derrubado pelo imperialismo

*Navios Roubam Água dos Rios da Amazônia

Do: Ambiente Brasil

A hidro pirataria também é conhecida dos pesquisadores da Petrobras e de órgãos públicos estaduais do Amazonas. A informação deste novo crime chegou, de maneira não oficial, ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM), órgão do governo local. “Uma mobilização até o local seria extremamente dispendiosa e necessitaríamos do auxílio tanto de outros órgãos como da comunidade para coibir essa prática”, reafirmou Ivo Brasil.

Depois de sofrer com a biopirataria, com o roubo de minérios e madeiras nobres, agora a Amazônia está enfrentando o tráfico de água doce. Uma nova modalidade de saque aos recursos naturais denominada hidro pirataria. Cientistas e autoridades brasileiras foram informadas que navios petroleiros estão reabastecendo seus reservatórios no Rio Amazonas antes de sair das águas nacionais. Porém a falta de uma denúncia formal tem impedido a Agência Nacional de Águas (ANA), responsável por esse tipo de fiscalização, de atuar no caso. 

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Enquanto as grandes embarcações estrangeiras recriam a pirataria do Século 16, a burocracia impede o bloqueio desta nova forma de saque das riquezas nacionais.

Ivo Brasil, Diretor de Outorga, Cobrança e Fiscalização da Agência Nacional de Águas, sabe desta ação ilegal; contudo, aguarda uma denúncia oficial chegar à entidade para poder tomar as providências necessárias. “Só assim teremos condições legais para agir contra essa apropriação indevida”, afirmou.

O dirigente está preocupado com a situação. Precisa, porém, dos amparos legais para mobilizar tanto a Marinha como a Polícia Federal, que necessitam de comprovação do ato criminoso para promover uma operação na foz dos rios de toda a região amazônica próxima ao Oceano Atlântico. “Tenho ouvido comentários neste sentido, mas ainda nada foi formalizado”, observa.

o mundo segundo os estados unidos ganhandomundo

A defesa das águas brasileiras está na Constituição Federal, no Artigo 20, que trata dos Bens da União. Em seu inciso III, a legislação determina que rios e quaisquer correntes de água no território nacional, inclusive o espaço do mar territorial, é pertencente à União.

Isto é complementado pela Lei 9.433/97, sobre Política Nacional de Recursos Hídricos, em seu Art. 1, inciso II, que estabelece ser a água um recurso limitado, dotado de valor econômico. E ainda determina que o poder público seja o responsável pela licença para uso dos recursos hídricos, “como derivação ou captação de parcela de água”. O gerente do Projeto Panamazônia, do INPE, o geólogo Paulo Roberto Martini, também tomou conhecimento do caso em conversa com técnicos de outros órgãos estatais. “Têm nos chegado diversas informações neste sentido, infelizmente sempre estão tirando irregularmente algo da Amazônia”, comentou o cientista, preocupado com o contrabando.

Navios-tanque roubam água de rios da Amazônia

Foto: Navios-tanque roubam água de rios da Amazônia

Os cálculos preliminares mostram que cada navio tem se abastecido com 250 milhões de litros. A ingerência estrangeira nos recursos naturais da região amazônica tem aumentado significativamente nos últimos anos. 

Águas amazônicas 

Seja por ação de empresas multinacionais, pesquisadores estrangeiros autônomos ou pelas missões religiosas internacionais. Mesmo com o Sistema de Vigilância da Amazônia (SIVAM) ainda não foi possível conter os contrabandos e a interferência externa dentro da região.

A hidro pirataria também é conhecida dos pesquisadores da Petrobras e de órgãos públicos estaduais do Amazonas. A informação deste novo crime chegou, de maneira não oficial, ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM), órgão do governo local. “Uma mobilização até o local seria extremamente dispendiosa e necessitaríamos do auxílio tanto de outros órgãos como da comunidade para coibir essa prática”, reafirmou Ivo Brasil. A captação é feita pelos petroleiros na foz do rio ou já dentro do curso de água doce. Somente o local do deságüe do Amazonas no Atlântico tem 320 km de extensão e fica dentro do território do Amapá. Neste lugar, a profundidade média é em torno de 50 m, o que suportaria o trânsito de um grande navio cargueiro. O contrabando é facilitado pela ausência de fiscalização na área. 

Vídeo: Rio Amazônas, navio pirata roubando nossa água

Essa água, apesar de conter uma gama residual imensa e a maior parte de origem mineral, pode ser facilmente tratada. Para empresas engarrafadoras, tanto da Europa como do Oriente Médio, trabalhar com essa água mesmo no estado bruto representaria uma grande economia. O custo por litro tratado seria muito inferior aos processos de dessalinizar águas subterrâneas ou oceânicas. Além de livrar-se do pagamento das altas taxas de utilização das águas de superfície existentes, principalmente, dos rios europeus.

As águas salinizadas estão presentes no subsolo de vários países do Oriente Médio, como a Arábia Saudita, Kuwait e Israel. Eles praticamente só dispõem desta fonte para seus abastecimentos. O Brasil importa desta região cerca de 5% de todo o petróleo que será convertido para gasolina e outros derivados considerados de densidade leve. Esse procedimento de retirada do sal é feito por osmose reversa, algo extremamente caro. 

Na dessalinização é gasto US$ 1,50 por metro cúbico e US$ 0,80 com o mesmo volume de água doce tratada.

Navios estrangeiros estão roubando água dos rios da Amazônia

Foto: Navios estrangeiros estão roubando água dos rios da Amazônia

Hidro ou biopirataria?

O diretor de operações da empresa Águas do Amazonas, o engenheiro Paulo Edgard Fiamenghi, trata as águas do Rio Negro, que abastece Manaus, por processos convencionais. E reconhece que esse procedimento seria de baixo custo para países com grandes dificuldades em obter água potável. “Levar água para se tratar no processo convencional é muito mais barato que o tratamento por osmose reversa”, comenta.

O avanço sobre as reservas hídricas do maior complexo ambiental do mundo, segundo os especialistas, pode ser o começo de um processo desastroso para a Amazônia. E isto surge num momento crítico, cujos esforços estão concentrados em reduzir a destruição da flora e da fauna, abrandando também a pressão internacional pela conservação dos ecossistemas locais.

Entretanto, no meio científico ninguém poderia supor que o manancial hídrico seria a próxima vítima da pirataria ambiental. Porém os pesquisadores brasileiros questionam o real interesse em se levar as águas amazônicas para outros continentes. O que suscita novamente o maior drama amazônico, o roubo de seus organismos vivos. “Podem estar levando água, peixes ou outras espécies e isto envolve diretamente a soberania dos países na região”, argumentou Martini.

A mesma linha de raciocínio é utilizada pelo professor do Departamento de Hidráulica e Saneamento da Universidade Federal do Paraná, Ary Haro. Para ele, o simples roubo de água doce está longe de ser vantajoso no aspecto econômico. “Como ainda é desconhecido, só podemos formular teorias e uma delas pode estar ligada ao contrabando de peixes ou mesmo de microorganismos”, observou.

Essa suposição também é tida como algo possível para Fiamenghi, pois o volume levado na nova modalidade, denominada “hidro pirataria” seria relativamente pequeno. Um navio petroleiro armazenaria o equivalente a meio dia de água utilizada pela cidade de Manaus, de 1,5 milhão de habitantes. “Desconheço esse caso, mas podemos estar diante de outros interesses além de se levar apenas água doce”, comentou. 

Segundo o pesquisador do INPE, a saturação dos recursos hídricos utilizáveis vem numa progressão mundial e a Amazônia é considerada a grande reserva do Planeta para os próximos mil anos. Pelos seus cálculos, 12% da água doce de superfície se encontram no território amazônico. “Essa é uma estimativa extremamente conservadora, há os que defendem 26% como o número mais preciso”, explicou.

foto acima um dos navios da empresa transporta pelo oceano um gigantesco “bag” de água doce

 Foto: Um dos navios da empresa que transporta pelo oceano um gigantesco “bag” de água doce

Em todo o Planeta, dois terços são ocupado por oceanos, mares e rios. Porém, somente 3% desse volume são de água doce. Um índice baixo, que se torna ainda menor se for excluído o percentual encontrado no estado sólido, como nas geleiras polares e nos cumes das grandes cordilheiras. Contando ainda com as águas subterrâneas. Atualmente, na superfície do Planeta, a água em estado líquido, representa menos de 1% deste total disponível. 

A previsão é que num período entre 100 e 150 anos, as guerras sejam motivadas pela detenção dos recursos hídricos utilizáveis no consumo humano e em suas diversas atividades, com a agricultura. Muito disto se daria pela quebra dos regimes de chuvas, causada pelo aquecimento global. Isto alteraria profundamente o cenário hidrológico mundial, trazendo estiagem mais longas, menores índices pluviométricos, além do degelo das reservas polares e das neves permanentes.

Sob esse aspecto, a Amazônia se transforma num local estratégico. Muito devido às suas características particulares, como o fato de ser a maior bacia existente na Terra e deter a mais complexa rede hidrográfica do planeta, com mais de mil afluentes. Diante deste quadro, a conclusão é óbvia: a sobrevivência da biodiversidade mundial passa pela preservação desta reserva. 

Mas a importância deste reduto natural poderá ser, num futuro próximo, sinônimo de riscos à soberania dos territórios panamazônicos. O que significa dizer que o Brasil seria um alvo prioritário numa eventual tentativa de se internacionalizar esses recursos, como já ocorre no caso das patentes de produtos derivados de espécies amazônicas. Pois 63,88% das águas que formam o rio se encontram dentro dos limites nacionais.

Esse potencial conflito é algo que projetos como o Sistema de Vigilância da Amazônia procuram minimizar. Outro aspecto a ser contornado é a falta de monitoramento da foz do rio. A cobertura de nuvens em toda Amazônia é intensa e os satélites de sensoriamento remoto não conseguem obter imagens do local. Já os satélites de captação de imagens via radar, que conseguiriam furar o bloqueio das nuvens e detectar os navios, estão operando mais ao norte.

As águas amazônicas representam 68% de todo volume hídrico existente no Brasil. E sua importância para o futuro da humanidade é fundamental. Entre 1970 e 1995 a quantidade de água disponível para cada habitante do mundo caiu 37% em todo mundo, e atualmente cerca de 1,4 bilhão de pessoas não têm acesso a água limpa. Segundo a Water World Vision, somente o Rio Amazonas e o Congo podem ser qualificados como limpos.

 

Erik von Farfan – Jornalista Fonte: Eco 21 Ano XIV – nº 93 – Agosto – 2004 www.eco21.com.br

*Os EUA Enviam sua Terceira Grande Tentativa Desestabilizadora Contra Evo Morales

Por: Hugo Moldiz Mercado

As eleições de 2019 são o pretexto. Os Estados Unidos, através de diferentes meios de comunicação e atores, estão ativando seu terceiro grande plano para desestabilizar o governo de Evo Morales , bloquear o projeto de continuidade político-eleitoral do líder indígena e interromper o processo de mudança.

No entanto, longe de representar força, essas ações externas contra o processo de mudança na Bolívia destacam a profunda fraqueza da oposição interna, que visa ganhar de fora do país o que ainda não foi capaz de vencer internamente.

plano intervencionista dos Estados Unidos foi cantado. Não há razão para que o imperialismo norte-americano não ative planos e medidas para se intrometer nos assuntos internos da Bolívia, da mesma forma como fez contra todos os governos progressistas e de esquerda da América Latina.

Com alguns, com os mais fracos no começo, como os casos de Honduras e Paraguai, ele realizou golpes de um novo tipo, para então aplicar a fórmula contra os mais fortes: o Brasil, onde houve um golpe em duas vezes . O primeiro, o golpe parlamentar contra Dilma Rousseff, e o segundo, judicial, contra Ignacio Lula. Contra outros, cuja característica comum é realizar mudanças mais profundas através da Assembléia Constituinte, como os casos da Venezuela, Bolívia e Equador, fracassaram em sua tentativa de derrubá-los através da violência, embora no caso do O último país, sem Rafael Correa, conseguiu com sucesso ativar uma revolução passiva com Lenin Moreno como presidente.

Na verdade, como é bem responsável por apontar os Consenso Américas , adotada pela Assembléia XXIII do Foro de São Paulo , que foi realizado em Manágua em 2017 e ratificada na Assembleia XXIV do mesmo fórum em Havana em julho este ano, a esquerda só foi derrotada pela rota eleitoral na Argentina. No restante, como indicado acima, o fez por métodos antidemocráticos, como ainda está sendo tentada contra a Venezuela.

Contra-revolucionária e restaurador contra-ofensiva começou na administração Obama e continua, forma mais perversa, com o governo de Donald Trump, que busca para impedir que os EUA para parar de ser a hegemonia mundial e, obviamente, perder o controle da América Latina. De fato, para ser mais preciso, busca restabelecer sua dominação e hegemonia naquela parte do planeta que desde a Doutrina Monroe considera seu “quintal” . O fato de que países como a Bolívia, Cuba, Venezuela e outros têm sido os principais formadores de novos critérios de integração latino-americana e da unidade através da ALBA, UNASUL e CELAC é algo que o Estados Unidos não estava disposto a tolerar.

Este projeto de restauração conservadora encontra resistência ativa, em maior ou menor grau, nos processos revolucionários de Cuba – que Evo Morales descreveu em Havana como mãe de todas as revoluções -, Venezuela e Bolívia, mas também de El Salvador. . A esta lista devemos acrescentar o México, que será governado por Manuel López Obrador, que conquistou uma vitória histórica no início de julho.

Bolívia não é a exceção

Bem, a Bolívia não é a exceção. De razões ideológicas a fatores geopolíticos, os Estados Unidos precisam acabar com os governos dos países onde as revoluções estão ocorrendo sob as condições do século XXI. Dos governos progressistas, quase todos estavam no comando, apenas o Uruguai e El Salvador permanecem. E a Bolívia , reiteramos, não é a exceção.

Contra o processo de mudança boliviana, liderado pelo líder indígena Evo Morales, todas as ações de desestabilização oligárquica e imperial foram desenvolvidas desde o início. Sem medo de errar, podemos observar três grandes tentativas de interromper o processo político mais profundo da história deste país, localizado no coração da América do Sul.

A primeira tentativa de derrubar Morales ocorreu no início do período 2006-2009. Preocupado com um governo que a entrada nacionalizou o petróleo recuperado recursos naturais e empresas para o estado, convocou uma Assembléia Constituinte começou a exercer a soberania do Estado em todos os campos, aposta no caráter multilateral das relações internacionais e promoveu, em conjunto para outros países da região, mecanismos inovadores de integração e coordenação política (Alba e Unasul), os Estados Unidos mantiveram sua linha conspiratória. Para isso, ele usou a DEA, que foi dedicado à espionagem política pela CIA e a capacidade instalada de sua embaixada em La Paz, para organizar e promover planos de divisão territorial, que era a maneira concreta em que se pretendia derrubar para o governo da esquerda.

A tentativa de golpe foi derrotada pela capacidade de mobilização do governo e dos movimentos sociais e não pelas ações institucionais da Polícia e das Forças Armadas. O efeito dessa derrota seria difícil para os Estados Unidos: o embaixador Philip Golberg foi expulso e também o DEA. Meses mais tarde, já enfraquecido, o boliviano extrema-direita teria de sofrer uma nova derrota desmantelado uma célula terrorista, com membros estrangeiros, que procurou devolver a bandeira doente do separatismo e até mesmo assassinar o presidente Evo Morales.

A segunda tentativa foi realizada entre dezembro de 2015 e fevereiro de 2016. Contra o projeto do governo através de referendo para alterar o artigo 168 da Constituição do Estado, para permitir que o binomial Evo Morales-Garcia Linera Alvaro, para as eleições de 2019, uma conspiração político-midiática ativada pelos Estados Unidos através de Carlos Valverde – ex-diretor nacional de inteligência do governo de Paz Zamora (1989-1993) e uma fonte permanente de consulta para os EUA, como confirmado pelo WikiLeaks-, conseguiu romper o vínculo emocional de uma porcentagem da população que até então sempre votou em Morales (2005, 2009 e 2014). O presidente da Bolívia denunciou o dia ea hora do Encarregado de Negócios Peter Brennan, e Valverde se reuniram em Santa Cruz para refinar o plano questionou a autoridade moral da maior condutor da revolução boliviana. Vários erros cometidos no esforço para esclarecer a queixa – que acabou se revelando falsa – contribuíram para a confusão e facilitaram o revés eleitoral para o partido no poder.

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PODEM CHAMAR DO QUE QUISEREM; PLANO ATLANTA, CONDOR 2, PACTO ANTICOMINTERN, CONTRA INSURGÊNCIA, ETC, É TUDO MOVIDO PELA GANANCIA IMPERIALISTA DO TIO SAM.

*Guerra Híbrida

“Animal, produto ou vegetal híbridos são aqueles desenvolvidos por duas ou mais espécies ou plataformas distintas mas pertencentes ao mesmo gênero ou a mesma linha ou objetivo”.

Quando na transição dos eletrônicos valvulados para os de “estado sólido” (transistores) a industria montou vários produtos “híbridos” (mistos de válvulas -amplificadoras de tensão- e transistores -amplificadores de voltagem-), estes são exemplos de híbridos em produtos inanimados de consumo.

O carro anfíbio pode ser considerado um veiculo híbrido, neste caso ele faz uso de dois suportes para locomoção, água e terra.

A propaganda e marketing atualmente utilizam estratégias hibridas para promoção de produtos na sociedade de consumo, basta pensarmos um pouco e trazermos à lembrança vários exemplos de uso de varias plataformas interagindo entre elas, amalgamando plataformas híbridas, (internet, tv, rádios, jornais, patrocínio em “eventos culturais” e outros), na propaganda, poderíamos pensar que são direcionadas a incentivar produtos de consumo massivo, caso contrário as campanhas são mais direcionadas. Muitas vezes estas estratégias são de dificil identificação, como quando são utilizados ações subliminares ou quando se investe em cultura patrocinada.

Nas “guerras hibridas”, nem sempre há a necessidade de seus promotores utilizarem material bélico ou armas letais para atingir objetivos, porém pode ser que haja vitimas fatais ou não. Citando o Brasil, em 2013 foi dado inicio a uma “guerra híbrida” de proporções até então incalculáveis, ninguém tem ainda uma noção de onde iremos chegar e o que e quanto perdemos.

Um exemplo anterior e vizinho ao Brasil foi o Paraguai de Lugo. Porém, a oficina para as “guerras híbridas na América Latina foi em Honduras de Zelaya, tendo seu ponto crucial em 2009. Se não houvesse uma embaixada brasileira que desse abrigo a Zelaya, não podemos calcular o que adviria.

Antes, o Oriente Médio foi o grande laboratório mundial das “guerras híbridas“. Desde a criação pelo ocidente da “Al-Qaeda“, ao espetáculo midiático mundial das “industrias de armas químicas de Sadan Husseim” (ninguém esta defendendo o tirano classista, porém ficou comprovado que não existiam fabricas de armas quinicas no Iraque) usadas como pretexto de invasão.

UM SINTOMA DE “GUERRA HIBRIDA“:

Brasil, ano de 2013. ninguém percebeu, porém quando a especialista em logística do Pentágono Liliana Ayalde (ex embaixadora no Paraguai de Lugo)) aportou no Brasil, começaram as manifestações do “MBL” e “Vem pra rua”, tudo isso por singelos R$ 0,20 no aumento das passagens de ônibus na cidade de São Paulo. Em 2016, Ayalde foi substituída pelo experiente especialista em limpeza Peter Michael McKinley (ex Afeganistão). Fato curioso, McKinley foi aprovado pelo governo golpista, mesmo antes de ter seu nome aprovado para embaixador no Brasil pelo senado estadunidense.

O caso mais atual talvez seja a Nicarágua. O cerne de toda “guerra híbrida” travada atualmente no pais é a construção do “canal da Nicarágua”. concorrente direto ao “canal do Panamá” (o Nicaraguense, apesar de ter um percurso um pouco maior, será mais viável financeiramente por muitos motivos), a construção do “canal da Nicarágua” será totalmente custeado pelo tesouro Chines, com a logística de segurança feita pela Russia, sem dificuldade para concluirmos que este canal quebra a hegemonia estadunidense na região e em toda América Central e América do Sul.

Como atualmente é mais dificil vender ao mundo aburguesado uma guerra convencional, estrategistas desenvolvem “guerras híbridas” pelos quatro cantos, começando por uma formula medieval que afirma “dividir para governar“. Como foi o recente caso da Venezuela e Equador. Na Venezuela a nação se encontrava mais fortalecida, os venezuelanos estão procurando e encontrando o próprio caminho, longe das fórmulas prontas que pouca utilidade oferecem, no Equador e Brasil não obtivemos a mesma vitoria e a “guerra híbrida” saiu vitoriosa.

Alguns sintomas na Venezuela nos mostram algumas táticas utilizadas na “guerra híbrida“: “Desabastecimento de gêneros” criminosamente proporcionado pela classe dominante daquele pais, os “bachaqueros” e os “guarimberos“,”população migrante“, quanto a estes últimos, sabemos não ser um numero significativo, (a Venezuela recebe mais pessoas vindos da Colômbia do que os venezuelanos que migram para o BrasilACNUR), usaram a mídia do Brasil e alguns políticos da direita golpista para lobby e propaganda contra este pais. Na “guerra híbrida” tudo é valido, tudo serve aos propósitos do imperialismo. 

Alguns países que, conhecidamente sofreram e sofrem uma “guerra híbrida” atualmente:

Na América Latina: Honduras, Republica Dominicana, Nicarágua, Venezuela, Colômbia, Equador, Argentina, Paraguai, Bolívia e Brasil.

No Oriente médio: Irã, Iraque, Palestina (Gaza inclusa), Síria.

Na Europa: Turquia e Croácia.

Na Africa: Somália, Sudão, Sudão do Sul e Nigéria e outros mais antigos.

Na Asia: Coréia do Norte, Coréia do Sul .

Como podemos perceber em alguns exemplos, a “guerra híbrida” utiliza vários argumentos, varias fórmulas. Desde o religioso, cultural, étnico etc. Com vitimas, massacres, com pouco sangue ou muito sangue, ou nenhuma vitima física como é o caso de Lula, Dilma, Dirceu, Genoíno no Brasil, Zelaya em Honduras, Lugo no Paraguai, Chaves e Maduro na Venezuela, Evo na Bolívia, Correa no Equador, Cristina na Argentina, Ortega na Nicarágua e por aí vai.

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*A Vitória de Lópes Obrador, a Vitória da Esquerda ou o Reflexo de uma Profunda Crise no México ?

[Internacional] A vitória de López Obrador, a vitória da esquerda ou o reflexo de uma profunda crise do país?

Do: CNT, Por Edurne Bagué

No domingo, 1º de julho, os habitantes do México foram convocados para as urnas. Eles tiveram que votar na prefeitura, no governo do estado, no Senado, no congresso e na presidência da República para o próximo sexto (2018-2014). Um dia que vinha gerando expectativas há semanas e acontecia no meio do mundo do futebol – um evento que paralisava o país – em um bom momento da seleção que havia sido classificada pelas quartas de final. Tudo foi um bom augúrio para o tão esperado dia eleitoral que parecia indicar que o tempo da mudança talvez estivesse em uma sociedade cansada.

Às 8h08, apenas 8 minutos após o início dos resultados preliminares, as primeiras reações aos resultados já foram mostradas. Foi o primeiro sinal de uma anomalia no comportamento eleitoral do país: o Partido Revolucionário Institucional (PRI) – o partido do atual presidente, Enrique Peña Nieto (EPN) veio a reconhecer e derrota desejando sorte ao novo presidente. Poucos minutos depois, Anaya deixou o Partido da Ação Nacional (PAN) – o partido dos ex-presidentes Fox e Calderón. Mais uma vez, elogia e deseja o melhor para o novo presidente. Ambas as reações surpreenderam um país que não está acostumado a esses tipos de situações.

Daquele momento em diante, a euforia se estendeu por toda parte, até os gritos de “sim”, “é uma honra estar com López Obrador”. A cidade do México parecia estar saindo de uma letargia pesada. A calma tensa da esperança contida por meses e semanas antes do medo da fraude eleitoral finalmente poderia ser liberada, Andres Manuel Lopez Obrador (AMLO) finalmente foi eleito o novo Presidente da República Mexicana.

Entenda o escopo de 1º de julho

Mas por que a vitória de AMLO e o “Movimentação pela Regeneração Nacional” (Morena) é importante? O que o diferencia das outras opções ? O fato é altamente complexo, cheio de aspectos, aqui selecionamos apenas alguns:

Primeiro de tudo, Lopez-Obrador, “Peje”, como é popularmente conhecido, tem trabalhado de uma maneira muito diferente: mais qualitativo e sério … tem um programa de 400 páginas. Uma equipe de especialistas (acadêmicos e profissionais com a reputação da UNAM e de outros espaços do país), portanto, uma amostra de um trabalho profissional em políticas públicas que mostra pessoas que buscam qualidade e profissionalismo e não tanto “compadraço“. Mas isso nada mais é do que a última fórmula de trabalho de um personagem que sempre teve uma linha de trabalho e prática política inspirada na social-democracia européia, seja dos alinhamentos dos partidos da direita e esquerda. Como uma proposta da esquerda, ele também sempre seguiu a linha de trabalho dos socialistas europeus, também de duas maneiras: políticas progressistas em direitos,

Em segundo lugar, a história de López-Obrador é a do descrédito do sistema eleitoral mexicano, uma vez que as eleições de 2006 foram a principal causa de fraude eleitoral. Em 2006, quando foi candidato do Partido da Revolução Democrática (PRD) na frente de Calderón do PAN. Esse foi um ano crucial para o país que vivia na Atenco, a APPO e o eixo Zapatista colocaram a outra campanha na mesa . Apenas um ano após a vitória de Evo Morales (Bolívia) e nos momentos mais fortes do projeto de Chávez (Venezuela) e Correa (Equador). Mas o Peje, como dissemos, sempre foi um seguidor da social-democracia e nunca esteve abertamente alinhado com as propostas da esquerda mais transformadora.

Em 2006, eles acamparam no meio da Cidade do México e houve muita mobilização social. Desta vez, ele comentou em todos os círculos da vida cotidiana, o medo de uma nova fraude e o risco que levou a revoltas, crises econômicas e instabilidade política e social. A calma tensa, em parte, é explicada pela experiência, especialmente em 2006, embora também nas eleições anteriores, em 2012, tenha havido uma nova fraude eleitoral que deu a presidência à EPN.

A experiência das duas fraudes eleitorais anteriores, de certa forma, e a garantia contra uma população cansada, (temos que entender que o último destes fatores foi o lado negro das oligarquias opressoras) procurando manter o status quo, e, portanto, , seus privilégios. Essa suposição é projetada como alguém que tem a capacidade de trazer para o país as mudanças necessárias.

Isso anda de mãos dadas com as boas lembranças de sua passagem pelo governo da capital da república e um cansaço muito profundo no sim da sociedade mexicana, que vê, explicitamente, que tudo foi distorcido na década 90 do século XX, sob o mandato de Salinas de Gortari, com a assinatura do TLC ea reforma da Constituição, com a qual acabaram de minar importantes avanços ligados à Revolução Mexicana.

O anseio por mudança já foi revelado nas eleições de 2000, quando a punição do sistema hegemônico mexicano do PRI foi punida, dando a Vicente Fox a vitória do PAN. Mas agora, o PAN não era uma opção que simboliza qualquer mudança de forma positiva, depois de um governo de Felipe Calderón, os mexicanos lembram, a situação interna do pais piorou consideravelmente : o aumento da pobreza, o aumento da violência, implementação e consolidação do que é chamado narco-estado e como esta guerra contra as drogas serviram para militarizar o país, aumentando a insegurança. Amedrontavam-se os mexicanos com exemplos do que Uribe fazia acontecer na Colômbia.

Diante desse cenário, a única proposta que ainda não teve a opção de demonstrar se a situação poderia ser melhorada foi da AMLO (são propostas desconhecidas), e, portanto, a esperança e a tarefa agora são para ele e o Morena. A sociedade mexicana vem pedindo essa mudança há anos.

AMLO: um reflexo da demanda por mudanças.

O AMLO é o reflexo da necessidade e demanda por mudanças no país que superem as margens direita/esquerda (observação nossa: Seria um pacto nacional ?). O profissionalismo é exigido no exercício da política, a recuperação das instituições públicas, tanto metaforicamente e objetivamente – autoridade, poder real, sentido do público – de modo que o objetivo é atender a cidadania e não enriquecimento pessoal Acabar com compadraços, carteiradas e clientelismo como elementos da estrutura do país. Tudo isso é verbalizado com a expressão “fim da corrupção” nas palavras do próprio AMLO “a máfia do poder deixará de dominar o México, eles não terão mais o poder de enviar, porque o povo governará“. Por isso, encontrou na corrupção e na máfia a crítica dos problemas estruturais do país (observação nossa; ouvimos esta ladainha diariamente no Brasil) há muito tempo. Os elementos expostos têm favorecido um eleitorado transversal contra a proposta de Morena e AMLO. O desejo de um México que quer deixar para trás um estágio de escuridão e decadência que é representado no PRI e o PAN.

No entanto, nem tudo é fornecido com flores e violas. O desafio é monumental. Você não é solicitado a aplicar políticas de esquerda. De fato, ele também não tinha um programa de esquerda. A tarefa é executar o país. Além disso, não é uma proposta revolucionária no sentido de que todo mundo iria imaginar, no entanto, levar a cabo a reestruturação do país, as suas instituições e sua dinâmica, não é muito, mesmo assim não se sabe se ele será possível.

Deve-se notar que há limitações na linha de partida, como a falta de compreensão de que isso depende não apenas dele e de sua equipe de governo, mas de profundas mudanças sociais. As práticas de compadraço, clientelismo e caciquismo fazem parte do cotidiano da vida dos mexicanos e atravessam todas as esferas da sociedade mexicana. Inserido no neoliberalismo econômico, isto significa, em primeiro lugar, que resolver estas questões não é algo que poderá ser resolvido numa legislatura, precisa de uma estratégia mais complexa a médio e longo prazo. E isso leva a um segundo aspecto, como o fato de que; faz parte do sucesso ou do fracasso nesta missão e passa pela força das alianças de lobbies econômicos e seus interesses. Combater a corrupção estrutural, a reforma da dinâmica de trabalho da administração pública e das instituições devem ser acompanhados de medidas severas, e de planos estratégicos para promover uma mudança no sistema de valores de toda a sociedade como um todo. Assim que isso for ativado, os atores que serão ameaçados buscarão a mobilização social e a ingovernabilidade (observação nossa; ocorre atualmente em vários países os mais variados formatos de golpes, Nicarágua, Honduras, Brasil, Argentina, Equador, etc). Para garantir o equilíbrio e o desenvolvimento dessas novas políticas e reformas, o governo de Lopez deve saber que tem atores muito sólidos. Parceiros de aventura que não defendem políticas de esquerda, mas precisam de melhorias estruturais para aprofundar seu enriquecimento. O governo de Lopez Obrador deve saber que tem atores muito sólidos. Parceiros de aventura que não defendem políticas de esquerda, mas precisam de melhorias estruturais para aprofundar seu enriquecimento.

Vendo o certo apoio de mídias, como  as de, Slim ou Soros, para a candidatura da AMLO, já é visível que esta proposta não é uma proposta da esquerda. A isto juntamos as reações descritas no início: os outros candidatos demonstrando educação e respeito. Eles parecem indicar que há interesse em promover certas mudanças no país, talvez porque o nível de retração e descontrole da economia mexicana afeta negativamente todas as projeções da economia Continue lendo…

*Venda Massiva de Títulos do Tesouro dos EUA: Cenário Apocalíptico Para Dólar

Do: Sputniknews

Desde abril de 2018, a Rússia vendeu quase 85% dos títulos do Tesouro dos EUA e aumentou suas reservas de ouro para um nível recorde. A Sputnik explica porque Moscou decidiu livrar-se dos títulos públicos dos EUA, apostando no metal precioso, e que consequências esse passo teria para o sistema financeiro mundial.

 

Em abril e maio deste ano, Moscou reduziu os ativos em títulos do Tesouro dos EUA de 96 bilhões de dólares (R$ 369,7 bilhões) para 15 bilhões de dólares (R$ 56,2 bilhões). A lista dos 33 maiores detentores de dívida pública publicada pelo Departamento do Tesouro dos EUA já não inclui a Rússia. Paralelamente, o Banco Central russo aumentou significativamente a quota de ouro nas suas reservas internacionais.

Esses fatores levaram a uma mudança significativa das reservas internacionais russas na última década: a quota de ouro aumentou 10 vezes, enquanto a dos títulos do Tesouro dos EUA caiu ao seu mínimo.

Papel dos títulos do Tesouro norte-americanos nas reservas globais

As reservas internacionais de um país representam os ativos financeiros líquidos das autoridades monetárias (geralmente dos bancos centrais) que são mantidos em diferentes reservas, como em moedas estrangeiras (títulos e depósitos), ouro, direitos especiais de saque – unidade de pagamento criado pelo Fundo Monetário Internacional – e posição de reserva no FMI, além de alguns outros ativos.

Esses recursos são utilizados pelo país para cumprimento dos seus compromissos financeiros como a emissão de moeda, para minimizar a volatilidade, bem como para proteger o sistema financeiro dos especuladores. Em geral, é uma espécie de colchão de segurança para amortecer as consequências de choques externos para a economia do Estado.

No sistema financeiro atual, a maioria das reservas internacionais globais está aplicada em títulos da dívida pública dos EUA. Esses títulos são emitidos pelo Tesouro dos EUA para financiar a dívida pública norte-americana. Os EUA podem emitir livremente sua moeda, aproveitando-se de o comércio internacional mundial ser realizado em dólares, o que contribui para a demanda por dólares a nível global. Ou seja, cada país que compra títulos públicos dos EUA financia o déficit dos EUA. Mas por que a comunidade internacional continua financiando a economia dos EUA, apoiando a hegemonia do dólar?

A resposta é bastante simples. Os títulos da dívida americana são considerados o ativo mais seguro do mundo com uma liquidez mais alta, o que significa que, se for necessário, esses ativos podem ser vendidos rapidamente e sem perda de valor. Os EUA têm um bom rating de crédito, apesar de algumas especulações sobre o teto da dívida. Acredita-se que um calote dos EUA é quase impossível, tornando esse ativo apropriado para o colchão de segurança de um país.

Rússia e desdolarização

A Rússia está tentando diminuir sua dependência da divisa norte-americana depois de Washington e seus aliados terem imposto sanções ao país em 2014. O presidente russo, Vladimir Putin, declarou que Moscou já não pode confiar no sistema financeiro encabeçado pelo dólar norte-americano porque os EUA impuseram sanções unilaterais e violam as regas da Organização Mundial do Comércio.

O primeiro passo foi o aumento das transações em divisas nacionais com os parceiros comerciais da Rússia, reduzindo assim a demanda por dólares desses países.

Como resultado, as transações em rublos na União Econômica Eurasiática (composta pela Armênia, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão e Rússia) aumentaram significativamente. Em outubro de 2017, a China abriu em Moscou a primeira divisão do seu Banco de Indústria e Comércio para promover transações em yuanes. Além disso, Moscou já assinou acordos com a Turquia, Irã e Azerbaijão para evitar o uso do dólar nas transações internacionais. Durante a 10ª cúpula dos BRICS, realizada entre 25 e 27 de julho em Johannesburgo, os representantes dos países membros do grupo também discutiram a possibilidade de realizar transações em moedas nacionais em vez do dólar.

No início do abril, Washington impôs um novo pacote de sanções antirrussas, o mais duro desde 2014. Os EUA introduziram sanções contra 38 empresários e empresas russas.Em junho de 2018 o Departamento do Tesouro dos EUA revelou que em abril deste ano a Rússia tinha vendido metade dos seus títulos da dívida pública dos EUA. Desta forma, a Rússia passou de 18º para 22º na lista dos principais credores dos EUA. Em julho de 2018 foi revelado que a Rússia se livrou de mais um terço dos seus títulos dos EUA. Ao mesmo tempo, as reservas de ouro da Rússia atingiram quase 2.000 toneladas. Durante os primeiros seis meses de 2018, o Banco Central russo comprou cerca de 106 toneladas do metal precioso, aumentando a quota de ouro nas reservas internacionais até 18%, e aumentou também suas reservas nominadas em outras divisas, depositadas em bancos centrais de outros países.

Segundo a presidente do Banco da Rússia, Elvira Nabiullina, o objetivo do banco é diversificar suas reservas internacionais.

“Nos últimos tempos, aumentamos significativamente a quota de ouro, praticamente em dez vezes. Estamos diversificando toda a estrutura das divisas [nas reservas internacionais]. Realizamos uma política para que as reservas internacionais sejam armazenadas de forma segura e sejam diversificadas. Levamos em conta todos os riscos: financeiros, econômicos e geopolíticos”, disse Nabiullina comentando a venda dos títulos.

Alguns especialistas acreditam que a Rússia vendeu seus títulos do Tesouro dos EUA porque receia que esses ativos possam ser congelados no caso de novas sanções antirrussas. Entretanto, essas medidas são pouco prováveis, porque afetariam a credibilidade dos investidores em todo o mundo no sistema financeiro dos EUA.

O que vai acontecer se outros países se livrarem dos títulos do Tesouro dos EUA? Quanto às consequências para a economia dos EUA, a venda dos títulos dos EUA pela Rússia não representa uma grande ameaça para Washington porque, mesmo antes da venda massiva dos títulos, a Rússia ocupava apenas o 18º lugar na lista dos principais credores dos EUA.

Entre os maiores detentores de títulos do Tesouro norte-americano estão a China, que possui títulos no valor de 1,18 trilhão de dólares (R$ 4,5 trilhões). O Japão está em segundo lugar, com $ 1,03 trilhão (R$ 3,8 trilhões). Entre os líderes estão também a Irlanda, Brasil, Suíça, Reino Unido, Índia e Arábia Saudita.

Imaginem que a maioria desses detentores da dívida dos EUA se livraria dos títulos do Tesouro dos EUA. A oferta dos títulos aumentaria drasticamente, fazendo com que eles desvalorizassem. Os rendimentos dos títulos da dívida dos EUA atingiriam nível recorde. Essa situação poderia colapsar toda a economia dos EUA.

A Turquia é mais um país que já decidiu livrar-se dos títulos da dívida pública dos EUA. O presidente do país, Recep Tayyip Erdogan, considera que o Ocidente quer castigar o país por sua política de reforço da soberania. Segundo os últimos dados, Ancara reduziu seus recursos financeiros investidos em títulos norte-americanos em 38% desde outubro de 2017, aumentando as compras de ouro.Embora hoje esses títulos ainda continuem sendo o ativo mais seguro do mundo, tendo em consideração a guerra comercial desencadeada por Washington contra a China, o maior credor dos EUA, alguns analistas preveem que Pequim também poderia reduzir sua posição em títulos do Tesouro dos EUA, tal como já o fizeram a Rússia e a Turquia. Esse passo seria, verdadeiramente, o início do fim da época do dólar.

*O que se Passa Realmente na Nicarágua? Parece tão Igual a 2013 no Brasil…

Do: Luíz Muller Blog

Nicarágua

Quem não lembra de julho de 2013 no Brasil e as hordas de Black Blocs e bandidos mascarados mostrados pela Globo como “manifestantes” contra o Governo de Dilma, em movimento que supostamente eram contra um aumento insignificante nos preços de passagens de ônibus, com as quais aliás, o Governo Federal não tinha nada a ver? Tá pensando que na Nicarágua é diferente? Estamos falando do andamento de um golpe financiado pelos EUA. Aqui, pela nossa cultura, o golpe acabou levando um tempo maior para acontecer. Na Nicarágua, de repente, contra uma Reforma da Previdência que pegaria os que mais ganham, estoura um movimento que tem por objetivo derrubar o governo Sandinista de Ortega, democraticamente eleito há menos de dois anos.

NICARAGUENSES ESTÃO CARREGANDO O FUTURO EM SUAS MÃOS MM CONTRA A OPOSIÇÃO RETROGRADA DAS OLIGARQUIAS

Foto: Leia o que esta escrito na faixa esticada por terroristas de direita e vai entender tudo em um segundo

Cuidado com as narrativas que vem da Nicarágua. A guerra híbrida esta em andamento lá também. Através da comunicação, fazem um povo destruir sua própria nação. Fizeram isto no mundo árabe em 2011, com as tais “revoluções coloridas”, fizeram na Ucrânia, fizeram no Brasil a partir de 2013, fazem na Venezuela e fazem…na Nicarágua.

UMA ANÁLISE INTERESSANTE DE DOIS INVESTIGADORES AMERICANOS DO NORTE

O QUE ACONTECE REALMENTE NA NICARÁGUA ?

por Kevin Zeese y Nils McCune*

Há muita informação falsa e imprecisa sobre a Nicarágua na mídia. Mesmo à esquerda, alguns simplesmente repetiram as afirmações duvidosas da CNN e da mídia oligárquica da Nicarágua para apoiar a derrubada do presidente Ortega. A narrativa de manifestantes não-violentos versus esquadrões antimotim e paramilitares pró-governo não foi questionada pela mídia internacional.

Este artigo procura corrigir o registro, descrever o que está acontecendo na Nicarágua e por quê. Enquanto escrevemos isso, o golpe parece estar falhando, as pessoas se uniram pela paz (como demonstrado por esta marcha maciça pela paz no sábado, 7 de julho) e a verdade está saindo (por exemplo, o esconderijo de armas descoberto em uma igreja Católica em 9 de julho). É importante entender o que está acontecendo porque a Nicarágua é um exemplo dos tipos de golpes violentos que os Estados Unidos e os ricos usam para lançar governos neoliberais dominados pelos negócios. Se as pessoas entenderem essas táticas, elas serão menos eficazes.

Misturando os interesses da classe

Em parte, os especialistas americanos estão obtendo suas informações da mídia, como La Prensa, de Jaime Chamorro-Cardenal (a Globo da Nicarágua), e o Confidencial da mesma família oligárquica, que são os elementos mais ativos da mídia golpista. Repetem e ampliam sua narrativa des/legitimista contra o governo sandinista e pedem a rendição incondicional de Daniel Ortega como a única opção aceitável. Esses especialistas protegem os infames interesses internos e externos que se propuseram a controlar o país mais pobre (na realidade o terceiro menos rico) e ao mesmo tempo, rico em recursos naturais da América Central.

A tentativa de golpe trouxe as divisões de classe na Nicarágua aos olhos do público. Piero Coen, o homem mais rico da Nicarágua, proprietário de todas as operações nacionais da Western Union e de uma empresa agroquímica, chegou pessoalmente ao primeiro dia de protestos na Universidade Politécnica de Manágua para incentivar os estudantes a continuar protestando, prometendo seu apoio contínuo

A tradicional oligarquia latifundiária da Nicarágua, liderada politicamente pela família Chamorro, publica constantes ultimatos ao governo por meio de sua mídia e financia os bloqueios que paralisaram o país durante nas últimas oito semanas.

A Igreja Católica, um aliado por um longo tempo com os oligarcas, fez todos os esforços para criar e sustentar ações anti-governamentais, incluindo universidades, escolas, igrejas, contas bancárias, veículos, tweets, sermões de domingo e um esforço unilateral para mediar o chamado “Diálogo Nacional“. Os bispos ameaçaram matar o presidente e sua família, e filmou um padre que supervisiona a tortura dos sandinistas. O Papa Francisco pediu conversações de paz e até chamou o Cardeal Leonaldo Brenes e Bishop Rolando Alvarez para uma reunião privada no Vaticano, provocando rumores de que o nicaraguense Monsignori sendo repreendido por seu envolvimento óbvio no conflito Eles estão mediando oficialmente o “Dialogo“.

Uma afirmação comum é que Ortega se alinhou com a oligarquia tradicional, mas o oposto é verdadeiro. Este é o primeiro governo desde a independência da Nicarágua que não inclui a oligarquia. A partir dos anos 1830 até os anos 1990, os governos todos os nicaragüenses, mesmo durante a Revolução Sandinista, incluiu pessoas do “sobrenome” elite de Chamorro Cardenal, Belli, Pellas, Lacayo, Montealegre, Gurdián. O governo desde 2007 não, então essas famílias apóiam o golpe.

Os detratores de Ortega reivindicam seu diálogo em três partes, incluindo os sindicatos, os capitalistas, e o Estado é uma aliança com as grandes empresas. De fato, esse processo produziu a maior taxa de crescimento na América Central e o salário mínimo anual aumentou de 5 a 7% acima da inflação, melhorando as condições de vida dos trabalhadores e tirando as pessoas da pobreza. O projeto Borgen contra a pobreza relata que a pobreza diminuiu em 30% entre 2005 e 2014.

O governo liderado pela FSLN lançou um modelo econômico baseado no investimento público e no fortalecimento da rede de segurança para os pobres. O governo investe em infraestrutura, trânsito, manutenção de água e eletricidade no setor público e movimenta os serviços privatizados. por exemplo, cuidados de saúde e educação primária no setor público. Isso garantiu uma estrutura econômica estável que favorece a economia real sobre a economia especulativa. A maior parte da infraestrutura na Nicarágua foi construída nos últimos 11 anos, algo comparável à era do New Deal nos EUA. Incluindo usinas renováveis ​​de eletricidade em todo o país.

A Nicarágua é um pais muito pobre e se encontra na área onde as garras dos EUA são mais tenazes, uma área do planeta onde é difícil uma nação (fora Canadá, EUA e México) desenvolver economicamente. O que comentaristas liberais e até alguns esquerdistas ignoraram é que, (ao contrário do governo Lula no Brasil que reduziu a pobreza através de pagamentos em dinheiro à famílias pobres, o Brasil tinha como fazer isso), a Nicarágua redistribuiu o capital produtivo para desenvolver uma economia de pessoas auto-suficientes. O modelo FSLN é melhor entendido como uma ênfase na economia popular sobre o angulo e as esferas, estatal “ou capitalista“.

Embora o setor privado emprega cerca de 15% dos trabalhadores nicaraguenses, o setor informal emprega mais de 60%. O setor informal se beneficiou de US $ 400 milhões em investimentos públicos, muitos dos quais vêm dos fundos da aliança ALBA para financiar micro-empréstimos para pequenas e médias empresas agrícolas. Políticas para facilitar o crédito, equipamentos, treinamento, animais, sementes e combustível subsidiado dão suporte adicional a essas empresas. Os pequenos e médios produtores da Nicarágua levaram o país a produzir 80-90% de seus alimentos e a depender de empréstimos do FMI.

Como tal, os trabalhadores e camponeses, (muitos dos quais são trabalhadores independentes), concordaram com um capital produtivo através da Revolução Sandinista e lutas seguintes, representam uma importante questão política de desenvolvimento social estável da última década do pós-guerra, incluindo centenas de milhares de camponeses que receberam o título da terra. E foram emitidos títulos de propriedade de quase um quarto do território nacional, às nações indígenas. Os movimentos sociais de trabalhadores, camponeses e grupos indígenas foram a base do apoio popular que trouxe a FSLN de volta ao poder.

A titulação de terras e assistência a pequenas empresas também têm enfatizado a igualdade para as mulheres, resulta que a Nicarágua tem o menor nível de desigualdade de gênero na América Latina e ocupa o 12º lugar entre 145 países no mundo, apenas atrás da Alemanha.

Eventualmente, o governo FSLN incorporou neste sector de trabalhadores de auto-emprego (cooperativos e outras formulas), ou seja, (os trabalhadores têxteis em plantas estrangeiras situadas em zonas de livre comércio criadas pelos governos neoliberais anteriores), no sistema de saúde e pensões, fazendo com que os compromissos financeiros crescessem, o que exigiu uma nova fórmula para garantir a estabilidade fiscal. As reformas propostas para a Previdência Social foram o gatilho para o setor privado e os protestos estudantis em 18 de abril. O lobby empresarial incitou protestos, quando Ortega propôs aumentar as contribuições dos empregadores em 3,5% para os fundos de pensão e saúde, enquanto aumentou apenas as contribuições dos trabalhadores em 0, 75% e transferiu 5% da transferência de renda dos aposentados para o seu fundo de assistência médica. A reforma também pôs fim a uma lacuna legal que permitia às pessoas de alta renda reivindicar baixos rendimentos para ter acesso a benefícios de saúde.

Esta foi uma contraproposta à proposta do FMI de aumentar a idade de aposentadoria e mais que o dobro do número de semanas que os trabalhadores teriam de pagar o fundo de pensão, a fim de acessar os benefícios. O fato de que o governo se sentiu forte o suficiente para negar as exigências de austeridade do lobby empresarial e do FMI era um sinal de que o poder de barganha do capital privado tinha diminuído desde o impressionante crescimento econômico na Nicarágua, (um aumento de 38% no PIB 2006-2017), tem sido liderado por pequenos produtores e gastos públicos. No entanto, a oposição usou anúncios manipuladores no Facebook que apresentaram a reforma como uma medida de austeridade, mais falsas notícias da morte de um estudante em 18 de abril, para gerar protestos em todo o país em 19 de abril. Imediatamente, a máquina de mudança de regime foi posta em movimento.

O Diálogo Nacional mostra os interesses da classe em conflito. A Aliança Cívica pela Justiça e Democracia da oposição tem como figuras-chave: José Adan Aguirre, líder do lobby das empresas privadas; Maria Nelly Rivas, diretora da Cargill na Nicarágua e chefe da Câmara de Comércio dos Estados Unidos e da Nicarágua; os estudantes universitários privados de 19 de abril º Movimento; Michael Healy, gerente de uma corporação colombiana de açúcar e chefe do lobby do agronegócio; Juan Sebastián Chamorro, que representa a oligarquia vestida com roupas civis; Carlos Tunnermann, ex-ministro sandinista de 85 anos e ex-chanceler da Universidade Nacional; Azalea Solís, diretora de uma organização feminista financiada pelo governo dos EUA e Medardo Mairena, um “líder camponês” financiado pelo governo dos Estados Unidos, que viveu 17 anos na Costa Rica antes de ser deportado em 2017 por tráfico de seres humanos. Tünnermann, Solis e os alunos do Movimento 19 de Abril, todos estão associados ao Movimento pela Renovação do Sandinismo (MRS), um grupo pequeno saído do partido sandinista, que merece atenção especial.

Na década de 1980, muitos dos quadros de alto nível da Frente Sandinista foram, de fato, os filhos de algumas das famosas famílias oligárquicas, como os irmãos Cardenal e parte da família Chamorro, a cargo dos ministérios da Cultura e Governo do governo revolucionário. Educação e seus meios, respectivamente. Após a derrota eleitoral do FSLN em 1990, os filhos da oligarquia organizaram um êxodo do partido. Junto com eles, alguns dos quadros intelectuais, militares e de inteligência mais notáveis ​​saíram e formaram, com o tempo, a MRS. O novo partido renunciou ao socialismo, culpou Daniel Ortega por todos os erros da Revolução, e ao longo do tempo assumiu a esfera das organizações não-governamentais (ONGs) na Nicarágua, incluindo organizações feministas, ambientais e de juventude.

Desde 2007, a MRS se tornou cada vez mais próxima da extrema direita do Partido Republicano dos Estados Unidos. Desde o surto de violência em Abril, muitos, se não a maioria das fontes citadas pela mídia ocidental (incluindo, perturbadoramente, Democracy Now Amy Goodman), vêm desta festa, que tem o apoio de menos de 2% do eleitorado nicaraguense. Isso permite que os oligarcas (eles decidiram ser a melhor logística para aplicarem o golpe) expressem sua tentativa violenta de restabelecer o neoliberalismo em um discurso de esquerdistas de antigos sandinistas críticos do governo de Ortega (a direita comumente faz isso, se apropria do discurso de esquerda).

Nicarágua, Sujeitos mascarados, armados com morteiros e bazucas caseiras bloqueiam as avenidas

Foto: Nicarágua, Sujeitos mascarados, armados com morteiros e bazucas caseiras bloqueiam as avenidas

É uma farsa dizer que os trabalhadores e camponeses estão por trás dos tumultos. A “Via Campesina“, a “União Nacional de Agricultores e Pecuaristas“, a “Associação dos Trabalhadores Rurais“, a “Frente Nacional de Trabalhadores“, a “Nação Indígena Mayangna” e outros movimentos e organizações têm sido inequivocados em suas demandas para acabar com a violência programada contra o povo nicaraguense e contra o governo de Ortega. Esse “mal-estar” é uma operação de mudança de regime em grande escala realizada por oligarcas da mídia, uma rede de ONGs financiadas pelo governo dos EUA. Elementos armados de famílias de proprietários de terras, da elite e da Igreja Católica, e abriu as portas para cartéis de drogas e crime organizado para ganhar uma posição na Nicarágua.

O elefante na sala

O que nos leva à participação do governo dos Estados Unidos no violento golpe.

Como Tom Ricker relatou no início desta crise política, o governo dos EUA há vários anos decidiu que, em vez de financiar os partidos políticos da oposição, que perderam enorme legitimidade na Nicarágua, os EUA financiaria o setor das ONGs da sociedade civil. O “National Endowment for Democracy (NED)” concedeu mais de US $ 700.000 para construir a oposição ao governo em 2017, e já distribuiu mais de US $ 4,4 milhões desde 2014. O objetivo principal deste financiamento era de “fornecer uma estratégia coordenada e os meios de voz aos grupos de oposição na Nicarágua.

Ricker continua:

“O resultado dessa consistente construção e financiamento dos recursos da oposição foi criar uma câmara de ressonância que é amplificada por comentaristas na mídia internacional, a maioria dos quais não tem presença na Nicarágua e depende dessas fontes secundárias.”

O fundador da “NED“, Allen Weinstein, descreveu a “NED” como a CIA aberta, qause privada, ele disse: “Muito do que fazemos hoje foi feito secretamente há 25 anos pela CIA“. Na Nicarágua, mais do que na direita tradicional, o NED financia as organizações afiliadas à MRS que levantam críticas ao governo de esquerda sandinista, usando o discurso da esquerda sandinista. Os ativistas da mudança de regime usam slogans, canções e símbolos sandinistas, mesmo quando queimam monumentos históricos, pintam os marcadores vermelhos e pretos dos mártires caídos e atacam fisicamente os membros do partido sandinista.

De grupos de oposição no Diálogo Nacional a “organização feminista Azalea Solís” e a “organização camponesa Medardo Mairena” são financiadas através de bolsas NED, enquanto os alunos do “Movimento 19 de Abril” ficam em hotéis e fazem viagens pagas pela Freedom House, um outro organismo de mudança de regime financiado pelo NED e pela USAID. O NED também financia “Confidential“, a organização de mídia Chamorro. O NED concede financiamento ao “Instituto de Estudos Estratégicos e Políticas Públicas” (IEEPP), cujo diretor executivo, Félix Maradiaga, é do quadro da MRS que está muito próximo da Embaixada dos Estados Unidos. Em junho, Maradiaga foi acusado de comandar uma rede criminosa chamada “Viper” que a partir do campus ocupado “UPOLI“, organizaram incêndios em automóveis, roubo e assassinatos para criar o caos e pânico durante os meses de Abril e Maio.

Maradiaga cresceu nos Estados Unidos e tornou-se membro do Aspen Leadership Institute, antes de estudar políticas públicas em Harvard. Ele foi secretário do Ministério da Defesa do último presidente liberal, Enrique Bolaños. É um Jovem Líder Global no Fórum Econômico Mundial em 2015, o Conselho de Assuntos Globais de Chicago concedeu a concessão Gus Hart, incluindo dissidente cubano Yoani Sanchez e Henrique Capriles, o líder da oposição venezuelana que atacou cubanos na embaixada durante a tentativa de golpe de 2002.

Surpreendentemente, Maradiaga não é o único líder da tentativa de golpe que faz parte da Aspen World Leadership Network. Maria Nelly Rivas, diretora da gigante corporativa americana Cargill, na Nicarágua, é uma das principais porta-vozes da oposição, a Civic Alliance. Rivas, que atualmente também lidera a Câmara de Comércio dos Estados Unidos (AMCHAM) e da Nicarágua, está sendo preparado como um possível candidato presidencial nas próximas eleições. Sob esses líderes preparados pelos Estados Unidos, há uma rede de mais de 2.000 jovens que receberam treinamento com fundos da NED em tópicos como as habilidades das mídias sociais para a defesa da democracia.

Sobre violência

Uma das maneiras pelas quais os relatórios sobre a Nicarágua se aventuraram mais longe da verdade é o fato de chamarem a oposição de “não-violenta“. O script de violência, inspirados pelos protestos “guarimba” 2014 e 2017, na Venezuela, é organizar ataques armados contra edifícios do governo, forçando a polícia a enviar esquadrões de choque, participar em confrontos filmados e pós vídeos editados on-line, alegando que o governo está sendo violento contra manifestantes não-violentos.

Mais de 60 edifícios do governo foram queimados, escolas, hospitais, em ataques, 55 ambulâncias foram danificadas, causando pelo menos US $ 112 milhões em danos à infra-estrutura, as pequenas empresas foram fechadas e 200.000 empregos perdidos causando um impacto econômico devastador durante os protestos. A violência tem, além de milhares de feridos, 15 alunos e 16 policiais mortos e mais de 200 sandinistas sequestrados, muitos deles torturados incluídos publicamente. As atrocidades violentas da oposição foram mal informadas como repressão do governo. Embora seja importante para defender o direito do público para protestar, independentemente das suas opiniões políticas, não podemos ser ingênuos e ignorar a estratégia da oposição que exige e alimenta-se de violência e mortes…

Notícias nacionais e internacionais afirmam mortes e ferimentos devido a “repressão” sem explicar o contexto. A mídia ignorou os cocktails molotov, rojões,  armas e rifles usados ​​por grupos de oposição, e quando os sandinistas simpatizantes, agentes da polícia ou espectadores são mortos, são contados falsamente como vítimas da repressão do estado nicaraguense. A mídia oligarca tem noticiado que as demandas explosivas da oposição, como os massacres de crianças e assassinatos de mulheres são falsas, e casos de tortura, desaparecimentos e execuções extrajudiciais são impostas pelas forças policiais.

Usando a lógica de raciocínio, embora não haja evidência para apoiar a alegação “do atirador” assassinando manifestantes de oposição, não há nenhuma explicação lógica para o Estado usar franco-atiradores. Para aumentar o número de vítimas mortas ? E os contra-manifestantes também foram vitimas de franco-atiradores ? Sugerindo um “terceiro” papel provocativo na violência desestabilizadora. Quando uma família de sandinistas inteira foi queimada na Manágua, a mídia golpista de  oposição citou uma testemunha que disse que a polícia ateou fogo à casa, embora a casa estava em uma vizinhança com acesso policial fechado.

A Polícia Nacional da Nicarágua foi reconhecida por um longo tempo por seu modelo de policiamento comunitário (em oposição à polícia militar na maioria dos países da América Central), sua relativa falta de corrupção e maior parte de seu alto escalão feminino. O estratégia do golpe  tentou destruir a confiança pública na polícia através do uso terrível de documentos falsos, tais como as muitas falsas alegações de assassinatos, espancamentos, tortura e desaparecimentos na semana de 17 de abril de notícias 23 º. Vários jovens cujas fotos foram levadas para manifestações da oposição como vítimas de violência policial acabaram por estar vivos e bem.

A polícia tem sido totalmente inadequada e não está preparada para confrontos armados. Ataques a vários prédios públicos na mesma noite e os primeiros grandes ataques incendiários, levaram os funcionários do governo a se protegerem com barris de água e, com frequência, paus e pedras, para se defenderem contra os atacantes. A oposição, frustrada por não ganhar mais conflitos com a policia, começou a construir barricadas em todo o país, incendeiam as casas dos sandinistas, até mesmo incendiando e queimando as famílias sandinistas em atrozes crimes de ódio. Em contraste com a versão de eventos do La Prensa, os nicaraguenses sentiram a clara falta de presença policial e a perda de segurança em seus bairros, enquanto muitos eram alvos de violência.

Desde maio, a estratégia da oposição tem sido construir barricadas armadas em todo o país, paralisando o transporte e aprisionando pessoas. As barricadas, geralmente construídas com grandes paralelepípedos, são tripuladas por entre 5 e 100 homens armados com lenços ou máscaras. Enquanto a mídia relata jovens idealistas que possuem barricadas, a grande maioria das barreiras é mantida por homens pagos que vêm de um fundo para pequenos delitos. Quando grandes áreas das cidades e vilas são bloqueadas pelo governo e pelas forças policiais, as atividades relacionadas às drogas se intensificam, e as gangues de drogas agora controlam muitas das barricadas e pagam salários.

Esses bloqueios têm sido os centros de violência, os trabalhadores que precisam passar pelos controles são muitas vezes roubados, espancados, insultados e, se, são suspeitos de serem sandinistas, amarrados, despidos, torturados, pintados de azul e branco etc. . Há três casos de pessoas morrendo em ambulâncias que não podem atravessar os bloqueios de estrada, e um caso de uma menina de 10 anos sequestrada e estuprada no posto de verificação de Las Maderas. Quando vizinhos organizados, ou policiais desfazem as barreiras na estrada, os grupos armados fogem e se reagrupam para queimar prédios, sequestrar ou ferir pessoas em vingança. Todas as vítimas que essa violência produz são contadas pela mídia como vítimas da repressão, uma total falsidade.

O governo nicaraguense enfrentou essa situação mantendo a polícia fora das ruas, para evitar encontros e acusações de repressão. Ao mesmo tempo, em vez de simplesmente prender manifestantes violentos, o que certamente teria dado a oposição a morte de longas batalha, o governo pediu um diálogo nacional, intermediadas pela Igreja Católica, em que a oposição pode apresentar qualquer proposta de direitos humanos e reforma política. O governo criou uma Comissão Parlamentar da Verdade e lançou uma consulta independente do Ministério Público.

Com a polícia saindo das ruas, a violência da oposição se intensificou ao longo de maio e junho. Como resultado, um processo de autodefesa do bairro foi desenvolvido. As famílias que foram deslocadas, os jovens que foram espancados, roubados e torturados e veteranos da insurreição de 1979, realizaram uma vigília em torno da sede da Frente Sandinista em cada aldeia. Em muitos lugares, eles construíram barricadas contra ataques da oposição e foram falsamente rotulados como forças paramilitares na mídia. Nas cidades que não possuem barricadas organizadas pela comunidade, o custo humano da violência da oposição é muito maior.A União Nacional dos Estudantes da Nicarágua tem sido particularmente visada pela violência da oposição.

Desde abril, quatro principais concentrações da oposição foram realizadas, com o objetivo de mobilizar os nicaraguenses da classe média alta que vivem nos subúrbios entre Manágua e Masaya. Estas demonstrações ofereceram um ‘quem é quem’ da alta sociedade, incluindo rainhas da beleza, empresários e oligarcas, bem como estudantes universitários a partir do Movimento 19 de Abril.

Três meses após o conflito, nenhuma das vítimas foi definida como da burguesia. Todos vieram das classes populares da Nicarágua. A burguesia se sente perfeitamente segura para participar de protestos públicos durante o dia, embora o último dia de manifestação terminou em um ataque caótico por manifestantes contra posseiros em uma propriedade de Piero Coen, o homem mais rico da Nicarágua. Os ataques noturnos armados geralmente têm sido realizados por pessoas de bairros pobres, muitos dos quais recebem de duas a quatro vezes o salário mínimo diário para cada noite de destruição.

Infelizmente, a maioria das organizações de direitos humanos da Nicarágua é financiada pelo NED e controlada pelo Movimento pela Renovação Sandinista. Essas organizações acusaram o governo nicaraguense de ditadura e genocídio durante a presidência de Ortega. Organizações internacionais de direitos humanos, incluindo a Anistia Internacional, têm sido criticadas por seus relatórios unilaterais, que não incluem qualquer informação fornecida pelo governo ou por pessoas que se identifiquem como sandinistas.

O governo convidou a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da OEA, (uma organização com sede em Washington e hostil à governos de esquerda em todas as Américas), para investigar os acontecimentos violentos de abril e determinar se a repressão havia ocorrido realmente. O diretor da Comissão, Paulo Abrão, visitou o local para declarar seu apoio à oposição. A CIDH ignorou a violência generalizada da oposição e só informou sobre a violência defensiva do governo. Não só, foi categoricamente rejeitada pelo ministro das Relações Exteriores da Nicarágua, Denis Moncada, que considerou a informação como um “insulto à dignidade do povo da Nicarágua”, a resolução que aprova o relatório da Comissão foi apoiada apenas por dez de 34 países.

Enquanto isso, o Movimento 19 de Abril, (em favor e com os estudantes universitários, apoiam e lutam pela mudança de regime), enviou uma delegação a Washington e conseguiu alienar grande parte da sociedade nicaraguense sorrindo para a câmera com intervencionistas membros da extrema direita do Congresso doss EUA, incluindo a deputada Ileana Ros Lehtinen, o senador Marco Rubio e o senador Ted Cruz. Os líderes do M19 também aplaudiram as advertências belicosas feitas pelo vice-presidente Mike Pence de que a Nicarágua está na lista de países que em breve saberão o significado da “liberdade de gestão Trump”, e se reuniu com o partido ARENA em El Salvador, conhecida por suas ligações com os esquadrões da morte e o arcebispo Oscar Romero. Dentro da Nicarágua,

Por que Nicarágua?

Ortega venceu seu terceiro mandato em 2016 com 72,4% dos votos, com uma participação de 66%, muito alta se comparada às eleições nos Estados Unidos. A Nicarágua não só estabeleceu uma economia que trata os pobres como produtores, com resultados notáveis ​​que elevam seu padrão de vida em 10 anos, mas também um governo que rejeita constantemente o imperialismo dos EUA, aliando-se a Cuba, Venezuela e Palestina, e manifesta o seu apoio à independência de Porto Rico e uma solução pacífica para a crise coreana. A Nicarágua é membro da Aliança Bolivariana das Américas e da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos, uma alternativa latino-americana à OEA, e não inclui os EUA não para o Canadá. Também se aliou à China para um projeto de canal proposto e à Rússia para a cooperação em segurança. Por todas essas razões, os Estados Unidos querem instalar um governo amistoso da Nicarágua com os Estados Unidos.

Mais importante é o exemplo que a Nicarágua estabeleceu para um modelo social e econômico de sucesso fora da esfera de dominação dos EUA. Gerando mais de 75% de sua energia a partir de fontes renováveis, a Nicarágua foi o único país com autoridade moral a se opor ao Acordo Climático de Paris porque era muito fraco (mais tarde, aderiu ao tratado um dia depois que Trump retirou os EUA. UU., Declarando que “nos opomos ao Acordo de Paris por responsabilidade, os Estados Unidos se opõem à irresponsabilidade”). O governo da FMLN em El Salvador, embora menos dominante politicamente do que a Frente Sandinista, tomou o exemplo da boa governança da Nicarágua, que recentemente proibiu a mineração e a privatização da água. Até mesmo Honduras, o eterno bastião do poder dos Estados Unidos na América Central, Mostrou sinais de uma mudança para a esquerda até o golpe militar apoiado pelos Estados Unidos em 2009. Desde então, houve uma repressão maciça de ativistas sociais, uma eleição claramente roubada em 2017, e Honduras permitiu a expansão das bases militares dos EUA perto da fronteira com a Nicarágua.

Em 2017, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou por unanimidade a Lei de Condicionalidade ao Investimento da Nicarágua (Lei NICA), que, se aprovada pelo Senado, forçará o governo dos EUA vetar os empréstimos de instituições internacionais ao governo nicaraguense (boicote). Este imperialismo dos Estados Unidos prejudicará a capacidade da Nicarágua de construir estradas, modernizar hospitais, construir usinas de energia renovável e fazer a transição da pecuária extensiva para sistemas florestais integrados, entre outras conseqüências. Também pode significar o fim de muitos programas sociais populares, como eletricidade subsidiada, tarifas de ônibus estáveis ​​e tratamento médico gratuito de doenças crônicas.

O poder executivo do EUA usou o Magnitsky Act global para direcionar as finanças dos líderes do Tribunal Superior Eleitoral, a Polícia Nacional, o governo da cidade de Manágua e a corporação ALBA na Nicarágua. Policiais e burocratas de saúde pública receberam aviso de que seus vistos nos EUA foram revogados. O ponto, claro, não é se essas autoridades cometeram ou não cometeram atos que merecem sua repreensão na Nicarágua, mas se; o governo dos EUA teriam jurisdição para intimidar e encurralar funcionários públicos da Nicarágua.

Enquanto a violência sádica continua, a estratégia dos conspiradores para expulsar o governo falhou. A resolução da crise política virá através de eleições, e é provável que o FSLN ganhe essas eleições, exceto por uma nova ofensiva dramática e improvável por parte da oposição de direita.

Uma guerra de classes de cabeça para baixo

É importante entender a natureza dos golpes americanos e oligárquicos nessa época e o papel da mídia e do engano das ONGs, porque se repetem em vários países da América Latina e de outros países. Podemos esperar um ataque semelhante contra o recém-eleito Andrés Manuel López Obrador, no México, se ele procurar as mudanças que prometeu.

Os Estados Unidos tentaram dominar a Nicarágua desde meados do século XIX. Os ricos da Nicarágua têm buscado o retorno do governo aliado dos Estados Unidos desde que os sandinistas chegaram ao poder. Este golpe fracassado não significa o fim de seus esforços ou o fim da desinformação da mídia corporativa. Saber o que realmente está acontecendo e compartilhar essa informação é o antídoto para derrotá-los na Nicarágua e em todo o mundo.

A Nicarágua é uma guerra de classes de cabeça para baixo. O governo elevou os padrões de vida da maioria empobrecida através da redistribuição de riqueza. Os oligarcas e os Estados Unidos, incapazes de instalar o neoliberalismo por meio de eleições, criaram uma crise política, destacada pela falsa cobertura da mídia para forçar a renúncia de Ortega.

Leia na íntegra: O que se passa realmente na Nicarágua? Parece tão igual a 2013 no Brasil

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Leia também:  Há muita informação falsa e imprecisa sobre a Nicarágua na mídia. Mesmo à esquerda, alguns simplesmente repetiram as afirmações duvidosas da CNN e da mídia oligárquica da Nicarágua para apoiar a derrubada do presidente Ortega. A narrativa de manifestantes não-violentos versus esquadrões antimotim e paramilitares pró-governo não foi questionada pela mídia internacional….Continue lendo

Nossa opinião:

O cerne do ápice de toda a crise que ocorre na Nicarágua atualmente é a construção do “Canal da Nicarágua”, obra totalmente construída com recursos do tesouro Chines, a Russia dará apoio politico e fará a segurança.

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Não a toa, esta mega obra que ligará um oceano a outro, com um leito mais profundo, mais largo e um percurso quase igual ao Canal do Panamá, deveria ser iniciada em 2015.

Com a formalização desta oposição golpista em 2014, as obras estão sendo proteladas por motivos de segurança e até os dias atuais não se iniciaram.

Referindo a hegemonia estadunidense na América Central este canal seria uma linha divisória definitiva na construção de um mundo  multipolar e países da Ásia e toda a Europa teriam um acesso mais rápido e com menor custo para toda a América do Sul.