*A Prostituição é Considerada a Escravidão do Século XXI

A PROSTITUIÇÃO NÃO É A MAIS ANTIGA DAS PROFISSÕES. É SIM, A MAIS ANTIGA FORMA DE DOMINAÇÃO E EXPLORAÇÃO PATRIARCAL

——-

Artigo de opinião da porta-voz do Grupo Socialista Municipal na Câmara Municipal de Villarrobledo, Caridad Ballesteros, por ocasião do Dia Internacional contra a exploração sexual e o tráfico de mulheres, meninas e meninos

Neste momento, quando a Violência de Gênero nos horroriza, é uma realidade invisível, escondida entre uma suposta diversão e luzes de neon, mas que constitui uma das formas de violência mais terríveis e aceitas que se conhece.

Entre 40 e 42 milhões de pessoas são prostituídas no mundo, 80% são mulheres e meninas.

 nos diz que 90% das mulheres prostituídas são contra sua vontade, 9 em cada 10 mulheres são forçadas, enganadas, sequestradas, roubadas, compradas e vendidas. O mito da prostituta livre é uma mentira e a maior das injustiças, porque enquanto houver apenas uma mulher traficada, a prostituição não pode ser considerada uma forma de liberdade.

No ano passado, 14.000 escravos sexuais foram detectados na Espanha e apenas 1 entre 20 casos são relatados, o numero pode ser 20 vezes maior, ou bem mais. Nas crianças, a realidade é ainda mais sombria e não há dados confiáveis, mas a polícia alerta para o aumento constante e alarmante de menores prostituídos, de homens que exigem meninas.

Meninas compradas, enganadas, pensando que estes criminosos lhes oferecem um futuro, ajuda para suas famílias, meninas roubadas da vida. Meninas de países pobres, principalmente Paraguai, República Dominicana e África Subsaariana. Os explorados espanhóis constituem uma minoria, mas existem, e eles também estão aumentando. A maioria é capturada on-line por dinheiro fácil ou promete ser modelo.

A chamada indústria do sexo, por não ser uma indústria, é uma rede criminal organizada que lucra com o assédio de mulheres e meninas, porque esse negócio movimenta 10 milhões de euros por  na Espanha, um negócio muito lucrativo que muitas partes políticos e organizações, que se autodenominam progressistas, pedem para legalizar o processo, considerando-o como um comercio qualquer (em alguns países a prostituição e o trafico de drogas entram para cálculos de crescimento dos [PIB] produto interno bruto – parênteses nosso).

Do PSOE, temos uma posição clara: a exploração de mulheres e meninas não pode ser considerada trabalho, a escravidão e a violência não podem ser legalizadas, e é por isso que acreditamos na abolição da prostituição. E nós nos perguntamos e convidamos você a refletir sobre o assunto: se a prostituição é um trabalho, você a deseja para suas filhas ou filhos ?

Essa realidade, essa forma de violência socialmente aceita contra as mulheres, não poderia ocorrer se não houvesse demanda, se não houvesse homens que exigissem que as mulheres satisfizessem seus desejos. Sem clientes não há prostituição, sem clientes não há tráfico.

E, no entanto, e infelizmente, somos o terceiro país do mundo (Espanhaparênteses nosso) em prostituição, depois da Tailândia e Porto Rico. Somos o primeiro país da Europa a demandar prostituição.

40% dos homens já pagaram pelo sexo, 4 em cada 10 homens e não acreditam que a prostituição seja uma forma de violência. É difícil pensar que alguém é capaz de imaginar que, para uma mulher solteira, trancada em um bordel, forçada a entregar todo o dinheiro que ganha, ela e sua família sofrendo ameaças e estando sujeitas a tantos riscos físicos e mentais, é difícil acreditar que alguém pense que isso não é violência, que seja divertido. Você não pode satisfazer um desejo às custas do sofrimento de uma mulher, uma menina …

Esse é um problema social que afeta a todos nós e que somos chamados a tornar visível como a primeira maneira de lutar por sua erradicação. A educação de nossas crianças e adolescentes é essencial para impedi-los de traficar redes ou impedir que se tornem consumidores de prostitutas, homens que usam mulheres como objetos para usar e jogar fora.

A educação afetivo-sexual é primordial, porque, se não educarmos, a pornografia fará isso e é gratuito, eles terão um clique, com apenas um telefone para acessá-lo.

Pornografia é teoria, prostituição e estupro é prática. Ninguém está alheio ao aumento alarmante de casos de estupros, muitos deles em grupos, e se forem educados em violência, praticarão a violência.

Do governo socialista de Castilla-La Mancha, com a nossa Lei sobre Violência de Gênero, fica claro que a prostituição é uma violência de gênero e é trabalhada intensivamente pelo Ministério da Igualdade com programas de conscientização e disseminação para a prevenção do consumo de drogas. Prostituição entre jovens. Nas palavras de nossa conselheira,  : “Embora saibamos que a tarefa que enfrentamos é enorme, não devemos desistir do esforço para alcançar uma sociedade mais justa e, portanto, mais feliz para aqueles que a compõem”.

É tarefa de todos tornar visível e lutar contra esse flagelo social. É tarefa dos homens recusar-se a participar dessa desumanização das mulheres, censurar quem termina a festa em um bordel e dizer alto e claro SEM VOCÊ, NÃO HÁ COMÉRCIO.

Ler na íntegra: La prostitución es considerada la esclavitud del siglo XXI

*13 Diferenças entre o Feminismo Libertário e o Feminismo Burgues

do it

1 – As feministas burgueses procuram a proteção das mulheres através dos aparelhos coercivos do estado.

As feministas libertárias defendem-se pela autodefesa das mulheres em comunidades, ou coletivos.

2 – O feminismo burguês deseja que todas mulheres compitam em igualdade de oportunidades e seja retribuída segundo seus métodos individuais.

Ao contrário, as feministas libertárias lutam para que cada indivíduo desenvolva-se solidariamente em igualdade e que, cada pessoa seja satisfeita segundo suas necessidades.

3 – As feministas burguesas desejam a incorporação das mulheres em posições de poder no parlamento, exército, nas altas gerências das empresas capitalistas e nos cargos executivos governamentais.

As feministas libertárias desejam a abolição das instituições hierárquicas. É por isso que declaram-se antiestatistas, antimilitaristas e críticas do parlamentarismo.

4 – O feminismo burguês sustenta que a igualdade de gênero pertence aos “direitos humanos”, e deve ser garantido pelo estado.

As feministas libertárias sustentam que o estado não pode garantir a igualdade, pois a igualdade não se pode alcançar com ajuda da hierarquização da sociedade, esta hierarquização gera a organização piramidal e repressiva do estado.

5 – As feministas burgueses acreditam na “consciência feminista cidadã”, ou seja, um conjunto de práticas e valores que transformem-nas em um sujeito submisso diante das relações neoliberais.

As feministas libertárias acreditam na “consciência de classe feminista”, em princípios e finalidades libertárias, na luta para abolir as relações de poder e substituí-las por relações livres em igualdade.

6 – As feministas burgueses insistem em explicar historicamente o feminismo com ajuda de “ondas”, ignorando e censurando o feminismo proletário, anarquista e comunitário (primeira onda, segunda onda, terceira onda, etc).

As feministas libertárias nutrem-se sem racionalizar aos aportes teóricos e conjunturais do feminismo hegemônico, nutrem-se sobretudo das lutas históricas das mulheres das classes oprimidas e exploradas.

7 – As feministas burgueses querem um capitalismo “ecológico, amável e inclusivo”.

As feministas libertárias lutam contra o capitalismo e são contra qualquer forma de opressão econômica, política ou cultural.

8 – As feministas burgueses vinculam-se à organizações hierárquicas e partidos parlamentares. Promovem o eleitoralismo estatal e a importância da inclusão da mulher na política burguesa.

As feministas libertárias organizam-se em associações horizontais, praticam a ação direta, o apoio mútuo e a autogestão.

9 – As feministas burgueses consideram de vital importância, leis de paridade de gênero, para “feminizar” as instituições hierárquicas do capitalismo.

As feministas libertárias consideram que a luta contra o patriarcalismo não acontece no sentido de substituir um sistema de dominação por outro, e sim, pela destruição de qualquer sistema de dominação.

10 – As feministas burgueses desejam que o homem colabore na divisão do trabalho no lar e que o homem seja um complemento da mulher, abaixo na hierarquia das relações.

As feministas libertárias questionam radicalmente a hétero normatividade, a estrutura familiar patriarcal e o conceito de amor que lhe sustenta radicalmente.

11 – O feminismo burgues, centralmente, esta preocupado com as relações do poder. O feminismo libertário é centrado nas relações entre seres humanos.

12 – A libertária revolucionária nunca perde a ternura.

A guerreira burguesa é uma mercenária.

13 – A igualdade que a burguesia criou para a mulher, é toda fundamentada no individualismo, é uma narrativa construída pelo patriarcado.

A feminista libertária luta por solidariedade

Feminazi: O termo foi criado pelo patriarcalismo e tem um objetivo principal: Desconstruir as lutas por igualdade e desestimular qualquer discussão sobre o feminismo, cabe ao feminismo libertário o combate ao uso deste termo pejorativo e desconstrutor, não querendo generalizar, porém, se uma mulher ou um homem utilizar este termo contra outr@, existe 99% de possibilidade deste agressor ter tendências nazi/fascistas.

NÃO HÁ PODER SEM LIBERDADE E SEM POTENCIAL DE REVOLTA-M.FOUCAULT

Pode te interessar: QUAL A DIFERENÇA DO FEMINISMO PARA FEMINISMO LIBERTÁRIO?