*O Capital e os Números – Por villorBlue

Uma das maiores façanhas do capital foi transformar o ser humano em um “complexo leitor economicista” da realidade em que vive.

Feito isso, medimos nosso grau de felicidade, transformamos nossos atos em números, algo como; o que existe são momentos de felicidade (números).

Se uma pessoa faz cinco refeições ao dia e quatro não tem o que comer, na nossa leitura economicista aparecerá que, cada uma fez uma refeição no dia, um número fora da realidade, porém existente na ciência das  pesquisas.

Quando em sociedade, poderemos ser considerados melhores, mais respeitados e maiores, somando os bens materiais que possuímos, números de carros, joias, etc, somos considerados vitoriosos se ao chegarmos aos quarenta anos, tivermos um acumulo considerável de bens materiais..

Nossa consciência é uma fatoração colocada em uma balança de dois pratos e nossos atos bons têm que contrabalancear nossos atos ruins, deixando ao comando do primeiro nosso futuro nesta vida ou em outra futura (se assim a tivermos).

Nossos orgasmos têm que ser relativos aos não orgasmos tudo isso transformado numa equação com as tentativas para obtê-los, vencendo assim o maior número das conquistas ou derrotas.

Uma nação vai bem se o PIB estiver acima de 2%, justamente porque 2% se transformou em um número de segurança, isso é, na realidade pode significar zero ou um número negativo, porém, 2% é positivo e aceito.

Há quatro anos, quando tínhamos no Brasil um número de desemprego de 4% a economia não estava bem (segundo a mídia e os economistas burgueses) (e 4% de desempregados é considerado emprego pleno pelos economistas burgueses, por uma questão das várias fórmulas matemáticas este percentual pode ser ou não positivo).

Atualmente o país tem aproximadamente 25 milhões de desempregados (e isso representa 12% da população total, se levarmos em conta a população ativa e apta ao trabalho este percentual cresce assustadoramente) e a mídia burguesa e capacha do capital, continua a mascarar os números dizendo que o Brasil tem menos de 14% de desempregados, lendo assim, o numero nem fica muito assustador.

Citando um exemplo, em 2014 na “república de Curitiba”, uma passagem de ônibus urbano custava $ 2,30 e as massas de manobra faziam manifestações questionando estes valores ou os $ 0,30 que se propunha de aumento, hoje, custa quase $ 5 e não se observa mais manifestações nas ruas, ou redes sociais contrariando estes valores, o que nos leva crer que nossa leitura economicista pode ser relativa as vezes e isso depende de variantes. O salario minimo em 2014 era de R$ 724, em 2018 R$ 937.

Observa-se nos últimos dois anos, um número crescente de pessoas nos semáforos das cidades brasileiras vendendo coisas, limpando vidros de carros, ou nas ruas catando recicláveis, porém, para a burguesia, este é um número que não interessa.

Conforme os órgãos do governo, nos últimos dois meses, tem crescido o número de vagas para empregos no país, com referência a estes dados faremos alguns comentários: São vagas para “televendas, faxineiros, vendedores e empregos domésticos em geral, muitos deles são empregos por comissão, isso é, o trabalhador recebe apenas se vender”, observando que estes empregos citados começaram a aparecer após a reforma trabalhista e o fim da CLT no ano passado.

Não surpreende ninguém (e isto quem afirma é a OIT – Organização Mundial do Trabalho) que o Brasil é o país com o maior número de empregada(o)s doméstica(o)s no mundo.

Trabalhar em afazeres domésticos na “casa grande” era considerado pelos escravagistas dos trabalhadores escravizados forçadamente (oriundos da África), uma benesse. Esta é uma realidade gerada no escravagismo e persiste aos dias atuais, infelizmente nossa classe média é preguiçosa e não perdeu seus vícios.

O primeiro pressuposto de toda a existência humana e, portanto, de toda a história, é que todos os homens devem estar em condições de viver para poder ‘fazer história’. Mas, para viver, é preciso antes de tudo comer, beber, ter moradia, vestir-se e algumas coisas mais. (A Ideologia Alemã, tópico A.1 – História)

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