*Emmanuel Macron: Quem Você Pensa que é?

Inspirado em texto de: Martin Jay

À medida que a União Européia cresce ainda mais fora de contato com seus cidadãos e com a realidade, Macron está tentando se posicionar como o caminho que une a UE, os EUA e o Oriente Médio neocolonizado.

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A União Européia não é realmente uma instituição democrática. É uma organização elitista, autocrática, maçônica, atrasada, baseada em um modelo francês de governança napoleônica, não é uma entidade moderna, pluralista e europeia que respeita as opiniões do eleitorado.

Ao mesmo tempo em que Macron fala em não querer uma Europa autoritária, ele defende uma Europa soberana, deixando em dúvida a qual Europa histórica ele se refere. A Europa do tratado de Potsdam ? Ou a Europa de passado colonialista e escravagista?

O Parlamento Europeu onde Macron proferiu seu discurso não é composto de grupos eleitorais/democráticos, ou políticos burgueses europeus, que por prática promovem em todo o continente a causa dos direitos civis ou dos consumidores, mas sim repleto de centenas de lobistas que estão lá para garantir que a “Big Industry” (muitas vezes, nem ao menos situadas na UE) desempenhe um papel crucial na elaboração de novas regras de negócios que empurram concorrentes menores para fora do mercado.

Agora, com os últimos acontecimentos na Síria, com Macron protagonizando os ataques bélicos junto a Trump, fica claro que a indústria armamentista também está inclusa neste loby da “Big industry” (nem européia precisamente), em toda UE.

Em entrevista a DW Macron afirma que convenceu Trump a ficar na Síria por tempo indeterminado investindo caro nesta guerra (ele usa outras palavras).

Macron, um verdadeiro conservador e ultra-neoliberal, faz parte dessa rede, de grandes conglomerados industriais europeus.

Macron está pedindo e organizando um exército exclusivo para a UE, um novo parlamento da UE, separado apenas para estados-membros na zona do euro (Oeste Europeu [rico e historicamente colonizador] ?), políticas comuns de impostos e asilo (protecionismo e xenofobia).

Na concepção de Macron, a poderosa UE superaria seu peso atual no cenário internacional, especialmente no Oriente Médio, que é o que interessa para a França, “devido ao petróleo“, controlando o petróleo a França ditaria as regras na zona do Euro, assim como os EUA ditariam as regras no resto do mundo ao controlar petróleo e os minérios na América Latina.

Poucos europeus percebem que o Parlamento Europeu tem três assembleias. Uma em Bruxelas, outra em Luxemburgo e a terceira na França (Estrasburgo). E não é por acaso que nestes locais onde ficam as 3 assembleias o idioma predominante é o francês. Esta foi uma imposição da França.

Os franceses nos primeiros dias do desenvolvimento da UE, sentiam-se inseguros e angustiados sobre a sua própria importância e insistiram que a UE lhes permitisse ter um parlamento da UE em Estrasburgo, somente assim consentiram em apoiar o mega projeto do Euro. E assim, a cada mês, mais de 780 eurodeputados e suas equipes, acompanhadas de centenas de toneladas de documentação, gastam cerca de US $ 22 milhões dos bolsos dos contribuintes da UE, apenas para impedir que os inseguros franceses tenham pesadelos a noite e “mijem na cama”.

O parlamento europeu é uma falsa assembleia que nem tem o poder de propor alguma legislação (talvez esta mudança esteja inclusa na nova constituição da UE), todo mês a UE se dedica a debater sobre projetos e diretrizes, coisas como “mudanças climáticas“, “emissões de carbono” e outras, enquanto emite milhares de toneladas de CO2 em um ano com suas atividades. É uma falsa união. É uma casta. 

Se Emmanuel Macron estava à procura de uma instituição tão magnificamente prometida à “merda“, escolheu o lugar certo quando proferiu o seu discurso esta semana aos eurodeputados sobre como reformar a UE.

Seu discurso foi uma guia ao futuro da elite empresarial e aos seguidores que se dedicam apaixonadamente ao projeto da UE, a proposta de Macron não foi original, mas foi bem recebida por muitos federalistas da UE que estão presos ao seu dogma, cegos sobre os problemas da UE. Macron, como os fanáticos do federalismo em Bruxelas, acreditam que a Europa precisa de mais UE, não menos (uma UE mais autocrática).

Em meio ao caos financeiro dos últimos anos com o Euro, um crescente pânico imigratório que levou os partidos de direita a novos níveis de popularidade (Marine Le Pen está aí para provar), de um projeto fracassado em Bruxelas, que às vezes parece que a UE irá desaparecer a qualquer momento (a Inglaterra está saltando do bonde[BR EXIT]), Macron acredita que os povos da Europa precisam entregar mais poder à elite na capital belga.

E pedir a reforma da UE faz parte desse mantra, apesar de ser um exercício de extrema futilidade. Pois sabemos que a crise é do capital, e estes remendos só alongarão a vida do moribundo e próximo defunto.

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Leia na íntegra: Emmanuel Macron: Quem você pensa que é?

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