*O Ouro Venezuelano

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Por Hugo Maranduba Blog UNA

O país caribenho, segundo relatório do Conselho Mundial do Ouro, está em primeiro lugar como país possuidor das maiores reservas na América Latina, ficando na frente de gigantes regionais como Brasil e México. Boa parte dessas reservas foi depositada em países estrangeiros como forma de garantir a solvência que se fazia necessário para obter empréstimos quando outrora, este país tinha que recorrer a tradicionais fundos financeiros ou até mesmo realizar transações em moedas internacionais, com mais agilidade e segurança.

O ouro venezuelano esteve espalhado por vários países, como Suíça, Panamá, EUA, França, Reino Unido, entre outros. Este último, é com quem Venezuela vivencia a sua mais recente querela no afã de resgatar o que é seu por direito, para que de forma soberana possa dispor dessas reservas. Desta forma, fica claro de que não é só da exploração de hidrocarbonetos como o petróleo e o gás que tem no país vizinho. Suas reservas de metais preciosos também chama a atenção e é tida como objeto de cobiça por parte de grandes potências econômicas e políticas do globo.

O processo de repatriação dos ativos venezuelanos não é recente, é um movimento que teve início em meados de 2011, através do então Presidente e líder da Revolução Bolivariana, Hugo Chávez. O Presidente Chávez, intencionado em ter o controle físico das riquezas do país e muito também por temer que de alguma forma esses recursos futuramente pudessem ser bloqueados por possíveis sanções políticas, já que o país se encontrava em litígio com os EUA, aproveitou o período de abundância dos recursos petrolíferos e optou por quitar dívidas que o país mantinha com fundos estrangeiros, possibilitando assim, repatriar parte do ouro ou remanejar essas reservas à países com maior afinidade política e ideológicas, tais como a China, Rússia e o Brasil. O Brasil nesse período era liderado pelo partido dos trabalhadores.

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Povo venezuelano recepciona a chegada do primeiro lote de ouro repatriado pelo então presidente Hugo Chávez (foto: AVN)

Ainda no ano de 2011, em novembro, chegava ao país caribenho a primeira remessa do ouro repatriado, momento em que cidadãos venezuelanos acompanharam o comboio que levava o metal precioso, entoando palavras de ordem, em comemoração pelo regresso do ouro as arcas do Banco Central, em Caracas.

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Ouro repatriado pelas ruas de Caracas, rumo ao Banco Central (FOTO: AVN)

Atualmente, não mais por opção ideológica, mais sim para garantir a manutenção de políticas básicas implementada pelo governo de Nicolás Maduro, bem como para mitigar os impactos causado pela crise financeira originada pelos embargos que sofre o país, e da queda dos preços de hidrocarbonetos, a Venezuela vê no uso dessas reservas a possibilidade de melhorar sua situação econômica. Todavia, o país vem enfrentando dificuldade para repatriar o seu ouro, e muito disso se dá pelas sanções impostas pelo Imperialismo Estadunidense e seus aliados na União Europeia, como outrora já foi imaginado por Hugo Chávez.

Apesar de haver um esforço em passar a imagem de que a negativa dessa repatriação não ocorre por questões geopolíticas e sim pelo fato de Venezuela não ter, segundo eles, uma definição de quem é seu presidente de fato, uma vez que os Estados Unidos e alguns países da Europa, incluindo o Reino Unido, não reconhecem Nicolás Maduro como presidente legítimo, mas sim o deputado autoproclamado Juan Guaidó. As intenções geopolíticas de sufocar a economia venezuelana fica clara a partir do momento em que as primeiras negativas de repatriação ocorrem ainda no ano de 2018, antes mesmo do deputado Juan Guaidó se autoproclamar presidente de Venezuela.

Outro fato que merece atenção é de que vários órgãos estrangeiros, tanto de outros países como também do Reino Unido, seguem se relacionando de maneira oficial com o Palácio de Miraflores (sede do Governo Venezuelano), e não com o autoproclamado presidente Juan Guaidó. Deve-se considerar um exemplo a apresentação do embaixador do Reino Unido ao presidente Nicolás Maduro no ano de 2018, bem como o termo de posse do representante da Câmara de Comércio do Reino Unido, para as autoridades indicadas por Nicolás Maduro. Fato esse que ocorreu no segundo semestre do último ano, momento este que Guaidó já havia se autoproclamado presidente.

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Andrew Soper, embaixador do Reino Unido toma posse na Venezuela, em 05/02/2018.

Ademais, inúmeras notas verbais e diplomáticas são trocadas atualmente entre Venezuela e Reino Unido. Assim, deixando claro que mesmo afirmando que reconhece Guaidó como presidente, atos oficiais são tratados diretamente com o governo de Nicolás Maduro.

Se faz necessário entender que, qualquer país que não siga a cartilha imperialista dos EUA e da União Europeia, os quais tem interesse nenhum em respeitar a soberania de países meses desenvolvidos. O que atualmente ocorre com a Venezuela e suas 31 toneladas de ouro retido no Reino Unido, pode ocorrer com vários outros. Um exemplo similar foi a situação de Muammar Mohammed Abu Minyar al-Gaddafi, militar político líbio, que se movimentou de maneira similar a Hugo Chávez.

O povo venezuelano está sendo impedido de usar seus recursos, e esse impedimento implica em caos social e asfixia econômica, práticas já aplicadas com sucesso em outras nações que buscava independência. E na Venezuela vemos um povo sofrendo e esse sofrimento é consequência de uma política de caráter meramente colonizador vinda das super potências globais, que buscam ter o controle das riquezas de países menos desenvolvidos. Dificilmente se verá os EUA levando “democracia” à países que não tenham abundância de recursos naturais ou a países que já estão alinhados com os seus interesses, como é o caso da ditadura secular na Arábia Saudita.

Em sua mais recente tentativa em rever seus recursos, a Venezuela chegou a recorrer a organismos das Nações Unidas, como mediador para a utilização desse dinheiro, também vinculando a aplicação do recurso para políticas de combate ao avanço da pandemia do Coronavírus, assim como a manutenção de políticas necessárias para mitigar a crise econômica que vive o país, que deve se agravar durante pandemia.

Até o momento a argumentação venezuelana é o interesse do seu povo, que são donos legítimos desses recursos, que parece não fazer frente alguma aos interesses geopolíticos dos EUA e aliados que tentam se manter na posição de hegemonia no controle global, mesmo que seus atos sejam dissociados dos valores de solidariedade humana, pois inevitavelmente essas ações cobrará vidas de irmãos e irmãs venezuelanos. Não há surpresas na postura dos EUA, União Européia e das negativas do Reino Unido, uma vez que apreço à vida de pessoas latinas jamais foi de interesse dos povos invasores.

Supervisão e edição de texto: Moisés Pedroso

Design de capa: Diego Takamatsu

Redes sociais: Giovane Silva e Gabriel Macedo

Leia na íntegra: O Ouro Venezuelano

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