*Conversa Sobre Prisões e Saúde Mental

Sobre o estado capitalista e a saúde mental:

Com: António Pedro Dores e Vera Silva

…Se o império for um estado mais avançado da hegemonia da economia capitalista no mundo, como se poderia explicar o forte crescimento da prática do encarceramento na era da globalização sobretudo financeira? Se, em vez disso, o estado for uma forma de concretização do império, um modo particular de organizar a vida em sociedade, resultado da evolução das mafias em representantes dos proprietários e destes em representantes das nações, as prisões seriam um dos modos de limitar a ação das mafias concorrentes e, também, de seduzir e intimidar os povos submetidos. Se o estado for entendido como uma entidade social distinta das nações, dos povos e das prisões, não se percebe como pode persistir com a economia e a sociedade contra si. Se, ao invés, o estado for entendido como uma forma de concretização das alianças entre as pessoas, os mercados e a administração pública, mais fácil será compreender o uso dado aos presos, como bodes expiatórios utilizados por quem tenham mais poder contra quem esteja fragilizado, para satisfazer necessidade de satisfação de sentimentos de retaliação. A discussão do valor relativo destas duas concepções das prisões (sociedade à parte ou lastro perverso do poder social) baseia-se em dois textos: “Quem são os presos?” e “O império”. A discussão sobre o sentido da presença do império na nossa vida quotidiana permitir-nos-á pensar a utilidade e eficácia da prisão para os estados capitalistas. As estratégias misóginas, hétero normativas e racistas incorporadas em nós foram e são fundamentais para a perpetuação da organização imperial, cujas elites dependem da existência de prisões e de manicômios produzidos e legitimados pela criminologia e pela psicologia forense, aliadas na conceptualização mistificadora da sociopatia e da psicopatia. Evocam-se a histérica, a prostituta, a mulher criminal, e xs respetivos filhxs, porque são figuras modelo da especialização do exercício do poder e servem ainda hoje para pensar e compreender a prisão e a saúde mental….

PELO FIM DO SISTEMA MANICOMIAL…

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